segunda-feira, novembro 19, 2007

Portugal - 0 vs Finlândia - 16.000

Pois é, o jogo ainda não começou, é só na próxima 4ª feira no Estádio do Dragão, mas Portugal já está a perder por 16 mil a zero.
Na Finlândia, entendem que a própria emancipação será deles próprios ou não será de todo e por isso, 16 mil enfermeir@s ameaçam com o despedimento colectivo se não forem aumentados 24% no ordenado.
Se Cristiano Ronaldo parado não rende, o povo português, desunido, não avança!
Cada lugar teu
Letra e Música: Mafalda Veiga
in Tatuagem, Mafalda Veiga

sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

pensa em mim protege o que eu te dou
eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar

sexta-feira, novembro 16, 2007

Tatuagens
Letra e Música: Mafalda Veiga
in Tatuagem, Mafalda Veiga

Em cada gesto perdido
tu és igual a mim
em cada ferida que sara
escondida do mundo
eu sou igual a ti

fazes pinturas de guerra
que eu não sei apagar
pintas o sol da cor da terra
e a lua da cor do mar

em cada grito de alma
eu sou igual a ti
de cada vez que um olhar
te alucina e te prende
tu és igual a mim

fazes pinturas de sonhos
pintas o sol na minha mão
e és mistura de vento e lama
entre os luares perdidos no chão

em cada noite sem rumo
tu és igual a mim
de cada vez que procuro
preciso um abrigo
eu sou igual a ti

faço pinturas de guerra
que eu não sei apagar
e pinto a lua da cor da terra
e o sol da cor do mar

em cada grito afundado
eu sou igual a ti
de cada vez que a tremura
desata o desejo
tu és igual a mim

faço pinturas de sonhos
e pinto a lua na tua mão
misturo o vento e a lama
piso os luares perdidos no chão

quinta-feira, novembro 15, 2007

Utilidade do Humor
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

Ontem à noite pus-me a reflectir
Nas coisas da vida em vez de dormir
Tive um quebranto fiquei surdo e mudo
Tolhido de espanto mas percebi tudo
O mundo era meu sentia-me um rei
O tempo era extenso e eu ditava a lei
Bastou dar um passo e crescer em frente
Perdi toda a graça quase de repente

Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver um sonho acordado
Não via tão claro o sentido da vida
E tudo seria bem mais complicado

Eu era feliz tinha os meus brinquedos
O anjo da guarda tirava-me os medos
Descobri o amor e vi nele o paraíso
Mas para ser expulso às vezes pouco é preciso
Podia ter tudo do bom e do caro
Que nada acodia ao meu desamparo
Sou a alma do mundo mais bem informada
Quanto mais me informo mais sei que sei nada

Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver a sonhar acordado
Não via tão claro o significado
E tudo seria bem mais complicado
Mandarim
Letra e Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

Se és apenas um pouco naif
Se és apenas o meu leit motiv
Mordes, mordes

Se és apenas um cão vadio
Se és apenas um vizinho amigo
Mordes, mordes

Sim, mordes em mim
Sim, mordes em mim

Se és apenas um ombro bom
Se não me deixas sair do tom
Uh! Uh! Uh! Uh!

Se és apenas um pouco zen
Dou-te corda para seres super-man
Acorda, acorda

Sim, acorda em mim
Sim, acorda em mim

Quando puderes, dá cá um salto
É só desceres do varandim
Manda, manda
Manda

Sim, manda em mim
Sim, manda em mim
Sim, manda em mim
Manda, mandarim
Narciso sobre rodas
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

Ainda me lembro de ti
Tão cheio de ti mesmo
Passeando a tua esfinge
De príncipe de alta casta
Alguém que já nem finge
Que amar-se a si mesmo basta

Havia sempre alguém
A prestar vassalagem
E a render-se à tua imagem
De narciso bem penteado
Tirando da garagem
Um coração cromado
Julgavas que a vida era
Um chevrolé vermelho
E a beleza bastava
Para seres dono do lago
Mas quebrou-se o espelho
Não aguentaste o estrago
E eu verti uma lágrima
Por não o teu olhar
Pergunto a mim mesmo
Como pude um dia por ti chorar

Narciso sobre rodas vai

E agora ao encontrar-te
Pergunto a mim mesmo
Como pude um dia sequer amar-te
E agora ao encontrar-te
Pergunto a mim mesmo
Como pude sequer amar-te

quarta-feira, novembro 14, 2007

Pequena Morte
Letra: Regina Guimarães / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

Morrer de amor, morrer devagar
E ressuscitar
Morrer um pouco, nascer outra vez
Reviver talvez
Fala comigo desconhecido
Tão diferente e tão parecido

Filme de amor com beijo no fim
Em technicolor
Último aviso, partida iminente
Frio morno quente
Último embarque rumo ao paraíso
Primeiro dente do siso
Não me abandones nesta margem
Eu sou parte da viagem
Morrer de amor, morrer devagar
E ressuscitar
Morrer um pouco, nascer outra vez
Reviver talvez
Fala comigo desconhecido
Tão diferente e tão parecido
Perto de mim, mais longe do corpo
No lugar do morto
Vira-me do avesso, amor
Corta-me aos pedaços
Eu cresço e desapareço
Seguindo os meus próprios passos
Eu cresço e desapareço
Seguindo os meus próprios passos
Eu cresço e desapareço
Não me abandones nesta margem
Eu sou parte da viagem
Capitão coração
Sempre fora de mão
Morrer de amor, morrer devagar
Filme de amor com beijo no fim
Em technicolor

sexta-feira, novembro 09, 2007

A sociedade “Chiclet”

“A sociedade de consumo é muito pouco erótica.” A afirmação é de Júlio Machado Vaz no programa “Praça da Alegria” de 8 de Novembro de 2007. Numa sociedade em que tudo é imediato, fala-se e “consome-se” muito sexo, mas quando se fala na “arte” de erotizar, seduzir, agradar, acarinhar, amar @ outr@, o cenário é completamente diferente.

Já diziam os “Táxi” nos anos 80 “mastiga e deita fora, sem demora, Chiclet”.

Fará esta sociedade que nós próprios criamos, parte da selecção natural de que nos falou Charles Darwin?! É um dos caminhos que a espécie humana deve seguir porque a torna mais apta? Torna mesmo?! Somos hoje mais felizes do que o que são/foram os nossos pais/avós?! Somos mesmo?! O próprio conceito de felicidade não está também ele contaminado por esta sociedade de consumo?! Estamos proibídos de ficar tristes, temos de estar (ou transparecer aos outros) que estamos sempre bem e não aprendemos a ficar tristes, chorar, amuar… E depois, depois, quando já não conseguimos disfarçar mais, entramos em depressão, porque não exorcizámos antes a tristeza e as mágoas que temos, e vamo-nos transformando em patetas felizes, felizes a 100%.

Paremos todos. Paremos para pensar, para chorar, para amuar, para erotizar, para amar…
Orçamento de Estado 2008

A discussão do Orçamento de Estado para 2008, é uma discussão triste. Uma luta de titãs, em que ao invés de se procurarem alternativas credíveis para o país, e que nos tirem deste sufoco em que todos (quase todos, só fogem à crise muitos poucos, aliás para esses a crise é benéfica, pois continuam a enriquecer), surgem as disputas pessoais, em que apenas se tenta ver qual deles terá feito pior.

O que a mim, me causa arrepios, é haver quem não consigo perceber isto e entrar no jogo, escolhendo o seu lado. É por haver quem os alimente que eles estão lá, que eles são assim.

A política não é isto, ou não deveria ser, mas só poderá realmente mudar, quando acordarmos e percebermos que a cidadania é um acto contínuo e que não é ninguém além de nós próprios.

Apenas votarmos (quando votamos) de 4 em 4 anos, ou entrando na engrenagem, não questionando as coisas, não tomarmos posição sobre o que nos rodeia, faz com que as decisões que afectam as nossas vidas, sejam tomadas pela “bicharada”.

Não intervir, é também uma forma de intervir, quanto a mim, a pior.

É tempo de não fazermos silêncio, pois já dizia o Pedro Abrunhosa em 1994: “o silêncio é a arma que eles usam contra nós, porque isso é que nós nunca devemos fazer SILÊNCIO!”.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Pra Continuar
Letra: Arnaldo Antunes / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

Sai para andar, anda
Vai, volta ao mesmo lugar
Não adianta, cai
Parece que vai desmair

Levanta, fica no ar
Descansa, cansa de tanto esperar
Alcança o mesmo lugar
Onde estava antes

Ainda e enquanto avança
Volta a ficar esperando
Passar o momento

Não morre, não dorme e se dorme
Acorda outra vez nesse corpo
Não dorme, não morre e se morre
Acorda outra vez noutro corpo
Pra continuar

quarta-feira, outubro 31, 2007

Ponto Zero
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

Eu tento ler-te em cada frase
Tens um mistério
Que eu não desvendo
Embora às vezes esteja quase

O teu silêncio mais parece
Um ponto final
Volto atrás, tento entender
Mas não sou capaz

Eu quero entrar no teu enredo
Mas tenho medo
De não conseguir passar
Do prefácio

Talvez me possas
Dar uma luz
Tudo o que eu peço é um sinal
Eu não quero o acesso
A todos os teus segredos
Mas só a alguns

Dá-me um indício
Mesmo contrário
"Contraditório"
Dá-me a palavra
Que eu vou procurá-la
Ao dicionário

Eu quero entrar no teu enredo
Mas tenho medo
De não conseguir passar
Do prefácio

Dá-me uma chance
É tudo o que eu quero
É muito mau
Ler um romance
Sem sair do ponto zero

Talvez me possas
Dar uma luz
Tudo o que eu peço é um sinal
Eu não quero o acesso
A todos os teus segredos
Mas só a alguns

sábado, outubro 27, 2007

Sexto Andar

Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã










Uma canção passou no rádio
E quando o seu sentido
Se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio
Encontrou num sexto andar
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular
Que a canção estava a falar

E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
O que ninguém
estava lá para dar

Um sopro um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio
Numa simples canção

Uma canção passou no rádio
Habitou um sexto andar

segunda-feira, outubro 22, 2007

Amuo
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

Vejo que estás mais crescida
Já dobras a frustração
Bates com a porta ao mundo
Quando ele te diz não

Envolves o teu espaço
Na tua membrana ausente
Recuas atrás um passo
Para depois dar dois em frente

Amuar faz bem
Amuar faz bem

Ficas descalça em casa
A fazer a tua cura
Salva por um bom amuo
De fazer má figura

Amanhã o mundo inteiro
Vai perguntar onde foste
E tu dizes apenas
Que saíeste, viajaste

Amuar faz bem
Amuar faz bem

Nada como um bom amuo
Apenas um recuo quando nada sai bem

E depois voltar
Como se nada fosse
E reencontrar o lugar
Guardado por um bom amuo

terça-feira, outubro 16, 2007

Fábrica de Amores
Letra: Adolfo Luxúria Canibal / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

A garganta seca
Pelo fumo do acre
Sou Salomé no nó dos calores
Que faltal boneca
Revestida a lacre
Sou Salomé fábrica de amores
Passo com ar bombástico
Digo maviosamente
Levo o paraíso em mim!
Levo o paraíso!

Os olhares pousam
Sobre o meu corpete
No salivar glutão do desejo
Mas as mãos não ousam
Tão voraz joguete
Sou Salomé ébria de ensejo
Passo, passo com ar bombástico
E digo maviosamente
Tenho o paraíso em mim!
Tenho o paraíso em mim!
Levo o paraíso!
Levo o paraíso em mim!
Secreto jardim
A um passo de ti
Dourado e carmim
A um passo de ti
Tenho o paraíso em mim!
Tenho o paraíso em mim!
Levo o paraíso!
Tenho o paraíso em mim!
Levo o paraíso!
Levo o paraíso em mim!
Em mim...
A mim!
Tira a Teima
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã



Se um dia me aproximar de ti
Não penses que é só um flirt
Não julgues que é um filme
Que já viste em qualquer parte

Pensa bem antes de agir
Evita ser imprudente
Faz a carta do meu signo
E vê à lupa o ascendente

Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou
Tem cuidado e tira a teima

Tu não sonhas ao que venho
Não sabes do que sou capaz
Eu dou tudo quanto tenho
Não funciono a meio gás

Vem sentar-te à minha frente
E diz-me o que vês em mim
Não respondas já a quente
Pondera antes de dizer sim

Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou
Fere, rasga e queima

Diz-me se vês o granito
Onde se gravam os grandes temas
Diz-me se vês o amor infinito
Ou somente um par de algemas

Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou
Fere, rasga e queima

domingo, outubro 07, 2007

Adeus Amor
Letra: Carlos Tê Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

Adeus amor que cresci
Já pouco me tens a dizer
Já bebi tudo de ti
Que de bom tinha a beber

Adeus amor, vou embora
Não me impeças por favor
Sabes que só vou agora
Porque dei tempo ao amor

Não suporto o teu modo
Carinhoso e paternal
No tom de quem sabe tudo
Sem saber o essencial

Adeus amor já me cansa
A canção do teu cinismo
Essa pose de quem dança
Sempre à beira do abismo

Adeus amor que cresci
Pouco me tens a dizer
Já bebi tudo de ti
E há mais mundo a beber

Não suporto o teu modo
Carinhoso e paternal
No tom de quem sabe tudo
Sem saber o essencial
Vamos esta noite
Letra:Arnaldo Antunes Música: Clã
in Cintura

Vamos
Para a montanha russa
Vamos
ao carrossel
Vamos
Subir o Pão de Açucar
Vamos juntos
Lamber o céu

Vamos
Dançar até cair, ir
Juntos vamos
Morrer de rir

Esta noite é só pra nós
Hoje não terá depois
Hoje não terá porquês
Esta noite é pra vocês
Virem comigo
Até ao fim
Para o fim do mundo

Vamos
Perder a hora certa
Vamos
Pisar no chão
Vamos
Deixar a porta aberta
Juntos vamos
Para Plutão

Hoje não terá amanhã
Hoje o mundo é nosso Clã
Hoje não terá talvez
Esta noite é pra vocês
Virem junto
Até ao fim do fim de tudo

quarta-feira, outubro 03, 2007

A Velhice
Samuel Beckett / João Lagarto / Jorge Palma in Voo Nocturno

A velhice é quando há um homem
agachado à lareira
com medo das bruxas
levar o bacio para a cama
e trazer o grog
ela vem nas cinzas
aquela que amou não pôde ser
vencida
ou vencida não pôde ser amada
ou qualquer outro pesadelo
vem nas cinzas
como nessa velha luz
a sua face nas cinzas
essa velha luz de estrelas
de novo na terra
Finalmente a Sós
Jorge Palma in Voo Nocturno

Antes de teres aberto o mar
antes de teres virado o rio
eu era alguém às costas de outro alguém

Trouxeste mais contradições
trouxeste mais opiniões
e agora eu sou mais outro Zé-Ninguém

Finalmente só
Finalmente a sós

Quando eu já estava a sossegar
quando já estava a adormecer
vi-te dançar e a minha paz morreu

Odeio a luz do teu olhar
quando não brilha só p'ra mim
pensei que fosses um brinquedo meu

Finalmente só
Finalmente a sós
Quarteto da corda
Jorge Palma in Voo Nocturno

justina e Baltazar encontraram-se à beira do rio
um estava sem calor e o outro mesmo cheio de frio
passou um cardume de lume que os engalfinhou
Justina e Baltazar encontraram-se à beira do rio

A Cleia e o Montolivo andavam por Avinhão
estavam ambos à espera do próximo avião
um ia para Alexandria, o outro não sabia
Cleia e Montolivo andavam por Avinhão

No Hemisfério do Sul, um mosquito deu à asa
e uma criança nasceu sem saber que não tem casa
um objecto voador bem identificado
leva cento e tal pessoas de volta ao lar,
há-de lá chegar, hum, há-de lá chegar!

Justina e Baltazar, a Cleia e o Montolivo
juntaram-se nas docas, beberam alguns digestivos
alguém tinha à disposição um belo apartemã
ninguém sabia com quem estava quando chegou a manhã
ninguém sabia quem era quando chegou a manhã...