quarta-feira, outubro 10, 2012

Navegar



Cantar,
como quem canta um fado,
um amor que passou
Traços de um vento apagado
um mundo que acabou
p'ra não ter de mudar...

Vou cantar
nas palavras de um fado,
as trovas que nos diz
um rei sem trono nem reinado
sem novas nem país
por ter de navegar
ter de navegar

Eu vou cantar por quanto passei
eu vou cantar porque te encontrei
Vem navegar p'ra longe no mar
Há um navio p'ra nos levar ao fim do mar...

Cantar
um temporal que se levanta
para nos alcançar
Mas a bandeira azul e branca
vai tornar o mar
da cor do teu olhar
azul no olhar

Eu vou cantar por quem passei
eu vou cantar porque te encontrei
Vem navegar p'ra longe no mar
Há um navio, vem navegar ao fim do mar...

Senhora Das Rosas



Senhora quem chamais
quando passo ao vosso lado?
Senhora quem olhais
pondo os olhos no passado?

Senhora é bom esquecer
esse triste amor ardente,
pois não sabeis viver
ao sabor do amor ausente...

Não há rosas p'ra vos dar
tenho alguém por quem esperar

Senhora quem chamais
quando passo ao vosso lado?
Senhora quem olhais
pondo os olhos no passado?

Senhora o meu amor
não vive num castelo
Senhora o meu amor
é doutro olhar mais belo...

Eis as rosas que lhe vou dar
Há mil rosas p'ra eu lhe dar...

Os Limites Do Mar



No regresso dos navios
tantas lendas que ouviu...
Quis um rei ir encontrar
os limites do seu mar

Mas sem fundo, a dormir
O fim do mundo há-de vir...
Rei não fiques, vais agitar
Os limites do teu mar

A Reconquista



Dos mares da Irlanda e das costas da Bretanha
vão partir velas ao sol
Há bandeiras desfraldadas, torres, lanças, brilham espadas
vão reconquistar o Sul
Os celtas que vão partir
quando o sol nascer...
Grinaldas nas ameias, ardem as fogueiras
que não nos podem queimar
Gaiteiros enfeitados, vão tocar cantos passados
por aqui vai começar
E vem dançar, vem dançar
até ao sol nascer...

Das ribeiras da Galiza, através da Ibéria antiga
em nome dos nossos Reis
Retomar as fortalezas, "Sant'iago e aos Mouros"
para impor as nossas leis
Os Celtas que vão partir
quando o mar crescer...
Ignorem-se os presságios que nos falam de naufrágios
vão partir velas ao sol
São guerreiros enfeitados que ao som de cantos passados
vão reconquistar o Sul
Mas vem dançar, vem dançar
até o sol nascer...

Dos mares da Irlanda
Gaiteiros Guerreiros
Bandeiras Fogueiras
Castelos Reconquista...

Sem perdão


Dedicado a Elizabeth Hayton

Eu sou quem não tem perdão   ando perdido   eu sou
Eu sou quem não tem razão   ando escondido   eu sei
Se hoje for tarde demais   fico sozinho   eu estou
O lugar p'ra onde vais   não adivinho   eu sei
         
Tu és quem traz   um breve instante    
Um sol de paz   o sol brilhou    
    Por mais que agora eu cante    
    Nunca voltou    
         
Estrela cadente   se a fé não mudar    
Que ninguém vê   e a noite acabar    
Fez-me diferente   vai nascer aqui    
Não sei porquê   o dia    
         
      Se a lua deixar  
      E o sol me guiar  
      Só quero de ti  
      Um dia  
         
Eu sou quem não tem perdão   em parte incerta   eu sou
Eu sou quem não tem razão   vida deserta   eu sei
Temo o anoitecer   fico sozinho   eu estou
Voltarei um dia a ver   não adivinho   eu sei
         
Vela por mim   desta tristeza    
Até ao fim   de não te ver    
    Fiz a maior certeza    
    De renascer    
         
Estrela cadente   se a fé não mudar    
À tua mercê   e a noite acabar    
Faz de mim crente   hei-de ver nascer    
Diz-me porquê   o dia    
         
      Se a lua deixar  
      E o sol me guiar  
      Hei-de renascer  
      Um dia  

Sem ter quem amar



Há mundos antigos
Que ele percorreu
Sem ter um abrigo
Doutras terras separado

Cercado de imagens
De quem já perdeu
Olhando as margens
Para sempre naufragado

Regressa, onde vais?
Sem ter quem amar...
Quem te há-de esperar
Quem te há-de contar
Quem te há-de lembrar
Onde vais...

Estranha demanda
Não há outra igual
Quando um homem anda
De levante a poente

E acende fogueiras
Para fazer sinal
São noites inteiras
Tão distante, tão ausente

Regressa, onde vais?
Onde vais...

Mil Maneiras de Amar

Tentações
Passam por mim
Trazem os tempos que hão-de vir
Sem me tocar

Tradições
Falam por mim
Dez mandamentos por cumprir
Nunca mudar

Em segredo,
Aprendo a inventar
Mil maneiras p'ra eu te amar
Desvendar
O segredo
De saber inventar
Mil maneiras p'ra eu te amar
P'ra te amar

Perdições
Por confessar
Quantos pecados cometi
Sem te tocar

Devoções
Por contemplar
Há longos anos decidi
Nunca mudar

Em segredo,
...

Girassol



Se o vento soprar
De feição
E esta luz brilhar
Por onde eu for
Recomeçar, partir
Tomar o sol de frente
Sonhar, perseguir
O amor

(Olhar a vida de feição
Seguir a voz do coração)
Olhar a vida de feição
É ver a luz na escuridão
É ouvir a voz do coração
Então
"Ai por baixo fica o restolho..."

Não deixar passar
A ilusão
Ter uma visão
Acreditar
Ter coragem de abraçar
Dar-te a mão
Bate um coração
Sem parar

(Olhar a vida de feição
Seguir a voz do coração)
Se o vento soprar de feição
E a luz brilhar na escuridão
Seguir a voz do coração
Então
"Ai por baixo fica o restolho..."

Em frente ao Sol
por onde eu for
acreditar
seguir o amor

Porta do Sol



Quando a dança acabar num altar
Quando a porta ficar por fechar

Desce um véu,
Arde a catedral
Anjo negro no céu,
Lá vem o vendaval

E este olhos que não quero ver
Mas à noite não posso esquecer

Desce um véu,
Arde a catedral
Anjo negro no céu,
Lá vem o vendaval

Tão só



Todas as manhãs do mundo são sem regresso
Pascal Quignard

Sempre foi meu defeito
Não saber reconhecer
Que o que foi feito está feito
E ficou tanto por fazer

As causas que eu levo peito
Hão-de acabar por se perder
E não recordo um feiro
Que os meus olhos possam ver

Eu só queria saber
Fechar os olhos p'ra não ver
Tão-só queria saber
Fechar os olhos p'ra não ver

Mas o meu maior defeito
Foi não te reconhecer
Há tanto qu'eu não aceito
Tanto qu'eu não soube ver

E ainda trago no peito
A vontade de saber
Mas o passado está feito
E não volta a acontecer

Eu só queria saber
Fechar os olhos p'ra não ver
Tão-só queria saber
Fechar os olhos p'ra te ver

Tão só
Tão só...

terça-feira, outubro 09, 2012

A promessa



Não digas nunca mais
Porque eu hei-de te dar
A vida inteira

Andarei por onde vais
P'ra um dia acabar
À tua beira

Mil promessas
Eu hei-de fazer
E vou cumprir
Mil promessas
Eu hei-de manter
E não partir

Eu hei-de te provar
Eu quero prometer
Não ir embora

Sei tão bem como é amar
Como hei-de ser
Vida fora

Mil promessas
Eu hei-de fazer
E vou cumprir
Mil promessas
Eu hei-de manter
E não partir

Glória

(Miguel Esteves Cardoso)



A morte não te há-de matar
Nem sorte haverá de eu viver
Sem amar, se te ter, sem saber se
Rezar...

Amor, oxalá seja amar
Ter prazer sem poder
Nem sequer te tocar...

Os deuses não te hão-de levar
Sem que eu dê a mão para ser par
Sermos dois a partir e depois a
Voltar...

Não vais me deixar sem o céu
Ser o chão onde se vão deitar os
Mortais...

A glória será não esquecer
Memória de tanto te querer
Sem razão, meu amor, com paixão,
Sem morrer...

Talvez ao luar possas ver o olhar
Que lembrar fez nascer português...

Longa se torna a espera

(Tim/Xutos & Pontapés)



E quando eu descobrir o segredo
Da neblina cinzenta
Que torna a água barrenta
E sem perdão me esmaga o peito

E quando se levanta de repente
A névoa que corre o rio
Que gela tudo de frio
E escurece a corrente

Longa se torna a espera
Na névoa que corre o rio
Lenta vem a galera
Na noite quieta de frio
E quando...

E quando eu apanhar finalmente
O barco para a outra margem
Outra que finde a viagem
Onde se espere por mim

Terei, terei mais uma vez força
Para enfrentar tudo de novo
Como a galinha e o ovo
Num repetir de desgraças

Longa se torna a espera
Na névoa que corre o rio
Lenta vem a galera
Na noite quieta de frio
E quando...

Além-Tejo



Nas terras do além-Tejo
Ao fim dos vales um monte
Quatro noites para um rio
Encontrei-te junto à ponte...

Do passado de um rio
Ficou por contar a primeira vez
O passado de um rio
Ficou de voltar outra vez
Passaste como um rio
Que eu cantei e me deixou aqui
Passaste como um rio
E eu não sei passar sem ti...

Soube o teu nome além Tejo
Talvez fosses quem perdi
Passaste como um rio
E hoje não passo sem ti

sexta-feira, setembro 07, 2012

A Voz do Deserto



Cinco partes tem o mundo
Por todas andei

Quatro cantos tem a terra
Quantos eu cantei

Quantas naus foram ao fundo
E eu fui mais além

Quantas noites tem a espera
Mil e uma tem

A voz falou no deserto
Contou que o rumo está certo

Terra prometida
Longa vai a minha viagem
A voz do deserto
Vai me dar a tua imagem

Quantas voltas deu a esfera
Quantas dei também

Quantas noites tem a espera
Mais nenhuma tem

Cheguei ao fim do deserto
E eu sei que andaste tão perto

Terra prometida
Acabou a minha viagem
Hoje no deserto
Eu toquei numa miragem

A voz do deserto...

quinta-feira, setembro 06, 2012

O tempo não passa por quem é bom

Em 1982, três amigos resolvem formar uma banda. Eram eles: Rodrigo Leão (Baixo), Pedro Oliveira (Voz e Guitarra) e Nuno Cruz (Bateria).

Começam a ensaiar e decidem chamar-se Sétima Legião (que era o nome da Legião romana que veio à Lusitânia).

Nesta altura a música da banda era muito influenciada pelos sons que vinham de Manchester, nomeadamente Echo & The Bunnymen e Joy Division. Concorrem à Grande Noite do Rock onde ficam em segundo lugar.

Susana Lopes (Violoncelo) e Paulo Marinho (Gaita de Foles) juntam-se ao colectivo, ao mesmo tempo que Francisco Menezes começa a escrever letras para as canções.

A banda chega a actuar com todos os elementos envergando gabardinas, como era usual nas bandas de Rock inglês, praticantes do som de Manchester.

A Fundação Atlântica (editora discográfica de Pedro Ayres Magalhães, Ricardo Camacho e Miguel Esteves Cardoso) contrata a banda, em 1983, ano em que gravam o single "Glória" com letra de Miguel Esteves Cardoso. Este disco recebe grandes elogios da crítica, mas não obtém grandes favores da rádio e passa quase despercebido.

Susana Lopes abandona o projecto, ao mesmo tempo que entram em estúdio para gravar o novo disco: um LP que sairá em Julho de 1984 e se intitulará "A Um Deus Desconhecido", considerado ainda hoje um marco da nova música portuguesa.

Como a Fundação Atlântica fechou, a EMI, que fazia a distribuição das suas edições, contrata a banda para o seu próprio catálogo.

Ricardo Camacho (futuro produtor de muitos discos e médico de profissão) junta-se à banda, ficando encarregado dos instrumentos de teclados, ao mesmo tempo que Rodrigo Leão começa a ensaiar com Pedro Ayres num novo projecto que ficaria conhecido como Madredeus.

O novo disco da banda só sairia em 1987 e intitulava-se "Mar D'Outubro" (1). Continha os temas "Sete Mares", "Reconquista" e "Além-Tejo". Este disco torna-se um grande sucesso, atingido o galardão de Disco de Prata e sendo o grande trampolim para a ribalta. À custa deste disco, a banda conseguiu fazer muitos concertos.

O colectivo já contava com novos elementos quando o disco foi gravado: Gabriel Gomes (Acordeão) e Paulo Abelho (Percussões).

Em Novembro de 1989 é editado um novo LP da banda "De Um Tempo Ausente" que conta com vários convidados, entre os quais Flak, Francis (ex-Xutos e Pontapés), Luís Represas, Pedro Ayres e Teresa Salgueiro. Contendo os temas "Por Quem Não Esqueci" e "Porto Santo", este disco é, outra vez, um sucesso de vendas e de crítica.

Apenas em 1992, a banda regressa às edições com o novo disco "O Fogo" que já não é muito bem recebido pela crítica e não obtém o desejado sucesso comercial.

Em 1993 actuam no Mega-Concerto "Portugal Ao Vivo" no Estádio de Alvalade, onde gravam a quase totalidade do disco ao vivo "Auto de Fé" que será editado em 1994, contando com a participação especial dos Gaiteiros de Lisboa (de que Paulo Marinho era, também, um dos fundadores).

Rodrigo Leão afasta-se da banda, por não poder continuar nos Madredeus e nos Sétima Legião . Em Julho de 1996, o baixista Lúcio Vieira entra para a banda, substituindo Rodrigo Leão, nos espectáculos ao vivo.(2)

Em 1999, após se pensar que a banda tinha terminado, é editado o CD "Sexto Sentido", um disco muito diferente dos anteriores, onde a electrónica é dominante e os "samplers" de temas recolhidos por Michel Giacometti e Ernesto Veiga de Oliveira têm um destaque até aí nunca lhes dado por uma banda Pop em Portugal. Este disco, apesar das boas críticas, revela-se um verdadeiro "flop" comercial.

Em 2000 é editado "A História da Sétima Legião", um disco que faz a retrospectiva da banda e contém ainda dois temas inéditos ("A Luz" e "A Promessa").

Em 2003 é lançada uma compilação dedicada aos intrumentais dos Sétima Legião. A compilação inclui os inéditos "Sétima Volta", "Ilha Perdida" e "Silêncio da Terra" e uma remistura de "Ascenção".

Monção



Não importa de onde vim
Quantas sombras persegui
O tempo não passa por mim
Quando tu estás aqui

O tempo não passa por quem
Se perder no mar, mar
És o meu mar
O tempo não conta p'ra quem
Se encontrar no mar, mar
Sempre no mar

Tantas vidas para viver
Quantas faltam eu não sei
Que o tempo deixou de correr
Quando eu te encontrei

O tempo não passa por quem
Se perder no mar, mar
És o meu mar
O tempo não conta p'ra quem
Se encontrar no mar, mar
És o meu par

quarta-feira, setembro 05, 2012

Manto Branco



Um encanto que acabou
Manto branco sobre a luz
Outro vento que mudou
Manto branco e uma cruz

E dizer, eu posso sorrir
E dizer, eu posso fugir
E mentir, eu posso sentir
Ao viver depois de ti...

Torre santa apelo em vão
Uma herança de mudar
Manto branco pelo chão
Já não te posso tocar

E dizer, eu posso sorrir
E dizer, eu posso fugir
E mentir, eu posso sentir
Ao viver depois de ti...