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quarta-feira, outubro 19, 2011

Contato Imediato

Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Carlinhos Brown

peço por favor
se alguém de longe me escutar
que venha aqui pra me buscar
me leve para passear

no seu disco voador
como um enorme carrossel
atravessando o azul do céu
até pousar no meu quintal

se o pensamento duvidar
todos os meus poros vão dizer
estou pronto para embarcar
sem me preocupar e sem temer

vem me levar
para um lugar
longe daqui
livre para navegar
no espaço sideral
porque sei que sou

semelhante de você
diferente de você
passageiro de você
à espera de você

no seu balão de São João
que caia bem na minha mão
ou numa pipa de papel
me leve para além do céu

se o coração disparar
quando eu levantar os pés do chão
a imensidão vai me abraçar
e acalmar a minha pulsação

longe de mim
solto no ar
dentro do amor
livre para navegar
indo para onde for
o seu disco voador

Loja de Porcelanas

cla.jpg

O que fazia um elefante
na tua loja de porcelanas
sei que não me vais dizer

foi por ele que tu me trocaste
e eu nunca soube porquê
nem nunca virei a saber

às vezes a beleza dói
quando o olhar reflecte
o que o coração inventou

o que fazia um elefante
na tua loja de porcelanas
sei que não me vais dizer

entrou e saiu pela frente
deixou tudo em pantanas
e tu voltaste a sofrer

e quando o ideal cai
tudo aquilo que promete
nunca acontece

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Linhas Cruzadas




Reajo a esse incomodo olhar
Nem quero acreditar
Que vem na minha direção
Há dias que estou a reparar
Nem queres disfarçar
Roubas a minha atenção
Aprecio o teu dom de tornar
Num clique o meu falar
Numa total confusão
Confesso que só de imaginar
Que te vou encontrar
Me sobe à boca o coração
(Refrão)
E falas de ti
E Falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar
É certo que sempre ouvi dizer
Que do querer ao fazer
Vai um enorme esticão
Mas haverá quem possa negar
Que querer é poder
E o nunca é uma invenção
Bem sei que este nosso cruzar
Pode até nem passar
De um capricho sem valor
Mas porque raio hei-de evitar
Se esse teu ar
Me trouxe ao sangue calor
(Refrão)
E falas de ti
E Falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar

sexta-feira, outubro 08, 2010

Nuno Prata com novo disco a 25 de Outubro


Deve Haver , o segundo disco a solo de Nuno Prata, chega às lojas a 25 de outubro.

Produzido por Hélder Gonçalves, músico dos Clã e Humanos, além de produtor dos Virgem Suta, Deve Haver tem em "Essa Dor Não Existe (Tu Isso Sabes, Não Sabes?)" o primeiro single.

B Fachada, que atuou ao vivo com Nuno Prata na Livraria Trama, em Lisboa, e a vocalista dos Clã, Manuela Azevedo, participam no coro da música "Mais um Belo Dia".

De título inspirado num antigo "livro de caixa" trazido de casa do avô do músico, Deve Haver inclui ainda uma versão, em português, de "Used To Be", de Gordon Gano, chamada "Isso Foi Antes". Os Violent Femmes de Gano eram a banda favorita dos Ornatos Violeta, onde Nuno Prata tocava baixo.

Nuno Prata, Nico Tricot e Hélder Gonçalves tocam todos os instrumentos no álbum, que sucede a Todos os Dias Fossem Estes/Outros .

Fonte: Blitz

sábado, maio 08, 2010

Topo de Gama

tenho um telemóvel topo de gama
mas ninguém me liga
mas ninguém me chama

tenho um automóvel cor azul índigo
ninguém quer boleia
ninguém vem comigo

tenho um apartamento virado para o mar
ninguém bate à porta
ninguém vem jantar

será que sou feio será que sou chato
será que vou dar em bicho do mato
será que sou giro mas giro ao contrário
será que estou preso dentro de um armário
não estás não senhor
apenas agora ficaste de fora
das contas do amor

tenho as medidas de um manequim
a beleza certa
ninguém dá por mim

tenho um bom emprego muito produtivo
até vale tirar olhos
é tão competitivo

tenho um consultório com um bom divã
onde deito a alma
e conto à mamã

será que sou feio será que sou chato
será que vou dar em bicho do mato
será que sou giro mas giro ao contrário
será que estou preso dentro de um armário
não estás não senhor
apenas agora ficaste de fora
das contas do amor

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Sorriso de Gioconda

Letra: Carlos Tê

Para quem sorri Mona Lisa
Para quem sorri Gioconda
Alguém diga se souber
Levante o dedo e responda
É sorriso de mulher
Que tem o mundo na mão
Sabe tudo sobre o desejo
Mas faz de conta que não

A quem dará Gioconda
seu sorriso de cortesã
Será que mo dá só a mim
mal vem o sol da manhã

Para quem sorri Mona Lisa
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Para quem sorri ao certo

Talvez sorria para alguém
Escondido ao fundo da sala
Aquele amante furtivo
Que planeia roubá-la
Não sei se sorri para longe
Para lá do mal e do bem
Será que sorri por sorrir
Um sorriso para ninguém

Para quem sorri Gioconda
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Ninguém sabe ao certo

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Não vás

Ainda não, não sei como te olhar
Provavelmente quero que não vás
Ainda não, não sei o que pensar
É a hora crítica das manhãs

Não, não vás!

Ainda não, não sei o que fazer
A esta hora tudo começou errado
Não não não não não quero saber
As coisas que tens a dizer

Não, não vás!

E o que vais fazer?
E o que vais dizer?
Diz o que vais fazer
e o que vais dizer
Diz o que vais fazer
Vê o que vais dizer

Ainda não é a hora de partir
Lá fora não pára de chover
Fica não é o verbo mal de ouvir
Talvez talvez haja algo a dizer

Não, não vás!

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Lado Esquerdo

Letra: Carlos Tê
Música: Hélder Gonçalves
in: Lustro

O meu lado esquerdo
é mais forte do que o outro
é o lado da intuição
É o lado onde mora o coração

O meu lado esquerdo
Oriente do meu instinto
É o lado que me guia no escuro
É o lado com que eu choro e com que eu sinto

Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo

O meu lado esquerdo não sabe o que é a razão
É ele que me faz sonhar
É ele que tantas vezes diz não

Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo

terça-feira, setembro 08, 2009

O teatro dos Clã


Noite de 7 de Setembro de 2009.
Os Clã fazem a abertura da nova temporada do Teatro Nacional São João (TNSJ).
Fazendo jus à casa onde se encontravam e aproveitando toda a dimensão do palco, apresentaram-nos um espectáculo todo ele teatral, muito bem encenado, usando todas as técnicas deste meio, para nos surpreender, quer com as subidas de cortinas, quer com os jogos de luzes, que iam iluminando objectos que se encontravam no palco, e que até então eram "invisíveis" ao público.
A acompanhar, os 6 magníficos davam-nos música, a melhor música que se faz (a meu ver, no mundo). Temas de Cintura, Rosa Carne e dois temas de Lustro (Gueixa e Sangue Frio), bem como algumas versões (repetiram "The Beautiful People", de Marilyn Manson, que já tinham tocado no Baile dos Vampiros, a fechar o Fantasporto deste ano) e fecharam com "Women Of The World" dos Yacht, em que a letra passou num rodapé digital transportado por Manuela Azevedo.
Miguel Ferreira, Fernando Gonçalves, Pedro Rito, Manuela Azevedo, Hélder Gonçalves e Pedro Biscaia, deixaram uma vez mais satisfeit@s tod@s aqueles que os acompanharam nesta viagem.


Gueixa
in: Lustro
Letra: Carlos Tê
Música: Hélder Gonçalves

Deixa que o amor te apanhe
Na teia fatal da sua mão
Deixa que o amor se entranhe
Na terra seca do coração

Deixa que o amor te banhe
No seu sabonete de água e sal
Deixa que o amor te arranhe
Com as suas unhas de animal

Sombras brancas como sedas tristes
Estão no teu olhar
Nuvens cinza num céu claro
Que eu quero limpar

Soubesse eu de amor
Como sei cantar
Dava-te o fulgor
E o ritmo do mar

Deixa que o amor te canse
Até à suave exaustão
Deixa que o amor te lance
às feras que inventam a paixão

Soubesse eu de amor
Como sei cantar
Dava-te o fulgor
E o ritmo do mar

Sombras brancas como sedas tristes
Estão no teu olhar
Nuvens cinza num céu claro
que eu quero limpar

Soubesse eu de amor
Como sei cantar
Dava-te o fulgor
E o ritmo do mar

Women Of The World
Yacht

Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end

The world will come to an end, It won't take long

Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end

The world will come to an end, It won't take long

Women of the world take over, If you don't the world will come to an end
Women of the world take over, If you don't the world will come to an end

If you don't the world will come to an end,
If you don't the world will come to an end,
If you don't the world will come to an end, It won't take long ...

quarta-feira, setembro 02, 2009

Do mesmo Clã

Letra: Luís G. Claro e Hélder Gonçalves
Música: Hélder Gonçalves

nós falamos
os mesmos idiomas
mundos separados
por credos errados

melhor será compor
outra criação
com deuses que toquem
e cantem

NÓS SOMOS DO MESMO CLÃ

nós voltamos
à tribo global
ainda vestidos
pelo bem e pelo mal

vamos pôr de novo
os clãs a dançar
à volta do totem
do sol

NÓS SOMOS DO MESMO CLÃ

govorimo razlicitim
jezicima....jezicima
razdovjeni svetovi
iz istog smo klana.....iz istog smo klana

nós queremos ser citados por uma fonte luminosa
tomar banho nas margens do erro
flutuar na banheira de Arquimedes
meter a ironia do destino na carta para Garcia
e se ele não estiver
esquecê-la num marco histórico

nós queremos curar o calcanhar de Aquiles
atingir o Princípio de Peter pelo lado do poente
subir a Escala de Richter numa gôndola
tocar na buzina de Harpo Marx
soltar a risada de Bugs Bunny
conduzir a locomotiva de Pamplinas em direcção ao futuro

nós queremos a bengala de Charlot
e o passaporte de Fernão Mendes Pinto
comprar cigarros na mesma tabacaria de Fernando Pessoa
fugir numa fuga de Bach
ouvir a voz de Salomão
propôr uma amnistia para o Othelo de Shakespeare
nós queremos saber onde param os violinos de Chopin
nós exigimos saber o porquê do sorriso de Gioconda
e não queremos saber
quem são os dois amores de Marco Polo no oriente
muito menos quem matou Laura Palmer
porque nós não temos medo do SIS
muito menos de Virginia Woolf

Clã no TNSJ

Barbie Suzie Dolly Polly Pocket

Concerto de abertura de temporada do Teatro Nacional S. João, com os Clã

Segunda, 7 de Setembro, 22h





No álbum de estreia, cantavam: “Nós queremos a bengala de Charlot / E o passaporte de Fernão Mendes Pinto / Comprar cigarros na mesma tabacaria de Fernando Pessoa / Fugir numa Fuga de Bach / Ouvir a voz de Salomão propor uma amnistia… / Para o Othello de Shakespeare”. Banda que ignora alegremente a dicotomia entre alta e baixa cultura, os Clã de Hélder Gonçalves e Manuela Azevedo – elemento do novo corpo diplomático do TNSJ – inauguram a Temporada 2009-2010 com um concerto que é uma espécie de epígrafe, muito pouco solene, à nova programação. Aclamados em tempos recentes como “a melhor banda portuguesa ao vivo”, os Clã cultivam uma música irrequieta e contagiante, capaz de gerar temas pop de recorte vintage, refrães folk-rock e melodias de um estranho vaudeville. Do seu modus operandi mencione-se a relação lúdica com a língua portuguesa, mediada por um elenco de letristas de superior craveira, como Carlos Tê, Regina Guimarães ou Adolfo Luxúria Canibal. O que os move? Esse “milagre” a que chamamos canção. No último disco, ouvimos: “Um sopro um calafrio / Raio de sol num refrão / Um nexo enchendo o vazio / Tudo isso veio / Numa simples canção”.

terça-feira, julho 28, 2009

I'm free

Keith Richards / Mick Jagger

I'm free to do what I want any old time
I'm free to do what I want any old time
So love me hold me love me hold me
I'm free any old time to get what I want

I'm free to sing my song knowing it's out of trend
I'm free to sing my song knowing it's out of trend
So love me hold me love me hold me
'Cause I'm free any olf time to get what I want

So love me hold me love me hold me
I'm free any old time to get what I want

I'm free to choose who I see any old time
I'm free to bring who I choose any old time
Love me hold me love me hold me
I'm free any old time to get what I want

segunda-feira, julho 27, 2009

Loja de Porcelanas

cla.jpg

O que fazia um elefante
na tua loja de porcelanas
sei que não me vais dizer

foi por ele que tu me trocaste
e eu nunca soube porquê
nem nunca virei a saber

às vezes a beleza dói
quando o olhar reflecte
o que o coração inventou

o que fazia um elefante
na tua loja de porcelanas
sei que não me vais dizer

entrou e saiu pela frente
deixou tudo em pantanas
e tu voltaste a sofrer

e quando o ideal cai
tudo aquilo que promete
nunca acontece

sexta-feira, julho 25, 2008

Contato Imediato

Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Carlinhos Brown

peço por favor
se alguém de longe me escutar
que venha aqui pra me buscar
me leve para passear

no seu disco voador
como um enorme carrossel
atravessando o azul do céu
até pousar no meu quintal

se o pensamento duvidar
todos os meus poros vão dizer
estou pronto para embarcar
sem me preocupar e sem temer

vem me levar
para um lugar
longe daqui
livre para navegar
no espaço sideral
porque sei que sou

semelhante de você
diferente de você
passageiro de você
à espera de você

no seu balão de São João
que caia bem na minha mão
ou numa pipa de papel
me leve para além do céu

se o coração disparar
quando eu levantar os pés do chão
a imensidão vai me abraçar
e acalmar a minha pulsação

longe de mim
solto no ar
dentro do amor
livre para navegar
indo para onde for
o seu disco voador

Num dia

Arnaldo Antunes / Hélder Gonçalves / Manuela Azevedo / Chico Salém
in, Qualquer

sujar o pé de areia pra depois lavar na água
lavar o pé na água pra depois sujar de areia
esperar o vaga-lume piscar outra vez
ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima
sujar o pé de areia pra depois lavar na água

respirar
sentir o sabor do que comer
caminhar
se chover, tomar chuva
não esperar nada acontecer
ser gentil com qualquer pessoa

sujar o pé de areia pra depois lavar na água
lavar o pé na água pra depois sujar de areia
esperar o vaga-lume piscar outra vez
ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima

respirar
sentir o sabor do que comer
caminhar
se chover, tomar chuva
ter saudade no final da tarde
para quando escurecer esquecer
ao se deitar para dormir, dormir

O quê

Arnaldo Antunes - 1987

Que não é o que não pode ser que
Não é o que não pode
Ser que não é
O que não pode ser que não
É o que não
Pode ser
Que não
É
O que não pode ser que
Não é o que não pode ser
Que não é o que
O que?
O que?
O que?
Que não é o que não pode ser que não é