sexta-feira, maio 21, 2010
domingo, maio 09, 2010
sábado, maio 08, 2010
Despesa não é apenas despesa
Fui dirigente em 2 direcções diferentes de uma associação de Comércio Justo. Numa delas, tivemos grandes discussões com os nossos parceiros, com as despesas que mantinhamos com actuais ou novos funcionários. Argumentavamos nós, que um funcionário não pode ser visto apenas como despesa, pois todo o trabalho que um funcionário (mesmo que apenas administrativo ou de sensibilização) faz, traz benefícios e tudo isso tem de ser contabilizado no saldo final.
Com os investimentos públicos, passa-se o mesmo!
Rui Rio chegou à Câmara do Porto e acabou com tudo o que era cultura.
Em Angra do Heroísmo, PSD e CDS fazem ataque cerrado à CulturAngra. A Câmara de Angra, começa a fazer cortes, e a acabar com eventos que já duram há anos, como o AngraRock, por exemplo, pois o orçamento para a CulturAngra tem sido boicotado pela direita.
A direita, vê despesa, e quer acabar com ela, não vê que a despesa pode gerar riqueza. Se não para a autarquia, para os seus munícipes. E uma autarquia não se deve preocupar com isso? Custa muito a entender, que havendo (p.e.) bom cinema, com regularidade, os cafés e restaurantes perto do Centro Cultura de Angra, lucram com isso? E é só um exemplo!
E o mesmo se passa com as grandes obras nacionais. Sócrates parece ter descoberto há dias na Assembleia da República num debate com Francisco Louçã, que o Bloco de Esquerda é a favor do investimento público.
Francisco Louçã é subscritor de um documento a defender as grandes obras.
Pessoalmente, não vejo que seja preciso um TGV, não para ligar o país, posso aceitar que seja importante para nos ligarmos à rede da Alta Velocidade Europeia, já para ligar Porto-Lisboa-Faro, penso ser desnecessário, quando o actual Alfa-Pendular pode andar à mesma velocidade do TGV, desde que com outras linhas.
Quanto ao novo aeroporto sou absolutamente contra! Lisboa não precisa de um novo aeroporto! Se está prestes a ficar suturado (se é que isso é mesmo verdade, pois já vi reportagens em que mesmo isso é duvidoso), é verdade é que está assim porque tudo passa por lá. São inúmeros os exemplos que tenho (eu para ir a Malta, tive de apanhar voo em Lisboa, a minha mãe para ir a Porto Santo também, a minha irmã para ir à Suiça, idem aspas, e na Terceira, quando 80% dos continentais que cá estão querem ir para o Porto, são obrigados a irem para Lisboa, pois voos Terceira-Porto só há de Junho a Setembro...). Se houver uma descentralização, se as pessoas não forem obrigadas a passar por Lisboa, ver-se-á que a Portela está aí para as curvas.
Apesar desta opinião pessoal, sou claramente a favor de que o país precisa de investimento e de obras. A medida que o Bloco anunciou agora para substituir o aeroporto (caso ele não venha a ser adjudicado, pelo que se antevê das recentes palavras de Sócrates), parece-me boa: investir na requalificação de casas. Esse tipo de despesa, trará bons proveitos e é um investimento absolutamente necessário.
Guilherme Rietsch Monteiro
Topo de Gama
tenho um telemóvel topo de gama
mas ninguém me liga
mas ninguém me chama
tenho um automóvel cor azul índigo
ninguém quer boleia
ninguém vem comigo
tenho um apartamento virado para o mar
ninguém bate à porta
ninguém vem jantar
será que sou feio será que sou chato
será que vou dar em bicho do mato
será que sou giro mas giro ao contrário
será que estou preso dentro de um armário
não estás não senhor
apenas agora ficaste de fora
das contas do amor
tenho as medidas de um manequim
a beleza certa
ninguém dá por mim
tenho um bom emprego muito produtivo
até vale tirar olhos
é tão competitivo
tenho um consultório com um bom divã
onde deito a alma
e conto à mamã
será que sou feio será que sou chato
será que vou dar em bicho do mato
será que sou giro mas giro ao contrário
será que estou preso dentro de um armário
não estás não senhor
apenas agora ficaste de fora
das contas do amor
mas ninguém me liga
mas ninguém me chama
tenho um automóvel cor azul índigo
ninguém quer boleia
ninguém vem comigo
tenho um apartamento virado para o mar
ninguém bate à porta
ninguém vem jantar
será que sou feio será que sou chato
será que vou dar em bicho do mato
será que sou giro mas giro ao contrário
será que estou preso dentro de um armário
não estás não senhor
apenas agora ficaste de fora
das contas do amor
tenho as medidas de um manequim
a beleza certa
ninguém dá por mim
tenho um bom emprego muito produtivo
até vale tirar olhos
é tão competitivo
tenho um consultório com um bom divã
onde deito a alma
e conto à mamã
será que sou feio será que sou chato
será que vou dar em bicho do mato
será que sou giro mas giro ao contrário
será que estou preso dentro de um armário
não estás não senhor
apenas agora ficaste de fora
das contas do amor
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quinta-feira, maio 06, 2010
segunda-feira, maio 03, 2010
domingo, maio 02, 2010
sábado, maio 01, 2010
sábado, abril 24, 2010
sábado, abril 17, 2010
segunda-feira, abril 12, 2010
Fazer o que ainda não foi feito
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domingo, abril 11, 2010
sábado, abril 10, 2010
Grita
Hace días que te observo
y he contado con los dedos
cuantas veces te has reído
una mano me ha valido.
Hace días que me fijo
no sé que guardas ahí dentro
a juzgar por lo que veo
nada bueno, nada bueno.
De qué tienes miedo
a reir y a llorar luego
a romper el hielo
que recubre tu silencio
Suéltate ya y cuéntame
que aquí estamos para eso
pa' lo bueno y pa' lo malo
llora ahora y ríe luego
(estribillo)
si salgo corriendo, tú me agarras por el cuello
y si no te escucho, grita !
te tiendo la mano tu agarras todo el brazo,
y si quieres más pues, grita !
Hace tiempo alguien me dijo
cual era el mejor remedio
cuando sin motivo alguno
se te iba el mundo al suelo
Y si quieres yo te explico
en que consiste el misterio
que no hay cielo, mar ni tierra
que la vida es un sueño
(estribillo)
si salgo corriendo, tú me agarras por el cuello
y si no te escucho, grita !
te tiendo la mano tu agarras todo el brazo,
y si quieres más pues, grita !
La flaca
En la vida conocí mujer igual a la Flaca
Na vida conheci mulher igual a Flaca
Coral negro de la Habana, tremendisima mulata
Coral negro de Havana, tremendíssima mulata
Cien libras de piel y hueso, cuarenta kilos de salsa
Cem libras de pele e osso, quarenta quilos de salsa
Y en la cara dos soles que sin palabras hablan
E no rosto dois sóis que sem palavras falam
Que sin palabras hablan
Que sem palavras falam
La Flaca duerme de día, dice que así el hambre engaña
A Flaca dorme de dia, diz que assim a engana a fome
Y cuando cae la noche baja a bailar a la tasca
E quando cai a noite vai dançar na taberna
Y bailar y bailar, y tomar y tomar,
E dançar e dançar, e beber e beber,
Una cerveza tras otra pero élla nunca engorda
Uma cerveja atrás da outra mas ela nunca engorda
Pero élla nunca engorda
Mas ela nunca engorda
Por un beso de la Flaca daría lo q' fuera
Por um beijo da Flaca eu daria o que fosse
Por un beso de ella aunque solo uno fuera
Por um beijo dela mesmo que só um fosse
Por un beso de la Flaca daría lo q' fuera
Por um beijo da Flaca eu daria o que fosse
Por un beso de ella aunque solo uno fuera
Por um beijo dela mesmo que só um fosse
Aunque solo uno fuera
Mesmo que que só um fosse
Mojé mis sábanas blancas como dice la canción
Molhei meus lençóis brancos como diz a canção
Recordando las caricias q' me brindó el primer día
Recordando as carícias que me brindou o primeiro dia
Y enloquezco de ganas de dormir a su ladito
E enlouqueço de vontade de dormir ao seu lado
Porque Dios! que esta Flaca a mí me tiene loquito
Porque Deus! Essa Flaca me tem louquinho
A mí me tiene loquito
Ela me tem louquinho
Por un beso de la Flaca daria lo q' fuera
Por um beijo da Flaca eu daria o que fosse
Por un beso de ella aunque solo uno fuera
Por um beijo dela mesmo que só um fosse
Por un beso de la Flaca daria lo q' fuera
Por um beijo da Flaca eu daria o que fosse
Por un beso de ella aunque solo uno fuera
Por um beijo dela mesmo que só um fosse
Aunque solo uno fuera (x 16)
Mesmo que só um fosse
quinta-feira, abril 08, 2010
terça-feira, abril 06, 2010
segunda-feira, abril 05, 2010
O que vai ser de mim
Prometeram-me um futuro
E eu sem querer acreditei,
Comprar a vida sem juros,
Ser dono do Cristo-Rei.
Vou usar jeans e gravata
E um Ferrari amarelo,
Um dia vou ser político
Ou talvez super-modelo.
A vida é um telecomando,
Eu sou o 5º canal,
Sou todos os sonhos perdidos
Por isso viva Portugal!
E agora o que vai ser de mim?
Será que vai ser sempre assim?
Hoje vi mais um concurso
De estrelas de rock´n roll,
De certezas e proezas,
Sexo, droga e futebol!
À noite na discoteca
Os shots falam verdade,
Afinal para que serviram
Dez anos de Faculdade?
A vida é um telecomando,
Eu sou o 5º canal,
Sou todos os sonhos perdidos
Por isso viva Portugal!
E agora o que vai ser de mim?
Será que vai ser sempre assim?
Dez milhões de sonhadores
E ninguém fala dos seus,
Todos têm telemóvel
Com rede directa a Deus.
Olho os outros no shopping
E vejo-me a mim também,
Sem saber que o conformismo
É sempre o poder de alguém.
A vida é um telecomando,
Eu sou o 5º canal,
Sou todos os sonhos perdidos
Por isso viva Portugal!
E agora o que vai ser de mim?
Será que vai ser sempre assim?
E eu sem querer acreditei,
Comprar a vida sem juros,
Ser dono do Cristo-Rei.
Vou usar jeans e gravata
E um Ferrari amarelo,
Um dia vou ser político
Ou talvez super-modelo.
A vida é um telecomando,
Eu sou o 5º canal,
Sou todos os sonhos perdidos
Por isso viva Portugal!
E agora o que vai ser de mim?
Será que vai ser sempre assim?
Hoje vi mais um concurso
De estrelas de rock´n roll,
De certezas e proezas,
Sexo, droga e futebol!
À noite na discoteca
Os shots falam verdade,
Afinal para que serviram
Dez anos de Faculdade?
A vida é um telecomando,
Eu sou o 5º canal,
Sou todos os sonhos perdidos
Por isso viva Portugal!
E agora o que vai ser de mim?
Será que vai ser sempre assim?
Dez milhões de sonhadores
E ninguém fala dos seus,
Todos têm telemóvel
Com rede directa a Deus.
Olho os outros no shopping
E vejo-me a mim também,
Sem saber que o conformismo
É sempre o poder de alguém.
A vida é um telecomando,
Eu sou o 5º canal,
Sou todos os sonhos perdidos
Por isso viva Portugal!
E agora o que vai ser de mim?
Será que vai ser sempre assim?
Lagoa da Serreta

PRC3TER - Serreta
Ilha: Terceira
Extensão: 7 Km
Tempo: 2h 30m
Realizado: 3 de Abril de 2010 entre as 13h30 e as 16h (hora dos Açores)







Este trilho começa e termina na freguesia da Serreta e tem a duração total de cerca de 2h30m. Inicia-se na estrada regional subindo por um troço de alcatrão, a Canada das Fontes, durante cerca de 200 metros. Na primeira bifurcação deve virar à direita e prosseguir por um caminho de terra batida que se vai estreitando, ladeado por uma vegetação muito variada, que inclui flora endémica como urze, pau branco e faia mas também algumas infestantes como incenso e acácia. No fim deste caminho deve virar novamente à direita por um caminho mais largo, até encontrar um atalho à esquerda por onde deve prosseguir e seguir de acordo com a sinalização. Pouco tempo depois, o caminho começa a subir para a Lagoinha, uma pequena lagoa rodeada por uma densa mata de cedros, que corresponde a cerca de metade do percurso. Volte pelo mesmo caminho até um pasto, onde deve virar à direita. Nessa altura deve seguir junto do arame farpado até um pequeno atalho que lhe permite aceder à lindíssima Ribeira do Além. Depois, o trilho continua por uma mata no Pico do Negrão, onde o caminho de pedra-pomes e bagacina é por vezes muito inclinado e exige atenção. Quando chegar a um pasto, atravesse-o até junto do depósito de água e siga à direita até chegar novamente a este painel. O percurso atravessa uma zona de Reserva Florestal. É responsabilidade de todos(as) nós contribuirmos para a sua protecção, bem como assegurar a sua biodiversidade através da conservação deste habitat natural.

Lagoinha da Serreta
Vista privilegiada da costa Oeste da ilha Terceira.
Deste ponto, a cerca dos 794 metros de altitude, temos uma paisagem rica e relaxante, donde se pode apreciar a costa Oeste da ilha Terceira e avistar as ilhas de São Jorge e da Graciosa.
A Lagoinha é uma lagoa que se encontra alojada na cratera de um vulcão que faz parte do grande cone vulcânico que deu origem à Serra de Santa Bárbara. Está a uma altitude de 786 metros acima do nível do mar, numa zona de grande pluviosidade, especialmente no Inverno.
É uma lagoa de pequenas dimensões, rodeada de abundantes turfeiras que ajudam a reter e a controlar os níveis das águas na lagoa, bem como do lençol freático da ilha. Em redor, bem como nas zonas próximas, há grandes povoamentos de flora indígena das florestas de Laurissilva, típicas nos Açores.
A floresta de Laurissilva, cuja origem está relacionada com as florestas húmidas do Terciário, existentes no Sul da Europa e desaparecidas há milhões de anos aquando das últimas glaciações, é uma floresta com um índice de endemismos muito elevado. Surge por todas as ilhas da Macaronésia, escalonada em altitude, em que um dos seus mais belos exemplares será porventura o Cedro-do-mato [Juniperus Brevifolia].
Protegida por legislação Comunitária e Nacional resta-nos apreciar, conservar e deixar às gerações vindouras este belo tesouro da ilha Terceira.
domingo, abril 04, 2010
terça-feira, março 30, 2010
Correio Azul
Sérgio Godinho
in Domingo no Mundo
Manda-me uma carta em correio azul
p'ra afastar estas cinco nuvens negras
relembra-me as regras
do saber viver
repõe-me o sentido nos sentidos
olfactos
ouvidos
à vista
de tactos
do teu paladar
Manda-me uma carta em correio azul
p'ra afastar esses blues de pacotilha
renega e perfilha
respectivamente
a torpe indiferença
e o amor ardente
amor tão ardente
que dos erros meus
má fortuna se ausente
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
que me deixe a face roburizada
promete-me a noite fatigada
de termos aberto o nosso nexo
ao sexo
da vida
porção destemida
da nossa emoção
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
que branqueie o passado num momento
paixão, é no corpo o sentimento
que faz da razão montanha russa
aguça
o encanto
mas no entretanto
faz estragos mil
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
para eu guardar no castanho dos armários
no meio de testemunhos vários
escritos por letras tão distantes
murmúrios amantes
que a vida me oferece
só por muito amar
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
in Domingo no Mundo
Manda-me uma carta em correio azul
p'ra afastar estas cinco nuvens negras
relembra-me as regras
do saber viver
repõe-me o sentido nos sentidos
olfactos
ouvidos
à vista
de tactos
do teu paladar
Manda-me uma carta em correio azul
p'ra afastar esses blues de pacotilha
renega e perfilha
respectivamente
a torpe indiferença
e o amor ardente
amor tão ardente
que dos erros meus
má fortuna se ausente
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
que me deixe a face roburizada
promete-me a noite fatigada
de termos aberto o nosso nexo
ao sexo
da vida
porção destemida
da nossa emoção
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
que branqueie o passado num momento
paixão, é no corpo o sentimento
que faz da razão montanha russa
aguça
o encanto
mas no entretanto
faz estragos mil
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
para eu guardar no castanho dos armários
no meio de testemunhos vários
escritos por letras tão distantes
murmúrios amantes
que a vida me oferece
só por muito amar
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
domingo, março 28, 2010
segunda-feira, março 15, 2010
quinta-feira, março 11, 2010
Bullying
Aproveitei a questão para fazer formação cívica aos meus alunos do 7º ano.
Acho que mais importante do que discutir o estrangeirismo da palavra, ou a violência em si, faz mais sentido discutir o tipo de brincadeiras que eles têm.
Primeiro incutir-lhes que toda a brincadeira "parva", tem as suas consequências, e que eles são responsáveis por elas e segundo que nenhum de nós reage da mesma maneira às mesmas coisas. Se um de nós pode reagir com um encolher de ombros quando colocado dentro de um armário, outro pode reagir de forma violenta e outro ainda pode ganhar um medo tal de quem o colocou no armário, que ao vê-lo desata a correr a fugir, podendo atravessar uma rua sem olhar e ser atropelado (ou atirar-se para dentro de um rio, sabendo que não sabe nadar).
E dei-lhes outros exemplos de brincadeiras que presenciei e que podem ter consequências:
- andar a atirar garrafas de água pelo ar, encharcando o chão de um pavilhão.
alguém escorrega e parte uma perna... eles são responsáveis
- andar com um colega às costas debaixo de um vão de escadas.
batem com a cabeça do colega nalgum lado... são responsáveis
Acima de tudo, este tipo de educação, responsabilizar, mostrar que as nossas acções têm consequências, mesmo que não as desejássemos, partem de casa.
Quando o meu sobrinho faz uma asneira e lhe ralho, responde logo: "foi sem querer"... Pois foi, mas explico-lhe sempre que podia ter sido evitado. Se ele se levanta da mesa a correr e com os braços leva tudo à frente e entorna um copo que está em cima da mesa, é óbvio que foi sem querer, não o fez de propósito, mas poderia ter sido evitado, se se levantasse da mesa com calma. E é sempre estas lições que ele leva de mim.
De resto, isto é também um pouco o que se passa na praxe.
Uns interpretam o que se passa como uma brincadeira, participam com gosto e defendem com unhas e dentes, outros sujeitam-se porque têm medo. E, infelizmente, raras não são as vezes, em que as brincadeiras têm consequências...
segunda-feira, março 08, 2010
Corte uma perna
Texto de: Rui Tavares
Eurodeputado do Bloco de Esquerda
Pois é: os salários são um custo. Mas também são uma fonte de procura.
“Quer perder vinte quilos de uma vez?” — diz a velha anedota, e responde: “corte uma perna!”
Nesta altura do campeonato já não espanta que a opinião dominante no nosso país seja uma versão desta anedota em teoria económica. Vários economistas, tão vociferantes quanto insistentes, pretendem que Portugal precisa de medidas radicais para resolver os seus problemas do défice e da dívida. A solução proposta, com ar de quem não faz mais do que anunciar o inevitável, é cortar nos salários dos portugueses. Que tal dez por cento para começar?
À primeira vista, faz sentido. Se eu cortar uma perna, perco vinte quilos, e de um momento para o outro. Excelente! Mas se eu cortar uma perna, passarei a ter uma vida mais sedentária. Terei mais dificuldades para fazer exercício; é possível que perca a força de vontade e me deprima; é possível que me vingue comendo hambúrgueres. Em resumo, posso acabar com mais peso do que no início.
Se nós cortamos os salários, também parece que resolvemos o problema da dívida pública de uma vez só. Os salários da função pública ficam mais fáceis de pagar com uma proporção menor do orçamento do Estado — logo, menos défice — logo, menos dívida pública ao longo do tempo. E a dívida externa? Bem: os cortes de salários em geral, e baixa do consumo que eles arrastam, fará com que compremos menos ao estrangeiro e equilibrará — talvez com um pouco de magia negra — a nossa balança com o estrangeiro. Menos importações e, com os salários baixos, exportações mais competitivas. O pior é se os estrangeiros seguem a mesma receita. Não se preocupem: exportamos para outro planeta.
***
Mas, tal como se cortarmos uma perna, as coisas não são assim tão simples. Se o salário do cidadão comum for cortado em um terço, é possível que ele deixe de vez de ir almoçar fora. Os donos de tantas tascas e restaurante por esse país adentro tentarão aguentar tanto quanto possível, e acabarão despedindo os empregados de mesa e as cozinheiras. O desemprego aumenta e essas pessoas também deixam de consumir. Pois é: os salários são um custo. Mas também são uma fonte de procura.
Passado algum tempo estamos, como a pessoa que cortou uma perna para perder peso, mais fracos e com menos capacidade de resistir. Se calhar, até com mais peso: é que à crise do défice e da dívida agravam-se a crise de emprego e a crise de procura. À recessão segue-se uma depressão, com deflação à mistura, o que significa que o valor da dívida aumenta em termos reais.
Quer isto dizer que o défice não é sério e a dívida não é para pagar? Não. Quer apenas dizer que eu confiaria mais em quem me dissesse: se é realismo que queres, vais demorar bastante tempo a pagar essa dívida. E vais precisar de toda a disciplina e toda a força de trabalho disponível. Vais precisar também de igualdade na repartição de fardos e benefícios: tudo a fazer exercício. Caso contrário, teremos apenas uma transferência de gordura de baixo para cima.
É que os mesmos empresários que hoje querem uma diminuição de salários irão mais tarde sofrer com a contração do consumo. E aí não terão o mínimo pejo em exigir ao estado “ajudas para a exportação”, “balões de ar para o setor” e a satisfação de outras necessidades semelhantes. O défice deixará então de ser uma preocupação; o dinheiro que não se gastou com o assalariado antes será gasto com o patrão depois — a empresa estará em risco de falência, ameaçada, e de cabeça perdida — e estaremos de novo endividados.
Endividados — e com uma perna a menos.
Eurodeputado do Bloco de Esquerda
Pois é: os salários são um custo. Mas também são uma fonte de procura.
“Quer perder vinte quilos de uma vez?” — diz a velha anedota, e responde: “corte uma perna!”
Nesta altura do campeonato já não espanta que a opinião dominante no nosso país seja uma versão desta anedota em teoria económica. Vários economistas, tão vociferantes quanto insistentes, pretendem que Portugal precisa de medidas radicais para resolver os seus problemas do défice e da dívida. A solução proposta, com ar de quem não faz mais do que anunciar o inevitável, é cortar nos salários dos portugueses. Que tal dez por cento para começar?
À primeira vista, faz sentido. Se eu cortar uma perna, perco vinte quilos, e de um momento para o outro. Excelente! Mas se eu cortar uma perna, passarei a ter uma vida mais sedentária. Terei mais dificuldades para fazer exercício; é possível que perca a força de vontade e me deprima; é possível que me vingue comendo hambúrgueres. Em resumo, posso acabar com mais peso do que no início.
Se nós cortamos os salários, também parece que resolvemos o problema da dívida pública de uma vez só. Os salários da função pública ficam mais fáceis de pagar com uma proporção menor do orçamento do Estado — logo, menos défice — logo, menos dívida pública ao longo do tempo. E a dívida externa? Bem: os cortes de salários em geral, e baixa do consumo que eles arrastam, fará com que compremos menos ao estrangeiro e equilibrará — talvez com um pouco de magia negra — a nossa balança com o estrangeiro. Menos importações e, com os salários baixos, exportações mais competitivas. O pior é se os estrangeiros seguem a mesma receita. Não se preocupem: exportamos para outro planeta.
***
Mas, tal como se cortarmos uma perna, as coisas não são assim tão simples. Se o salário do cidadão comum for cortado em um terço, é possível que ele deixe de vez de ir almoçar fora. Os donos de tantas tascas e restaurante por esse país adentro tentarão aguentar tanto quanto possível, e acabarão despedindo os empregados de mesa e as cozinheiras. O desemprego aumenta e essas pessoas também deixam de consumir. Pois é: os salários são um custo. Mas também são uma fonte de procura.
Passado algum tempo estamos, como a pessoa que cortou uma perna para perder peso, mais fracos e com menos capacidade de resistir. Se calhar, até com mais peso: é que à crise do défice e da dívida agravam-se a crise de emprego e a crise de procura. À recessão segue-se uma depressão, com deflação à mistura, o que significa que o valor da dívida aumenta em termos reais.
Quer isto dizer que o défice não é sério e a dívida não é para pagar? Não. Quer apenas dizer que eu confiaria mais em quem me dissesse: se é realismo que queres, vais demorar bastante tempo a pagar essa dívida. E vais precisar de toda a disciplina e toda a força de trabalho disponível. Vais precisar também de igualdade na repartição de fardos e benefícios: tudo a fazer exercício. Caso contrário, teremos apenas uma transferência de gordura de baixo para cima.
É que os mesmos empresários que hoje querem uma diminuição de salários irão mais tarde sofrer com a contração do consumo. E aí não terão o mínimo pejo em exigir ao estado “ajudas para a exportação”, “balões de ar para o setor” e a satisfação de outras necessidades semelhantes. O défice deixará então de ser uma preocupação; o dinheiro que não se gastou com o assalariado antes será gasto com o patrão depois — a empresa estará em risco de falência, ameaçada, e de cabeça perdida — e estaremos de novo endividados.
Endividados — e com uma perna a menos.
domingo, fevereiro 28, 2010
sábado, fevereiro 27, 2010
terça-feira, fevereiro 23, 2010
Golden Skans
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand.
Set sail from sense, bring all her young.
Set sail from where we once begun.
While we wait, while we wait.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand.
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
We sailed from sense, brought all our young.
We sailed from where we once begun.
While we wait, while we wait.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand.
Set sail from sense, bring all her young.
Set sail from where we once begun.
While we wait, while we wait.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand.
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
We sailed from sense, brought all our young.
We sailed from where we once begun.
While we wait, while we wait.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
Clã ao vivo
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segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Sorriso de Gioconda
Letra: Carlos Tê
Para quem sorri Mona Lisa
Para quem sorri Gioconda
Alguém diga se souber
Levante o dedo e responda
É sorriso de mulher
Que tem o mundo na mão
Sabe tudo sobre o desejo
Mas faz de conta que não
A quem dará Gioconda
seu sorriso de cortesã
Será que mo dá só a mim
mal vem o sol da manhã
Para quem sorri Mona Lisa
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Para quem sorri ao certo
Talvez sorria para alguém
Escondido ao fundo da sala
Aquele amante furtivo
Que planeia roubá-la
Não sei se sorri para longe
Para lá do mal e do bem
Será que sorri por sorrir
Um sorriso para ninguém
Para quem sorri Gioconda
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Ninguém sabe ao certo
Para quem sorri Mona Lisa
Para quem sorri Gioconda
Alguém diga se souber
Levante o dedo e responda
É sorriso de mulher
Que tem o mundo na mão
Sabe tudo sobre o desejo
Mas faz de conta que não
A quem dará Gioconda
seu sorriso de cortesã
Será que mo dá só a mim
mal vem o sol da manhã
Para quem sorri Mona Lisa
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Para quem sorri ao certo
Talvez sorria para alguém
Escondido ao fundo da sala
Aquele amante furtivo
Que planeia roubá-la
Não sei se sorri para longe
Para lá do mal e do bem
Será que sorri por sorrir
Um sorriso para ninguém
Para quem sorri Gioconda
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Ninguém sabe ao certo
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domingo, fevereiro 21, 2010
Base fechada aos EUA
Janeiro de 1962
Base fechada aos EUA
Reportagem do Diário Insular
Texto de: Rui Messias

Foi a primeira vez que Portugal proibiu a utilização da base das Lajes por aviões norte-americanos, que voavam em serviço para a ONU. O calendário marcava janeiro de 1962 e Salazar, depois de um ano negro, vingava-se assim da administração Kennedy.
A resposta espantou os oficiais das Nações Unidas (ONU), Particularmente os norte-americanos. Era a primeira vez que o governo de Oliveira Salazar proibia a utilização da Base das Lages para a passagem de aeronaves dos Estados Unidos rumo ao Congo, onde descarregariam material necessário à operação das forças daONU naquele teritório africano, mergulhado na guerra pela independência (1960-1966) do controlo belga (que terminaria na conquista do poder por Joseph Mobutu). O calendário marcava o dia 11 de Janeiro de 1962.
"Foi a primeira vez que qualquer restriçãi foi posta aos aparelhos da força aérea dos Estados Unidos para aterrar na base aérea das Lajes, nos Açores", escrevia-se num telegrama da Embaixada norte-americana em Portugal.
Vários historiadores, hoje, acreditam que esta atitude de Salazar demonstra a retaliação do executivo português contra a administração Kennedy, depois de um ano complicado para a política nacional.
O curioso é que os Estados Unidos já tinham sido avisados para esta possibilidade; aviso que, também curiosamente, não partira das autoridades ou da diplomacia portuguesa, mas do embaixador norte-americano em Lisboa.
A 31 de Dezembro de 1961, o embaixador norte-americano em Lisboa, Charles Burke Elbrick, envia para Washington um memorando com o balanço das relações luso-americanas no ano que terminava.
E, nas previsões para 1962, deixava claro: "O problema mais importante que se nos depara em 1962 nas nossas relações com Portugal é a renegociação do acordo da base dos Açores", sublinhava o diplomata. Esta afirmação no fundo, traduzia o resultado de um ano em que a política externa da administração Kennedy enfurecera mais Salazar do que cedera aos seus pedidos.
A nova administração norte-americana olhava para África com outros olhos; depois de vários anos em que Dwight D. Eisenhower (presidente dos EUA entre 1953 e 1961) optara por não questionar a acção portuguesa nas possessões africanas.
Robert Kennedy chegara à presidência dos Estados Unidos um ano antes - tomou posse a 20 de Janeiro de 1961 - e garantira alterar a política americana para África. O que significava o eventual apoio aos movimentos independentistas e, acima de tudo, o combate feroz (embora, muitas vezes, secreto) à influência soviética nos territórios africanos.
Mas Salazar mantinha um trunfo: a Base das Lajes, nos Açores, que os EUA usavam com autorização assinada desde 1954, embora já recorressem à infraestrutura açoriana (que ajudaram a edificar) desde 1944.
O "Santa Maria"
O primeiro confronto entre a nova política africana dos Estados Unidos e a visão "imperial" de Salazar acontece no final de Janeiro de 1961: oficiais norte-americanos sobem a bordo no navio "Santa Maria" e negoceiam com Henrique Galvão, que sequestrara a embarcação para chamar a atenção da comunidade internacional para a política colonialista portuguesa.
Galvão recebe no Santa Maria, uma delegação norte-americana. E a bordo decorre quase uma negociação de Estado a Estado. Galvão teve aqui a sua hora de glória e Salazar uma das suas maiores humilhações, ao ver um dos seus tradicionais aliados a reconhecer legitimidade a alguém que o governo português considerava um terrorista.
Hoje, vários historiadores concordam que o sequestro do navio "Santa Maria" (pertencente à Companhia Colonial de Navegação) marcou o início do fim do Estado Novo, lançando a atenção internacional sobre o regime salazarista e, acima de tudo, a sua acção nas colónias que mantinha em África.
A saga do "Santa Maria" começara na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, dois dias depois da tomada de posse da nova administração americana, liderada por John F. Kennedy.
O paquete de luxo é tomado de assalto em águas internacionais, junto às Caraíbas, por um comando do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL), chefiado por Henrique Galvão, ex-militar português. O objectivo era levar o navio para a ilha de Fernando Pó e, a partir daí, lançar a insurreição contra Portugal em Angola.
O governo de Salazar condenou o ataque e classificou-o de "pirataria internacional", pedindo depois apoio a França, Inglaterra e Estados Unidos.
Mas os três aliados (primeiro Paris e, depois, Londres e Washington) - perante o apoio dos seus povos à iniciativa de Galvão - optaram por tratar o sequestro como um assunto político (justificando a maior parte das suas acções com questões e dúvidas sobre o direito internacional), o que enfureceu Salazar.
Um trunfo na manga
Passado o episódio do "Santa Maria", Salazar via-se agora confrontado com os "ataques" americanos nas Nações Unidas.
A ameaça de barrar o uso da Base das Lajes esgrimida pelo governo português perante a atitude americana para com Henrique Galvão não surtira efeito. E os representantes de Washington nas Nações Unidas iniciavam um plano de críticas contra o regime colonialista português.
Durante todo o ano de 1961 (e parte de 1962), os EUA votam constantemente contra Portugal nas Nações Unidas. A par disso, proíbem a venda de armas a Lisboa que tenham por destino as colónias africanas e recorrem a todos os meios para convencer Salazar a alterar a sua política ultramarina no sentido de permitir a autodeterminação dos povos nativos das colónias.
Mas, a meados de 1962, o trunfo "Base das Lajes" volta a ser colocado em cima da mesa: os direitos de utilização da infraestrutura em tempo de paz pelos EUA terminavam no final de 1962 e a administração norte-americana vê-se obrigada a iniciar o processo de renegociação do acordo.
Nessa altura, surge um debate intenso no seio da administração Kennedy: um sector - onde se incluíam os militares - defendia a preservação a todo o custo do acesso às Lajes (considerada "a mais valiosa instalação que os Estados Unidos são autorizados a usar por uma potência estrangeira") e sublinhava que a "perda dos Açores teria as mais graves consequências militares"; outro sector considerava que a importância da estratégia militar não podia ofuscar a importância da auto-determinação dos povos africanos, para evitar a supremacia soviética naquele continente.
O debate "Angola ou Açores" conhece a fase crucial na primeira metade de 1962. É neste período que as teses europeístas (defesa dos Açores) se vão finalmente impor. Este sector vence o debate no seio da administração, a que se junta a maioria conservadora do Congresso, contrária à política africana de Kennedy.
Salazar vence a batalha. Não tanto por seu mérito, mas pela conjugação das necessidades militares americanas com o conservadorismo maioritário no Congresso.
Escreveria John Kenneth Galbraith (economista e conselheiro de Kennedy): "we are trading our African policy for a few acres of asphalt in the Atlantic".
Base fechada aos EUA
Reportagem do Diário Insular
Texto de: Rui Messias

Foi a primeira vez que Portugal proibiu a utilização da base das Lajes por aviões norte-americanos, que voavam em serviço para a ONU. O calendário marcava janeiro de 1962 e Salazar, depois de um ano negro, vingava-se assim da administração Kennedy.
A resposta espantou os oficiais das Nações Unidas (ONU), Particularmente os norte-americanos. Era a primeira vez que o governo de Oliveira Salazar proibia a utilização da Base das Lages para a passagem de aeronaves dos Estados Unidos rumo ao Congo, onde descarregariam material necessário à operação das forças daONU naquele teritório africano, mergulhado na guerra pela independência (1960-1966) do controlo belga (que terminaria na conquista do poder por Joseph Mobutu). O calendário marcava o dia 11 de Janeiro de 1962.
"Foi a primeira vez que qualquer restriçãi foi posta aos aparelhos da força aérea dos Estados Unidos para aterrar na base aérea das Lajes, nos Açores", escrevia-se num telegrama da Embaixada norte-americana em Portugal.
Vários historiadores, hoje, acreditam que esta atitude de Salazar demonstra a retaliação do executivo português contra a administração Kennedy, depois de um ano complicado para a política nacional.
O curioso é que os Estados Unidos já tinham sido avisados para esta possibilidade; aviso que, também curiosamente, não partira das autoridades ou da diplomacia portuguesa, mas do embaixador norte-americano em Lisboa.
A 31 de Dezembro de 1961, o embaixador norte-americano em Lisboa, Charles Burke Elbrick, envia para Washington um memorando com o balanço das relações luso-americanas no ano que terminava.
E, nas previsões para 1962, deixava claro: "O problema mais importante que se nos depara em 1962 nas nossas relações com Portugal é a renegociação do acordo da base dos Açores", sublinhava o diplomata. Esta afirmação no fundo, traduzia o resultado de um ano em que a política externa da administração Kennedy enfurecera mais Salazar do que cedera aos seus pedidos.
A nova administração norte-americana olhava para África com outros olhos; depois de vários anos em que Dwight D. Eisenhower (presidente dos EUA entre 1953 e 1961) optara por não questionar a acção portuguesa nas possessões africanas.
Robert Kennedy chegara à presidência dos Estados Unidos um ano antes - tomou posse a 20 de Janeiro de 1961 - e garantira alterar a política americana para África. O que significava o eventual apoio aos movimentos independentistas e, acima de tudo, o combate feroz (embora, muitas vezes, secreto) à influência soviética nos territórios africanos.
Mas Salazar mantinha um trunfo: a Base das Lajes, nos Açores, que os EUA usavam com autorização assinada desde 1954, embora já recorressem à infraestrutura açoriana (que ajudaram a edificar) desde 1944.
O "Santa Maria"
O primeiro confronto entre a nova política africana dos Estados Unidos e a visão "imperial" de Salazar acontece no final de Janeiro de 1961: oficiais norte-americanos sobem a bordo no navio "Santa Maria" e negoceiam com Henrique Galvão, que sequestrara a embarcação para chamar a atenção da comunidade internacional para a política colonialista portuguesa.
Galvão recebe no Santa Maria, uma delegação norte-americana. E a bordo decorre quase uma negociação de Estado a Estado. Galvão teve aqui a sua hora de glória e Salazar uma das suas maiores humilhações, ao ver um dos seus tradicionais aliados a reconhecer legitimidade a alguém que o governo português considerava um terrorista.
Hoje, vários historiadores concordam que o sequestro do navio "Santa Maria" (pertencente à Companhia Colonial de Navegação) marcou o início do fim do Estado Novo, lançando a atenção internacional sobre o regime salazarista e, acima de tudo, a sua acção nas colónias que mantinha em África.
A saga do "Santa Maria" começara na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, dois dias depois da tomada de posse da nova administração americana, liderada por John F. Kennedy.
O paquete de luxo é tomado de assalto em águas internacionais, junto às Caraíbas, por um comando do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL), chefiado por Henrique Galvão, ex-militar português. O objectivo era levar o navio para a ilha de Fernando Pó e, a partir daí, lançar a insurreição contra Portugal em Angola.
O governo de Salazar condenou o ataque e classificou-o de "pirataria internacional", pedindo depois apoio a França, Inglaterra e Estados Unidos.
Mas os três aliados (primeiro Paris e, depois, Londres e Washington) - perante o apoio dos seus povos à iniciativa de Galvão - optaram por tratar o sequestro como um assunto político (justificando a maior parte das suas acções com questões e dúvidas sobre o direito internacional), o que enfureceu Salazar.
Um trunfo na manga
Passado o episódio do "Santa Maria", Salazar via-se agora confrontado com os "ataques" americanos nas Nações Unidas.
A ameaça de barrar o uso da Base das Lajes esgrimida pelo governo português perante a atitude americana para com Henrique Galvão não surtira efeito. E os representantes de Washington nas Nações Unidas iniciavam um plano de críticas contra o regime colonialista português.
Durante todo o ano de 1961 (e parte de 1962), os EUA votam constantemente contra Portugal nas Nações Unidas. A par disso, proíbem a venda de armas a Lisboa que tenham por destino as colónias africanas e recorrem a todos os meios para convencer Salazar a alterar a sua política ultramarina no sentido de permitir a autodeterminação dos povos nativos das colónias.
Mas, a meados de 1962, o trunfo "Base das Lajes" volta a ser colocado em cima da mesa: os direitos de utilização da infraestrutura em tempo de paz pelos EUA terminavam no final de 1962 e a administração norte-americana vê-se obrigada a iniciar o processo de renegociação do acordo.
Nessa altura, surge um debate intenso no seio da administração Kennedy: um sector - onde se incluíam os militares - defendia a preservação a todo o custo do acesso às Lajes (considerada "a mais valiosa instalação que os Estados Unidos são autorizados a usar por uma potência estrangeira") e sublinhava que a "perda dos Açores teria as mais graves consequências militares"; outro sector considerava que a importância da estratégia militar não podia ofuscar a importância da auto-determinação dos povos africanos, para evitar a supremacia soviética naquele continente.
O debate "Angola ou Açores" conhece a fase crucial na primeira metade de 1962. É neste período que as teses europeístas (defesa dos Açores) se vão finalmente impor. Este sector vence o debate no seio da administração, a que se junta a maioria conservadora do Congresso, contrária à política africana de Kennedy.
Salazar vence a batalha. Não tanto por seu mérito, mas pela conjugação das necessidades militares americanas com o conservadorismo maioritário no Congresso.
Escreveria John Kenneth Galbraith (economista e conselheiro de Kennedy): "we are trading our African policy for a few acres of asphalt in the Atlantic".
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
O sexto sentido de Estado

Portugal tem um governo que não se demite mas acha que a oposição devia demiti-lo, e uma oposição que não o demite mas acha que ele devia demitir-se
in: Visão
Quando, na semana passada, o PS desafiou a oposição a apresentar uma moção de censura ao Governo, a política portuguesa ficou subitamente mais difícil de compreender. Os nossos políticos, que são pessoas bastante lineares, curiosamente produzem uma política muito complexa. Resumindo, o que se passa é isto: neste momento, Portugal tem um Governo que não se demite mas acha que a oposição devia demiti-lo, e uma oposição que não o demite mas acha que ele devia demitir-se. O primeiro-ministro deseja controlar os jornais, mas não consegue evitar que os jornais o descontrolem. E acusa os jornalistas de fazerem jornalismo de buraco de fechadura quando a porta está, na verdade, escancarada.
Façamos uma história breve do que tem sido o Governo de Portugal nos últimos anos. Primeiro, Durão Barroso saiu, porque foi chamado pela Comissão Europeia. Sócrates não sai mesmo que lhe chamem tudo. Pelo meio, Santana também saiu, mas contra a sua vontade. Um sai porque quer, o outro sai sem querer e o último não sai nem que toda a gente queira. Antes de Durão, já Guterres saíra, porque tinha coisas combinadas e o Governo do País atrapalhava-lhe a agenda. Dos últimos quatro primeiros-ministros, só 50% quis manter-se no lugar, facto que imediatamente os torna suspeitos.
O actual Governo está mergulhado em escândalos de vários tipos. Quem pode fazê-lo cair é o grupo parlamentar do PSD onde se encontra, por exemplo, António Preto, mergulhado em escândalos de vários tipos. Ou o Presidente da República, Cavaco Silva, cujos amigos e membros dos seus anteriores governos se encontram envolvidos em escândalos de vários tipos. O eleitor está em casa um pouco confuso, e com razão: é difícil optar entre tantos escândalos. Qual dos envolvidos em escândalos é o mais indicado para livrar o País destes escândalos? Eis uma questão difícil.
Bom, sou capaz de me ter deixado levar pelo ambiente de suspeição que temos vivido. Vistas friamente, as acusações ao primeiro-ministro acabam por ser frágeis. É difícil sustentar que Sócrates quer acabar com a comunicação social quando verificamos que foi ele quem mais fez, nos últimos tempos, pela leitura de jornais. Para sermos justos, teremos de reconhecer que Sócrates acabou com os jornais, sim, mas nas bancas. Acabou com eles porque, por sua causa, a edição esgotou-se e teve de se fazer outra.
Quem, no meio de tudo isto, poderá conduzir o País? Quem nunca esteve envolvido num caso obscuro, nunca teve cargos de responsabilidade em governos desastrosos, nunca recebeu dinheiro de Manuel Godinho? É possível que exista alguém que corresponda a este perfil, mas terá certamente menos de 10 anos. E colocar um menor de 10 anos no Governo do País poderá ter consequências trágicas: o País ficaria de certeza sem rumo, com o desemprego elevadíssimo, e manietado por uma crise profunda. Nem quero imaginar o que poderia acontecer.
terça-feira, fevereiro 16, 2010
Estado do mundo
Portugal tem cada vez mais reconhecimento quanto consegue ser mais trafulha e incompetente.
Já dizia a velha máxima: "O crime compensa". Está à vista.
Depois de Durão Barroso (que um dia foi cherne e agora é José Manuel), ter estendido o tapete vermelho, aqui mesmo na Terceira, a Bush, Blair e Aznar, para iniciarem uma guerra à "procura" do que sabiam não existir, agora é Vitor Constâncio que depois dos escândalos BPN e BPP, irá para o BCE.
Isto é grave por qualquer dos lados que se analise.
Por um lado é grave, porque a incompetência e a trafulhice são recompensadas.
Por outro lado é grave, porque quer Durão, quer Constâncio são recompensados, porque o papel que tiveram em Portugal é o mesmo que se espera de quem ocupa quer o cargo de Presidente da Comissão Europeia, quer de dirigente do BCE, ou seja, manipulável e cego!
Ainda me lembro de após a 1ª campanha presidencial de Soares, cujo lema era "Soares é fixe", aparecer o slogan "Constâncio também é fixe!". É fixe é, mas não é para nós!
segunda-feira, fevereiro 15, 2010
Não vás
Ainda não, não sei como te olhar
Provavelmente quero que não vás
Ainda não, não sei o que pensar
É a hora crítica das manhãs
Não, não vás!
Ainda não, não sei o que fazer
A esta hora tudo começou errado
Não não não não não quero saber
As coisas que tens a dizer
Não, não vás!
E o que vais fazer?
E o que vais dizer?
Diz o que vais fazer
e o que vais dizer
Diz o que vais fazer
Vê o que vais dizer
Ainda não é a hora de partir
Lá fora não pára de chover
Fica não é o verbo mal de ouvir
Talvez talvez haja algo a dizer
Não, não vás!
Provavelmente quero que não vás
Ainda não, não sei o que pensar
É a hora crítica das manhãs
Não, não vás!
Ainda não, não sei o que fazer
A esta hora tudo começou errado
Não não não não não quero saber
As coisas que tens a dizer
Não, não vás!
E o que vais fazer?
E o que vais dizer?
Diz o que vais fazer
e o que vais dizer
Diz o que vais fazer
Vê o que vais dizer
Ainda não é a hora de partir
Lá fora não pára de chover
Fica não é o verbo mal de ouvir
Talvez talvez haja algo a dizer
Não, não vás!
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Ouvi dizer
Ouvi dizer
Que o nosso amor acabou
Pois eu não tive a noção do seu fim.
Pelo que eu ja tentei
Eu não vou vê-lo em mim
Se eu não tive a noção de ver nascer o homem.
E ao que eu vejo
Tudo foi para ti
Uma estúpida canção que só eu ouvi
E eu fiquei com tanto para dar
E agora não vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
Ouvi dizer
Que o mundo acaba amanhã
E eu tinha tantos planos p'ra depois
Fui eu quem virou as páginas
Na pressa de chegar até nós
Sem tirar das palavras seu cruel sentido.
Sobre a razão estar cega
Resta-me apenas uma razão
Um dia vais ser tu
E um homem como tu
Como eu não fui
Um dia vou-te ouvir dizer
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
Sei que um dia vais dizer
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura
Que o nosso amor acabou
Pois eu não tive a noção do seu fim.
Pelo que eu ja tentei
Eu não vou vê-lo em mim
Se eu não tive a noção de ver nascer o homem.
E ao que eu vejo
Tudo foi para ti
Uma estúpida canção que só eu ouvi
E eu fiquei com tanto para dar
E agora não vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
Ouvi dizer
Que o mundo acaba amanhã
E eu tinha tantos planos p'ra depois
Fui eu quem virou as páginas
Na pressa de chegar até nós
Sem tirar das palavras seu cruel sentido.
Sobre a razão estar cega
Resta-me apenas uma razão
Um dia vais ser tu
E um homem como tu
Como eu não fui
Um dia vou-te ouvir dizer
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
Sei que um dia vais dizer
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
Lado Esquerdo
Letra: Carlos Tê
Música: Hélder Gonçalves
in: Lustro
O meu lado esquerdo
é mais forte do que o outro
é o lado da intuição
É o lado onde mora o coração
O meu lado esquerdo
Oriente do meu instinto
É o lado que me guia no escuro
É o lado com que eu choro e com que eu sinto
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
O meu lado esquerdo não sabe o que é a razão
É ele que me faz sonhar
É ele que tantas vezes diz não
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
Música: Hélder Gonçalves
in: Lustro
O meu lado esquerdo
é mais forte do que o outro
é o lado da intuição
É o lado onde mora o coração
O meu lado esquerdo
Oriente do meu instinto
É o lado que me guia no escuro
É o lado com que eu choro e com que eu sinto
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
O meu lado esquerdo não sabe o que é a razão
É ele que me faz sonhar
É ele que tantas vezes diz não
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
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quinta-feira, fevereiro 04, 2010
Socialismo ou Barbárie
"Recuso-me a viver num país assim.
E não me vou mudar.
Juntem-se a mim!"
Michael Moore
in, Capitalismo - Uma história de amor
Em exibição em Angra do Heroísmo
3 e 4 de Fevereiro de 2010
E não me vou mudar.
Juntem-se a mim!"
Michael Moore
in, Capitalismo - Uma história de amor
Em exibição em Angra do Heroísmo
3 e 4 de Fevereiro de 2010
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Três Cantos
No ano lectivo 1995/96, entrei no Ensino Superior. Nesse ano deixei o Porto e fui estudar para Castelo Branco.
Uma tia fez-me uma quadras e um primo pegou na viola e toca-as a tocar ao som das "Quadras Soltas", do Sérgio Godinho. As quadras desejavam-me boa sorte e apelavam ao meu regresso. Regressei no ano seguinte para lá ficar até este ano lectivo, onde vim dar aulas para Angra do Heroísmo, graças ao curso que comecei a tirar nesse ano.
Devido ao facto de ter vindo para Angra, fui impedido de ver este espectáculo, para o qual já tinha bilhete e que tive de vender à minha mãe.
Felizmente há internet, e o meu pai, que me gravou o espectáculo que a RTP transmitiu, e assim sempre consegui viver algumas emoções. Uma delas é ver precisamente as "Quadras Soltas" reinventadas. Divirtam-se a ouvi-las!
Uma tia fez-me uma quadras e um primo pegou na viola e toca-as a tocar ao som das "Quadras Soltas", do Sérgio Godinho. As quadras desejavam-me boa sorte e apelavam ao meu regresso. Regressei no ano seguinte para lá ficar até este ano lectivo, onde vim dar aulas para Angra do Heroísmo, graças ao curso que comecei a tirar nesse ano.
Devido ao facto de ter vindo para Angra, fui impedido de ver este espectáculo, para o qual já tinha bilhete e que tive de vender à minha mãe.
Felizmente há internet, e o meu pai, que me gravou o espectáculo que a RTP transmitiu, e assim sempre consegui viver algumas emoções. Uma delas é ver precisamente as "Quadras Soltas" reinventadas. Divirtam-se a ouvi-las!
Três Cantos
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segunda-feira, fevereiro 01, 2010
quinta-feira, janeiro 28, 2010
quarta-feira, janeiro 27, 2010
sexta-feira, janeiro 22, 2010
Competência para amar
Vieste comigo
nesse jeito pós-moderno
de não querer saber nada
de não fazer perguntas
essa pose cansada
tão despida de emoção
de quem já viu tudo
e tudo é uma imensa
repetição
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
depois quase ias embora
desse modo
evanescente
não soubesse eu ver-te
tão transparente
e teria sido apenas
o encontro acidental
uma simples vertigem
dum desporto radical
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
nesse jeito pós-moderno
de não querer saber nada
de não fazer perguntas
essa pose cansada
tão despida de emoção
de quem já viu tudo
e tudo é uma imensa
repetição
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
depois quase ias embora
desse modo
evanescente
não soubesse eu ver-te
tão transparente
e teria sido apenas
o encontro acidental
uma simples vertigem
dum desporto radical
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
Latin N'América
Todas as manhãs o sol espelha
Bate nas lentes escuras
O sangue jorra de esguelha
Na pala das ditaduras
Continente grita de dor
Rebenta pelas costuras
A morte,o medo e o terror
São dias feitos agruras
Do Paraguai a Porto Rico
Salvador às Honduras
Da Bolívia à Guatemala
Argentina ao Chile
[refrão]
Latina ' América
Latina ' América
Latina ' América
Latina ' América
Descem das montanhas
Para pôr fim a essa sina
Que te rebenta as entranhas
Capacete em cada esquina
Todas as manhãs o sol espelha
Bate nas lentes escuras
O sangue jorra de esguelha
Na pala das ditaduras
Do Paraguai a Porto Rico
Salvador às Honduras
Da Bolivia à Guatemala
Bate nas lentes escuras
O sangue jorra de esguelha
Na pala das ditaduras
Continente grita de dor
Rebenta pelas costuras
A morte,o medo e o terror
São dias feitos agruras
Do Paraguai a Porto Rico
Salvador às Honduras
Da Bolívia à Guatemala
Argentina ao Chile
[refrão]
Latina ' América
Latina ' América
Latina ' América
Latina ' América
Descem das montanhas
Para pôr fim a essa sina
Que te rebenta as entranhas
Capacete em cada esquina
Todas as manhãs o sol espelha
Bate nas lentes escuras
O sangue jorra de esguelha
Na pala das ditaduras
Do Paraguai a Porto Rico
Salvador às Honduras
Da Bolivia à Guatemala
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Esclarecer o que nunca existiu com explicações que não explicam nada

A explicação de Fernando Lima é como o computador de Cavaco: tem vulnerabilidades
in: Visão
Três meses depois de ter sido afastado da Casa Civil do Presidente da República por causa do seu envolvimento no chamado caso das escutas, e dois meses depois da sua reintegração na Casa Civil do Presidente da República sem que tivesse havido novidades a propósito do seu envolvimento no chamado caso das escutas, Fernando Lima veio a público explicar o seu envolvimento no chamado caso das escutas dizendo que, tendo embora estado envolvido no chamado caso das escutas, na verdade não teve nada a ver com ele. Ora até que enfim, um esclarecimento claro e cabal sobre este estranho processo.
Primeiro, recorde-se, Fernando Lima tinha arranjado sarilhos falando a um jornal. Agora, quis esclarecer tudo escrevendo para um jornal. Não pode dizer-se que tenha aprendido a lição. Sobretudo porque a explicação de Lima é como o computador de Cavaco: tem vulnerabilidades. O ex-assessor de Cavaco e actual assessor de Cavaco diz que o caso foi empolado pelos jornais a partir de um desabafo vago e inofensivo. "Como é que elementos do PS", terá perguntado Lima inocentemente, "sabem o que faz cada um na vida privada? Andam a vigiar os assessores, quem sabe através de escutas instaladas na residência oficial do Presidente, na sequência aliás de um caso em que, ao que suspeitamos todos aqui na Casa Civil, um assessor do governo foi espiar o Presidente para a Madeira?" A partir destas simples declarações, os jornalistas, com a capacidade de efabulação que se lhes conhece, conseguiram supor que o assessor da presidência desconfiava da existência de escutas na residência oficial do Presidente, e acreditava num caso anterior de espionagem do governo a Cavaco Silva. Tudo não passou, portanto, de uma fantasia inventada pela imprensa. Para Fernando Lima, o Público esteve mal em todo este processo. O DN, revelando o modo como o Público esteve mal, esteve ainda pior. E o Expresso, que agora publicou o esclarecimento de Lima, não perde pela demora. É óbvio que também não se terá portado bem.
Em resumo, a Presidência nunca teve suspeitas gravíssimas de estar a ser vigiada, mas à cautela o Presidente mandou examinar as suas comunicações. A hipótese de vigilância aos assessores de Cavaco não passou de um desabafo que não era para ser tomado à letra, mas de facto o computador do Presidente tinha vulnerabilidades. Falar no caso na altura foi um modo de desviar as atenções dos problemas graves que o país atravessava, mas falar no assunto agora é apropriado, até porque o país já se livrou dos problemas graves que atravessava. Estava a ver que nunca mais se esclarecia isto.
segunda-feira, janeiro 18, 2010
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Mas em ti...
És amante em part-time
E amiga a tempo inteiro
O peso que carregas às costas
É o que está na moda
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Sou eu a igreja
E o tu, o campanário
Até que somos giros
P’ra dois entes feios
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Ambos temos porreiros
Ataques de fúria
Eu quero mais admiradores
Tu queres mais palco
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Tentas sempre
Portar-te à tua altura
E eu gosto da forma
Qu’tens de sentir
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Beijo-te na testa
Afastados da festa
Vejo estrelas ao beijar-te
Tudo o meu corpo se parte
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
As pedras perdoam-me
As árvores perdoam-me
Porque não me perdoas tu?
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
In Juno
A normalidade não quer nada connosco
E amiga a tempo inteiro
O peso que carregas às costas
É o que está na moda
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Sou eu a igreja
E o tu, o campanário
Até que somos giros
P’ra dois entes feios
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Ambos temos porreiros
Ataques de fúria
Eu quero mais admiradores
Tu queres mais palco
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Tentas sempre
Portar-te à tua altura
E eu gosto da forma
Qu’tens de sentir
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Beijo-te na testa
Afastados da festa
Vejo estrelas ao beijar-te
Tudo o meu corpo se parte
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
As pedras perdoam-me
As árvores perdoam-me
Porque não me perdoas tu?
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
In Juno
A normalidade não quer nada connosco
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