A Doutrina do Choque from Muito Aterrorizado on Vimeo.
segunda-feira, julho 18, 2011
sexta-feira, julho 01, 2011
Impossível é não viver
O texto que se segue é o contributo do escritor José Luís Peixoto para o MayDay Lisboa e foi recentemente lido em grego em Atenas.
Se te quiserem convencer que é impossível, diz-lhes que impossível é ficares calado, impossível é não teres voz. Temos direito a viver. Acreditamos nessa certeza com todas as forças do nosso corpo e, mais ainda, com todas as forças da nossa vontade. Viver é um verbo enorme, longo. Acreditamos em todo o seu tamanho, não prescindimos de um único passo do seu/nosso caminho.
Sabemos bem que é inútil resmungar contra o ecrã do telejornal. O vidro não responde. Por isso, temos outros planos. Temos voz, tantas vozes; temos rosto, tantos rostos. As ruas hão-de receber-nos, serão pequenas para nós. Sabemos formar marés, correntes. Sabemos também que nunca nos foi oferecido nada. Cada conquista foi ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, era sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos.
Além disso, é magnífico estragar a festa aos poderosos. É divertido, saudável, faz bem à pele. Quando eles pensam que já nos distribuíram um lugar, que já está tudo decidido, que nos compraram com falinhas mansas e autocolantes, mostramos-lhes que sabemos gritar. Envergonhamo-los como as crianças de cinco anos envergonham os pais na fila do supermercado. Com a diferença grande de não sermos crianças de cinco anos e com a diferença imensa de eles não serem nossos pais porque os nossos pais, há quase quatro décadas atrás, tiveram de livrar-se dos pais deles. Ou, pelo menos, tentaram.
O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade. Por isso, não vamos pedir, vamos exigir. Havemos de repetir as vezes que forem necessárias: temos direito a viver. Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.
Vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela e tu, vida, cresces também. Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz.
Sabemos bem que é inútil resmungar contra o ecrã do telejornal. O vidro não responde. Por isso, temos outros planos. Temos voz, tantas vozes; temos rosto, tantos rostos. As ruas hão-de receber-nos, serão pequenas para nós. Sabemos formar marés, correntes. Sabemos também que nunca nos foi oferecido nada. Cada conquista foi ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, era sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos.
Além disso, é magnífico estragar a festa aos poderosos. É divertido, saudável, faz bem à pele. Quando eles pensam que já nos distribuíram um lugar, que já está tudo decidido, que nos compraram com falinhas mansas e autocolantes, mostramos-lhes que sabemos gritar. Envergonhamo-los como as crianças de cinco anos envergonham os pais na fila do supermercado. Com a diferença grande de não sermos crianças de cinco anos e com a diferença imensa de eles não serem nossos pais porque os nossos pais, há quase quatro décadas atrás, tiveram de livrar-se dos pais deles. Ou, pelo menos, tentaram.
O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade. Por isso, não vamos pedir, vamos exigir. Havemos de repetir as vezes que forem necessárias: temos direito a viver. Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.
Vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela e tu, vida, cresces também. Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz.
José Luís Peixoto
segunda-feira, março 21, 2011
quinta-feira, março 17, 2011
quarta-feira, março 16, 2011
segunda-feira, março 07, 2011
A luta é alegria
POR VEZES DÁS CONTIGO DESANIMADO
POR VEZES DÁS CONTIGO A DESCONFIAR
POR VEZES DÁS CONTIGO SOBRESSALTADO
POR VEZES DÁS CONTIGO A DESESPERAR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
DE POUCO VALE O CINTO SEMPRE APERTADO
DE POUCO VALE ANDAR A LAMURIAR
DE POUCO VALE UM AR SEMPRE CARREGADO
DE POUCO VALE A RAIVA P'RA TE AJUDAR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
VEM CELEBRAR ESTA SITUAÇÃO
E VAMOS CANTAR CONTRA A REACÇÃO!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
NÃO FALTA QUEM TE AVISE: VAI COM CUIDADO
NÃO FALTA QUEM TE QUEIRA MANDAR CALAR
NÃO FALTA QUEM TE DEIXE RESSABIADO
NÃO FALTA QUEM TE VENDA O PRÓPRIO AR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
VEM CELEBRAR ESTA SITUAÇÃO
E VAMOS CANTAR CONTRA A REACÇÃO
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
POR VEZES DÁS CONTIGO A DESCONFIAR
POR VEZES DÁS CONTIGO SOBRESSALTADO
POR VEZES DÁS CONTIGO A DESESPERAR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
DE POUCO VALE O CINTO SEMPRE APERTADO
DE POUCO VALE ANDAR A LAMURIAR
DE POUCO VALE UM AR SEMPRE CARREGADO
DE POUCO VALE A RAIVA P'RA TE AJUDAR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
VEM CELEBRAR ESTA SITUAÇÃO
E VAMOS CANTAR CONTRA A REACÇÃO!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
NÃO FALTA QUEM TE AVISE: VAI COM CUIDADO
NÃO FALTA QUEM TE QUEIRA MANDAR CALAR
NÃO FALTA QUEM TE DEIXE RESSABIADO
NÃO FALTA QUEM TE VENDA O PRÓPRIO AR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
VEM CELEBRAR ESTA SITUAÇÃO
E VAMOS CANTAR CONTRA A REACÇÃO
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
sexta-feira, março 04, 2011
Uma Aventura em Angra do Heroísmo - 2ª Temporada - Parte 5
fonte: Wikipédia
A lenda de Angra do Heroísmo é uma lenda da ilha Terceira, nos Açores. Versa sobre a cidade de Angra do Heroísmo e o Monte Brasil
Segundo a tradição, o príncipe dos mares vivia apaixonado por uma linda princesa de cabelos louros que vivia próximo aos seus domínios. A princesa, entretanto, não correspondia aos seus amores por já se encontrar apaixonada por outro príncipe. O senhor dos mares vivia consumido por ciúmes que muitas vezes o levavam à violência, e decidiu chamar uma fada ao seu reino marinho, com o objectivo de mudar o rumo aos acontecimentos.
A fada veio e tentou durante bastante tempo que a princesa desistisse do seu amor e se apaixonasse pelo Senhor do Mar. Fez magias e quebrantos e exerceu todas as suas influências, mas sem nada conseguir devido ao profundo amor da princesa pelo seu príncipe. Furioso, o senhor dos mares acabou por expulsar a fada dos seus domínios.
Um dia, os dois apaixonados, que até ali tinham vivido só da troca de olhares e de suaves devaneios, trocaram o primeiro beijo. Foi um beijo rápido, mas o sussurro dos apaixonados foi escutado pelo senhor e príncipe dos mares, que acordou do leito de rocha de basalto negro e areia vulcânica onde dormia.
A fada também ouviu e atravessou apressadamente os céus em direcção ao reino do príncipe dos mares, pois via a oportunidade de se vingar do príncipe, por quem entretanto se tinha apaixonado, e da princesa que lhe roubava a felicidade.
Quando chegou perto do Senhor do Mar, viu-o furioso a bater-se contra a terra com furiosas e encapeladas ondas cobertas de espuma branca e disse-lhe baixinho: "Príncipe do mar, chegou a hora da vossa vingança. Aqui estou para fazer o que mandardes." Cego pelo ciúme e pela raiva, este ordenou-lhe em tom de ódio: "Correi, fada, fulminai o príncipe que roubou minha amada. Mas... lembrai-vos, só a ele!"
Aceitando o desafio com a cabeça e convidando o Senhor do Mar a assistir à vingança que ia preparar, a fada levou-o pela mão em direcção à praia onde estavam os dois apaixonados. Lá foram encontrar a princesa de cabelos soltos, dourados ao sol poente, levemente reclinada sobre o seu apaixonado.
Rapidamente, a fada soltou a mão do Senhor do Mar e se precipitou sobre o par enamorado, fazendo um encanto: o príncipe ficou transformado num grande monte (o Monte Brasil) coberto de denso arvoredo, levantando-se altivo de frente para o mar. A princesa recusou-se a abandonar o seu apaixonado e ficou para sempre reclinada na posição em que se encontrava. Com o passar os milénios, transformou-se na baía e na cidade de Angra do Heroísmo. Encontram-se os dois unidos e embalados para sempre pelas noites e pelos dias, pelo eterno soluçar angustiado do Atlântico, príncipe e senhor dos mares.
A fada veio e tentou durante bastante tempo que a princesa desistisse do seu amor e se apaixonasse pelo Senhor do Mar. Fez magias e quebrantos e exerceu todas as suas influências, mas sem nada conseguir devido ao profundo amor da princesa pelo seu príncipe. Furioso, o senhor dos mares acabou por expulsar a fada dos seus domínios.
Um dia, os dois apaixonados, que até ali tinham vivido só da troca de olhares e de suaves devaneios, trocaram o primeiro beijo. Foi um beijo rápido, mas o sussurro dos apaixonados foi escutado pelo senhor e príncipe dos mares, que acordou do leito de rocha de basalto negro e areia vulcânica onde dormia.
A fada também ouviu e atravessou apressadamente os céus em direcção ao reino do príncipe dos mares, pois via a oportunidade de se vingar do príncipe, por quem entretanto se tinha apaixonado, e da princesa que lhe roubava a felicidade.
Quando chegou perto do Senhor do Mar, viu-o furioso a bater-se contra a terra com furiosas e encapeladas ondas cobertas de espuma branca e disse-lhe baixinho: "Príncipe do mar, chegou a hora da vossa vingança. Aqui estou para fazer o que mandardes." Cego pelo ciúme e pela raiva, este ordenou-lhe em tom de ódio: "Correi, fada, fulminai o príncipe que roubou minha amada. Mas... lembrai-vos, só a ele!"
Aceitando o desafio com a cabeça e convidando o Senhor do Mar a assistir à vingança que ia preparar, a fada levou-o pela mão em direcção à praia onde estavam os dois apaixonados. Lá foram encontrar a princesa de cabelos soltos, dourados ao sol poente, levemente reclinada sobre o seu apaixonado.
Rapidamente, a fada soltou a mão do Senhor do Mar e se precipitou sobre o par enamorado, fazendo um encanto: o príncipe ficou transformado num grande monte (o Monte Brasil) coberto de denso arvoredo, levantando-se altivo de frente para o mar. A princesa recusou-se a abandonar o seu apaixonado e ficou para sempre reclinada na posição em que se encontrava. Com o passar os milénios, transformou-se na baía e na cidade de Angra do Heroísmo. Encontram-se os dois unidos e embalados para sempre pelas noites e pelos dias, pelo eterno soluçar angustiado do Atlântico, príncipe e senhor dos mares.
Monte Brasil, visto do mar, Ilha Terceira, Açores
Cidade de Angra do Heroismo e Baía de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores, Portugal
terça-feira, março 01, 2011
Sou um gajo do Puorto
Sou um gajo do Porto
Olha a grande nobidade
Represento bibo ou morto
O mau jeito da cidade
Um mau jeito com seus ques
ou bice-bersa é claro
Trocar os Bs pelos Bs
Tem muita graça e é raro
Curaçon, telebison
É como pronunciamos
Mas tem sempre som e tom
Aquilo de que falamos
Sim, sou um gaijo do Porto
Sim, sou um gaijo do Porto
Tripas som manjar só nosso
Feitas à moda do Porto
E sabemos dar no osso
Se a coisa dá pró torto.
Cunfeitaria ou café
num suplantam um bom tasco
Ondo balcom semprimpé
Bai do maduro ou do berdasco
Curaçon, telebison
É como pronunciamos
Mas tem sempre som e tom
Aquilo de que falamos
Sim, sou um gaijo do Porto
Sim, sou um gaijo do Porto
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Utopia
A ilha de Utopia foi descrita a Thomas More por um navegador português.
Estaria a falar da Terceira?!
Estaria a falar da Terceira?!
domingo, fevereiro 27, 2011
Round Here
Round Here
Step out the front door like a ghost
Into the fog where no one notices
The contrast of white on white.
And in between the moon and you
The angels get a better view
Of the crumbling difference between wrong and right.
I walk in the air between the rain,
Through myself and back again.
Where? I don't know
Maria says she's dying.
Through the door, I hear her crying
Why? I don't know
Round here we always stand up straight
Round here something radiates
Maria came from Nashville with a suitcase in her hand
She said she'd like to meet a boy who looks like Elvis
She walks along the edge of where the ocean meets the land
Just like she's walking on a wire in the circus
She parks her car outside of my house
Takes her clothes off,
Says she's close to understanding Jesus
She knows she's more than just a little misunderstood
She has trouble acting normal when she's nervous
Round here we're carving out our names
Round here we all look the same
Round here we talk just like lions
But we sacrifice like lambs
Round here she's slipping through my hands
Sleeping children got to run like the wind
Out of the lightning dream
Mama's little baby better get herself in
Out of the lightning
She says, "It's only in my head."
She says, "Shhh...I know it's only in my head."
But the girl on the car in the parking lot
Says: "Man, you should try to take a shot
Can't you see my walls are crumbling?"
Then she looks up at the building
And says she's thinking of jumping.
She says she's tired of life;
She must be tired of something.
Round here she's always on my mind
Round here I got lots of time
Round here we're never sent to bed early
Nobody makes us wait
Round here we stay up very very late
I can't see nothing, nothing
Round here
Catch me if I'm falling
Catch me if I'm falling
Catch me cause I'm falling down on you
I said I'm under the gun
Round here
Oh man, I said I'm under the gun
Round here
I can't see nothing, nothing
Round here
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
terça-feira, fevereiro 22, 2011
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
Racismo é Burrice
Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"
Racismo, preconceito e discriminação em geral;
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral
Racismo é burrice
Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral
Racismo é burrice
Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral
Racismo é burrice
O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Racismo é burrice
E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
Uma Aventura em Angra do Heroísmo - 2ª Temporada - Parte 1
Praça Velha, Angra do Heroísmo, 16 de Fevereiro de 2011
O município de Angra do Heroísmo, não querendo ficar com parecença ao do Porto, apenas por o actual edifício da Câmara ser uma réplica do edifício dos antigos Passos do Concelho do Porto, resolveu também alterar a Praça à sua frente.
Querem transformar a Praça Velha, em nova, mas o que se vê nesta fotografia, é que a outrora lindíssima Praça Velha é hoje uma Praça Destruída.
As árvores são sempre as primeiras a irem...
Querem transformar a Praça Velha, em nova, mas o que se vê nesta fotografia, é que a outrora lindíssima Praça Velha é hoje uma Praça Destruída.
As árvores são sempre as primeiras a irem...
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
Meu amor está perto
a chuva molha a minha roupa
os carros não param de gritar
convidando-me para morrer
eu procuro não olhar
desse eu brilho à minha estrela
não teria de me esconder
mas a chuva nas minhas mãos lembra-me
que vou morrer
meu amor está perto
vejo-o correndo para mim
só que eu não sou certo
vejo-me correndo para o fim
vem morar na tua casa
a pobre nunca te viu ficar
chegas sempre com um dos pés pronto
para não entrar
Como foi
Nuno Prata - " Como Foi " com Nico Tricot e António Serginho from Tiago Pereira on Vimeo.
Como foi, como acabou - afinal o que é que o medo não deixou?
Do que fiz o que sobrou? (O tempo mostra-me só o que matou.)
Quem me fez, quem me enganou, ao menos que me explique agora o que sou.
Quem me fez, quem me mudou, ao menos que me diga agora onde estou.
Como foi, como acabou? (Haja alguém que me explique agora onde estou.)
terça-feira, fevereiro 15, 2011
Aconteceres-te
Vês o que vejo?
(ainda respiro)
Por onde andei,
por onde sigo?
Pus meus pés em chão que não sentia
e hoje nem me lembro mais o que queria.
Vês o que tenho
(E porque vivo)?
Leva uma vida,
mas eu consigo: Andar, andar e nunca parar.
Parar é duvidar e eu já não duvido.
Já sinto o peito, já me distingo.
Já sou um homem, já estou comigo.
E rir como antes como quando ria,
é só o que falta,
mas agora já vai de mim.
Tu não tens nada a ver,
já não tens nada a ver.
Tu escolheste e não foi por aqui que vieste,
sobrei muito mais que aquilo que me quiseste.
Se acabou, acabou
Nuno Prata - " Se acabou, acabou" com Nico Tricot e António Serginho from Tiago Pereira on Vimeo.
Se é isso que precisas,
então está decidido.
Não vou mentir.
Mentira não sara um coração ferido
e eu não consigo dar mais do que sou.
Talvez que com o tempo isto ganhasse algum sentido.
Não vou mentir.
Carinho não é amor garantido,
mas é exactamente aquilo que sobrou.
Se é isso que persegues,
então está resolvido.
Só não me peças que fique hoje aqui a dormir contigo.
Não me parece que haja algum motivo.
Se queres ter as certezas que te traz a despedida,
então adeus,
eu já me considero despedido.
Não foi hoje que isto acabou.
Se acabou, acabou.
Eu já cá não estou.
Se acabou, acabou.
Eu não posso ficar cá agarrado àquilo que outra vez falhou.
Linhas Cruzadas
Reajo a esse incomodo olhar
Nem quero acreditar
Que vem na minha direção
Há dias que estou a reparar
Nem queres disfarçar
Roubas a minha atenção
Aprecio o teu dom de tornar
Num clique o meu falar
Numa total confusão
Confesso que só de imaginar
Que te vou encontrar
Me sobe à boca o coração
(Refrão)
E falas de ti
E Falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar
É certo que sempre ouvi dizer
Que do querer ao fazer
Vai um enorme esticão
Mas haverá quem possa negar
Que querer é poder
E o nunca é uma invenção
Bem sei que este nosso cruzar
Pode até nem passar
De um capricho sem valor
Mas porque raio hei-de evitar
Se esse teu ar
Me trouxe ao sangue calor
(Refrão)
E falas de ti
E Falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Pedro Abrunhosa sobre Educação
A contínua hostilização aos professores feita por este, e outros governos, vai acabar por levar cada vez mais pais a recorrer ao privado, mais caro e nem sempre tão bem equipado, mas com uma estabilidade garantida ao nível da conflitualidade laboral.
O problema é que esta tendência neo-liberal escamoteada da privatização do bem público, leva a uma abdicação por parte do estado do seu papel moderador entre, precisamente, essa conflitualidade laboral latente, transversal à actividade humana, a desmotivação de uma classe fundamental na construção de princípios e valores, e a formação pura e dura, desafectada de interesses particulares, de gerações articuladas no equilíbrio entre o saber e o ter.
O trabalho dos professores, desde há muito, vem sendo desacreditado pelas sucessivas tutelas, numa incompreensível espiral de má gestão que levará um dia a que os docentes sejam apenas administradores de horários e reprodutores de programas impostos cegamente.
(…)
O que eu gostaria de dizer é que o meu avô, pai do meu pai, era um modesto, mas, segundo rezam as estórias que cruzam gerações, muito bom professor e, sobretudo, um ser humano dotado de rara paciência e bonomia. Leccionava na província, nos anos 30 e 40, tarefa que não deveria ser fácil à altura: Salazar nunca considerou a educação uma prioridade e, muito menos, uma mais-valia, fora dos eixo Estoril-Lisboa, pelo que, para pessoas como o meu avô, dar aulas deveria ser algo entre o místico e o militante.
Pois nessa altura, em que os poucos alunos caminhavam uma, duas horas, descalços, chovesse ou nevasse, para assistir às aulas na vila mais próxima, em que o material escolar era uma lousa e uma pedaço de giz eternamente gasto, o meu avô retirava-se com toda a turma para o monte onde, entre o tojo e rosmaninho, lhes ensinava a posição dos astros, o movimento da terra, a forma variada das folhas, flores e árvores, a sagacidade da raposa ou a rapidez do lagarto. Tudo isto entrecortado por Camões, Eça e Aquilino.
Hoje, chamaríamos a isto ‘aula de campo’. E se as houvesse ainda, não sei a que alínea na avaliação docente corresponderia esta inusitada actividade. O meu avô nunca foi avaliado como deveria. Senão deveria pertencer ao escalão 18 da função pública, o máximo, claro, como aquele senhor Armando Vara que se reformou da CGD e não consta que tivesse tido anos de ‘trabalho de campo’. E o problema é que esta falta de seriedade do estado-novo no reconhecimento daqueles que sustentaram Portugal, é uma história que se repete interminavelmente até que alguém ponha cobro nas urnas a tais abusos de autoridade.
Perante José Sócrates somos todos um número: as polícias as multas que passam, os magistrados os processos que aviam, os professores as notas que dão e os alunos que passam. Os critérios de qualidade foram ultrapassados pelas estatísticas que interessa exibir em missas onde o primeiro-ministro debita e o poviléu absorve.
(…)
Pedro Abrunhosa
O problema é que esta tendência neo-liberal escamoteada da privatização do bem público, leva a uma abdicação por parte do estado do seu papel moderador entre, precisamente, essa conflitualidade laboral latente, transversal à actividade humana, a desmotivação de uma classe fundamental na construção de princípios e valores, e a formação pura e dura, desafectada de interesses particulares, de gerações articuladas no equilíbrio entre o saber e o ter.
O trabalho dos professores, desde há muito, vem sendo desacreditado pelas sucessivas tutelas, numa incompreensível espiral de má gestão que levará um dia a que os docentes sejam apenas administradores de horários e reprodutores de programas impostos cegamente.
(…)
O que eu gostaria de dizer é que o meu avô, pai do meu pai, era um modesto, mas, segundo rezam as estórias que cruzam gerações, muito bom professor e, sobretudo, um ser humano dotado de rara paciência e bonomia. Leccionava na província, nos anos 30 e 40, tarefa que não deveria ser fácil à altura: Salazar nunca considerou a educação uma prioridade e, muito menos, uma mais-valia, fora dos eixo Estoril-Lisboa, pelo que, para pessoas como o meu avô, dar aulas deveria ser algo entre o místico e o militante.
Pois nessa altura, em que os poucos alunos caminhavam uma, duas horas, descalços, chovesse ou nevasse, para assistir às aulas na vila mais próxima, em que o material escolar era uma lousa e uma pedaço de giz eternamente gasto, o meu avô retirava-se com toda a turma para o monte onde, entre o tojo e rosmaninho, lhes ensinava a posição dos astros, o movimento da terra, a forma variada das folhas, flores e árvores, a sagacidade da raposa ou a rapidez do lagarto. Tudo isto entrecortado por Camões, Eça e Aquilino.
Hoje, chamaríamos a isto ‘aula de campo’. E se as houvesse ainda, não sei a que alínea na avaliação docente corresponderia esta inusitada actividade. O meu avô nunca foi avaliado como deveria. Senão deveria pertencer ao escalão 18 da função pública, o máximo, claro, como aquele senhor Armando Vara que se reformou da CGD e não consta que tivesse tido anos de ‘trabalho de campo’. E o problema é que esta falta de seriedade do estado-novo no reconhecimento daqueles que sustentaram Portugal, é uma história que se repete interminavelmente até que alguém ponha cobro nas urnas a tais abusos de autoridade.
Perante José Sócrates somos todos um número: as polícias as multas que passam, os magistrados os processos que aviam, os professores as notas que dão e os alunos que passam. Os critérios de qualidade foram ultrapassados pelas estatísticas que interessa exibir em missas onde o primeiro-ministro debita e o poviléu absorve.
(…)
Pedro Abrunhosa
domingo, fevereiro 06, 2011
Por outras palavras
Ninguém disse
Que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre mais uma madrugada
Ninguém disse
Que o riso nos pertence
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
Mais uma gargalhada
E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar me no mundo e morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim
Ninguém disse
Que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre mais uma madrugada
E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar me no mundo e morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim
E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar me no mundo e morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim
E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar me no mundo e morrer por ser preciso
Nunca por Chegar ao fim
E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar me no mundo e morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim
"A precariedade é este mundo parvo onde para ser escravo é preciso estudar"
José Soeiro, Bloco de Esquerda
domingo, janeiro 30, 2011
Que parva que eu sou
Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar,
Que parva que eu sou!
E fico a pensar
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
quinta-feira, janeiro 27, 2011
terça-feira, janeiro 25, 2011
sexta-feira, janeiro 21, 2011
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Um dia não são dias não
"No fim do mês vou ser dispensado - a crise é a justificação
Então, em vez de proletário a fingir volto a ser o que sempre fui: um burguês falido
Volto a ser o meu próprio patrão, a magicar o dia inteiro mil maneiras de conseguir ter dinheiro sem cravar a mulher, a mãe e o irmão"
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Cala-te e come (Expiação do derrotado)
Cala-te e come, tu não precisas de indagar a direcção.
Cala-te e come, tu não tens necessidade de reter tanta informação.
Cala-te e come, já não és novo, vê se prestas atenção.
Mas acalma-te e come que não tens ainda idade para morrer do coração.
Cala-te e come, passaste ao largo da tua revolução.
Cala-te e come, há muito que chegaste a essa conclusão - ou não.
Cala-te e come, e limpa-te ao guardanapo que é essa velha frustração.
Mas acalma-te e come, foste capaz de tomar a tua própria indecisão.
(Cala-te e come, come-te e cala, cala-te e come.)
Cala-te e come, senta-te, e entretanto liga a televisão.
Cala-te e come, corre os canais à procura de distracção.
Cala-te e come, que a angústia vem sempre que persegues acção.
Mas acalma-te e come, assim prostrado nem dás conta dessa estúpida aflição.
Cala-te e come: comer e calar é mais que uma obrigação.
Cala-te e come, esse menu é a derradeira refeição.
Cala-te e come, agradece, será que não te deram nenhuma educação?
Homem, acalma-te e come, não te canses, guarda para ti a tua inútil opinião.
(Cala-te e come, come-te e cala, cala-te e come.)
Cala-te e come, tu não precisas de indagar a direcção.
Cala-te e come, tu não tens necessidade de reter tanta informação.
Cala-te e come, tu não precisas de passar fome.
Cala-te e come, deita-te e dorme.
domingo, novembro 14, 2010
terça-feira, outubro 26, 2010
Dia Mau
Não quis guardá-lo para mim
E com a dimensão da dor
Legitimar o fim
Eu dei
Mas foi para mostrar
Não havendo amor de volta
Nada impede a fonte de secar
Mas tanto pior
E quem sou eu para te ensinar agora
A ver o lado claro de um dia mau
Eu sei
A tua vida foi
Marcada pela dor de não saber aonde dói
Mas vê bem
Não houve à luz do dia
Quem não tenha provado
O travo amargo da melancolia
E então rapaz então porquê a raiva
Se a culpa não é minha
Serão efeitos secundários da poesia
Mas para quê gastar o meu tempo
A ver se aperto a tua mão
Eu tenho andado a pensar em nós
Já que os teus pés não descolam do chão
Dizes que eu dou só por gostar
Pois vou dar-te a provar
O travo amargo da solidão
Tenho andado a pensar em nós
Já que os teus pés não descolam do chão
Dizes que eu dou só por gostar
Pois vou dar-te a provar
O travo amargo da solidão
É só mais um dia mau, mau, mau
É só mais um dia mau, mau, mau
É só mais um dia mau (3x)
sábado, outubro 23, 2010
Saúde e Fraternidade - Viva a República
in Sata Magazine
Quem viveu o período revolucionário em Portugal após o 25 de Abril, compreende bem o sentido desta mensagem enviada do Porto para Angra do Heroísmo: "Saúde e Fraternidade - Viva a República". Vivia-se ainda a euforia da queda da monarquia e as esperanças de uma vida melhor circulavam na mentes dos portugueses. A luta ideológica marcava então o quotidiano, com reformas profundas no sector do ensino ou na relação entre o Estado e a Igreja.
Passaram 100 anos e esses valores e ideias continuam presentes na sociedade portuguesa. Liberdade, Igualdade e Fraternidade, a trilogia da Revolução Francesa, que tem servido de estandarte a muitas revoluções contemporâneas, mantém-se como uma ambição da Humanidade em busca de um mundo mais justo e perfeito. (...)
Passaram 100 anos e esses valores e ideias continuam presentes na sociedade portuguesa. Liberdade, Igualdade e Fraternidade, a trilogia da Revolução Francesa, que tem servido de estandarte a muitas revoluções contemporâneas, mantém-se como uma ambição da Humanidade em busca de um mundo mais justo e perfeito. (...)
quinta-feira, outubro 21, 2010
Figuras Tristes
Pára! Porque insistes
em ouvir quem não te quer falar?
Pára de fazer figuras tristes!
Pára!, deixa em paz quem nunca se vai ver no teu lugar.
Que mania tu tens de nos pôr todos a pensar
como se nos preocupássemos uns com os outros!
Eu sei, é difícil resistir se nos sentimos sós,
mas sozinhos entendemos bem o que buscar.
No meio de tanta confusão
é natural tentar forçar quem não nos percebe
a gostar de nós
e a dizer-nos que o esforço vale a pena.
Eu cá vou bem, não me dói demasiado.
Só dava o que tenho pra ver alguém do meu lado.
O que ontem foi
hoje tu já não consegues mudar.
Porque continuas a tentar?
Dá-te gozo imaginar aquilo que seria teu
se tivesses feito o que não fizeste,
e o que serias se não fosses o que realmente és?
Eu cá vou bem, não me dói demasiado.
Só dava o que tenho pra ver alguém do meu lado.
quarta-feira, outubro 20, 2010
terça-feira, outubro 19, 2010
segunda-feira, outubro 18, 2010
sexta-feira, outubro 08, 2010
Nuno Prata com novo disco a 25 de Outubro
Deve Haver , o segundo disco a solo de Nuno Prata, chega às lojas a 25 de outubro.
Produzido por Hélder Gonçalves, músico dos Clã e Humanos, além de produtor dos Virgem Suta, Deve Haver tem em "Essa Dor Não Existe (Tu Isso Sabes, Não Sabes?)" o primeiro single.
B Fachada, que atuou ao vivo com Nuno Prata na Livraria Trama, em Lisboa, e a vocalista dos Clã, Manuela Azevedo, participam no coro da música "Mais um Belo Dia".
De título inspirado num antigo "livro de caixa" trazido de casa do avô do músico, Deve Haver inclui ainda uma versão, em português, de "Used To Be", de Gordon Gano, chamada "Isso Foi Antes". Os Violent Femmes de Gano eram a banda favorita dos Ornatos Violeta, onde Nuno Prata tocava baixo.
Nuno Prata, Nico Tricot e Hélder Gonçalves tocam todos os instrumentos no álbum, que sucede a Todos os Dias Fossem Estes/Outros .
Fonte: Blitz
Produzido por Hélder Gonçalves, músico dos Clã e Humanos, além de produtor dos Virgem Suta, Deve Haver tem em "Essa Dor Não Existe (Tu Isso Sabes, Não Sabes?)" o primeiro single.
B Fachada, que atuou ao vivo com Nuno Prata na Livraria Trama, em Lisboa, e a vocalista dos Clã, Manuela Azevedo, participam no coro da música "Mais um Belo Dia".
De título inspirado num antigo "livro de caixa" trazido de casa do avô do músico, Deve Haver inclui ainda uma versão, em português, de "Used To Be", de Gordon Gano, chamada "Isso Foi Antes". Os Violent Femmes de Gano eram a banda favorita dos Ornatos Violeta, onde Nuno Prata tocava baixo.
Nuno Prata, Nico Tricot e Hélder Gonçalves tocam todos os instrumentos no álbum, que sucede a Todos os Dias Fossem Estes/Outros .
Fonte: Blitz
O que há num Sócrates
Ricardo Araújo Pereira
in Visão

in Visão

O que começa por ser curioso na comparação entre o Sócrates grego e o Sócrates português é o facto de as próprias diferenças os aproximarem. Repare: o Sócrates grego nunca disse ser sábio. Ao Sócrates português, até lhe atestaram a sabedoria ao domingo
"O que há num nome?", perguntou Shakespeare pela boca de Julieta - prática que, a propósito, parece ser extremamente anti-higiénica. Uma rosa, dizia a rapariga que, certamente por perfeccionismo, primeiro fingiu matar-se e só depois se matou mesmo, teria igual beleza e o mesmo cheiro caso tivesse outro nome. É verdade. Se a rosa se chamasse, digamos, bidé, seria igualmente bela, por muito que pudesse ser um pouco embaraçoso oferecer a alguém um lindo ramo de bidés. Mas o Bardo refletiu apenas acerca do objeto que, mudando de nome, mantém as características. Por esquecimento ou preguiça, não se debruçou sobre os objetos que, tendo características diferentes, partilham o mesmo nome. Por exemplo, o que há num Sócrates? Será possível que dois Sócrates diferentes encontrem, no entanto, o mesmo destino? Não deixa de ser inquietante que Julieta não tenha colocado esta questão a Romeu, tendo preferido entreter-se com considerações sobre rosas. Mais sobra para nós, amigo leitor, meditarmos.
O que começa por ser curioso na comparação entre o Sócrates grego e o Sócrates português é o facto de as próprias diferenças os aproximarem. Repare: o Sócrates grego nunca disse ser sábio. Ao Sócrates português, até lhe atestaram a sabedoria ao domingo - facto que leva muitos a desconfiarem de que, na verdade, ele não é sábio. Cá está: ainda que percorram caminhos diversos, confluem num destino comum.
O Sócrates grego era abordado pelas pessoas, na rua, que ficavam a interrogá-lo durante horas. Ao Sócrates português, nem os magistrados do Ministério Público conseguem interrogar durante cinco minutos que seja. Os gregos queriam fazer a Sócrates perguntas tais como: "O que é a virtude?" Os portugueses querem perguntar a Sócrates se ele foi virtuoso, o que, sendo um pouco mais específico, acaba por ser mais ou menos a mesma coisa. Mas o facto de uns conseguirem fazer perguntas e outros não constitui uma diferença importante. No entanto, os gregos anónimos e os magistrados portugueses ficaram igualmente mais perto da verdade: os primeiros porque o Sócrates grego lhes respondia às perguntas com outras perguntas; os segundos porque, uma vez que não perguntaram nada, também não obtiveram resposta nenhuma - o que não deixa de ser justo.
O Sócrates grego - e esta será, talvez, a diferença principal - acabou por ser julgado. Inventaram um pretexto para o julgar e conseguiram levá-lo a julgamento. O Sócrates português nunca entrou num tribunal. E não tem faltado imaginação para inventar pretextos. Mas uma coisa parece certa: ambos os casos terminarão em morte. O Sócrates grego morreu depois de condenado a beber cicuta, e nós morreremos todos antes de conhecer o fim destes processos judiciais.
"O que há num nome?", perguntou Shakespeare pela boca de Julieta - prática que, a propósito, parece ser extremamente anti-higiénica. Uma rosa, dizia a rapariga que, certamente por perfeccionismo, primeiro fingiu matar-se e só depois se matou mesmo, teria igual beleza e o mesmo cheiro caso tivesse outro nome. É verdade. Se a rosa se chamasse, digamos, bidé, seria igualmente bela, por muito que pudesse ser um pouco embaraçoso oferecer a alguém um lindo ramo de bidés. Mas o Bardo refletiu apenas acerca do objeto que, mudando de nome, mantém as características. Por esquecimento ou preguiça, não se debruçou sobre os objetos que, tendo características diferentes, partilham o mesmo nome. Por exemplo, o que há num Sócrates? Será possível que dois Sócrates diferentes encontrem, no entanto, o mesmo destino? Não deixa de ser inquietante que Julieta não tenha colocado esta questão a Romeu, tendo preferido entreter-se com considerações sobre rosas. Mais sobra para nós, amigo leitor, meditarmos.
O que começa por ser curioso na comparação entre o Sócrates grego e o Sócrates português é o facto de as próprias diferenças os aproximarem. Repare: o Sócrates grego nunca disse ser sábio. Ao Sócrates português, até lhe atestaram a sabedoria ao domingo - facto que leva muitos a desconfiarem de que, na verdade, ele não é sábio. Cá está: ainda que percorram caminhos diversos, confluem num destino comum.
O Sócrates grego era abordado pelas pessoas, na rua, que ficavam a interrogá-lo durante horas. Ao Sócrates português, nem os magistrados do Ministério Público conseguem interrogar durante cinco minutos que seja. Os gregos queriam fazer a Sócrates perguntas tais como: "O que é a virtude?" Os portugueses querem perguntar a Sócrates se ele foi virtuoso, o que, sendo um pouco mais específico, acaba por ser mais ou menos a mesma coisa. Mas o facto de uns conseguirem fazer perguntas e outros não constitui uma diferença importante. No entanto, os gregos anónimos e os magistrados portugueses ficaram igualmente mais perto da verdade: os primeiros porque o Sócrates grego lhes respondia às perguntas com outras perguntas; os segundos porque, uma vez que não perguntaram nada, também não obtiveram resposta nenhuma - o que não deixa de ser justo.
O Sócrates grego - e esta será, talvez, a diferença principal - acabou por ser julgado. Inventaram um pretexto para o julgar e conseguiram levá-lo a julgamento. O Sócrates português nunca entrou num tribunal. E não tem faltado imaginação para inventar pretextos. Mas uma coisa parece certa: ambos os casos terminarão em morte. O Sócrates grego morreu depois de condenado a beber cicuta, e nós morreremos todos antes de conhecer o fim destes processos judiciais.
sexta-feira, outubro 01, 2010
Ninguém é quem queria ser
Letra: Manuel Cruz
in: Lado A - O Amor Dá-me Tesão / Foge Foge Bandido
somos a fachada
de uma coisa morta
e a vida como que a bater à nossa porta
quando formos velhos
se um dia formos velhos
quem irá querer saber quem tinha razão
de olhos na falésia
espera pelo vento
ele dá-te a direcção
ninguém é quem queria ser
eu queria ser ninguém
a idade é oca e não podia ser motivo
estás a ver o mundo feito um velho arquivo
eu caminho e canto pela estrada fora
e o que era mentira pode ser verdade agora
se o cifrão sustenta a química da vida
porque tens ainda medo de morrer
faltará dinheiro
faltará cultura
faltará procura dentro do teu ser
diz-me se ainda esperas encontrar o sentido
mesmo sendo avesso a vê-lo em ti vestido
não tens de olhar sem gosto
nem de gostar sem ver
ninguém é quem queria ser
in: Lado A - O Amor Dá-me Tesão / Foge Foge Bandido
somos a fachada
de uma coisa morta
e a vida como que a bater à nossa porta
quando formos velhos
se um dia formos velhos
quem irá querer saber quem tinha razão
de olhos na falésia
espera pelo vento
ele dá-te a direcção
ninguém é quem queria ser
eu queria ser ninguém
a idade é oca e não podia ser motivo
estás a ver o mundo feito um velho arquivo
eu caminho e canto pela estrada fora
e o que era mentira pode ser verdade agora
se o cifrão sustenta a química da vida
porque tens ainda medo de morrer
faltará dinheiro
faltará cultura
faltará procura dentro do teu ser
diz-me se ainda esperas encontrar o sentido
mesmo sendo avesso a vê-lo em ti vestido
não tens de olhar sem gosto
nem de gostar sem ver
ninguém é quem queria ser
domingo, agosto 08, 2010
segunda-feira, agosto 02, 2010
terça-feira, julho 06, 2010
quarta-feira, junho 30, 2010
domingo, junho 27, 2010
Say Something - James
You're as tight as a hunter's trap
Hidden well, what are you concealing
Poker face, carved in stone
Amongst friends, but all alone
Why do you hide
Say something, say something, anything
I've shown you everything
Give me a sign
Say something, say something, anything
Your silence is deafening
Pay me in kind
Take a drug to set you free
Strange fruit from a forbidden tree
You've got to come down soon
More than a drug is what I need
Need a change of scenery
Need a new life
Say something, say something anything
I've shown you everything
Give me a sign
Say something, say something, anything
Your silence is deafening
Pay me in kind
Say something
I'm open wide, open wondering
Have you swallowed everything
Pay me in kind
sábado, junho 26, 2010
sexta-feira, junho 25, 2010
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