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quarta-feira, outubro 10, 2012

Sem ter quem amar



Há mundos antigos
Que ele percorreu
Sem ter um abrigo
Doutras terras separado

Cercado de imagens
De quem já perdeu
Olhando as margens
Para sempre naufragado

Regressa, onde vais?
Sem ter quem amar...
Quem te há-de esperar
Quem te há-de contar
Quem te há-de lembrar
Onde vais...

Estranha demanda
Não há outra igual
Quando um homem anda
De levante a poente

E acende fogueiras
Para fazer sinal
São noites inteiras
Tão distante, tão ausente

Regressa, onde vais?
Onde vais...

Mil Maneiras de Amar

Tentações
Passam por mim
Trazem os tempos que hão-de vir
Sem me tocar

Tradições
Falam por mim
Dez mandamentos por cumprir
Nunca mudar

Em segredo,
Aprendo a inventar
Mil maneiras p'ra eu te amar
Desvendar
O segredo
De saber inventar
Mil maneiras p'ra eu te amar
P'ra te amar

Perdições
Por confessar
Quantos pecados cometi
Sem te tocar

Devoções
Por contemplar
Há longos anos decidi
Nunca mudar

Em segredo,
...

Girassol



Se o vento soprar
De feição
E esta luz brilhar
Por onde eu for
Recomeçar, partir
Tomar o sol de frente
Sonhar, perseguir
O amor

(Olhar a vida de feição
Seguir a voz do coração)
Olhar a vida de feição
É ver a luz na escuridão
É ouvir a voz do coração
Então
"Ai por baixo fica o restolho..."

Não deixar passar
A ilusão
Ter uma visão
Acreditar
Ter coragem de abraçar
Dar-te a mão
Bate um coração
Sem parar

(Olhar a vida de feição
Seguir a voz do coração)
Se o vento soprar de feição
E a luz brilhar na escuridão
Seguir a voz do coração
Então
"Ai por baixo fica o restolho..."

Em frente ao Sol
por onde eu for
acreditar
seguir o amor

Porta do Sol



Quando a dança acabar num altar
Quando a porta ficar por fechar

Desce um véu,
Arde a catedral
Anjo negro no céu,
Lá vem o vendaval

E este olhos que não quero ver
Mas à noite não posso esquecer

Desce um véu,
Arde a catedral
Anjo negro no céu,
Lá vem o vendaval

Tão só



Todas as manhãs do mundo são sem regresso
Pascal Quignard

Sempre foi meu defeito
Não saber reconhecer
Que o que foi feito está feito
E ficou tanto por fazer

As causas que eu levo peito
Hão-de acabar por se perder
E não recordo um feiro
Que os meus olhos possam ver

Eu só queria saber
Fechar os olhos p'ra não ver
Tão-só queria saber
Fechar os olhos p'ra não ver

Mas o meu maior defeito
Foi não te reconhecer
Há tanto qu'eu não aceito
Tanto qu'eu não soube ver

E ainda trago no peito
A vontade de saber
Mas o passado está feito
E não volta a acontecer

Eu só queria saber
Fechar os olhos p'ra não ver
Tão-só queria saber
Fechar os olhos p'ra te ver

Tão só
Tão só...