Quinta-feira, Novembro 19, 2009
Estes gaj@s enervam-me!
Estes gaj@s enervam-me mesmo!
Como é possível, com o número super reduzidíssimo de mortes com gripe A, andarem a fazer tanto alarido, nunca referenciando o número de mortes que houve no mesmo período com gripe comum, e agora, quando já morreram 3 fetos por causa da vacina, virem dizer que todos os anos morrem 300 fetos...
Que interesses obscuros há aqui por trás?! Como é que esta gente vem falar, e afirmar coisas que não sabem?! Que ganham com isso?! Não sei, mas têm que ganhar alguma coisa de certeza, é impossível serem tão incompetentes e ignorantes, para dizerem o que dizem, sem andarem a mamar!
Este pânico, esta gripe e esta vacina, servem apenas aos interesses laboratoriais de uma qualquer farmacêutica (aconselho vivamente a leitura e/ou o visionamente de "O Fiel Jardineiro"). A vacina foi feita às 3 pancadas. Começou a ser distribuída há semanas, e vêm dizer "se foi por causa da vacina, é o primeiro caso em todo mundo...", como se quer o vírus, quer a vacina existissem há uma eternidade! Se é tudo novo, é natural que as coisas só aconteçam agora, ou não?! Como é possível defenderem algo sobre a qual não têm responsabilidades, em vez de aconselharem prudência, pedirem averiguações, até haver provas do que verdadeiramente aconteceu? Não havendo conclusões, falar claramente a todos nós, explicando que não se pode dizer porque aconteceu. Agora, virem tão rapidamente dizer que está tudo bem, e já vamos no 3º caso (morrem mais depressa fetos de mães vacinadas, do que pessoas com gripe A), só pode significar coisas muitas obscuras por trás... Até alguém desvendar a face oculta...
Etiquetas: Gripe A
Quarta-feira, Novembro 18, 2009
Antes da dívida, temos diritos
(0) commentsSexta-feira, Novembro 13, 2009
Recordando Guerra Junqueiro
Descobre as diferenças entre o antes e o agora!
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...)
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do país, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre - como da roda duma lotaria. A justiça ao arbítrio da Politica, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)"
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"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...)
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do país, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre - como da roda duma lotaria. A justiça ao arbítrio da Politica, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)"
Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896
Etiquetas: Guerra Junqueiro, Literatura, Política, Portugal
Conta-me histórias
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A argamassa alegórica dos muros metafóricos

Somos um povo de construtores civis da metáfora, de patos-bravos da figura de estilo - o que não tem mal nenhum
in: Visão
As carinhosas irmãs vicentinas que me educaram até à quarta classe suportaram o meu ateísmo sem o mais pequeno queixume. E suportaram-me a mim com o mesmo silêncio, o que é ainda mais notável. O facto de não terem tentado sequer convencer-me a fazer ao menos o baptismo revela um respeito tão firme pela liberdade religiosa que chega a comover-me. Por outro lado, pode dar-se o caso de não terem querido oferecer um sacramento ao pecadorzinho pertinaz que, sem dúvida nenhuma, perceberam que estava ali a despontar. Também comove: senhoras que viviam em reclusão, com pouca experiência do mundo real, conseguiam mesmo assim topar um selvagem aos seis anos. Mas, mesmo não tendo desperdiçado proselitismo que lhes fazia falta para salvar almas mais merecedoras da salvação, ainda assim ensinaram-me canções religiosas. Esta semana, recordei uma que se chamava Os muros vão cair.
É interessante quando certos pormenores da biografia do cronista se adequam ao tema tratado na crónica, não é? Ficamos com a sensação de que o tempo passa pelo mundo e pelo cronista do mesmo modo, que deixa em ambos a mesma marca, e sobretudo que o mundo e o cronista têm a mesma importância, o que é especialmente agradável. (Para o cronista. Para o mundo, é relativamente desprestigiante.) Por isso, sempre que posso invento um facto biográfico que se relacione com os principais acontecimentos da semana. Desta vez, não precisei de fazê-lo. As freiras ensinaram-me mesmo a música político-religiosa Os muros vão cair, que falava de muros metafóricos em geral para falar do muro de Berlim em particular.
A esta distância, constato que as vicentinas tinham duplamente razão: dez anos depois, o muro de Berlim caiu mesmo, e 20 anos depois da queda as metáforas sobre muros continuam pujantes. Quando, na passada segunda-feira, se comemorou o aniversário da queda do muro, ficou claro que as metáforas com muros estão para o muro de Berlim como a pergunta "Queria, já não quer?" está para os clientes dos cafés que, por educação, fazem o pedido no pretérito imperfeito. A queda do muro é uma efeméride que, ano após ano, ouve sempre as mesmas piadas. Todos, mas mesmo todos os comentadores lembraram outros muros que, à semelhança do de Berlim, devemos derrubar. O muro da intolerância, o muro da injustiça ou o muro da desigualdade social foram alguns dos muros mais citados. E todos, mas mesmo todos, apontaram a seguir as pontes que devem ser construídas nas ruínas dos muros. A ponte da esperança e a ponte do entendimento entre os povos foram as duas infra-estruturas metafóricas mais referidas. Se juntarmos a estes muros e pontes as auto-estradas da informação, percebemos que as metáforas sobre obras-públicas são, sem dúvida nenhuma, as mais populares do espaço público português. Somos um povo de construtores civis da metáfora, de patos-bravos da figura de estilo - o que não tem mal nenhum. Estou só a observar um fenómeno sem o julgar. Por favor, não me enfiem no túnel da incompreensão.
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Domingo, Novembro 08, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 8
Igreja do Santíssimo Salvador da Sé
Edificada por ordem do Cardeal D. Henrique, a partir de 1570, sobre a anterior igreja paroquial construída por Álvaro Martins Homem (cerca de 1461). Nela está sepultado, entre outros, o provedor das Armadas Pero Anes do Canto.
De estilo renascentista e "chão", foi seu mestre de obras Luís Gonçalves. Voltada a Norte, contraria o costume antigo das igrejas com capela-mor virada a Jerusalém.
Do primitivo altar-mor conservam-se os painéis da vida de Cristo (pintura sobre madeira, séc. XVI).
A estante de leitura ao estilo indo-português, em jacarandá do Brasil com marfim de baleia, e executada nos Açores é um testemunho precioso dos Açores como pólo de encontro de culturas.
O frontal em prata do altar do Santíssimo, feito entre 1702 e 1720 por Manuel Carneiro de Lima para a Confraria do Santíssimo, é um rico exemplo de ourivesaria terceirense.
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Domingo, Novembro 01, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 7
Palácio dos Capitães Generais
No lugar onde antes existiam as casas da família Távora, construíran os Jesuítas um colégio com um Pátio de Estudos (onde é agora o parque de estacionamento) e Igreja.
Em 1776, o 1º Capitão General dos Açores, D. Antão de Almada, propõe e começa a adaptar o edifício a palácio.
Por duas vezes foi Paço Real (1832 - D. Pedro IV, 1901 - D. Carlos I).
O templo, rico em talha dourada, azulejaria e imagens, reflecte a Igreja da reforma e, simultaneamente, a influência do gosto pelos motivos decorativos das Índias.
O edifício ainda conserva estruturas dessa época.
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Sexta-feira, Outubro 30, 2009
Sobreviver à doença, escapar da cura

Primeiro, houve o pânico provocado pela gripe A. Agora, há o pânico provocado pela vacina contra a gripe A. A doença gera pânico; a cura gera ainda mais
in: Visão
Já se demitiram ministros por causa de anedotas relacionadas com a saúde pública portuguesa, mas isso não foi suficiente para que a saúde pública portuguesa deixasse de parecer uma boa anedota. Talvez seja útil fazer um pequeno resumo das últimas e intrigantes ocorrências no âmbito da nossa sempre divertida saúde. Primeiro, houve o pânico provocado pela gripe A. Agora, há o pânico provocado pela vacina contra a gripe A. A doença gera pânico; a cura gera ainda mais. O medo é tanto que eu tomaria uns calmantes, se não tivesse medo de os tomar. Bem disse o filósofo José Gil que os portugueses tinham medo de existir: entre deixar de existir, por causa da gripe, ou continuar a existir, graças à vacina, vacilamos. Na dúvida, receamos as duas. Não é fácil ser doente - e deve ser ainda mais difícil ser médico, que tem de confortar o paciente quando contrai a doença e confortá-lo mais ainda enquanto lhe administra a cura.
Visto de fora, desde que se descobriu o novo vírus da gripe os portugueses passaram a correr para um lado gritando "Fujam, vem aí a doença!", e depois passaram a correr para o outro gritando "Fujam, vem aí a cura!" A fugir, estamos sempre. Só muda o perseguidor.
Qual é, afinal, o mais grave? O vírus da gripe ou o vírus da vacina? Até ver, são ambos relativamente inofensivos. Um é curado por profissionais de saúde, o outro é transmitido por profissionais de saúde. A gripe A é mais fraca do que a gripe vulgar e a vacina provoca os mesmos efeitos secundários que qualquer outra vacina. Nem a gripe nem a vacina são particularmente perigosas para o homem. No entanto, ambos os vírus são letais para o meio ambiente. Temo que não haja árvores suficientes para abastecer os jornais do papel necessário para todas as notícias, publicadas e por publicar, sobre os malefícios da gripe A e os ainda maiores malefícios da vacina da gripe A. Não admira: a toda a hora surgem novas informações. Receava-se que houvesse vacinas a menos. Agora, uma vez que ninguém as quer tomar, receia-se que sobejem. Também causa dano. Suspirou-se por uma vacina. Agora, suspira-se por uma vacina contra a vacina. A ciência que resolva este problema. Já começamos a habituar-nos ao pânico da vacina. Precisamos urgentemente de outra coisa relacionada com a gripe A para recear.
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Terça-feira, Outubro 27, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 6
Paços do Concelho
Angra teve três casas da Câmara. A primeira, com uma pequena praça defronte. Depois, o comércio das Índias e a importância da cidade levaram à construção de uma praça maior e de edifícios sucessivamente mais dignos até ao actual, construído já no séc. XIX e inspirado nos antigos Paços do Concelho do Porto. Possui um dos maiores e mais dignos salões nobres do País.
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