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quarta-feira, outubro 19, 2011

Loja de Porcelanas

cla.jpg

O que fazia um elefante
na tua loja de porcelanas
sei que não me vais dizer

foi por ele que tu me trocaste
e eu nunca soube porquê
nem nunca virei a saber

às vezes a beleza dói
quando o olhar reflecte
o que o coração inventou

o que fazia um elefante
na tua loja de porcelanas
sei que não me vais dizer

entrou e saiu pela frente
deixou tudo em pantanas
e tu voltaste a sofrer

e quando o ideal cai
tudo aquilo que promete
nunca acontece

sábado, maio 08, 2010

Topo de Gama

tenho um telemóvel topo de gama
mas ninguém me liga
mas ninguém me chama

tenho um automóvel cor azul índigo
ninguém quer boleia
ninguém vem comigo

tenho um apartamento virado para o mar
ninguém bate à porta
ninguém vem jantar

será que sou feio será que sou chato
será que vou dar em bicho do mato
será que sou giro mas giro ao contrário
será que estou preso dentro de um armário
não estás não senhor
apenas agora ficaste de fora
das contas do amor

tenho as medidas de um manequim
a beleza certa
ninguém dá por mim

tenho um bom emprego muito produtivo
até vale tirar olhos
é tão competitivo

tenho um consultório com um bom divã
onde deito a alma
e conto à mamã

será que sou feio será que sou chato
será que vou dar em bicho do mato
será que sou giro mas giro ao contrário
será que estou preso dentro de um armário
não estás não senhor
apenas agora ficaste de fora
das contas do amor

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Sorriso de Gioconda

Letra: Carlos Tê

Para quem sorri Mona Lisa
Para quem sorri Gioconda
Alguém diga se souber
Levante o dedo e responda
É sorriso de mulher
Que tem o mundo na mão
Sabe tudo sobre o desejo
Mas faz de conta que não

A quem dará Gioconda
seu sorriso de cortesã
Será que mo dá só a mim
mal vem o sol da manhã

Para quem sorri Mona Lisa
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Para quem sorri ao certo

Talvez sorria para alguém
Escondido ao fundo da sala
Aquele amante furtivo
Que planeia roubá-la
Não sei se sorri para longe
Para lá do mal e do bem
Será que sorri por sorrir
Um sorriso para ninguém

Para quem sorri Gioconda
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Ninguém sabe ao certo

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Não vás

Ainda não, não sei como te olhar
Provavelmente quero que não vás
Ainda não, não sei o que pensar
É a hora crítica das manhãs

Não, não vás!

Ainda não, não sei o que fazer
A esta hora tudo começou errado
Não não não não não quero saber
As coisas que tens a dizer

Não, não vás!

E o que vais fazer?
E o que vais dizer?
Diz o que vais fazer
e o que vais dizer
Diz o que vais fazer
Vê o que vais dizer

Ainda não é a hora de partir
Lá fora não pára de chover
Fica não é o verbo mal de ouvir
Talvez talvez haja algo a dizer

Não, não vás!

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Lado Esquerdo

Letra: Carlos Tê
Música: Hélder Gonçalves
in: Lustro

O meu lado esquerdo
é mais forte do que o outro
é o lado da intuição
É o lado onde mora o coração

O meu lado esquerdo
Oriente do meu instinto
É o lado que me guia no escuro
É o lado com que eu choro e com que eu sinto

Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo

O meu lado esquerdo não sabe o que é a razão
É ele que me faz sonhar
É ele que tantas vezes diz não

Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo

terça-feira, setembro 08, 2009

O teatro dos Clã


Noite de 7 de Setembro de 2009.
Os Clã fazem a abertura da nova temporada do Teatro Nacional São João (TNSJ).
Fazendo jus à casa onde se encontravam e aproveitando toda a dimensão do palco, apresentaram-nos um espectáculo todo ele teatral, muito bem encenado, usando todas as técnicas deste meio, para nos surpreender, quer com as subidas de cortinas, quer com os jogos de luzes, que iam iluminando objectos que se encontravam no palco, e que até então eram "invisíveis" ao público.
A acompanhar, os 6 magníficos davam-nos música, a melhor música que se faz (a meu ver, no mundo). Temas de Cintura, Rosa Carne e dois temas de Lustro (Gueixa e Sangue Frio), bem como algumas versões (repetiram "The Beautiful People", de Marilyn Manson, que já tinham tocado no Baile dos Vampiros, a fechar o Fantasporto deste ano) e fecharam com "Women Of The World" dos Yacht, em que a letra passou num rodapé digital transportado por Manuela Azevedo.
Miguel Ferreira, Fernando Gonçalves, Pedro Rito, Manuela Azevedo, Hélder Gonçalves e Pedro Biscaia, deixaram uma vez mais satisfeit@s tod@s aqueles que os acompanharam nesta viagem.


Gueixa
in: Lustro
Letra: Carlos Tê
Música: Hélder Gonçalves

Deixa que o amor te apanhe
Na teia fatal da sua mão
Deixa que o amor se entranhe
Na terra seca do coração

Deixa que o amor te banhe
No seu sabonete de água e sal
Deixa que o amor te arranhe
Com as suas unhas de animal

Sombras brancas como sedas tristes
Estão no teu olhar
Nuvens cinza num céu claro
Que eu quero limpar

Soubesse eu de amor
Como sei cantar
Dava-te o fulgor
E o ritmo do mar

Deixa que o amor te canse
Até à suave exaustão
Deixa que o amor te lance
às feras que inventam a paixão

Soubesse eu de amor
Como sei cantar
Dava-te o fulgor
E o ritmo do mar

Sombras brancas como sedas tristes
Estão no teu olhar
Nuvens cinza num céu claro
que eu quero limpar

Soubesse eu de amor
Como sei cantar
Dava-te o fulgor
E o ritmo do mar

Women Of The World
Yacht

Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end

The world will come to an end, It won't take long

Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end

The world will come to an end, It won't take long

Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end

If you don't the world will come to an end,
If you don't the world will come to an end,
If you don't the world will come to an end, It won't take long ...

quarta-feira, setembro 02, 2009

Do mesmo Clã

Letra: Luís G. Claro e Hélder Gonçalves
Música: Hélder Gonçalves

nós falamos
os mesmos idiomas
mundos separados
por credos errados

melhor será compor
outra criação
com deuses que toquem
e cantem

NÓS SOMOS DO MESMO CLÃ

nós voltamos
à tribo global
ainda vestidos
pelo bem e pelo mal

vamos pôr de novo
os clãs a dançar
à volta do totem
do sol

NÓS SOMOS DO MESMO CLÃ

govorimo razlicitim
jezicima....jezicima
razdovjeni svetovi
iz istog smo klana.....iz istog smo klana

nós queremos ser citados por uma fonte luminosa
tomar banho nas margens do erro
flutuar na banheira de Arquimedes
meter a ironia do destino na carta para Garcia
e se ele não estiver
esquecê-la num marco histórico

nós queremos curar o calcanhar de Aquiles
atingir o Princípio de Peter pelo lado do poente
subir a Escala de Richter numa gôndola
tocar na buzina de Harpo Marx
soltar a risada de Bugs Bunny
conduzir a locomotiva de Pamplinas em direcção ao futuro

nós queremos a bengala de Charlot
e o passaporte de Fernão Mendes Pinto
comprar cigarros na mesma tabacaria de Fernando Pessoa
fugir numa fuga de Bach
ouvir a voz de Salomão
propôr uma amnistia para o Othelo de Shakespeare
nós queremos saber onde param os violinos de Chopin
nós exigimos saber o porquê do sorriso de Gioconda
e não queremos saber
quem são os dois amores de Marco Polo no oriente
muito menos quem matou Laura Palmer
porque nós não temos medo do SIS
muito menos de Virginia Woolf

Clã no TNSJ

Barbie Suzie Dolly Polly Pocket

Concerto de abertura de temporada do Teatro Nacional S. João, com os Clã

Segunda, 7 de Setembro, 22h





No álbum de estreia, cantavam: “Nós queremos a bengala de Charlot / E o passaporte de Fernão Mendes Pinto / Comprar cigarros na mesma tabacaria de Fernando Pessoa / Fugir numa Fuga de Bach / Ouvir a voz de Salomão propor uma amnistia… / Para o Othello de Shakespeare”. Banda que ignora alegremente a dicotomia entre alta e baixa cultura, os Clã de Hélder Gonçalves e Manuela Azevedo – elemento do novo corpo diplomático do TNSJ – inauguram a Temporada 2009-2010 com um concerto que é uma espécie de epígrafe, muito pouco solene, à nova programação. Aclamados em tempos recentes como “a melhor banda portuguesa ao vivo”, os Clã cultivam uma música irrequieta e contagiante, capaz de gerar temas pop de recorte vintage, refrães folk-rock e melodias de um estranho vaudeville. Do seu modus operandi mencione-se a relação lúdica com a língua portuguesa, mediada por um elenco de letristas de superior craveira, como Carlos Tê, Regina Guimarães ou Adolfo Luxúria Canibal. O que os move? Esse “milagre” a que chamamos canção. No último disco, ouvimos: “Um sopro um calafrio / Raio de sol num refrão / Um nexo enchendo o vazio / Tudo isso veio / Numa simples canção”.

terça-feira, julho 28, 2009

I'm free

Keith Richards / Mick Jagger

I'm free to do what I want any old time
I'm free to do what I want any old time
So love me hold me love me hold me
I'm free any old time to get what I want

I'm free to sing my song knowing it's out of trend
I'm free to sing my song knowing it's out of trend
So love me hold me love me hold me
'Cause I'm free any olf time to get what I want

So love me hold me love me hold me
I'm free any old time to get what I want

I'm free to choose who I see any old time
I'm free to bring who I choose any old time
Love me hold me love me hold me
I'm free any old time to get what I want

segunda-feira, julho 27, 2009

Loja de Porcelanas

cla.jpg

O que fazia um elefante
na tua loja de porcelanas
sei que não me vais dizer

foi por ele que tu me trocaste
e eu nunca soube porquê
nem nunca virei a saber

às vezes a beleza dói
quando o olhar reflecte
o que o coração inventou

o que fazia um elefante
na tua loja de porcelanas
sei que não me vais dizer

entrou e saiu pela frente
deixou tudo em pantanas
e tu voltaste a sofrer

e quando o ideal cai
tudo aquilo que promete
nunca acontece

segunda-feira, julho 21, 2008

Clã no Festival "Delta Tejo"


Sendo fã incondicional dos Clã, considerando-a a melhor banda do mundo, é com enorme satisfação que leio o seguinte na edição do Jornal Metro de hoje:

"Adriana Calcanhoto fechou o festival com forte concorrência. Os Clã actuavam no palco secundário e Manuela Azevedo é bem conhecida por fazer as plateias caírem a seus pés. A banda portuense acabaria mesmo por roubar algum público à brasileira qu além dos temas do último disco, "Maré", interpretou grandes êxitos. Foram, de resto, esse os pontos altos num concerto morno."

Reparem bem. Eu também adoro Adriana Calcanhoto. Se procurarem, irão encontrar várias referências à Adriana, neste blog. Comprei o "Maré" e só não fui vê-la em Abril, ao Coliseu do Porto, porque na altura estava mal de finanças (não que me encontre numa situação muito melhor hoje...). O que eu contesto é os Clã terem sido considerados uma banda de palco secundário, e mais ainda terem actuado ao mesmo tempo que a Adriana. Por isso ter acontecido, e só por isso, fico contente com o "roubo" à Adriana.

sexta-feira, julho 18, 2008

Vamos esta noite


Vamos Esta Noite, é o terceiro single do albúm Cintura.
A animação de Laurie Thinot volta a servir de imagem a um vídeo dos Clã depois do sucesso de Sexto Andar. Em «Vamos Esta Noite» (Arnaldo Antunes/Hélder Gonçalves), a realizadora francesa cruza esta técnica com imagens da banda ao vivo e o resultado supera as expectativas.
Letra: Arnaldo Antunes / Música: Hélder Gonçalves
Realizadora: Laurie Thinot
Produtora: Autour de Minuit



terça-feira, julho 15, 2008

Depois


Os Clã, presentearam os Maiatos na passada sexta-feira, com mais um brilhante concerto.
Este meninos não sabem fazer as coisas por menos. Depois de começarem a digressão de Cintura, com uma nova versão de O meu estilo, prepararam para a Aula Magna e a Casa da Música, uma versão de Sopro do Coração apenas com a Manuela e o Hélder em palco. Mas, não ficaram por aqui... Na Maia, podémos ainda assistir a um final diferente de Fahrenheit.
Ficámos ainda, todos animados com o "Guaraná", dos Pato Fu.
O concerto valeu também pelo convívio com a banda, no final.
Deixo-vos então, Depois, dos Pato Fu.


Depois
John Ulhoa

Não foi dessa vez
Mas pode ter certeza
Mal posso esperar
Pra fugir da tristeza
Amanhã talvez
Vai ser um carnaval
Vão falar de mim
Pro bem ou pro mal

Tomo um café e um guaraná pra me animar
Mas ficou tão tarde
Que é melhor deixar pra lá...

Quando penso em nós dois
Deixo tudo pra depois
Quando penso em nós três
Fica pra outra vez

Juntei passos, palavras
Não era bem o momento
Fingi não querer nada
Tem horas que não me aguento...
Prometo, juro, garanto
Vou resolver tudo isso
Assim que tiver coragem
E mais nenhum compromisso

sábado, março 15, 2008

O meu estilo


A notícia de capa do JN de hoje é, que o PS prepara um projecto em que aplicar piercings na língua passará a ser proibido, a menores de 18 anos.

Ver notícia aqui.

Já me tinham enviado essa informação por email ontem, mas pensei que fosse uma brincadeira e não liguei, pois pensei, que o Governo tem tempo para fazer borrada atrás de borrada, mas que não o teria para algo deste género, que não deveria ser tema de discussão. Por outro lado, não via um PS (qualquer que ele seja), a tomar uma posição deste género. E foi precisamente isso que hoje ouvi, quando me desloquei a um quiosque, de alguém que supôs ser de direita: "Se fossemos nós a fazer isto, caíam-nos logo em cima!". Pois é, este Governo de Sócrates, consegue, uma vez mais, ser mais de direita e ir mais longe, que a própria direita. Digamos que Sócrates não consegue disfarçar muito bem o "curso" que fez na JSD! Ao menos um, em que se tenha safado...

Posto isto, eu que até nem tenho qualquer piercing, deixo aqui uma canção do album Kazoo, dos Clã. Chama-se O meu estilo"

O meu estilo
Letra:Carlos Tê / Música:Hélder Gonçalves e Manuela Azevedo
in Kazoo

Eu quero furar a narina
usar uma argola no umbigo
tingir-me de purpurina
e andar pela rua contigo

quero furar o mamilo
tatuar um peixe no braço
afirmar lá o meu estilo
e demarcar o meu espaço

eu quero ser afro-zulu
mostrar na pele o meu tabu

eu quero usar um brilhante
nas nuvens do céu da boca
mas a minha mãe não gosta
porque é demasiado barroca

ela não sabe a angústia
que esta diferença me poupa
não vou ser o zombie cinzento
que ela tem no guarda roupa

eu quero ser afro-zulu
mostrar na pele o meu tabu
quero ser afro-zulu
nativo urbano industrial

mostrar na pele o meu tabu
ser por direito um ser tribal
quero ser afro-zulu
nativo urbano industrial
mostrar na pele o meu, tabu

eu quero ser afro-zulu
mostrar na pele o meu tabu

quinta-feira, novembro 15, 2007

Utilidade do Humor
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

Ontem à noite pus-me a reflectir
Nas coisas da vida em vez de dormir
Tive um quebranto fiquei surdo e mudo
Tolhido de espanto mas percebi tudo
O mundo era meu sentia-me um rei
O tempo era extenso e eu ditava a lei
Bastou dar um passo e crescer em frente
Perdi toda a graça quase de repente

Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver um sonho acordado
Não via tão claro o sentido da vida
E tudo seria bem mais complicado

Eu era feliz tinha os meus brinquedos
O anjo da guarda tirava-me os medos
Descobri o amor e vi nele o paraíso
Mas para ser expulso às vezes pouco é preciso
Podia ter tudo do bom e do caro
Que nada acodia ao meu desamparo
Sou a alma do mundo mais bem informada
Quanto mais me informo mais sei que sei nada

Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver a sonhar acordado
Não via tão claro o significado
E tudo seria bem mais complicado
Mandarim
Letra e Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

Se és apenas um pouco naif
Se és apenas o meu leit motiv
Mordes, mordes

Se és apenas um cão vadio
Se és apenas um vizinho amigo
Mordes, mordes

Sim, mordes em mim
Sim, mordes em mim

Se és apenas um ombro bom
Se não me deixas sair do tom
Uh! Uh! Uh! Uh!

Se és apenas um pouco zen
Dou-te corda para seres super-man
Acorda, acorda

Sim, acorda em mim
Sim, acorda em mim

Quando puderes, dá cá um salto
É só desceres do varandim
Manda, manda
Manda

Sim, manda em mim
Sim, manda em mim
Sim, manda em mim
Manda, mandarim