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sábado, outubro 31, 2015

Em teu ventre

Obrigado por esta noite na Bertrand do Shopping Cidade do Porto.(Em breve, serão anunciadas novas apresentações de "Em Teu Ventre".)

Posted by José Luís Peixoto on Sexta-feira, 30 de Outubro de 2015

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Abraço



Apresentação do livro "Abraço" de José Luís Peixoto no Teatro do Campo Alegre, no Porto.
Apareço ao minuto 1:10

sexta-feira, outubro 28, 2011

Pensámos em nada

O novo disco de Jorge Palma, Com todo o respeito conta com uma letra do José Luís Peixoto, ou como diria Saramago, José Luís Pacheco! ;-)

PENSÁMOS EM NADA

Pensámos tanto em nada. Despenteados,
caçámos fantasmas de elefantes
na casa desarrumada, de estores fechados,
milionários esbanjadores de instantes,
piratas de tesouros enterrados, ilhas distantes,
sorte parada. Pensámos demasiado em nada.
Cobertos por farrapos de tempo,
arame farpado de tempo, cheiro a terra
molhada, um momento, outro momento,
a memória inteira emparedada, e nós,
sem desculpas, astronautas, centauros,
entre o sexo e o medo, presos na piscina
vazia e abandonada, no centro de tudo,
pensámos apenas em nada.

(por José Luís Peixoto)

sexta-feira, julho 01, 2011

Impossível é não viver

O texto que se segue é o contributo do escritor José Luís Peixoto para o MayDay Lisboa e foi recentemente lido em grego em Atenas.


Se te quiserem convencer que é impossível, diz-lhes que impossível é ficares calado, impossível é não teres voz. Temos direito a viver. Acreditamos nessa certeza com todas as forças do nosso corpo e, mais ainda, com todas as forças da nossa vontade. Viver é um verbo enorme, longo. Acreditamos em todo o seu tamanho, não prescindimos de um único passo do seu/nosso caminho.

Sabemos bem que é inútil resmungar contra o ecrã do telejornal. O vidro não responde. Por isso, temos outros planos. Temos voz, tantas vozes; temos rosto, tantos rostos. As ruas hão-de receber-nos, serão pequenas para nós. Sabemos formar marés, correntes. Sabemos também que nunca nos foi oferecido nada. Cada conquista foi ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, era sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos.

Além disso, é magnífico estragar a festa aos poderosos. É divertido, saudável, faz bem à pele. Quando eles pensam que já nos distribuíram um lugar, que já está tudo decidido, que nos compraram com falinhas mansas e autocolantes, mostramos-lhes que sabemos gritar. Envergonhamo-los como as crianças de cinco anos envergonham os pais na fila do supermercado. Com a diferença grande de não sermos crianças de cinco anos e com a diferença imensa de eles não serem nossos pais porque os nossos pais, há quase quatro décadas atrás, tiveram de livrar-se dos pais deles. Ou, pelo menos, tentaram.

O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade. Por isso, não vamos pedir, vamos exigir. Havemos de repetir as vezes que forem necessárias: temos direito a viver. Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.

Vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela e tu, vida, cresces também. Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz.

José Luís Peixoto

quinta-feira, julho 31, 2008

Individualismo

José Luis Peixoto in Diário de Notícias

"Vivemos num individualismo muito cru. As pessoas são levadas a acreditar que a promoção do conforto físico e das aparências é o que mais conta. Existe uma desvalorização do conforto afectivo e moral. Existe a ideia errada de que podemos ser felizes sozinhos ou, pior ainda, contra os outros. "

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Portugal


Excerto de Os Maias, de Eça de Queiroz, adaptado para crianças por José Luís Peixoto.

"Conversando com Afonso da Maia, Ega disse mal de Portugal, mas ficou claro que ele próprio falava bastante, mas concretizava muito pouco.

- Não vale a pena, Sr. Afonso da Maia - disse Ega. Neste país, no meio desta prodigiosa imbecilidade nacional, o homem de senso e de gosto deve limitar-se a plantar os seus legumes.

O avô Afonso, mais sensato, respondeu-lhe:

- Pois então, planta os teus legumes. É um serviço à alimentação pública. Mas tu nem isso fazes."

Como diz o Sérgio Godinho: "Só neste país é que se diz 'só neste país' (...) Portugal, é nosso para o bem e para o mal!".