domingo, abril 04, 2010
terça-feira, março 30, 2010
Correio Azul
Sérgio Godinho
in Domingo no Mundo
Manda-me uma carta em correio azul
p'ra afastar estas cinco nuvens negras
relembra-me as regras
do saber viver
repõe-me o sentido nos sentidos
olfactos
ouvidos
à vista
de tactos
do teu paladar
Manda-me uma carta em correio azul
p'ra afastar esses blues de pacotilha
renega e perfilha
respectivamente
a torpe indiferença
e o amor ardente
amor tão ardente
que dos erros meus
má fortuna se ausente
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
que me deixe a face roburizada
promete-me a noite fatigada
de termos aberto o nosso nexo
ao sexo
da vida
porção destemida
da nossa emoção
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
que branqueie o passado num momento
paixão, é no corpo o sentimento
que faz da razão montanha russa
aguça
o encanto
mas no entretanto
faz estragos mil
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
para eu guardar no castanho dos armários
no meio de testemunhos vários
escritos por letras tão distantes
murmúrios amantes
que a vida me oferece
só por muito amar
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
in Domingo no Mundo
Manda-me uma carta em correio azul
p'ra afastar estas cinco nuvens negras
relembra-me as regras
do saber viver
repõe-me o sentido nos sentidos
olfactos
ouvidos
à vista
de tactos
do teu paladar
Manda-me uma carta em correio azul
p'ra afastar esses blues de pacotilha
renega e perfilha
respectivamente
a torpe indiferença
e o amor ardente
amor tão ardente
que dos erros meus
má fortuna se ausente
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
que me deixe a face roburizada
promete-me a noite fatigada
de termos aberto o nosso nexo
ao sexo
da vida
porção destemida
da nossa emoção
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
que branqueie o passado num momento
paixão, é no corpo o sentimento
que faz da razão montanha russa
aguça
o encanto
mas no entretanto
faz estragos mil
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
para eu guardar no castanho dos armários
no meio de testemunhos vários
escritos por letras tão distantes
murmúrios amantes
que a vida me oferece
só por muito amar
Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
domingo, março 28, 2010
segunda-feira, março 15, 2010
quinta-feira, março 11, 2010
Bullying
Aproveitei a questão para fazer formação cívica aos meus alunos do 7º ano.
Acho que mais importante do que discutir o estrangeirismo da palavra, ou a violência em si, faz mais sentido discutir o tipo de brincadeiras que eles têm.
Primeiro incutir-lhes que toda a brincadeira "parva", tem as suas consequências, e que eles são responsáveis por elas e segundo que nenhum de nós reage da mesma maneira às mesmas coisas. Se um de nós pode reagir com um encolher de ombros quando colocado dentro de um armário, outro pode reagir de forma violenta e outro ainda pode ganhar um medo tal de quem o colocou no armário, que ao vê-lo desata a correr a fugir, podendo atravessar uma rua sem olhar e ser atropelado (ou atirar-se para dentro de um rio, sabendo que não sabe nadar).
E dei-lhes outros exemplos de brincadeiras que presenciei e que podem ter consequências:
- andar a atirar garrafas de água pelo ar, encharcando o chão de um pavilhão.
alguém escorrega e parte uma perna... eles são responsáveis
- andar com um colega às costas debaixo de um vão de escadas.
batem com a cabeça do colega nalgum lado... são responsáveis
Acima de tudo, este tipo de educação, responsabilizar, mostrar que as nossas acções têm consequências, mesmo que não as desejássemos, partem de casa.
Quando o meu sobrinho faz uma asneira e lhe ralho, responde logo: "foi sem querer"... Pois foi, mas explico-lhe sempre que podia ter sido evitado. Se ele se levanta da mesa a correr e com os braços leva tudo à frente e entorna um copo que está em cima da mesa, é óbvio que foi sem querer, não o fez de propósito, mas poderia ter sido evitado, se se levantasse da mesa com calma. E é sempre estas lições que ele leva de mim.
De resto, isto é também um pouco o que se passa na praxe.
Uns interpretam o que se passa como uma brincadeira, participam com gosto e defendem com unhas e dentes, outros sujeitam-se porque têm medo. E, infelizmente, raras não são as vezes, em que as brincadeiras têm consequências...
segunda-feira, março 08, 2010
Corte uma perna
Texto de: Rui Tavares
Eurodeputado do Bloco de Esquerda
Pois é: os salários são um custo. Mas também são uma fonte de procura.
“Quer perder vinte quilos de uma vez?” — diz a velha anedota, e responde: “corte uma perna!”
Nesta altura do campeonato já não espanta que a opinião dominante no nosso país seja uma versão desta anedota em teoria económica. Vários economistas, tão vociferantes quanto insistentes, pretendem que Portugal precisa de medidas radicais para resolver os seus problemas do défice e da dívida. A solução proposta, com ar de quem não faz mais do que anunciar o inevitável, é cortar nos salários dos portugueses. Que tal dez por cento para começar?
À primeira vista, faz sentido. Se eu cortar uma perna, perco vinte quilos, e de um momento para o outro. Excelente! Mas se eu cortar uma perna, passarei a ter uma vida mais sedentária. Terei mais dificuldades para fazer exercício; é possível que perca a força de vontade e me deprima; é possível que me vingue comendo hambúrgueres. Em resumo, posso acabar com mais peso do que no início.
Se nós cortamos os salários, também parece que resolvemos o problema da dívida pública de uma vez só. Os salários da função pública ficam mais fáceis de pagar com uma proporção menor do orçamento do Estado — logo, menos défice — logo, menos dívida pública ao longo do tempo. E a dívida externa? Bem: os cortes de salários em geral, e baixa do consumo que eles arrastam, fará com que compremos menos ao estrangeiro e equilibrará — talvez com um pouco de magia negra — a nossa balança com o estrangeiro. Menos importações e, com os salários baixos, exportações mais competitivas. O pior é se os estrangeiros seguem a mesma receita. Não se preocupem: exportamos para outro planeta.
***
Mas, tal como se cortarmos uma perna, as coisas não são assim tão simples. Se o salário do cidadão comum for cortado em um terço, é possível que ele deixe de vez de ir almoçar fora. Os donos de tantas tascas e restaurante por esse país adentro tentarão aguentar tanto quanto possível, e acabarão despedindo os empregados de mesa e as cozinheiras. O desemprego aumenta e essas pessoas também deixam de consumir. Pois é: os salários são um custo. Mas também são uma fonte de procura.
Passado algum tempo estamos, como a pessoa que cortou uma perna para perder peso, mais fracos e com menos capacidade de resistir. Se calhar, até com mais peso: é que à crise do défice e da dívida agravam-se a crise de emprego e a crise de procura. À recessão segue-se uma depressão, com deflação à mistura, o que significa que o valor da dívida aumenta em termos reais.
Quer isto dizer que o défice não é sério e a dívida não é para pagar? Não. Quer apenas dizer que eu confiaria mais em quem me dissesse: se é realismo que queres, vais demorar bastante tempo a pagar essa dívida. E vais precisar de toda a disciplina e toda a força de trabalho disponível. Vais precisar também de igualdade na repartição de fardos e benefícios: tudo a fazer exercício. Caso contrário, teremos apenas uma transferência de gordura de baixo para cima.
É que os mesmos empresários que hoje querem uma diminuição de salários irão mais tarde sofrer com a contração do consumo. E aí não terão o mínimo pejo em exigir ao estado “ajudas para a exportação”, “balões de ar para o setor” e a satisfação de outras necessidades semelhantes. O défice deixará então de ser uma preocupação; o dinheiro que não se gastou com o assalariado antes será gasto com o patrão depois — a empresa estará em risco de falência, ameaçada, e de cabeça perdida — e estaremos de novo endividados.
Endividados — e com uma perna a menos.
Eurodeputado do Bloco de Esquerda
Pois é: os salários são um custo. Mas também são uma fonte de procura.
“Quer perder vinte quilos de uma vez?” — diz a velha anedota, e responde: “corte uma perna!”
Nesta altura do campeonato já não espanta que a opinião dominante no nosso país seja uma versão desta anedota em teoria económica. Vários economistas, tão vociferantes quanto insistentes, pretendem que Portugal precisa de medidas radicais para resolver os seus problemas do défice e da dívida. A solução proposta, com ar de quem não faz mais do que anunciar o inevitável, é cortar nos salários dos portugueses. Que tal dez por cento para começar?
À primeira vista, faz sentido. Se eu cortar uma perna, perco vinte quilos, e de um momento para o outro. Excelente! Mas se eu cortar uma perna, passarei a ter uma vida mais sedentária. Terei mais dificuldades para fazer exercício; é possível que perca a força de vontade e me deprima; é possível que me vingue comendo hambúrgueres. Em resumo, posso acabar com mais peso do que no início.
Se nós cortamos os salários, também parece que resolvemos o problema da dívida pública de uma vez só. Os salários da função pública ficam mais fáceis de pagar com uma proporção menor do orçamento do Estado — logo, menos défice — logo, menos dívida pública ao longo do tempo. E a dívida externa? Bem: os cortes de salários em geral, e baixa do consumo que eles arrastam, fará com que compremos menos ao estrangeiro e equilibrará — talvez com um pouco de magia negra — a nossa balança com o estrangeiro. Menos importações e, com os salários baixos, exportações mais competitivas. O pior é se os estrangeiros seguem a mesma receita. Não se preocupem: exportamos para outro planeta.
***
Mas, tal como se cortarmos uma perna, as coisas não são assim tão simples. Se o salário do cidadão comum for cortado em um terço, é possível que ele deixe de vez de ir almoçar fora. Os donos de tantas tascas e restaurante por esse país adentro tentarão aguentar tanto quanto possível, e acabarão despedindo os empregados de mesa e as cozinheiras. O desemprego aumenta e essas pessoas também deixam de consumir. Pois é: os salários são um custo. Mas também são uma fonte de procura.
Passado algum tempo estamos, como a pessoa que cortou uma perna para perder peso, mais fracos e com menos capacidade de resistir. Se calhar, até com mais peso: é que à crise do défice e da dívida agravam-se a crise de emprego e a crise de procura. À recessão segue-se uma depressão, com deflação à mistura, o que significa que o valor da dívida aumenta em termos reais.
Quer isto dizer que o défice não é sério e a dívida não é para pagar? Não. Quer apenas dizer que eu confiaria mais em quem me dissesse: se é realismo que queres, vais demorar bastante tempo a pagar essa dívida. E vais precisar de toda a disciplina e toda a força de trabalho disponível. Vais precisar também de igualdade na repartição de fardos e benefícios: tudo a fazer exercício. Caso contrário, teremos apenas uma transferência de gordura de baixo para cima.
É que os mesmos empresários que hoje querem uma diminuição de salários irão mais tarde sofrer com a contração do consumo. E aí não terão o mínimo pejo em exigir ao estado “ajudas para a exportação”, “balões de ar para o setor” e a satisfação de outras necessidades semelhantes. O défice deixará então de ser uma preocupação; o dinheiro que não se gastou com o assalariado antes será gasto com o patrão depois — a empresa estará em risco de falência, ameaçada, e de cabeça perdida — e estaremos de novo endividados.
Endividados — e com uma perna a menos.
domingo, fevereiro 28, 2010
sábado, fevereiro 27, 2010
terça-feira, fevereiro 23, 2010
Golden Skans
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand.
Set sail from sense, bring all her young.
Set sail from where we once begun.
While we wait, while we wait.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand.
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
We sailed from sense, brought all our young.
We sailed from where we once begun.
While we wait, while we wait.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand.
Set sail from sense, bring all her young.
Set sail from where we once begun.
While we wait, while we wait.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand.
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
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We sailed from sense, brought all our young.
We sailed from where we once begun.
While we wait, while we wait.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
ooooooo ahhhh
Clã ao vivo
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segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Sorriso de Gioconda
Letra: Carlos Tê
Para quem sorri Mona Lisa
Para quem sorri Gioconda
Alguém diga se souber
Levante o dedo e responda
É sorriso de mulher
Que tem o mundo na mão
Sabe tudo sobre o desejo
Mas faz de conta que não
A quem dará Gioconda
seu sorriso de cortesã
Será que mo dá só a mim
mal vem o sol da manhã
Para quem sorri Mona Lisa
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Para quem sorri ao certo
Talvez sorria para alguém
Escondido ao fundo da sala
Aquele amante furtivo
Que planeia roubá-la
Não sei se sorri para longe
Para lá do mal e do bem
Será que sorri por sorrir
Um sorriso para ninguém
Para quem sorri Gioconda
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Ninguém sabe ao certo
Para quem sorri Mona Lisa
Para quem sorri Gioconda
Alguém diga se souber
Levante o dedo e responda
É sorriso de mulher
Que tem o mundo na mão
Sabe tudo sobre o desejo
Mas faz de conta que não
A quem dará Gioconda
seu sorriso de cortesã
Será que mo dá só a mim
mal vem o sol da manhã
Para quem sorri Mona Lisa
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Para quem sorri ao certo
Talvez sorria para alguém
Escondido ao fundo da sala
Aquele amante furtivo
Que planeia roubá-la
Não sei se sorri para longe
Para lá do mal e do bem
Será que sorri por sorrir
Um sorriso para ninguém
Para quem sorri Gioconda
Está tão longe tão perto
Para quem sorri Gioconda
Ninguém sabe ao certo
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domingo, fevereiro 21, 2010
Base fechada aos EUA
Janeiro de 1962
Base fechada aos EUA
Reportagem do Diário Insular
Texto de: Rui Messias

Foi a primeira vez que Portugal proibiu a utilização da base das Lajes por aviões norte-americanos, que voavam em serviço para a ONU. O calendário marcava janeiro de 1962 e Salazar, depois de um ano negro, vingava-se assim da administração Kennedy.
A resposta espantou os oficiais das Nações Unidas (ONU), Particularmente os norte-americanos. Era a primeira vez que o governo de Oliveira Salazar proibia a utilização da Base das Lages para a passagem de aeronaves dos Estados Unidos rumo ao Congo, onde descarregariam material necessário à operação das forças daONU naquele teritório africano, mergulhado na guerra pela independência (1960-1966) do controlo belga (que terminaria na conquista do poder por Joseph Mobutu). O calendário marcava o dia 11 de Janeiro de 1962.
"Foi a primeira vez que qualquer restriçãi foi posta aos aparelhos da força aérea dos Estados Unidos para aterrar na base aérea das Lajes, nos Açores", escrevia-se num telegrama da Embaixada norte-americana em Portugal.
Vários historiadores, hoje, acreditam que esta atitude de Salazar demonstra a retaliação do executivo português contra a administração Kennedy, depois de um ano complicado para a política nacional.
O curioso é que os Estados Unidos já tinham sido avisados para esta possibilidade; aviso que, também curiosamente, não partira das autoridades ou da diplomacia portuguesa, mas do embaixador norte-americano em Lisboa.
A 31 de Dezembro de 1961, o embaixador norte-americano em Lisboa, Charles Burke Elbrick, envia para Washington um memorando com o balanço das relações luso-americanas no ano que terminava.
E, nas previsões para 1962, deixava claro: "O problema mais importante que se nos depara em 1962 nas nossas relações com Portugal é a renegociação do acordo da base dos Açores", sublinhava o diplomata. Esta afirmação no fundo, traduzia o resultado de um ano em que a política externa da administração Kennedy enfurecera mais Salazar do que cedera aos seus pedidos.
A nova administração norte-americana olhava para África com outros olhos; depois de vários anos em que Dwight D. Eisenhower (presidente dos EUA entre 1953 e 1961) optara por não questionar a acção portuguesa nas possessões africanas.
Robert Kennedy chegara à presidência dos Estados Unidos um ano antes - tomou posse a 20 de Janeiro de 1961 - e garantira alterar a política americana para África. O que significava o eventual apoio aos movimentos independentistas e, acima de tudo, o combate feroz (embora, muitas vezes, secreto) à influência soviética nos territórios africanos.
Mas Salazar mantinha um trunfo: a Base das Lajes, nos Açores, que os EUA usavam com autorização assinada desde 1954, embora já recorressem à infraestrutura açoriana (que ajudaram a edificar) desde 1944.
O "Santa Maria"
O primeiro confronto entre a nova política africana dos Estados Unidos e a visão "imperial" de Salazar acontece no final de Janeiro de 1961: oficiais norte-americanos sobem a bordo no navio "Santa Maria" e negoceiam com Henrique Galvão, que sequestrara a embarcação para chamar a atenção da comunidade internacional para a política colonialista portuguesa.
Galvão recebe no Santa Maria, uma delegação norte-americana. E a bordo decorre quase uma negociação de Estado a Estado. Galvão teve aqui a sua hora de glória e Salazar uma das suas maiores humilhações, ao ver um dos seus tradicionais aliados a reconhecer legitimidade a alguém que o governo português considerava um terrorista.
Hoje, vários historiadores concordam que o sequestro do navio "Santa Maria" (pertencente à Companhia Colonial de Navegação) marcou o início do fim do Estado Novo, lançando a atenção internacional sobre o regime salazarista e, acima de tudo, a sua acção nas colónias que mantinha em África.
A saga do "Santa Maria" começara na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, dois dias depois da tomada de posse da nova administração americana, liderada por John F. Kennedy.
O paquete de luxo é tomado de assalto em águas internacionais, junto às Caraíbas, por um comando do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL), chefiado por Henrique Galvão, ex-militar português. O objectivo era levar o navio para a ilha de Fernando Pó e, a partir daí, lançar a insurreição contra Portugal em Angola.
O governo de Salazar condenou o ataque e classificou-o de "pirataria internacional", pedindo depois apoio a França, Inglaterra e Estados Unidos.
Mas os três aliados (primeiro Paris e, depois, Londres e Washington) - perante o apoio dos seus povos à iniciativa de Galvão - optaram por tratar o sequestro como um assunto político (justificando a maior parte das suas acções com questões e dúvidas sobre o direito internacional), o que enfureceu Salazar.
Um trunfo na manga
Passado o episódio do "Santa Maria", Salazar via-se agora confrontado com os "ataques" americanos nas Nações Unidas.
A ameaça de barrar o uso da Base das Lajes esgrimida pelo governo português perante a atitude americana para com Henrique Galvão não surtira efeito. E os representantes de Washington nas Nações Unidas iniciavam um plano de críticas contra o regime colonialista português.
Durante todo o ano de 1961 (e parte de 1962), os EUA votam constantemente contra Portugal nas Nações Unidas. A par disso, proíbem a venda de armas a Lisboa que tenham por destino as colónias africanas e recorrem a todos os meios para convencer Salazar a alterar a sua política ultramarina no sentido de permitir a autodeterminação dos povos nativos das colónias.
Mas, a meados de 1962, o trunfo "Base das Lajes" volta a ser colocado em cima da mesa: os direitos de utilização da infraestrutura em tempo de paz pelos EUA terminavam no final de 1962 e a administração norte-americana vê-se obrigada a iniciar o processo de renegociação do acordo.
Nessa altura, surge um debate intenso no seio da administração Kennedy: um sector - onde se incluíam os militares - defendia a preservação a todo o custo do acesso às Lajes (considerada "a mais valiosa instalação que os Estados Unidos são autorizados a usar por uma potência estrangeira") e sublinhava que a "perda dos Açores teria as mais graves consequências militares"; outro sector considerava que a importância da estratégia militar não podia ofuscar a importância da auto-determinação dos povos africanos, para evitar a supremacia soviética naquele continente.
O debate "Angola ou Açores" conhece a fase crucial na primeira metade de 1962. É neste período que as teses europeístas (defesa dos Açores) se vão finalmente impor. Este sector vence o debate no seio da administração, a que se junta a maioria conservadora do Congresso, contrária à política africana de Kennedy.
Salazar vence a batalha. Não tanto por seu mérito, mas pela conjugação das necessidades militares americanas com o conservadorismo maioritário no Congresso.
Escreveria John Kenneth Galbraith (economista e conselheiro de Kennedy): "we are trading our African policy for a few acres of asphalt in the Atlantic".
Base fechada aos EUA
Reportagem do Diário Insular
Texto de: Rui Messias

Foi a primeira vez que Portugal proibiu a utilização da base das Lajes por aviões norte-americanos, que voavam em serviço para a ONU. O calendário marcava janeiro de 1962 e Salazar, depois de um ano negro, vingava-se assim da administração Kennedy.
A resposta espantou os oficiais das Nações Unidas (ONU), Particularmente os norte-americanos. Era a primeira vez que o governo de Oliveira Salazar proibia a utilização da Base das Lages para a passagem de aeronaves dos Estados Unidos rumo ao Congo, onde descarregariam material necessário à operação das forças daONU naquele teritório africano, mergulhado na guerra pela independência (1960-1966) do controlo belga (que terminaria na conquista do poder por Joseph Mobutu). O calendário marcava o dia 11 de Janeiro de 1962.
"Foi a primeira vez que qualquer restriçãi foi posta aos aparelhos da força aérea dos Estados Unidos para aterrar na base aérea das Lajes, nos Açores", escrevia-se num telegrama da Embaixada norte-americana em Portugal.
Vários historiadores, hoje, acreditam que esta atitude de Salazar demonstra a retaliação do executivo português contra a administração Kennedy, depois de um ano complicado para a política nacional.
O curioso é que os Estados Unidos já tinham sido avisados para esta possibilidade; aviso que, também curiosamente, não partira das autoridades ou da diplomacia portuguesa, mas do embaixador norte-americano em Lisboa.
A 31 de Dezembro de 1961, o embaixador norte-americano em Lisboa, Charles Burke Elbrick, envia para Washington um memorando com o balanço das relações luso-americanas no ano que terminava.
E, nas previsões para 1962, deixava claro: "O problema mais importante que se nos depara em 1962 nas nossas relações com Portugal é a renegociação do acordo da base dos Açores", sublinhava o diplomata. Esta afirmação no fundo, traduzia o resultado de um ano em que a política externa da administração Kennedy enfurecera mais Salazar do que cedera aos seus pedidos.
A nova administração norte-americana olhava para África com outros olhos; depois de vários anos em que Dwight D. Eisenhower (presidente dos EUA entre 1953 e 1961) optara por não questionar a acção portuguesa nas possessões africanas.
Robert Kennedy chegara à presidência dos Estados Unidos um ano antes - tomou posse a 20 de Janeiro de 1961 - e garantira alterar a política americana para África. O que significava o eventual apoio aos movimentos independentistas e, acima de tudo, o combate feroz (embora, muitas vezes, secreto) à influência soviética nos territórios africanos.
Mas Salazar mantinha um trunfo: a Base das Lajes, nos Açores, que os EUA usavam com autorização assinada desde 1954, embora já recorressem à infraestrutura açoriana (que ajudaram a edificar) desde 1944.
O "Santa Maria"
O primeiro confronto entre a nova política africana dos Estados Unidos e a visão "imperial" de Salazar acontece no final de Janeiro de 1961: oficiais norte-americanos sobem a bordo no navio "Santa Maria" e negoceiam com Henrique Galvão, que sequestrara a embarcação para chamar a atenção da comunidade internacional para a política colonialista portuguesa.
Galvão recebe no Santa Maria, uma delegação norte-americana. E a bordo decorre quase uma negociação de Estado a Estado. Galvão teve aqui a sua hora de glória e Salazar uma das suas maiores humilhações, ao ver um dos seus tradicionais aliados a reconhecer legitimidade a alguém que o governo português considerava um terrorista.
Hoje, vários historiadores concordam que o sequestro do navio "Santa Maria" (pertencente à Companhia Colonial de Navegação) marcou o início do fim do Estado Novo, lançando a atenção internacional sobre o regime salazarista e, acima de tudo, a sua acção nas colónias que mantinha em África.
A saga do "Santa Maria" começara na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, dois dias depois da tomada de posse da nova administração americana, liderada por John F. Kennedy.
O paquete de luxo é tomado de assalto em águas internacionais, junto às Caraíbas, por um comando do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL), chefiado por Henrique Galvão, ex-militar português. O objectivo era levar o navio para a ilha de Fernando Pó e, a partir daí, lançar a insurreição contra Portugal em Angola.
O governo de Salazar condenou o ataque e classificou-o de "pirataria internacional", pedindo depois apoio a França, Inglaterra e Estados Unidos.
Mas os três aliados (primeiro Paris e, depois, Londres e Washington) - perante o apoio dos seus povos à iniciativa de Galvão - optaram por tratar o sequestro como um assunto político (justificando a maior parte das suas acções com questões e dúvidas sobre o direito internacional), o que enfureceu Salazar.
Um trunfo na manga
Passado o episódio do "Santa Maria", Salazar via-se agora confrontado com os "ataques" americanos nas Nações Unidas.
A ameaça de barrar o uso da Base das Lajes esgrimida pelo governo português perante a atitude americana para com Henrique Galvão não surtira efeito. E os representantes de Washington nas Nações Unidas iniciavam um plano de críticas contra o regime colonialista português.
Durante todo o ano de 1961 (e parte de 1962), os EUA votam constantemente contra Portugal nas Nações Unidas. A par disso, proíbem a venda de armas a Lisboa que tenham por destino as colónias africanas e recorrem a todos os meios para convencer Salazar a alterar a sua política ultramarina no sentido de permitir a autodeterminação dos povos nativos das colónias.
Mas, a meados de 1962, o trunfo "Base das Lajes" volta a ser colocado em cima da mesa: os direitos de utilização da infraestrutura em tempo de paz pelos EUA terminavam no final de 1962 e a administração norte-americana vê-se obrigada a iniciar o processo de renegociação do acordo.
Nessa altura, surge um debate intenso no seio da administração Kennedy: um sector - onde se incluíam os militares - defendia a preservação a todo o custo do acesso às Lajes (considerada "a mais valiosa instalação que os Estados Unidos são autorizados a usar por uma potência estrangeira") e sublinhava que a "perda dos Açores teria as mais graves consequências militares"; outro sector considerava que a importância da estratégia militar não podia ofuscar a importância da auto-determinação dos povos africanos, para evitar a supremacia soviética naquele continente.
O debate "Angola ou Açores" conhece a fase crucial na primeira metade de 1962. É neste período que as teses europeístas (defesa dos Açores) se vão finalmente impor. Este sector vence o debate no seio da administração, a que se junta a maioria conservadora do Congresso, contrária à política africana de Kennedy.
Salazar vence a batalha. Não tanto por seu mérito, mas pela conjugação das necessidades militares americanas com o conservadorismo maioritário no Congresso.
Escreveria John Kenneth Galbraith (economista e conselheiro de Kennedy): "we are trading our African policy for a few acres of asphalt in the Atlantic".
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
O sexto sentido de Estado

Portugal tem um governo que não se demite mas acha que a oposição devia demiti-lo, e uma oposição que não o demite mas acha que ele devia demitir-se
in: Visão
Quando, na semana passada, o PS desafiou a oposição a apresentar uma moção de censura ao Governo, a política portuguesa ficou subitamente mais difícil de compreender. Os nossos políticos, que são pessoas bastante lineares, curiosamente produzem uma política muito complexa. Resumindo, o que se passa é isto: neste momento, Portugal tem um Governo que não se demite mas acha que a oposição devia demiti-lo, e uma oposição que não o demite mas acha que ele devia demitir-se. O primeiro-ministro deseja controlar os jornais, mas não consegue evitar que os jornais o descontrolem. E acusa os jornalistas de fazerem jornalismo de buraco de fechadura quando a porta está, na verdade, escancarada.
Façamos uma história breve do que tem sido o Governo de Portugal nos últimos anos. Primeiro, Durão Barroso saiu, porque foi chamado pela Comissão Europeia. Sócrates não sai mesmo que lhe chamem tudo. Pelo meio, Santana também saiu, mas contra a sua vontade. Um sai porque quer, o outro sai sem querer e o último não sai nem que toda a gente queira. Antes de Durão, já Guterres saíra, porque tinha coisas combinadas e o Governo do País atrapalhava-lhe a agenda. Dos últimos quatro primeiros-ministros, só 50% quis manter-se no lugar, facto que imediatamente os torna suspeitos.
O actual Governo está mergulhado em escândalos de vários tipos. Quem pode fazê-lo cair é o grupo parlamentar do PSD onde se encontra, por exemplo, António Preto, mergulhado em escândalos de vários tipos. Ou o Presidente da República, Cavaco Silva, cujos amigos e membros dos seus anteriores governos se encontram envolvidos em escândalos de vários tipos. O eleitor está em casa um pouco confuso, e com razão: é difícil optar entre tantos escândalos. Qual dos envolvidos em escândalos é o mais indicado para livrar o País destes escândalos? Eis uma questão difícil.
Bom, sou capaz de me ter deixado levar pelo ambiente de suspeição que temos vivido. Vistas friamente, as acusações ao primeiro-ministro acabam por ser frágeis. É difícil sustentar que Sócrates quer acabar com a comunicação social quando verificamos que foi ele quem mais fez, nos últimos tempos, pela leitura de jornais. Para sermos justos, teremos de reconhecer que Sócrates acabou com os jornais, sim, mas nas bancas. Acabou com eles porque, por sua causa, a edição esgotou-se e teve de se fazer outra.
Quem, no meio de tudo isto, poderá conduzir o País? Quem nunca esteve envolvido num caso obscuro, nunca teve cargos de responsabilidade em governos desastrosos, nunca recebeu dinheiro de Manuel Godinho? É possível que exista alguém que corresponda a este perfil, mas terá certamente menos de 10 anos. E colocar um menor de 10 anos no Governo do País poderá ter consequências trágicas: o País ficaria de certeza sem rumo, com o desemprego elevadíssimo, e manietado por uma crise profunda. Nem quero imaginar o que poderia acontecer.
terça-feira, fevereiro 16, 2010
Estado do mundo
Portugal tem cada vez mais reconhecimento quanto consegue ser mais trafulha e incompetente.
Já dizia a velha máxima: "O crime compensa". Está à vista.
Depois de Durão Barroso (que um dia foi cherne e agora é José Manuel), ter estendido o tapete vermelho, aqui mesmo na Terceira, a Bush, Blair e Aznar, para iniciarem uma guerra à "procura" do que sabiam não existir, agora é Vitor Constâncio que depois dos escândalos BPN e BPP, irá para o BCE.
Isto é grave por qualquer dos lados que se analise.
Por um lado é grave, porque a incompetência e a trafulhice são recompensadas.
Por outro lado é grave, porque quer Durão, quer Constâncio são recompensados, porque o papel que tiveram em Portugal é o mesmo que se espera de quem ocupa quer o cargo de Presidente da Comissão Europeia, quer de dirigente do BCE, ou seja, manipulável e cego!
Ainda me lembro de após a 1ª campanha presidencial de Soares, cujo lema era "Soares é fixe", aparecer o slogan "Constâncio também é fixe!". É fixe é, mas não é para nós!
segunda-feira, fevereiro 15, 2010
Não vás
Ainda não, não sei como te olhar
Provavelmente quero que não vás
Ainda não, não sei o que pensar
É a hora crítica das manhãs
Não, não vás!
Ainda não, não sei o que fazer
A esta hora tudo começou errado
Não não não não não quero saber
As coisas que tens a dizer
Não, não vás!
E o que vais fazer?
E o que vais dizer?
Diz o que vais fazer
e o que vais dizer
Diz o que vais fazer
Vê o que vais dizer
Ainda não é a hora de partir
Lá fora não pára de chover
Fica não é o verbo mal de ouvir
Talvez talvez haja algo a dizer
Não, não vás!
Provavelmente quero que não vás
Ainda não, não sei o que pensar
É a hora crítica das manhãs
Não, não vás!
Ainda não, não sei o que fazer
A esta hora tudo começou errado
Não não não não não quero saber
As coisas que tens a dizer
Não, não vás!
E o que vais fazer?
E o que vais dizer?
Diz o que vais fazer
e o que vais dizer
Diz o que vais fazer
Vê o que vais dizer
Ainda não é a hora de partir
Lá fora não pára de chover
Fica não é o verbo mal de ouvir
Talvez talvez haja algo a dizer
Não, não vás!
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Ouvi dizer
Ouvi dizer
Que o nosso amor acabou
Pois eu não tive a noção do seu fim.
Pelo que eu ja tentei
Eu não vou vê-lo em mim
Se eu não tive a noção de ver nascer o homem.
E ao que eu vejo
Tudo foi para ti
Uma estúpida canção que só eu ouvi
E eu fiquei com tanto para dar
E agora não vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
Ouvi dizer
Que o mundo acaba amanhã
E eu tinha tantos planos p'ra depois
Fui eu quem virou as páginas
Na pressa de chegar até nós
Sem tirar das palavras seu cruel sentido.
Sobre a razão estar cega
Resta-me apenas uma razão
Um dia vais ser tu
E um homem como tu
Como eu não fui
Um dia vou-te ouvir dizer
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
Sei que um dia vais dizer
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura
Que o nosso amor acabou
Pois eu não tive a noção do seu fim.
Pelo que eu ja tentei
Eu não vou vê-lo em mim
Se eu não tive a noção de ver nascer o homem.
E ao que eu vejo
Tudo foi para ti
Uma estúpida canção que só eu ouvi
E eu fiquei com tanto para dar
E agora não vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
Ouvi dizer
Que o mundo acaba amanhã
E eu tinha tantos planos p'ra depois
Fui eu quem virou as páginas
Na pressa de chegar até nós
Sem tirar das palavras seu cruel sentido.
Sobre a razão estar cega
Resta-me apenas uma razão
Um dia vais ser tu
E um homem como tu
Como eu não fui
Um dia vou-te ouvir dizer
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
Sei que um dia vais dizer
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
Lado Esquerdo
Letra: Carlos Tê
Música: Hélder Gonçalves
in: Lustro
O meu lado esquerdo
é mais forte do que o outro
é o lado da intuição
É o lado onde mora o coração
O meu lado esquerdo
Oriente do meu instinto
É o lado que me guia no escuro
É o lado com que eu choro e com que eu sinto
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
O meu lado esquerdo não sabe o que é a razão
É ele que me faz sonhar
É ele que tantas vezes diz não
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
Música: Hélder Gonçalves
in: Lustro
O meu lado esquerdo
é mais forte do que o outro
é o lado da intuição
É o lado onde mora o coração
O meu lado esquerdo
Oriente do meu instinto
É o lado que me guia no escuro
É o lado com que eu choro e com que eu sinto
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
O meu lado esquerdo não sabe o que é a razão
É ele que me faz sonhar
É ele que tantas vezes diz não
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
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quinta-feira, fevereiro 04, 2010
Socialismo ou Barbárie
"Recuso-me a viver num país assim.
E não me vou mudar.
Juntem-se a mim!"
Michael Moore
in, Capitalismo - Uma história de amor
Em exibição em Angra do Heroísmo
3 e 4 de Fevereiro de 2010
E não me vou mudar.
Juntem-se a mim!"
Michael Moore
in, Capitalismo - Uma história de amor
Em exibição em Angra do Heroísmo
3 e 4 de Fevereiro de 2010
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Três Cantos
No ano lectivo 1995/96, entrei no Ensino Superior. Nesse ano deixei o Porto e fui estudar para Castelo Branco.
Uma tia fez-me uma quadras e um primo pegou na viola e toca-as a tocar ao som das "Quadras Soltas", do Sérgio Godinho. As quadras desejavam-me boa sorte e apelavam ao meu regresso. Regressei no ano seguinte para lá ficar até este ano lectivo, onde vim dar aulas para Angra do Heroísmo, graças ao curso que comecei a tirar nesse ano.
Devido ao facto de ter vindo para Angra, fui impedido de ver este espectáculo, para o qual já tinha bilhete e que tive de vender à minha mãe.
Felizmente há internet, e o meu pai, que me gravou o espectáculo que a RTP transmitiu, e assim sempre consegui viver algumas emoções. Uma delas é ver precisamente as "Quadras Soltas" reinventadas. Divirtam-se a ouvi-las!
Uma tia fez-me uma quadras e um primo pegou na viola e toca-as a tocar ao som das "Quadras Soltas", do Sérgio Godinho. As quadras desejavam-me boa sorte e apelavam ao meu regresso. Regressei no ano seguinte para lá ficar até este ano lectivo, onde vim dar aulas para Angra do Heroísmo, graças ao curso que comecei a tirar nesse ano.
Devido ao facto de ter vindo para Angra, fui impedido de ver este espectáculo, para o qual já tinha bilhete e que tive de vender à minha mãe.
Felizmente há internet, e o meu pai, que me gravou o espectáculo que a RTP transmitiu, e assim sempre consegui viver algumas emoções. Uma delas é ver precisamente as "Quadras Soltas" reinventadas. Divirtam-se a ouvi-las!
Três Cantos
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segunda-feira, fevereiro 01, 2010
quinta-feira, janeiro 28, 2010
quarta-feira, janeiro 27, 2010
sexta-feira, janeiro 22, 2010
Competência para amar
Vieste comigo
nesse jeito pós-moderno
de não querer saber nada
de não fazer perguntas
essa pose cansada
tão despida de emoção
de quem já viu tudo
e tudo é uma imensa
repetição
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
depois quase ias embora
desse modo
evanescente
não soubesse eu ver-te
tão transparente
e teria sido apenas
o encontro acidental
uma simples vertigem
dum desporto radical
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
nesse jeito pós-moderno
de não querer saber nada
de não fazer perguntas
essa pose cansada
tão despida de emoção
de quem já viu tudo
e tudo é uma imensa
repetição
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
depois quase ias embora
desse modo
evanescente
não soubesse eu ver-te
tão transparente
e teria sido apenas
o encontro acidental
uma simples vertigem
dum desporto radical
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
Latin N'América
Todas as manhãs o sol espelha
Bate nas lentes escuras
O sangue jorra de esguelha
Na pala das ditaduras
Continente grita de dor
Rebenta pelas costuras
A morte,o medo e o terror
São dias feitos agruras
Do Paraguai a Porto Rico
Salvador às Honduras
Da Bolívia à Guatemala
Argentina ao Chile
[refrão]
Latina ' América
Latina ' América
Latina ' América
Latina ' América
Descem das montanhas
Para pôr fim a essa sina
Que te rebenta as entranhas
Capacete em cada esquina
Todas as manhãs o sol espelha
Bate nas lentes escuras
O sangue jorra de esguelha
Na pala das ditaduras
Do Paraguai a Porto Rico
Salvador às Honduras
Da Bolivia à Guatemala
Bate nas lentes escuras
O sangue jorra de esguelha
Na pala das ditaduras
Continente grita de dor
Rebenta pelas costuras
A morte,o medo e o terror
São dias feitos agruras
Do Paraguai a Porto Rico
Salvador às Honduras
Da Bolívia à Guatemala
Argentina ao Chile
[refrão]
Latina ' América
Latina ' América
Latina ' América
Latina ' América
Descem das montanhas
Para pôr fim a essa sina
Que te rebenta as entranhas
Capacete em cada esquina
Todas as manhãs o sol espelha
Bate nas lentes escuras
O sangue jorra de esguelha
Na pala das ditaduras
Do Paraguai a Porto Rico
Salvador às Honduras
Da Bolivia à Guatemala
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Esclarecer o que nunca existiu com explicações que não explicam nada

A explicação de Fernando Lima é como o computador de Cavaco: tem vulnerabilidades
in: Visão
Três meses depois de ter sido afastado da Casa Civil do Presidente da República por causa do seu envolvimento no chamado caso das escutas, e dois meses depois da sua reintegração na Casa Civil do Presidente da República sem que tivesse havido novidades a propósito do seu envolvimento no chamado caso das escutas, Fernando Lima veio a público explicar o seu envolvimento no chamado caso das escutas dizendo que, tendo embora estado envolvido no chamado caso das escutas, na verdade não teve nada a ver com ele. Ora até que enfim, um esclarecimento claro e cabal sobre este estranho processo.
Primeiro, recorde-se, Fernando Lima tinha arranjado sarilhos falando a um jornal. Agora, quis esclarecer tudo escrevendo para um jornal. Não pode dizer-se que tenha aprendido a lição. Sobretudo porque a explicação de Lima é como o computador de Cavaco: tem vulnerabilidades. O ex-assessor de Cavaco e actual assessor de Cavaco diz que o caso foi empolado pelos jornais a partir de um desabafo vago e inofensivo. "Como é que elementos do PS", terá perguntado Lima inocentemente, "sabem o que faz cada um na vida privada? Andam a vigiar os assessores, quem sabe através de escutas instaladas na residência oficial do Presidente, na sequência aliás de um caso em que, ao que suspeitamos todos aqui na Casa Civil, um assessor do governo foi espiar o Presidente para a Madeira?" A partir destas simples declarações, os jornalistas, com a capacidade de efabulação que se lhes conhece, conseguiram supor que o assessor da presidência desconfiava da existência de escutas na residência oficial do Presidente, e acreditava num caso anterior de espionagem do governo a Cavaco Silva. Tudo não passou, portanto, de uma fantasia inventada pela imprensa. Para Fernando Lima, o Público esteve mal em todo este processo. O DN, revelando o modo como o Público esteve mal, esteve ainda pior. E o Expresso, que agora publicou o esclarecimento de Lima, não perde pela demora. É óbvio que também não se terá portado bem.
Em resumo, a Presidência nunca teve suspeitas gravíssimas de estar a ser vigiada, mas à cautela o Presidente mandou examinar as suas comunicações. A hipótese de vigilância aos assessores de Cavaco não passou de um desabafo que não era para ser tomado à letra, mas de facto o computador do Presidente tinha vulnerabilidades. Falar no caso na altura foi um modo de desviar as atenções dos problemas graves que o país atravessava, mas falar no assunto agora é apropriado, até porque o país já se livrou dos problemas graves que atravessava. Estava a ver que nunca mais se esclarecia isto.
segunda-feira, janeiro 18, 2010
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Mas em ti...
És amante em part-time
E amiga a tempo inteiro
O peso que carregas às costas
É o que está na moda
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Sou eu a igreja
E o tu, o campanário
Até que somos giros
P’ra dois entes feios
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Ambos temos porreiros
Ataques de fúria
Eu quero mais admiradores
Tu queres mais palco
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Tentas sempre
Portar-te à tua altura
E eu gosto da forma
Qu’tens de sentir
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Beijo-te na testa
Afastados da festa
Vejo estrelas ao beijar-te
Tudo o meu corpo se parte
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
As pedras perdoam-me
As árvores perdoam-me
Porque não me perdoas tu?
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
In Juno
A normalidade não quer nada connosco
E amiga a tempo inteiro
O peso que carregas às costas
É o que está na moda
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Sou eu a igreja
E o tu, o campanário
Até que somos giros
P’ra dois entes feios
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Ambos temos porreiros
Ataques de fúria
Eu quero mais admiradores
Tu queres mais palco
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Tentas sempre
Portar-te à tua altura
E eu gosto da forma
Qu’tens de sentir
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Beijo-te na testa
Afastados da festa
Vejo estrelas ao beijar-te
Tudo o meu corpo se parte
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
As pedras perdoam-me
As árvores perdoam-me
Porque não me perdoas tu?
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
In Juno
A normalidade não quer nada connosco
quinta-feira, janeiro 14, 2010
O Partido Impopular Monárquico

O país está numa situação delicada. Todos devemos contribuir com propostas
in: Visão
No ano em que se comemora o centenário da República, o Partido Popular Monárquico quer propor um referendo para saber se os portugueses preferem a monarquia. É um bocadinho como ir a um congresso de vegetarianos perguntar se alguém quer uma posta mirandesa, mas os 15 090 votos que o partido obteve nas últimas eleições legislativas terão feito germinar nos seus dirigentes a forte suspeita de que há uma grande vaga de fundo na sociedade portuguesa a favor da causa monárquica. É natural, são números que impressionam. Os monárquicos dizem que nunca ninguém perguntou aos portugueses se queriam viver num regime republicano, pelo que faz sentido referendar a questão - até por razões de equidade relativamente àquele referendo, em 1143, no qual os portugueses foram chamados a dizer se queriam viver 750 anos num regime monárquico.
Por mim, apoio o referendo. Sendo republicano, tenho admiração pelos monárquicos. Gente que não quer uma figura decorativa eleita por todos e exige uma figura ainda mais decorativa que recebe o cargo de herança. A diferença é tão subtil que é forçoso admirar quem se bate por ela. Além do mais, a monarquia é o regime ideal para todos os que já perceberam que Portugal não irá a lado nenhum enquanto for dirigido por portugueses. Nesse aspecto, a monarquia, no seu fulgurante antipatriotismo, é mais lúcida: a família real inglesa é de origem alemã e dinamarquesa, o príncipe espanhol tem ascendência grega. É muito raro que o rei de determinado país seja aquilo a que se pode chamar um natural desse país. Seria a nossa esperança, se o rei mandasse alguma coisa.
Conseguirá o PPM convocar o referendo? Infelizmente, é pouco provável. É curioso que um partido que se chama "popular" tenha uma falta de popularidade tão grande. Os 0,27% de votos que obteve ficaram muito longe de partidos como o PS ou o PSD, mas também bastante distantes dos votos nulos, com 1,37%, e dos votos brancos, com 1,74%. Há seis vezes mais portugueses que preferem não votar em ninguém do que eleitores do partido monárquico. Mesmo admitindo que o programa político dos votos brancos faz mais sentido, ainda assim é uma diferença muito grande.
Há que admirar, acima de tudo, o esforço dos monárquicos. O país está numa situação delicada, a crise agrava-se, o desemprego sobe, o endividamento aumenta. Todos devemos contribuir com propostas. Há quem defenda que o país precisa de mais investimento público, quem pense que o país precisa de uma política mais austera. Os monárquicos acham que o país precisa de D. Duarte. São opiniões. Creio, por isso, que esta proposta do referendo é o maior contributo do PPM para a política portuguesa desde o comunicado que o partido emitiu logo após a morte de Sousa Franco, na campanha eleitoral das eleições europeias de 2004. Era um comunicado que dizia, e cito: "Não queremos nem devemos dramatizar, nem tão-pouco fazer do Professor um mártir, mas a verdade é que o Professor também deveria fazer parte das pessoas que não cuidava da sua saúde. Provavelmente, não media a tensão há muito tempo. A sua morte já estava prevista." E concluía: "Ao mesmo tempo, estamos certos, esta foi a melhor e a mais eficiente forma de o Professor dizer basta desta politiquice e dos politiqueiros que a alimentam." Talvez um dia Portugal volte a ser uma monarquia. Mas espero sinceramente que isso aconteça apenas muito depois de eu já ter dito basta desta politiquice.
sexta-feira, janeiro 08, 2010
Talvez Foder
Há bombas em Belfast e em Beirute
É preciso afinar o azimute
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Há mortos na Palestina
E há feridos em Israel
Conversações que não saem do papel
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Há snipers em Sarajevo
E há fome em Bombaim
Guerra civil sem vergonha nem Fim
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Há fascistas em Berlim e em Moscovo
É o discurso que de velho se faz novo
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
...
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E nós todos o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
É preciso afinar o azimute
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Há mortos na Palestina
E há feridos em Israel
Conversações que não saem do papel
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Há snipers em Sarajevo
E há fome em Bombaim
Guerra civil sem vergonha nem Fim
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Há fascistas em Berlim e em Moscovo
É o discurso que de velho se faz novo
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
...
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E nós todos o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
quarta-feira, janeiro 06, 2010
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Benvindo Sr. Presidente
Soubera eu que o senhor vinha
e com certeza não me tinha
apanhado na cozinha
ovos mexidos com salsichas
batata frita de pacote
e o que sobrou de um happy-meal
três embalagens de ketchup
Soubera eu que no rastreio
eu tinha sido o escolhido
um caso típico do meio
teria pedido ao serviço
que à parte de me ter dispensado
que atribuísse qualquer verba
p´ra eu tratar do convidado
Não é casa que se mostre
não é casa que se mostre
a um visitante tão ilustre
Mas
Benvindo Sr. Presidente
do Consenso Capicua
sente sente
Vá! Aqui no sofá
a casa é sua!
um café? Cerveja já não há
a casa é sua!
vou buscar a vassoura e a pá
a casa é sua!
e um banco corrido para estes senhores
Como é que se chamam?
Ah! Assessores...
Soubera eu do seu programa
e teria pelo menos
recolhido o sofá-cama
foi lá que ressonei pesado
sonhei vinganças de ex-marido
e nem senti que a mãe e o puto
p´la manhã tinham fugido
mas isso agora não interessa
mas isso agora não interessa
fotos, poses, peça, peça
Benvindo Sr. Presidente
do Consenso Capicua
sente sente
Vá! Aqui no sofá
a casa é sua!
um café? Cerveja já não há
a casa é sua!
vou buscar a vassoura e a pá
a casa é sua!
e um banco corrido para estes senhores
Como é que se chamam?
Assessores...
Soubera eu desta visita
e não me tinha agora aqui
a queixar-me da desdita
do futuro um parasita
eu que quis vida bonita
a sua agenda é apertada
e a sua vida correria
posso já ficar sozinho
ou quer ainda que sorria?
o certo é que o senhor merece
o certo é que o senhor merece
esquecer o que me acontece
Benvindo Sr. Presidente...
e com certeza não me tinha
apanhado na cozinha
ovos mexidos com salsichas
batata frita de pacote
e o que sobrou de um happy-meal
três embalagens de ketchup
Soubera eu que no rastreio
eu tinha sido o escolhido
um caso típico do meio
teria pedido ao serviço
que à parte de me ter dispensado
que atribuísse qualquer verba
p´ra eu tratar do convidado
Não é casa que se mostre
não é casa que se mostre
a um visitante tão ilustre
Mas
Benvindo Sr. Presidente
do Consenso Capicua
sente sente
Vá! Aqui no sofá
a casa é sua!
um café? Cerveja já não há
a casa é sua!
vou buscar a vassoura e a pá
a casa é sua!
e um banco corrido para estes senhores
Como é que se chamam?
Ah! Assessores...
Soubera eu do seu programa
e teria pelo menos
recolhido o sofá-cama
foi lá que ressonei pesado
sonhei vinganças de ex-marido
e nem senti que a mãe e o puto
p´la manhã tinham fugido
mas isso agora não interessa
mas isso agora não interessa
fotos, poses, peça, peça
Benvindo Sr. Presidente
do Consenso Capicua
sente sente
Vá! Aqui no sofá
a casa é sua!
um café? Cerveja já não há
a casa é sua!
vou buscar a vassoura e a pá
a casa é sua!
e um banco corrido para estes senhores
Como é que se chamam?
Assessores...
Soubera eu desta visita
e não me tinha agora aqui
a queixar-me da desdita
do futuro um parasita
eu que quis vida bonita
a sua agenda é apertada
e a sua vida correria
posso já ficar sozinho
ou quer ainda que sorria?
o certo é que o senhor merece
o certo é que o senhor merece
esquecer o que me acontece
Benvindo Sr. Presidente...
segunda-feira, dezembro 14, 2009
Capitão Romance
Não vou procurar quem espero:
Se o que eu quero é navegar!
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar.
Parto rumo à primavera,
Que em meu fundo se escondeu!
Esqueço tudo do que eu sou capaz:
Hoje o mar sou eu...
Esperam-me ondas que persistem,
Nunca param de bater!
Esperam-me homens que desistem,
Antes de morrer!
Por querer mais do que a vida,
Sou a sombra do que eu sou.
E ao fim não toquei em nada,
Do que em mim tocou.
Eu vi,
Mas não agarrei...
Parto rumo à maravilha,
Rumo à dor que houver pra vir.
Se eu encontrar uma ilha,
Paro pra sentir!
Dar sentido à viagem,
Pra sentir que eu sou capaz!
Se o meu peito diz coragem,
Volto a partir em paz.
Eu vi,
Mas não agarrei...
Se o que eu quero é navegar!
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar.
Parto rumo à primavera,
Que em meu fundo se escondeu!
Esqueço tudo do que eu sou capaz:
Hoje o mar sou eu...
Esperam-me ondas que persistem,
Nunca param de bater!
Esperam-me homens que desistem,
Antes de morrer!
Por querer mais do que a vida,
Sou a sombra do que eu sou.
E ao fim não toquei em nada,
Do que em mim tocou.
Eu vi,
Mas não agarrei...
Parto rumo à maravilha,
Rumo à dor que houver pra vir.
Se eu encontrar uma ilha,
Paro pra sentir!
Dar sentido à viagem,
Pra sentir que eu sou capaz!
Se o meu peito diz coragem,
Volto a partir em paz.
Eu vi,
Mas não agarrei...
sexta-feira, dezembro 11, 2009
quinta-feira, dezembro 10, 2009
E o Porto aqui tão perto!
E no dia de regresso, concerto das Vozes da Rádio na FNAC de Santa Catarina!
É tão bom estar de volta!
É tão bom estar de volta!
terça-feira, dezembro 08, 2009
Hoje quem
Nuno Prata
in: Todos os dias fossem estes/outros
Hoje quem acordou na minha cama,
hoje quem é que eu sou?
Já é manhã mas esta noite ainda não passou.
Que força tenho quando me tenho só a mim,
de quem mais eu preciso para respirar?
A minha cara faz-me sempre lembrar alguém…
E os meus olhos são de quem?
Eu queria ser como tu.
Eu queria crer como tu.
Eu queria ser como eu
mas dos meus sonhos acorda outro alguém.
Eu queria ser como quem?
Hoje quem acordou na minha carne
e que sonhos roubou
na madrugada de um dia que já passou?
Todo o tempo é tempo de acreditar.
Mas tanto tempo já passou
sem que a fé encontrasse em mim lugar…
(Estava sempre onde eu não queria estar.)
Eu queria ser como tu.
Eu queria crer como tu.
Eu queria ser como eu
mas dos meus sonhos acorda outro alguém.
Eu queria ser como quem?
Hoje quem acordou na minha cama,
hoje quem é que eu sou?
Já estou a pé e o dia ainda nem chegou…
in: Todos os dias fossem estes/outros
Hoje quem acordou na minha cama,
hoje quem é que eu sou?
Já é manhã mas esta noite ainda não passou.
Que força tenho quando me tenho só a mim,
de quem mais eu preciso para respirar?
A minha cara faz-me sempre lembrar alguém…
E os meus olhos são de quem?
Eu queria ser como tu.
Eu queria crer como tu.
Eu queria ser como eu
mas dos meus sonhos acorda outro alguém.
Eu queria ser como quem?
Hoje quem acordou na minha carne
e que sonhos roubou
na madrugada de um dia que já passou?
Todo o tempo é tempo de acreditar.
Mas tanto tempo já passou
sem que a fé encontrasse em mim lugar…
(Estava sempre onde eu não queria estar.)
Eu queria ser como tu.
Eu queria crer como tu.
Eu queria ser como eu
mas dos meus sonhos acorda outro alguém.
Eu queria ser como quem?
Hoje quem acordou na minha cama,
hoje quem é que eu sou?
Já estou a pé e o dia ainda nem chegou…
Isso foi antes
De: Nuno Prata
Em tempos fui feliz.
Em tempos fui
um rapaz tão afável.
Em tempos fui —
mas isso foi antes
de descrer de tudo.
(Foi muito antes
de descrer
de tudo.)
Em tempos foi feliz.
Em tempos foi
uma rapariga adorável.
Em tempos foi —
mas isso foi antes
de desistir de si.
(Foi muito antes
de desistir
de si.)
Em tempos fomos felizes.
Em tempos fomos
criaturas tão prestáveis.
Em tempos fomos —
mas isso foi antes
de sairmos ao mundo.
(Foi muito antes
de sairmos
ao mundo.)
Em tempos fui feliz.
Em tempos fui
um rapaz tão afável.
Em tempos fui —
mas isso foi antes
de descrer de tudo.
(Foi muito antes
de descrer
de tudo.)
Em tempos foi feliz.
Em tempos foi
uma rapariga adorável.
Em tempos foi —
mas isso foi antes
de desistir de si.
(Foi muito antes
de desistir
de si.)
Em tempos fomos felizes.
Em tempos fomos
criaturas tão prestáveis.
Em tempos fomos —
mas isso foi antes
de sairmos ao mundo.
(Foi muito antes
de sairmos
ao mundo.)
segunda-feira, dezembro 07, 2009
Nó Cego
"A cerveja já está choca
e o café quase a fechar,
tenho a cabeça tão oca,
Estou mesmo a flipar
Hoje quase não dormi
E o rádio não liguei
Para não pensar em ti,
Bebi Rum e até drunfei
E no meu quarto fechado,
num terrível abandono
Senti-me um macho falhado
Deixei de ser teu dono.
Nó cego, foi o que deste em mim rapariga!
Nó cego! deste-me cabo da vida!
e o café quase a fechar,
tenho a cabeça tão oca,
Estou mesmo a flipar
Hoje quase não dormi
E o rádio não liguei
Para não pensar em ti,
Bebi Rum e até drunfei
E no meu quarto fechado,
num terrível abandono
Senti-me um macho falhado
Deixei de ser teu dono.
Nó cego, foi o que deste em mim rapariga!
Nó cego! deste-me cabo da vida!
sexta-feira, dezembro 04, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 10
Isto precisa é de um referendo em cada esquina
Eu, canhoto confesso, aplaudo de pé este texto do RAP.
Guilherme Rietsch Monteiro

O casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser referendado caso a caso. Se o objectivo é metermo-nos na vida dos outros, façamo-lo com o brio que essa nobre tarefa merece.
in: Visão
Confesso que não sei se as pessoas nascem com essa característica ou se optam por adoptar o comportamento desviante que a Bíblia, aliás, condena - mas, na minha opinião, os canhotos não deveriam poder casar. Nem adoptar crianças. Um casal de pessoas, digamos, normais, acaricia a cabeça dos filhos como deve ser, da esquerda para a direita. Os canhotos acariciam da direita para a esquerda, o que pode ter efeitos perversos na estrutura emocional das crianças. Na verdade, sou contra a adopção por casais heterossexuais em geral, sejam ou não canhotos. Atenção: não tenho nada contra os heterossexuais. Tenho muitos amigos heterossexuais e eu próprio sou um. Mas não concordo que possam adoptar crianças. Em primeiro lugar, porque é contranatura. Quando olhamos para a natureza, não vemos casais de pardais ou de coelhos a adoptarem crias de outros. Pelo contrário, esforçam-se por colocar as suas crias fora do ninho ou da toca o mais rapidamente possível. Ou usam as suas próprias crias para produzir novas crias. Mas não adoptam. Provavelmente, porque sabem que é contranatura. Por outro lado, a adopção por casais heterossexuais pode condicionar a sexualidade das crianças. Todos os homossexuais que conheço são filhos de casais heterossexuais. A influência de heterossexuais tem, por isso, aspectos nefastos que merecem estudo cuidadoso. Por fim, há a questão do estigma social. Suponhamos que uma criança adoptada por um casal heterossexual é convidada para ir a casa de um colega adoptado por um casal de homens. Como é que o miúdo que foi adoptado por heterossexuais se vai sentir quando perceber que a casa do colega está muito mais bem decorada do que a dele?
Quanto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mais do que ser a favor de um referendo, sou a favor de vários. Creio que o casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser referendado caso a caso. O Fernando e o Mário querem casar? Pois promova-se uma grande discussão nacional sobre o assunto. A RTP que produza um Prós e Contras com cidadãos de vários quadrantes que se posicionem contra e a favor da união do Fernando e do Mário. Organizem-se debates entre o Mário e os antigos namorados do Fernando, para que o povo português possa ter a certeza de que o Fernando está a fazer a escolha certa. E depois, então sim, que Portugal vá às urnas decidir democraticamente se concede ao Mário a mão do Fernando em casamento. E assim para todos os matrimónios. Se o objectivo é metermo-nos na vida dos outros, façamo-lo com o brio que essa nobre tarefa merece.
Defendo, portanto, uma abordagem especialmente cautelosa desta questão. Sou muito sensível ao argumento segundo o qual, se permitirmos o casamento entre pessoas do mesmo sexo, teremos de legalizar também as uniões dos polígamos. E sou sensível porque, como é evidente, não posso negar que me vou apercebendo da grande movimentação social de reivindicação do direito dos polígamos ao casamento. Parece que já temos entre nós vários muçulmanos, grandes apreciadores da poligamia. E eu não tenho homossexuais na família, nem entre os meus amigos, mas polígamos, muçulmanos ou não, conheço umas boas dezenas. Se toda esta massa poligâmica desata a querer casar, receio que os notários fiquem com as falangetas em carne viva, de tanto redigirem contratos de união civil. Mas, felizmente, confio que os polígamos sejam, também eles, sensíveis à mais elementar lógica: a poligamia é uma relação entre uma pessoa e várias outras de sexo diferente. A reivindicarem a legalização das suas uniões, fá-lo-iam a propósito do casamento entre pessoas de sexo diferente, com o qual têm mais afinidades. A menos que se trate de poligamia entre pessoas do mesmo sexo. Mas, segundo o Presidente do Irão, parece que entre os muçulmanos não há disso.
domingo, novembro 29, 2009
Uma Aventura em Angra do Heroísmo - Parte 9
Palácio Bettencourt
Edifício de arquitectura barroca, construído nos finais do séc. XVII, princípios do séc. XVIII, com algumas alterações posteriores que não afectaram a beleza arquitectónica do edifício.
Na fachada principal podemos admirar um rico pórtico lavrado em cantaria da região, constituído por duas colunas, salomónicas encimadas por capitéis compósitos e arquitrave, e uma ampla cartela que envolve a pedra de armas da família que aqui viveu - a família Bettencourt.
Bom exemplo das casas solarengas de Angra.
quinta-feira, novembro 19, 2009
Estes gaj@s enervam-me!
Estes gaj@s enervam-me mesmo!
Como é possível, com o número super reduzidíssimo de mortes com gripe A, andarem a fazer tanto alarido, nunca referenciando o número de mortes que houve no mesmo período com gripe comum, e agora, quando já morreram 3 fetos por causa da vacina, virem dizer que todos os anos morrem 300 fetos...
Que interesses obscuros há aqui por trás?! Como é que esta gente vem falar, e afirmar coisas que não sabem?! Que ganham com isso?! Não sei, mas têm que ganhar alguma coisa de certeza, é impossível serem tão incompetentes e ignorantes, para dizerem o que dizem, sem andarem a mamar!
Este pânico, esta gripe e esta vacina, servem apenas aos interesses laboratoriais de uma qualquer farmacêutica (aconselho vivamente a leitura e/ou o visionamente de "O Fiel Jardineiro"). A vacina foi feita às 3 pancadas. Começou a ser distribuída há semanas, e vêm dizer "se foi por causa da vacina, é o primeiro caso em todo mundo...", como se quer o vírus, quer a vacina existissem há uma eternidade! Se é tudo novo, é natural que as coisas só aconteçam agora, ou não?! Como é possível defenderem algo sobre a qual não têm responsabilidades, em vez de aconselharem prudência, pedirem averiguações, até haver provas do que verdadeiramente aconteceu? Não havendo conclusões, falar claramente a todos nós, explicando que não se pode dizer porque aconteceu. Agora, virem tão rapidamente dizer que está tudo bem, e já vamos no 3º caso (morrem mais depressa fetos de mães vacinadas, do que pessoas com gripe A), só pode significar coisas muitas obscuras por trás... Até alguém desvendar a face oculta...
quarta-feira, novembro 18, 2009
sexta-feira, novembro 13, 2009
Recordando Guerra Junqueiro
Descobre as diferenças entre o antes e o agora!
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...)
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do país, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre - como da roda duma lotaria. A justiça ao arbítrio da Politica, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)"
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...)
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do país, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre - como da roda duma lotaria. A justiça ao arbítrio da Politica, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)"
Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896
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A argamassa alegórica dos muros metafóricos

Somos um povo de construtores civis da metáfora, de patos-bravos da figura de estilo - o que não tem mal nenhum
in: Visão
As carinhosas irmãs vicentinas que me educaram até à quarta classe suportaram o meu ateísmo sem o mais pequeno queixume. E suportaram-me a mim com o mesmo silêncio, o que é ainda mais notável. O facto de não terem tentado sequer convencer-me a fazer ao menos o baptismo revela um respeito tão firme pela liberdade religiosa que chega a comover-me. Por outro lado, pode dar-se o caso de não terem querido oferecer um sacramento ao pecadorzinho pertinaz que, sem dúvida nenhuma, perceberam que estava ali a despontar. Também comove: senhoras que viviam em reclusão, com pouca experiência do mundo real, conseguiam mesmo assim topar um selvagem aos seis anos. Mas, mesmo não tendo desperdiçado proselitismo que lhes fazia falta para salvar almas mais merecedoras da salvação, ainda assim ensinaram-me canções religiosas. Esta semana, recordei uma que se chamava Os muros vão cair.
É interessante quando certos pormenores da biografia do cronista se adequam ao tema tratado na crónica, não é? Ficamos com a sensação de que o tempo passa pelo mundo e pelo cronista do mesmo modo, que deixa em ambos a mesma marca, e sobretudo que o mundo e o cronista têm a mesma importância, o que é especialmente agradável. (Para o cronista. Para o mundo, é relativamente desprestigiante.) Por isso, sempre que posso invento um facto biográfico que se relacione com os principais acontecimentos da semana. Desta vez, não precisei de fazê-lo. As freiras ensinaram-me mesmo a música político-religiosa Os muros vão cair, que falava de muros metafóricos em geral para falar do muro de Berlim em particular.
A esta distância, constato que as vicentinas tinham duplamente razão: dez anos depois, o muro de Berlim caiu mesmo, e 20 anos depois da queda as metáforas sobre muros continuam pujantes. Quando, na passada segunda-feira, se comemorou o aniversário da queda do muro, ficou claro que as metáforas com muros estão para o muro de Berlim como a pergunta "Queria, já não quer?" está para os clientes dos cafés que, por educação, fazem o pedido no pretérito imperfeito. A queda do muro é uma efeméride que, ano após ano, ouve sempre as mesmas piadas. Todos, mas mesmo todos os comentadores lembraram outros muros que, à semelhança do de Berlim, devemos derrubar. O muro da intolerância, o muro da injustiça ou o muro da desigualdade social foram alguns dos muros mais citados. E todos, mas mesmo todos, apontaram a seguir as pontes que devem ser construídas nas ruínas dos muros. A ponte da esperança e a ponte do entendimento entre os povos foram as duas infra-estruturas metafóricas mais referidas. Se juntarmos a estes muros e pontes as auto-estradas da informação, percebemos que as metáforas sobre obras-públicas são, sem dúvida nenhuma, as mais populares do espaço público português. Somos um povo de construtores civis da metáfora, de patos-bravos da figura de estilo - o que não tem mal nenhum. Estou só a observar um fenómeno sem o julgar. Por favor, não me enfiem no túnel da incompreensão.
domingo, novembro 08, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 8
Igreja do Santíssimo Salvador da Sé
Edificada por ordem do Cardeal D. Henrique, a partir de 1570, sobre a anterior igreja paroquial construída por Álvaro Martins Homem (cerca de 1461). Nela está sepultado, entre outros, o provedor das Armadas Pero Anes do Canto.
De estilo renascentista e "chão", foi seu mestre de obras Luís Gonçalves. Voltada a Norte, contraria o costume antigo das igrejas com capela-mor virada a Jerusalém.
Do primitivo altar-mor conservam-se os painéis da vida de Cristo (pintura sobre madeira, séc. XVI).
A estante de leitura ao estilo indo-português, em jacarandá do Brasil com marfim de baleia, e executada nos Açores é um testemunho precioso dos Açores como pólo de encontro de culturas.
O frontal em prata do altar do Santíssimo, feito entre 1702 e 1720 por Manuel Carneiro de Lima para a Confraria do Santíssimo, é um rico exemplo de ourivesaria terceirense.
domingo, novembro 01, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 7
Palácio dos Capitães Generais
No lugar onde antes existiam as casas da família Távora, construíran os Jesuítas um colégio com um Pátio de Estudos (onde é agora o parque de estacionamento) e Igreja.
Em 1776, o 1º Capitão General dos Açores, D. Antão de Almada, propõe e começa a adaptar o edifício a palácio.
Por duas vezes foi Paço Real (1832 - D. Pedro IV, 1901 - D. Carlos I).
O templo, rico em talha dourada, azulejaria e imagens, reflecte a Igreja da reforma e, simultaneamente, a influência do gosto pelos motivos decorativos das Índias.
O edifício ainda conserva estruturas dessa época.
sexta-feira, outubro 30, 2009
Sobreviver à doença, escapar da cura

Primeiro, houve o pânico provocado pela gripe A. Agora, há o pânico provocado pela vacina contra a gripe A. A doença gera pânico; a cura gera ainda mais
in: Visão
Já se demitiram ministros por causa de anedotas relacionadas com a saúde pública portuguesa, mas isso não foi suficiente para que a saúde pública portuguesa deixasse de parecer uma boa anedota. Talvez seja útil fazer um pequeno resumo das últimas e intrigantes ocorrências no âmbito da nossa sempre divertida saúde. Primeiro, houve o pânico provocado pela gripe A. Agora, há o pânico provocado pela vacina contra a gripe A. A doença gera pânico; a cura gera ainda mais. O medo é tanto que eu tomaria uns calmantes, se não tivesse medo de os tomar. Bem disse o filósofo José Gil que os portugueses tinham medo de existir: entre deixar de existir, por causa da gripe, ou continuar a existir, graças à vacina, vacilamos. Na dúvida, receamos as duas. Não é fácil ser doente - e deve ser ainda mais difícil ser médico, que tem de confortar o paciente quando contrai a doença e confortá-lo mais ainda enquanto lhe administra a cura.
Visto de fora, desde que se descobriu o novo vírus da gripe os portugueses passaram a correr para um lado gritando "Fujam, vem aí a doença!", e depois passaram a correr para o outro gritando "Fujam, vem aí a cura!" A fugir, estamos sempre. Só muda o perseguidor.
Qual é, afinal, o mais grave? O vírus da gripe ou o vírus da vacina? Até ver, são ambos relativamente inofensivos. Um é curado por profissionais de saúde, o outro é transmitido por profissionais de saúde. A gripe A é mais fraca do que a gripe vulgar e a vacina provoca os mesmos efeitos secundários que qualquer outra vacina. Nem a gripe nem a vacina são particularmente perigosas para o homem. No entanto, ambos os vírus são letais para o meio ambiente. Temo que não haja árvores suficientes para abastecer os jornais do papel necessário para todas as notícias, publicadas e por publicar, sobre os malefícios da gripe A e os ainda maiores malefícios da vacina da gripe A. Não admira: a toda a hora surgem novas informações. Receava-se que houvesse vacinas a menos. Agora, uma vez que ninguém as quer tomar, receia-se que sobejem. Também causa dano. Suspirou-se por uma vacina. Agora, suspira-se por uma vacina contra a vacina. A ciência que resolva este problema. Já começamos a habituar-nos ao pânico da vacina. Precisamos urgentemente de outra coisa relacionada com a gripe A para recear.
terça-feira, outubro 27, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 6
Paços do Concelho
Angra teve três casas da Câmara. A primeira, com uma pequena praça defronte. Depois, o comércio das Índias e a importância da cidade levaram à construção de uma praça maior e de edifícios sucessivamente mais dignos até ao actual, construído já no séc. XIX e inspirado nos antigos Paços do Concelho do Porto. Possui um dos maiores e mais dignos salões nobres do País.
segunda-feira, outubro 26, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 5
domingo, outubro 25, 2009
Queixa das almas jovens censuradas
Letra: Natália Correia
Música: José Mário Branco
in: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Música: José Mário Branco
in: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 4
sexta-feira, outubro 23, 2009
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