Domingo, Novembro 08, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 8
Igreja do Santíssimo Salvador da Sé
Edificada por ordem do Cardeal D. Henrique, a partir de 1570, sobre a anterior igreja paroquial construída por Álvaro Martins Homem (cerca de 1461). Nela está sepultado, entre outros, o provedor das Armadas Pero Anes do Canto.
De estilo renascentista e "chão", foi seu mestre de obras Luís Gonçalves. Voltada a Norte, contraria o costume antigo das igrejas com capela-mor virada a Jerusalém.
Do primitivo altar-mor conservam-se os painéis da vida de Cristo (pintura sobre madeira, séc. XVI).
A estante de leitura ao estilo indo-português, em jacarandá do Brasil com marfim de baleia, e executada nos Açores é um testemunho precioso dos Açores como pólo de encontro de culturas.
O frontal em prata do altar do Santíssimo, feito entre 1702 e 1720 por Manuel Carneiro de Lima para a Confraria do Santíssimo, é um rico exemplo de ourivesaria terceirense.
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Domingo, Novembro 01, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 7
Palácio dos Capitães Generais
No lugar onde antes existiam as casas da família Távora, construíran os Jesuítas um colégio com um Pátio de Estudos (onde é agora o parque de estacionamento) e Igreja.
Em 1776, o 1º Capitão General dos Açores, D. Antão de Almada, propõe e começa a adaptar o edifício a palácio.
Por duas vezes foi Paço Real (1832 - D. Pedro IV, 1901 - D. Carlos I).
O templo, rico em talha dourada, azulejaria e imagens, reflecte a Igreja da reforma e, simultaneamente, a influência do gosto pelos motivos decorativos das Índias.
O edifício ainda conserva estruturas dessa época.
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Sexta-feira, Outubro 30, 2009
Sobreviver à doença, escapar da cura

Primeiro, houve o pânico provocado pela gripe A. Agora, há o pânico provocado pela vacina contra a gripe A. A doença gera pânico; a cura gera ainda mais
in: Visão
Já se demitiram ministros por causa de anedotas relacionadas com a saúde pública portuguesa, mas isso não foi suficiente para que a saúde pública portuguesa deixasse de parecer uma boa anedota. Talvez seja útil fazer um pequeno resumo das últimas e intrigantes ocorrências no âmbito da nossa sempre divertida saúde. Primeiro, houve o pânico provocado pela gripe A. Agora, há o pânico provocado pela vacina contra a gripe A. A doença gera pânico; a cura gera ainda mais. O medo é tanto que eu tomaria uns calmantes, se não tivesse medo de os tomar. Bem disse o filósofo José Gil que os portugueses tinham medo de existir: entre deixar de existir, por causa da gripe, ou continuar a existir, graças à vacina, vacilamos. Na dúvida, receamos as duas. Não é fácil ser doente - e deve ser ainda mais difícil ser médico, que tem de confortar o paciente quando contrai a doença e confortá-lo mais ainda enquanto lhe administra a cura.
Visto de fora, desde que se descobriu o novo vírus da gripe os portugueses passaram a correr para um lado gritando "Fujam, vem aí a doença!", e depois passaram a correr para o outro gritando "Fujam, vem aí a cura!" A fugir, estamos sempre. Só muda o perseguidor.
Qual é, afinal, o mais grave? O vírus da gripe ou o vírus da vacina? Até ver, são ambos relativamente inofensivos. Um é curado por profissionais de saúde, o outro é transmitido por profissionais de saúde. A gripe A é mais fraca do que a gripe vulgar e a vacina provoca os mesmos efeitos secundários que qualquer outra vacina. Nem a gripe nem a vacina são particularmente perigosas para o homem. No entanto, ambos os vírus são letais para o meio ambiente. Temo que não haja árvores suficientes para abastecer os jornais do papel necessário para todas as notícias, publicadas e por publicar, sobre os malefícios da gripe A e os ainda maiores malefícios da vacina da gripe A. Não admira: a toda a hora surgem novas informações. Receava-se que houvesse vacinas a menos. Agora, uma vez que ninguém as quer tomar, receia-se que sobejem. Também causa dano. Suspirou-se por uma vacina. Agora, suspira-se por uma vacina contra a vacina. A ciência que resolva este problema. Já começamos a habituar-nos ao pânico da vacina. Precisamos urgentemente de outra coisa relacionada com a gripe A para recear.
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Terça-feira, Outubro 27, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 6
Paços do Concelho
Angra teve três casas da Câmara. A primeira, com uma pequena praça defronte. Depois, o comércio das Índias e a importância da cidade levaram à construção de uma praça maior e de edifícios sucessivamente mais dignos até ao actual, construído já no séc. XIX e inspirado nos antigos Paços do Concelho do Porto. Possui um dos maiores e mais dignos salões nobres do País.
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Segunda-feira, Outubro 26, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 5
Praça Velha
Praça é um conceito "repescado" da Antiguidade Clássica, quase sem uso durante a Idade Média.
Esta é, talvez, a primeira praça portuguesa desenhada para servir de ponto de encontro de dois arruamentos, de acordo com os ideais urbanos do Renascimento.
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Domingo, Outubro 25, 2009
Queixa das almas jovens censuradas
Letra: Natália Correia
Música: José Mário Branco
in: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
(0) comments
Música: José Mário Branco
in: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
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Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 4
Rua Direita
Primeira rua principal de Angra, conduzia "direitamente" do cais à praça e à casa do Capitão Donatário.
Marca a construção da primeira cidade moderna e aberta ao mar por um povo até aí habituado a outros modelos urbanos.
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Sexta-feira, Outubro 23, 2009
E o Porto aqui tão perto
(0) commentsTrês Cantos: José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto no Campo Pequeno [texto + fotos]

Quando soube deste concerto, que também se irá realizar no Coliseu do Porto, ainda era Agosto. Corri de imediato ao Coliseu e comprei bilhete. Na altura ainda só havia uma data, 31 de Outubro. A procura forçou a mais um espectáculo, quer em Lisboa, quer no Porto.
Infelizmente, quis o destino que tivesse de vir trabalhar para Angra do Heroísmo, e tive que vender o bilhete.
Fico muito contente por saber que vai haver um DVD, e de algum forma não ter perdido tudo!
Guardo ainda a consulação de a 25 de Setembro ter estado no Coliseu do Porto, no maior comício que o Bloco de Esquerda já realizou na cidade do Porto!
Guilherme Rietsch Monteiro
Texto: Lia Pereira
Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos
in Blitz
Duas horas de paixão e partilha na primeira noite do espectáculo Três Cantos. Só canções, foram três dezenas... Saiba como correu o concerto.
Muita coisa mudou desde a primeira vez que José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto pisaram o mesmo palco - foi em 1974, um mês após a Revolução de Abril, e os concertos onde também José Afonso e Adriano Correia de Oliveira marcavam presença aconteciam em recintos como o actual Pavilhão Carlos Lopes, não numa reabilitada praça de touros com centro comercial nas imediações. Outras coisas, porém, mantêm-se inalteradas e, a adivinhar pela idade média daqueles que ontem encheram o Campo Pequeno, em Lisboa, muitos admiradores nunca abandonaram este trio de sobredotados, cujas carreiras se desenvolveram de forma plenamente autónoma, mas cuja raiz musical e ideológica continua suficientemente próxima para justificar noites especiais como a de ontem.
À entrada da sala, enquanto as câmaras registavam imagens e depoimentos para o DVD que há-de sair deste espectáculo, ouvimos a um espectador que acabava de se cruzar com amigos da sua geração: "Isto hoje é o Parque Jurássico!". E de facto o público maduro era mais numeroso do que o jovem, nas bancadas e na plateia do Campo Pequeno. Apesar de ruidosas queixas acerca do som, por parte dos que ficaram mais longe do palco, a rendição ao conceito Três Cantos seria total. Ao longo das duas horas de concerto - sem grandes pausas, se exceptuarmos as saídas previstas de alguns dos protagonistas da noite em certas canções - o povo esteve sempre do lado de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto, que souberam retribuir com uma prestação generosa e inspirada.



Foi por volta das 21h45 que os cerca de 20 músicos que pisaram o palco do Campo Pequeno começaram a ocupar os seus lugares; para trás ficavam cinco meses de preparação, pela frente a equipa encarava a responsabilidade de estrear em grande um espectáculo que, nos próximos dias, repete nesta mesma sala e no Coliseu do Porto. "Guerra e Paz", de Sérgio Godinho, foi o primeiro passo numa longa e prazeirosa viagem; sentados de guitarra ao colo, os três homens da noite dividiram democraticamente a voz, num momento pausado, quase de aquecimento. À terceira música, contudo, já os ânimos se exaltavam com a chegada de "Como um Sonho Acordado", de Fausto, reconhecido aos primeiros segundos por uma plateia em êxtase. Apesar da grande quantidade de músicos em palco, esta e outras canções puderam respirar e expor o seu esqueleto, raras vezes afogado por instrumentação ou arranjos excessivos. Com bateria ribombante e o contraponto dos coros femininos, "Como Um Sonho Acordado" foi, a par de "O Primeiro Dia", "Ser Solidário", "Que Força É Essa" ou "Inquietação", um dos momentos que mais emocionaram o público.
Teria sido fácil transformar o conceito Três Cantos numa bajulação colectiva, suportada pelo estatuto dos três artistas em palco. Mas José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto souberam evitar a armadilha e foram especialmente económicos na chamada "troca de galhardetes"; aliás, só após o terceiro tema, "A Barca dos Amantes", José Mário Branco se dirigiu ao público para afiançar, com comoção e simplicidade: "Estou tão contente!". O entusiasmo era partilhado pelos muitos espectadores que, durante canções como "Eis Aqui o Agiota" ("Cada vez mais actual", apresentou Fausto), o clássico de Godinho "Casimiro (Cuidado com as Imitações)" ou "Mudam-se os Tempos Mudam-se As Vontades" não resistiam a entoar as letras, bater palmas ou marcar, alegremente, o ritmo dos temas com as mãos nos joelhos.




Tendo dividido com parcimónia o tempo de palco (cada músico teve direito a cantar sozinho, em dupla e em trio), os nossos heróis brilharam ainda quando, ao invés de uma "big band" atrás de si contaram apenas com a sua voz, guitarra e alma. Dedilhadas e contemplativas, "Não Canto Porque Sonho", de Fausto, ou "O Charlatão" de Sérgio Godinho foram dois exemplos desse "menos é mais" que tão bem resultou ontem à noite.
Tal como prometido, entre as 30 músicas do alinhamento houve espaço para um inédito - a frenética "Faz Parte (ou o Retorno das Audácias)" - e para uma versão de José Afonso, "De Não Saber o que se Espera". A primeira despedida chegou com "Maré Alta" e mereceu aos três bravos três cravos vermelhos entregues em mão. Mas foi no segundo encore que a euforia se instalou definitivamente e o Campo Pequeno em peso se levantou para participar na celebração em curso. Em palco, mais de 20 músicos munidos de bombos, baquetas e um adufe (ao colo de Sérgio Godinho) serviram um final catártico para o concerto, elevando "Na Ponta do Cabo", de Fausto, a ponto de exclamação de uma noite com poucas reticências. Mais poderoso do que mil efeitos especiais, o tema de Crónicas da Terra Ardente foi o remate perfeito para um concerto onde, mais do que a personalidade e os feitos individuais de cada músico, se celebrou o cancioneiro colectivo de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto, bem como uma certa ideia de música portuguesa - tradicional mas com os olhos postos no futuro, combativa, quando não interventiva, e sempre fiel a si mesma.


Etiquetas: Fausto, José Mário Branco, Música, Sérgio Godinho, Três Cantos
