(Carlos Tê/ Hélder Gonçalves)
benvindos ao estúdio
onde vai ter lugar
mais uma sessão do concurso do método
mas antes do prelúdio
um breve interlúdio
para a publicidade
caro telespectador não faça zap
porque nós vamos saber
o olho do grande irmão que em sua casa o vigia
toda a noite, todo o dia
e arrisca-se a perder
o direito de concorrer
ao grande concurso do método
e a pergunta é:
qual é o método que usa para consumir?
sonha por catálogo da t.v. shop
ou prefere atendimento personalizado
faça uma frase, uma prosa, um poema
e você, aí em casa, basta um telefonema
e ganha uma viagem ao país dos Iglôs
a Guadalupe, Bermudas e Barbados
à Lapónia, ao Alaska, aos eternos congelados
e ganha ainda a fantástica
máquina de descascar desejos
...e eis a brilhante vencedora
a D. Berta da Amadora!!!
(O Concurso do Método tem o patrocínio dos electrodomésticos GRUNFT. Dirija-se a qualquer loja e adquira já qualquer um dos magníficos electrodomésticos da gama GRUNFT. GRUNFT com GRUNFT porque grunfta melhor. GRUNFT!!)
quando passo numa montra onde tudo é tão bonito
entro logo, faço a compra
vejo logo necessito
eu sinto a falta de tudo
ao que é novo não resisto
só estou bem a consumir e se consumo logo existo
é assim quando consumo
o Visa corre entre carris
sinto-me assim não sei como, a modos que leve e feliz
prazer puro, entusiasmo
dura pouco, vai para o lixo
muito perto do orgasmo
muito além do capricho
(E leva ainda 101 contos para pôr no seu porquinho mealheiro. Mais uma magnífica e inultrapassável oferta das lojas GRUNFT!)
Mostrar mensagens com a etiqueta Clã. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Clã. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, maio 05, 2014
quarta-feira, abril 23, 2014
OUTRA VEZ
(John Ulhoa / Hélder Gonçalves)
Dizem pra te contentares
Se um amor a vida traz
Tanta gente sem nenhum
Que é errado querer mais
Não consigo ser assim
Tanto amor que há pra gastar
Se o romance acabar
Numa próxima estação
Eu sei que vou me apaixonar
Sei que vou me apaixonar
Outra vez
Dizem que se terminou
É porque não era amor
Não me venham reclamar
Que alguém sem par ficou
Não prejudiquei ninguém
Na matemática dos casais
Se o romance não valeu
No próximo verão
Sei que vou me apaixonar
Sei que vou me apaixonar
Outra vez
Dizem pra te contentares
Se um amor a vida traz
Tanta gente sem nenhum
Que é errado querer mais
Não consigo ser assim
Tanto amor que há pra gastar
Se o romance acabar
Numa próxima estação
Eu sei que vou me apaixonar
Sei que vou me apaixonar
Outra vez
Dizem que se terminou
É porque não era amor
Não me venham reclamar
Que alguém sem par ficou
Não prejudiquei ninguém
Na matemática dos casais
Se o romance não valeu
No próximo verão
Sei que vou me apaixonar
Sei que vou me apaixonar
Outra vez
CURTO CIRCUITO
(Sérgio Godinho / Hélder Gonçalves)
É curto o circuito
entre o temporal e a calmaria
acertei polos
e pronto
já positivei o dia
Não dês
o dito por não dito
não sou o teu curto circuito
Negativados
sempre de apagão em apagão
no entanto perto
da lua nascer num só clarão
Não dês
vaidade ao positivo
nem condescendência ao negativo
Rasga a minha pele
não me rasgues a pele
cicatriza perto
da energia incandescente
do amor
Não vale a pena
tudo vale a pena
diz o livro das tarefas
da energia incandescente
Tocas-me fundo
e nisso é contínuo o desafio
por ironia
é chamado estático o arrepio
Não dês
potência a uma só luz
nem te esvaias
em tudo o que reluz
Rasga a minha pele
não me rasgues a pele
cicatriza perto
da energia incandescente
do amor
Não vale a pena
tudo vale a pena
diz o livro das tarefas
da energia incandescente
deste amor
Não vale a pena
tudo vale a pena
diz o livro das tarefas
da energia incandescente
É curto o circuito
entre o temporal e a calmaria
acertei polos
e pronto
já positivei o dia
Não dês
o dito por não dito
não sou o teu curto circuito
Negativados
sempre de apagão em apagão
no entanto perto
da lua nascer num só clarão
Não dês
vaidade ao positivo
nem condescendência ao negativo
Rasga a minha pele
não me rasgues a pele
cicatriza perto
da energia incandescente
do amor
Não vale a pena
tudo vale a pena
diz o livro das tarefas
da energia incandescente
Tocas-me fundo
e nisso é contínuo o desafio
por ironia
é chamado estático o arrepio
Não dês
potência a uma só luz
nem te esvaias
em tudo o que reluz
Rasga a minha pele
não me rasgues a pele
cicatriza perto
da energia incandescente
do amor
Não vale a pena
tudo vale a pena
diz o livro das tarefas
da energia incandescente
deste amor
Não vale a pena
tudo vale a pena
diz o livro das tarefas
da energia incandescente
A VER SE SIM
(Nuno Prata / Hélder Gonçalves)
Como se,
por fim, soubesse
aquilo que do amor se faz — mas
não sei bem.
Nunca sei,
visto que
vagueio em vão, só
no descrer
me demoro —
e se tu
fores meu chão?
Pois, tu
és o que me dás aos dias;
és o que cresceu em mim —
e ando eu tão perdida,
a ver
se sim…
Se o que sou
se confunde com o
que não dou,
quem vai ser capaz de
querer do amor
solução? Tu.
Tu,
naquilo que dás aos dias,
na soma do que és em mim
com o que me traz perdida —
a ver
se sim.
Como se,
por fim, soubesse
aquilo que do amor se faz — mas
não sei bem.
Nunca sei,
visto que
vagueio em vão, só
no descrer
me demoro —
e se tu
fores meu chão?
Pois, tu
és o que me dás aos dias;
és o que cresceu em mim —
e ando eu tão perdida,
a ver
se sim…
Se o que sou
se confunde com o
que não dou,
quem vai ser capaz de
querer do amor
solução? Tu.
Tu,
naquilo que dás aos dias,
na soma do que és em mim
com o que me traz perdida —
a ver
se sim.
BASTA
(Arnaldo Antunes / Hélder Gonçalves)
o estômago no coração
uma estrela pra pegar com a mão
mais um livro fora do lugar
um copo d’ água para transbordar
uma bússola em vez de relógio
uma festa depois do velório
um quilómetro ao redor de mim
toda a primavera um dia chega ao fim
mas eu sei
que aproveitarei
e isso basta, basta
se é pouco
o resto eu dou de troco
e isso basta, basta
um botão pra desabotoar
uma boca para abocanhar
dez segundos para decidir
todo o mundo junto pra conseguir
um supermercado como labirinto
um olho fechado pra mostrar que minto
muita paciência para escutar
menos timidez para poder falar
mas de perto
o que pegar eu aperto
e isso basta, basta
e de dentro
o que não der eu invento
e isso basta, basta
eu sei que aproveitarei
e isso basta, basta
o resto eu dou de troco
e isso me basta, basta
basta
basta
o estômago no coração
uma estrela pra pegar com a mão
mais um livro fora do lugar
um copo d’ água para transbordar
uma bússola em vez de relógio
uma festa depois do velório
um quilómetro ao redor de mim
toda a primavera um dia chega ao fim
mas eu sei
que aproveitarei
e isso basta, basta
se é pouco
o resto eu dou de troco
e isso basta, basta
um botão pra desabotoar
uma boca para abocanhar
dez segundos para decidir
todo o mundo junto pra conseguir
um supermercado como labirinto
um olho fechado pra mostrar que minto
muita paciência para escutar
menos timidez para poder falar
mas de perto
o que pegar eu aperto
e isso basta, basta
e de dentro
o que não der eu invento
e isso basta, basta
eu sei que aproveitarei
e isso basta, basta
o resto eu dou de troco
e isso me basta, basta
basta
basta
OUTRO MUNDO
(Sérgio Godinho / Hélder Gonçalves)
Toco ao de leve
as dedadas
cavo fundo
as ossadas
Tabuleta
esqueleto
num outro
alfabeto
Vais ter que vir doutra vida
pra teres outras vidas de mim
Vais ter que ser de outro mundo
pra seres outro tanto de mim
Eu preciso de uma prova concreta
pra saber que vens de outro planeta
Impressões
digitadas
ossaturas
musculadas
Um só objecto
identifica
quem se vai
quem se fica
Vais ter que vir doutra vida
pra teres outras vidas de mim
Vais ter que ser de outro mundo
pra seres outro tanto de mim
Eu preciso de uma prova concreta
pra saber que vens de outro planeta
Desvenda-me o código
Desvenda-me o teu código / desvenda-me
Toco ao de leve
as dedadas
cavo fundo
as ossadas
Tabuleta
esqueleto
num outro
alfabeto
Vais ter que vir doutra vida
pra teres outras vidas de mim
Vais ter que ser de outro mundo
pra seres outro tanto de mim
Eu preciso de uma prova concreta
pra saber que vens de outro planeta
Impressões
digitadas
ossaturas
musculadas
Um só objecto
identifica
quem se vai
quem se fica
Vais ter que vir doutra vida
pra teres outras vidas de mim
Vais ter que ser de outro mundo
pra seres outro tanto de mim
Eu preciso de uma prova concreta
pra saber que vens de outro planeta
Desvenda-me o código
Desvenda-me o teu código / desvenda-me
ZEITGEIST
(Samuel Úria / Hélder Gonçalves)
Vestes verde, que és campestre.
Foste mestre de Feng Shui.
Sempre te modernizaste:
Tatuaste “Amor de pai”.
É indigência chique;
Um balde de água freak.
Tão fora
Que até chegas a ser homem.
Vestes rosa se é de imprensa,
Pensas que é só cor carmim.
Sabes cem passos de dança.
Estuporaste a MTV.
Sem dó, sem fé, sem pressa:
Lado negro da farsa.
Tão brando
Que até chegas a ser homem.
Mas ouve o som! Ouve o som!
Tocou o despertador.
(És um tipo do teu tempo)
O rei e senhor.
(És do tipo do teu tempo)
Ciber-agitador,
(Mestre-sala do teu tempo)
Vestes preto sem ser luto,
Hoodies são os novos fraques.
Animado anonimato:
Quem vê caras vê Guy Fawks .
Ouve o som! Ouve o som!
(És um tipo do teu tempo)
Mas põe-te a andar
(És do tipo do teu tempo)
Tu és o rei e senhor,
(Mestre-sala do teu tempo)
Mas já tocou. Ouve o som!
Põe-te a andar.
Vestes verde, que és campestre.
Foste mestre de Feng Shui.
Sempre te modernizaste:
Tatuaste “Amor de pai”.
É indigência chique;
Um balde de água freak.
Tão fora
Que até chegas a ser homem.
Vestes rosa se é de imprensa,
Pensas que é só cor carmim.
Sabes cem passos de dança.
Estuporaste a MTV.
Sem dó, sem fé, sem pressa:
Lado negro da farsa.
Tão brando
Que até chegas a ser homem.
Mas ouve o som! Ouve o som!
Tocou o despertador.
(És um tipo do teu tempo)
O rei e senhor.
(És do tipo do teu tempo)
Ciber-agitador,
(Mestre-sala do teu tempo)
Vestes preto sem ser luto,
Hoodies são os novos fraques.
Animado anonimato:
Quem vê caras vê Guy Fawks .
Ouve o som! Ouve o som!
(És um tipo do teu tempo)
Mas põe-te a andar
(És do tipo do teu tempo)
Tu és o rei e senhor,
(Mestre-sala do teu tempo)
Mas já tocou. Ouve o som!
Põe-te a andar.
MUSEU DO MUNDO
(Arnaldo Antunes / Hélder Gonçalves)
as ondas vêm
as nuvens vão
sem direção
eticétera e tal
tudo igual
as horas vêm
os dias vão
na imensidão
sem voltar pra trás
tudo em paz
no museu do mundo
onde eu me perdi
nesse lugar
não há futuro
onde chegar
nem continuar
nem morrer
estamos sós
nós dois a sós
só tu e eu
nessa solidão
sem nos ver
no museu do mundo
onde eu me escondi
restos mortais
e animais
em extinção
rastos ancestrais
pelo chão
e nada mais
só espirais
de um furacão
na respiração
vêm e vão
no museu do mundo
onde estou, aqui
as ondas vêm
as nuvens vão
sem direção
eticétera e tal
tudo igual
as horas vêm
os dias vão
na imensidão
sem voltar pra trás
tudo em paz
no museu do mundo
onde eu me perdi
nesse lugar
não há futuro
onde chegar
nem continuar
nem morrer
estamos sós
nós dois a sós
só tu e eu
nessa solidão
sem nos ver
no museu do mundo
onde eu me escondi
restos mortais
e animais
em extinção
rastos ancestrais
pelo chão
e nada mais
só espirais
de um furacão
na respiração
vêm e vão
no museu do mundo
onde estou, aqui
CANÇÃO DE ÁGUA DOCE
(Samuel Úria / Hélder Gonçalves)
Pôs-se a cantar
O amor ao rio
E este seguiu
Sem replicar.
Veio a resposta
Em breve assobio,
Que o vento trouxe
Um travo a mar.
E ela provou que ele
Também está só:
Foi de água doce,
Mas amargou.
Emudeceu
Por estar sem rio.
O olhar vazio,
Voltou-se ao céu.
Raio e trovão,
Setas de cupido,
Volveu paixão
Quando choveu.
Ela esticou-se e
Molhou a mão.
Era água doce;
Fez-se em canção.
Pôs-se a cantar
O amor ao rio
E este seguiu
Sem replicar.
Veio a resposta
Em breve assobio,
Que o vento trouxe
Um travo a mar.
E ela provou que ele
Também está só:
Foi de água doce,
Mas amargou.
Emudeceu
Por estar sem rio.
O olhar vazio,
Voltou-se ao céu.
Raio e trovão,
Setas de cupido,
Volveu paixão
Quando choveu.
Ela esticou-se e
Molhou a mão.
Era água doce;
Fez-se em canção.
Artesanato
(Sérgio Godinho / Hélder Gonçalves)
O nosso amor
está no lugar exacto
artesanato
de calor apurado
Bicicleta
em roda livre e secreta
livre é a meta
desta vida inexacta
Setembro é mesmo
o começo do ano
sim, o vento mudou
cai o pano
Artesanato
exercício de estilo
intencionalmente
tão perfeito e inexacto
Matérias do corpo
tão particularmente
num pega e despega
frequente
Toca que toca
Setembro é chegado
sim, o vento mudou
dá de lado
Ai Ui
Ei por onde é que andaste
a subir escarpas
e a descer ao regato
Oi Ei
Ai que falta me fez
o teu artesanato
Escultura
pés de barro perenes
por vocação
tão espessos, tão ténues
por intuição
molda-se a mão à pele
não sabe do amor
quem só quer saber dele
Folha caduca
Setembro é chegado
nunca varre o vento
o passado
Artesanato
acto eléctrico acústico
mesmo rústico
se sofisticado
Matérias do corpo
tão particularmente
num pega e despega
frequente
Ai Ui
Ei por onde é que andaste
a subir escarpas
e a descer ao regato
Oi Ei
Ai que falta me fez
o teu artesanato
O nosso amor
está no lugar exacto
artesanato
de calor apurado
Bicicleta
em roda livre e secreta
livre é a meta
desta vida inexacta
Setembro é mesmo
o começo do ano
sim, o vento mudou
cai o pano
Artesanato
exercício de estilo
intencionalmente
tão perfeito e inexacto
Matérias do corpo
tão particularmente
num pega e despega
frequente
Toca que toca
Setembro é chegado
sim, o vento mudou
dá de lado
Ai Ui
Ei por onde é que andaste
a subir escarpas
e a descer ao regato
Oi Ei
Ai que falta me fez
o teu artesanato
Escultura
pés de barro perenes
por vocação
tão espessos, tão ténues
por intuição
molda-se a mão à pele
não sabe do amor
quem só quer saber dele
Folha caduca
Setembro é chegado
nunca varre o vento
o passado
Artesanato
acto eléctrico acústico
mesmo rústico
se sofisticado
Matérias do corpo
tão particularmente
num pega e despega
frequente
Ai Ui
Ei por onde é que andaste
a subir escarpas
e a descer ao regato
Oi Ei
Ai que falta me fez
o teu artesanato
TAMBÉM SIM
(Regina Guimarães / Hélder Gonçalves)
a menina
do teu olho
a ravina
do teu rim
a nudez
de uma mão
talvez não
também sim
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
a orelha
o pulmão
a garganta
o joelho
tu e eu
grão a grão
também sim
talvez não
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
ensina-me magia
na aula de anatomia
eu mesma sou lição
cobaia por vocação
o voo
de asa cortada
a dança
no pé de vento
o sopro
do coração
talvez sim
também não
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
a menina
do teu olho
a ravina
do teu rim
a nudez
de uma mão
talvez não
também sim
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
a orelha
o pulmão
a garganta
o joelho
tu e eu
grão a grão
também sim
talvez não
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
ensina-me magia
na aula de anatomia
eu mesma sou lição
cobaia por vocação
o voo
de asa cortada
a dança
no pé de vento
o sopro
do coração
talvez sim
também não
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
A CONTA DE SUBTRAIR
(Regina Guimarães / Hélder Gonçalves)
cada bola cada bala mata um
lei da selva lei da escola
rei do pim pam pum
ó setora o meu pai ensinou-me assim
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
cada fala cada faca mata um
lei do sangue lei do medo
rei do pim pam pum
ó setora o papá é igual a mim
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
de pequenino se aceita o destino
de pequenino se faz o assassino
ó setora
quem mais chora menos mija
era o que dizia a minha avó
mãe do meu pai a cota
e a cota sabia-a toda
seja como for
sejas tu quem fores
o mundo é dos fortes
está ver a cena a cores
se a alma não é pequena
dez no focinho
noves fora
um herói
estamos todos fodidos
e mal pagos
a senhora também
não é setora?
mas a gente sabe da poda
da ganda foda
e a senhora não
que se lixe
bué da fixe
os alunos saberem mais
que a professora
é só uma conta de subtrair
e não vale trair
que a setora tem quatro pneus
e não há air bag que lhe valha
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
de pequenino se aceita o destino
de pequenino se faz o assassino
cada bola cada bala mata um
lei da selva lei da escola
rei do pim pam pum
ó setora o meu pai ensinou-me assim
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
cada fala cada faca mata um
lei do sangue lei do medo
rei do pim pam pum
ó setora o papá é igual a mim
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
de pequenino se aceita o destino
de pequenino se faz o assassino
ó setora
quem mais chora menos mija
era o que dizia a minha avó
mãe do meu pai a cota
e a cota sabia-a toda
seja como for
sejas tu quem fores
o mundo é dos fortes
está ver a cena a cores
se a alma não é pequena
dez no focinho
noves fora
um herói
estamos todos fodidos
e mal pagos
a senhora também
não é setora?
mas a gente sabe da poda
da ganda foda
e a senhora não
que se lixe
bué da fixe
os alunos saberem mais
que a professora
é só uma conta de subtrair
e não vale trair
que a setora tem quatro pneus
e não há air bag que lhe valha
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
de pequenino se aceita o destino
de pequenino se faz o assassino
Rompe o Cerco
Música: Hélder Gonçalves
in: Corrente
Limpo as mãos
Vou embora
É outro dia
A luta continua
Lavo a chaga
Purgo a dor
Salto a cerca
O luto continua
Pinto os olhos
Unto a pele
Venho à tona
A vida continua
Mordo a rua
Cuspo o fel
Rompo o cerco
A lama continua
O circo continua
A farsa continua
Eu sei que algo vai mudar
O jogo vira custe o que custar
Faz a mancha
Cava a falta
Esfrega a alma
A lama continua
Limpa a chaga
Salga a dor
Salta a cerca
A vida continua
Limpa as mãos
Vai embora
É outro dia
A luta continua
Lava a chaga
Purga a dor
Salta a cerca
A vida continua
Eu sei que algo vai mudar
O jogo vira custe o que custar
A paz não te cai bem
Se a paixão faz doer
O que o ódio fará?
Não soube o que dizer
Magoei sem querer
Mas não queres perdoar
Discutiste
Insististe
E pior não me ouviste
Nem me viste chorar
Eu cedi
Concordei
Admiti que errei
Mas só queres guerrear
E eu sei
Não tem fim
Não queres a paz que trago em mim
Não Não
Argumentos que ferem
Silêncios torturam
Gestos são letais
E afinal, pra quê mais?
Concordar jamais
Mesmo que eu diga sim
E eu sei
Não tem fim
Não queres a paz que trago em mim
Vi também que a paz em ti não fica bem
Não Não
Oh Não
E eu vou
Vou desandar daqui
Antes que o céu
Decida desabar sobre mim
E eu sei
Não tem fim
Não queres a paz que trago em mim
Vi também que a paz em ti não fica bem
Não tem fim
Não queres a paz que trago em mim
Sei também que a paz em ti não fica bem
Não Não
quarta-feira, outubro 24, 2012
O fim de tudo
No começo era o fim
agora ai de mim, ai de mim
era bom, era a sós
agora ai de nós, ai de nós
como é que se sai
do eterno ai, terno ai
como é que se faz
pela paz
que é o nosso bem camuflado
dá-se aquela de emancipado
e some cada um p´ra seu lado
o perfeito casal
habitué da columa social
estrilhou, estrilhaçou
vá lá saber-se porquê
vá lá saber-se porquê
O fim de tudo
é um recomeço
e olha, eu bem que mereço
tratar bem do melhor em mim
No começo, a paixão
agora essa não, essa não
era tudo demais
agora é só ais, é só ais
que é do amor que aparecia
tão cru na fotografia
que é do amor que se faz
e talvez
não volte mais a ser feito
vai-se de coração ao peito
cortar pela vida a direito
coração trivial
a afundar em água doce, água e sal
estrilhou, estrilhaçou
vá lá saber-se porquê
vá lá saber-se porquê
O fim de tudo
é um recomeço
e olha, eu bem que mereço
tratar bem do melhor em mim
No começo é para sempre
agora há quem lembre, há quem lembre
a promessa a preceito
de peito ao ar, mão no peito
pelo geito da mão
ainda é talvez sim, talvez não
mas o fôlego falha-nos
valha-nos Deus, quem nos acode
a parte esquece do peito explode
e o coração que gire e que rode
O fim de tudo
é um recomeço
e olha, eu bem que mereço
tratar bem do melhor em mim
terça-feira, dezembro 27, 2011
Lado Esquerdo
O meu lado esquerdo
é mais forte do que o outro
é o lado da intuição
É o lado onde mora o coração
O meu lado esquerdo
Oriente do meu instinto
É o lado que me guia no escuro
É o lado com que eu choro e com que eu sinto
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
O meu lado esquerdo não sabe o que é a razão
É ele que me faz sonhar
É ele que tantas vezes diz não
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
segunda-feira, dezembro 12, 2011
Asas delta
hei, tenho asas nos pés
tenho asas
hei tenho molas nos pés
e salto
sinto um formigueiro
nas mãos e nos braços
passarinhos na cabeça
cata-vento nos ouvidos
mil antenas nos cabelos
quem me leva tenho pressa
pé de cabra, pé de dança
dançar por gosto não cansa
não vou só, levo o meu bando
a dança nos vai juntando
hei, tenho asas nos pés
tenho asas
hei tenho molas nos pés
e salto
se me pesa o traseiro
levanto o meu nariz
perco o medo e a vergonha
fecho os olhos aí vou
e já não estou onde estou
nem sei quando posso parar
pé de cabra, pé de dança
dançar por gosto não cansa
não vou só, levo o meu bando
a dança nos vai juntando
hei, tenho asas nos pés
tenho asas
hei tenho molas nos pés
e salto
mais alto
sexta-feira, dezembro 09, 2011
Eu ninguém
eu ninguém
eu ninguém comigo só
posso ser
travesti de quem quiser
manequim de bazar
ou rainha do lar
madame butterfly
barbie suzie dolly polly pocket
tudo bem
mas eu posso ser também
emanuelle
lady miss mademoiselle
num harém meretriz
ou apenas actriz
o espelho me diz
gueixa vénus eva dama virgem mãe
é que eu sei
o que eu sou e o que não sou
mas é claro
o que eu for eu sou
sem ninguém
só o que eu tenho a saber
é quem de nós cem
hoje eu vou ser
sei lá sei lá
sei lá sei lá
sei lá sei lá
sei lá
Sexto andar
Uma canção passou no rádio
E quando o seu sentido
Se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio
Encontrou num sexto andar
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular
Que a canção estava a falar
E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
O que ninguém
Estava lá para dar
Um sopro um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio
Numa simples canção
Uma canção passou no rádio
Habitou um sexto andar
segunda-feira, dezembro 05, 2011
Amuo
Vejo que estás mais crescida
Já dobras a frustração
Bates com a porta ao mundo
Quando ele te diz não
Envolves o teu espaço
Na tua membrana ausente
Recuas atrás um passo
Para depois dar dois em frente
Amuar faz bem
Amuar faz bem
Ficas descalça em casa
A fazer a tua cura
Salva por um bom amuo
De fazer má figura
Amanhã o mundo inteiro
Vai perguntar onde foste
E tu dizes apenas
Que saíeste, viajaste
Amuar faz bem
Amuar faz bem
Nada como um bom amuo
Apenas um recuo quando nada sai bem
E depois voltar
Como se nada fosse
E reencontrar o lugar
Guardado por um bom amuo
Subscrever:
Mensagens (Atom)




