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segunda-feira, outubro 22, 2012

Beirute

Quem recordará como foi
Duvido que ainda haja alguém de pé
Que tenha dançado ao som das noites quentes
De Beirute

Será que alguém chora um ausente
Já não há ninguém para ausentar
Já não há ninguém para soluçar
Em Beirute

Em Beirute
Nem o sol nasce
Em Beirute
Como merece
É mais quente que o ar do deserto
É mais escuro que um buraco aberto
Na memória de uma terra ainda morna
Que já não torna
A ser Beirute

Em Beirute há bares fantasma
Onde outrora o amor se acoitou
E a alegria andava lado a lado
Com Beirute

Na terra onde o calor é quem manda
Havia uma cidade que era assim
Dizia nessa altura mais para mim
Do que Beirute

Quando enfim a história virar
Num tempo de arqueólogos errantes
Veremos corpos e ruínas militantes
Por Beirute

Encontraremos gente tão velha
Que nem parece ser da nossa era
Beijaremos os filhos da guerra
E choraremos
Por Beirute

terça-feira, junho 22, 2010

Utopia

Letra e Música: Luís Represas
in: Um deste dias
para Zeca Afonso

Parti já tão longe de pensar se vivemos num lado ou noutro
Parti com a esperança no olhar que lançaste como quem já tem porto
Onde encostar o barco
Onde beijar a praia que sonhaste

Parti numa altura em que as ideias me faziam confusão
Parti quando as ideias se confundem com o poder do coração

Cidades sem muros nem ameias
Cantei de todas as maneiras
Mas não senti se a Utopia existe
Ou se foi mania minha

Mas o sol já vai alto
E a lua já foi dormir
E assim
Conta-me tu o fim

Pensa bem
Se a Utopia não vivesse
Dentro da alma
Não sentia
A vontade
De viver tempos tão reais
que nos pareciam anormais
E doi vivê-los sem ti

Já vi gente igual por dentro e fora
Já vi gente de cores diferentes
Sentir que é igual por dentro e fora
Sem deixar de ser diferente

Cidades sem muros nem ameias
Cantei de todas as maneiras
Mas não senti se a Utopia existe
Ou se foi mania minha

Mas o sol já vai alto
E a lua já foi dormir
E assim
Conta-me tu o fim

Pensa bem
Se a Utopia não vivesse
Dentro da alma
Não sentia
A vontade
De viver tempos tão reais
que nos pareciam anormais
E doi vivê-los sem ti

segunda-feira, setembro 28, 2009

Memórias de um beijo

Luís Represas

Lembras-me uma marcha de Lisboa
Num desfile singular,
Quem disse
Que há horas e momentos p´ra se amar
Lembras-me uma enchente de maré
Com uma calma matinal
Quem foi
Quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal

as memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar

Queria viver tudo numa noite
Sem perder a procurar
O tempo, ou o espaço
Que é indiferente p´ra poder sonhar

as memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar


Quem foi que provocou vontades
E atiçou as tempestades
E amarrou o barco ao cais
Quem foi, que matou o desejo
E arrancou o lábio ao beijo
E amainou os vendavais

segunda-feira, setembro 07, 2009

Namoro II

Letra: Luís Represas
Música: João Gil
in: Sepes

Ai se eu disser que as tremuras
Me dão nas pernas, e as loucuras
Fazem esquecer-me dos prantos
Pensar em juras

Ai se eu disser que foi feitiço
Que fez na saia dar ventania
Mostrar-me coisas tão belas
Ter fantasia
E sonhar com aquele encontro
Sonhar que não diz que não

Tem um jeito de senhora
E um olhar desmascarado
De céu negro ou céu estrelado, ou Sol
Daquele que a gente sabe.
O seu balanço gingado
Tem os mistérios do mar
E a certeza do caminho certo
que tem a estrela polar.

Não sei se faça convite
E se quebre a tradição
Ou se lhe mande uma carta
Como ouvi numa canção
Só sei que o calor aperta
E ainda não estamos no verão.

Quanto mais o tempo passa
Mais me afasto da razão
E ela insiste no passeio à tarde
Em tom de provocação
Até que num dia feriado
P'ra curtir a solidão
Fui consumir as tristezas
P'ró baile do Sr. João

Não sei se foi por magia
Ou seria maldição
Dei por mim rodopiando
Bem no meio do salão
Acabei no tal convite
Em jeito de confissão
E a resposta foi tão doce
Que a beijei com emoção
Só que a malta não gritou
Como ouvi numa canção

terça-feira, setembro 09, 2008

Prima da Chula



125 Azul



Fizeram os dias assim

Letra: Luís Represas
Música: Manuel Faria
in: Sepes

Por mais que larguem os braços
Por mais que soltem amarras
E que se tapem as covas

Por mais que rasguem os quadros
Por mais que queimem as leis
E que os costumes esmoreçam

Por mais que arrasem as feras
E que os papões arrefeçam
E que as bruxas se convertam

Por mais que riam as caras
E que ternura se esqueça
Por mais que o amor prevaleça
Vocês
Fizeram os dias assim!

Não nos venham pedir contas
Não venham pôr-nos regras
Sabemos que os nossos dias
Não vão ser gastos assim!

segunda-feira, junho 02, 2008

Somar esquerda à Esquerda

A nova etapa começa já amanhã! Quando Alegre, Camilo Mortágua, companheir@s da Pintassilgo e o Bloco de Esquerda, se juntarem em Lisboa para celebrar Abril e Maio!
Sim, porque há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não e que não sai à rua de cravo na mão a horas certas e por isso celebra em Junho e no resto do ano, tanto Abril como Maio.
Tenho um orgulho enorme de ter sido um dos que pouco mais de uma centena, que deram o sim para a constituição do Bloco de Esquerda.
Tudo farei para continuar a somar Esquerda à Esquerda e a atirar pedras para o charco!

Caiu uma pedra no charco,
Caiu um penedo no rio,
Caiu mais um barco da boa esperança no mar,
P'ra gente se agarrar.

Deixamos de ver as nuvens
Que nos tapavam o céu
Pudemos sentir de perto
A meiguice do tempo
Onde a gente se escondeu

É que hoje
Nasceu mais um dia.
É que hoje
Nasceu mais alguém.
É que hoje
Nasceu um poeta na serra
Com a estrela da manhã.

Foi quando os lobos uivaram,
Foi quando o lince miou,
As ovelhas não tinham fome
E a alcateia repousou.

E entre os uivos e os miados
O poeta abriu o choro.
E entre os vales e o cabeço,
Cavalgando uma alcateia
O poema deslizou.

Luís Represas
in Cais das Colinas, Trovante

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Esplanada


Em 1984, Portugal ainda não tinha entrado na CEE, e o café era (como eternizou o Trovante) a 20 paus (os actuais 10 cêntimos).
Em 1983, precisamente com esta música, o Trovante foi a primeira "boys-band" portuguesa, quando os elementos do grupo entraram em palco todos vestidos de igual, para se sentarem numa esplanada montada no palco (uma esplanada montada no Tejo foi também a capa do álbum "Terra Firme" anos mais tarde), como recorda Manuel Faria (teclista) no livro: "Trovante - Por trás do palco".
Após a saída do livro, saiu um CD com o concerto do Trovante em 1983 na Aula Magna, em que a voz do Luís Represas está límpida e em que se consegue, passado tantos anos, viver as emoções e alegrias daquele dia.