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terça-feira, outubro 09, 2012

A promessa



Não digas nunca mais
Porque eu hei-de te dar
A vida inteira

Andarei por onde vais
P'ra um dia acabar
À tua beira

Mil promessas
Eu hei-de fazer
E vou cumprir
Mil promessas
Eu hei-de manter
E não partir

Eu hei-de te provar
Eu quero prometer
Não ir embora

Sei tão bem como é amar
Como hei-de ser
Vida fora

Mil promessas
Eu hei-de fazer
E vou cumprir
Mil promessas
Eu hei-de manter
E não partir

Glória

(Miguel Esteves Cardoso)



A morte não te há-de matar
Nem sorte haverá de eu viver
Sem amar, se te ter, sem saber se
Rezar...

Amor, oxalá seja amar
Ter prazer sem poder
Nem sequer te tocar...

Os deuses não te hão-de levar
Sem que eu dê a mão para ser par
Sermos dois a partir e depois a
Voltar...

Não vais me deixar sem o céu
Ser o chão onde se vão deitar os
Mortais...

A glória será não esquecer
Memória de tanto te querer
Sem razão, meu amor, com paixão,
Sem morrer...

Talvez ao luar possas ver o olhar
Que lembrar fez nascer português...

Longa se torna a espera

(Tim/Xutos & Pontapés)



E quando eu descobrir o segredo
Da neblina cinzenta
Que torna a água barrenta
E sem perdão me esmaga o peito

E quando se levanta de repente
A névoa que corre o rio
Que gela tudo de frio
E escurece a corrente

Longa se torna a espera
Na névoa que corre o rio
Lenta vem a galera
Na noite quieta de frio
E quando...

E quando eu apanhar finalmente
O barco para a outra margem
Outra que finde a viagem
Onde se espere por mim

Terei, terei mais uma vez força
Para enfrentar tudo de novo
Como a galinha e o ovo
Num repetir de desgraças

Longa se torna a espera
Na névoa que corre o rio
Lenta vem a galera
Na noite quieta de frio
E quando...

Além-Tejo



Nas terras do além-Tejo
Ao fim dos vales um monte
Quatro noites para um rio
Encontrei-te junto à ponte...

Do passado de um rio
Ficou por contar a primeira vez
O passado de um rio
Ficou de voltar outra vez
Passaste como um rio
Que eu cantei e me deixou aqui
Passaste como um rio
E eu não sei passar sem ti...

Soube o teu nome além Tejo
Talvez fosses quem perdi
Passaste como um rio
E hoje não passo sem ti

sexta-feira, setembro 07, 2012

A Voz do Deserto



Cinco partes tem o mundo
Por todas andei

Quatro cantos tem a terra
Quantos eu cantei

Quantas naus foram ao fundo
E eu fui mais além

Quantas noites tem a espera
Mil e uma tem

A voz falou no deserto
Contou que o rumo está certo

Terra prometida
Longa vai a minha viagem
A voz do deserto
Vai me dar a tua imagem

Quantas voltas deu a esfera
Quantas dei também

Quantas noites tem a espera
Mais nenhuma tem

Cheguei ao fim do deserto
E eu sei que andaste tão perto

Terra prometida
Acabou a minha viagem
Hoje no deserto
Eu toquei numa miragem

A voz do deserto...

quinta-feira, setembro 06, 2012

Monção



Não importa de onde vim
Quantas sombras persegui
O tempo não passa por mim
Quando tu estás aqui

O tempo não passa por quem
Se perder no mar, mar
És o meu mar
O tempo não conta p'ra quem
Se encontrar no mar, mar
Sempre no mar

Tantas vidas para viver
Quantas faltam eu não sei
Que o tempo deixou de correr
Quando eu te encontrei

O tempo não passa por quem
Se perder no mar, mar
És o meu mar
O tempo não conta p'ra quem
Se encontrar no mar, mar
És o meu par

quarta-feira, setembro 05, 2012

Manto Branco



Um encanto que acabou
Manto branco sobre a luz
Outro vento que mudou
Manto branco e uma cruz

E dizer, eu posso sorrir
E dizer, eu posso fugir
E mentir, eu posso sentir
Ao viver depois de ti...

Torre santa apelo em vão
Uma herança de mudar
Manto branco pelo chão
Já não te posso tocar

E dizer, eu posso sorrir
E dizer, eu posso fugir
E mentir, eu posso sentir
Ao viver depois de ti...

terça-feira, setembro 04, 2012

Por quem não esqueci



Há uma voz de sempre
Que chama por mim
Para que eu lembre
Que a noite tem fim

Ainda procuro
Por quem não esqueci
Em nome de um sonho
Em nome de ti

Procuro à noite
Um sinal de ti
Espero à noite
Por quem não esqueci
Eu peço à noite
Um sinal de ti
Quem eu não esqueci...

Por sinais perdidos
Espero em vão
Por tempos antigos
Por uma canção

Ainda procuro
Por quem não esqueci
Por quem já não volta
Por quem eu perdi

terça-feira, julho 17, 2012

Cantigas do Maio




Eu fui ver a minha amada
Lá prós baixos dum jardim
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para se lembrar de mim

Eu fui ver o meu bemzinho
Lá prós lados dum passal
Dei-lhe o meu lenço de linho
Que é do mais fino bragal

Eu fui ver uma donzela
Numa barquinha a dormir
Dei-lhe uma colcha de seda
Para nela se cobrir

Eu fui ver uma solteira
Numa salinha a fiar
Dei-lhe uma rosa vermelha
Para de mim se encantar

Eu fui ver a minha amada
Lá nos campos eu fui ver
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para de mim se prender

Verdes prados, verdes campos
Onde está minha paixão?
As andorinhas não param
Umas voltam outras não

Refrão Popular:

Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu ai Deus mo levou

segunda-feira, julho 16, 2012

A volta ao mundo




O amor imaginário
De um homem solitário
Sem lugar a compromisso
Até ao fim e depois disso

Tem a idade do Universo
E tão breve quanto um verso
Do tamanho deste mundo
E não passa de um segundo

Começar desde o princípio
No vazio no precipício
Sem temor e sem saudade
Enfrentar a liberdade

Quem conhece o Universo
A medalha o seu reverso
Quem não deu a volta ao mundo
Numa noite num segundo

Nem do céu nem desta terra
A razão que o amor encerra
O amor é um estandarte
Que flutua em toda a parte

Quem conhece o Universo
A medalha o seu reverso
Quem não deu a volta ao mundo
Numa noite num segundo

quinta-feira, julho 12, 2012

O canto e o gelo




No seu olhar um rosto a arder
No seu olhar
Que eu não sei ver

Tão é cedo é tarde
O canto e o gelo
Tão cedo parte
Vem o degelo

E quando o frio passou
Só me ficou o canto do meu medo
E quando o frio passou
Só me ficou o encanto de um segredo

Tão cedo é tarde
No seu olhar
Tão cedo parte fica o cantar

Levou assim
O canto e o gelo
Deixou em mim
A noite e o medo

quinta-feira, junho 28, 2012

Saudades




Das janelas da cidade
Amei-te como ninguém.
Foram tempos sem idade
Mas quem teve hoje não tem...

Saudades, triste fado
É tempo de te amar
Saudades, cantam fado
É tempo de voltar

Das janelas ao teu lado,
Tão antigas, que eu amei.
Vou cantar este meu fado
De viver o que sonhei...

Saudades, triste fado
É tempo de te amar
Saudades, cantam fado
É tempo de voltar

Saudades, triste fado
É tempo de te amar
Saudades, que serão fado
Se o tempo nos faltar...

sexta-feira, junho 15, 2012

Noutro lugar




D'outra vez, noutro lugar
Ninguém espera junto ao cais
Sem razão, barcos que não voltam mais
Os dias vão sem te levar...

E tenho tanto a contar
Hey, tens tanto para ver
Tens ainda de aprender
Os nomes que te vou dar

Oh noutro lugar
Para todo o sempre
Oh há uma canção
Que faz partir
Oh noutro lugar
Para sempre, sempre
Oh há uma canção
Que está por descobrir
Vem...

D'outra vez, noutro lugar
Os anos passam sem pesar
Sem razão, vão em busca da canção
Que ficámos de cantar...

E tenho tanto por contar
Hey, tens tanto para ver
Tens ainda de aprender
Os nomes que dei ao mar

Oh noutro lugar...

quinta-feira, junho 14, 2012

Porto Santo




"Não temos leme nem existe porto"
D. H. Lawrence

Dum porto perdido
Um dia partiu
Meu amor perdido,
Quem será que o viu?

Eu conto a quem passa
Levou-te o mar...
Há festa na praça
Já não sei dançar...

Mas à noite há vozes aqui
São de longe, tão longe
E falam de ti

Um porto perdido
Um dia encontrou
Meu amor perdido
Que sempre voltou...

Eu conto a quem passa
A vida no mar
Já cantam na praça
E vamos dançar...

Mas à noite há vozes aqui
São de longe, tão longe
E chamam por ti

segunda-feira, maio 07, 2012

Luz



Ano: 2000

Eu andei no escuro
E alguém aqui passou
P'ra me iluminar

Sou quem viu no futuro
Este amor que começou
Por quem me quis dar
A minha luz...

Ninguém viu no teu olhar
A luz que ilumina o meu andar
Ninguém viu este amor a começar
Mas alguém
Tem na voz o teu cantar

Foste quem partiu tão cedo
E eu sou quem tem um segredo
Quem te vai guardar

Foste quem me viu tão perto
E eu sou quem foi descoberto
Quem há-de cantar
A tua luz...

Ninguém viu no teu olhar
A luz que ilumina o meu andar
Ninguém viu este amor a começar
Eu sou quem
Tem na voz o teu cantar

Houve dias em que não quisemos ser felizes

Houve dias em que não quisemos ser felizes.
Impusemo-nos uma tristeza com estilo, uma melancolia importada de terras longínquas e cinzentas. Ouvíamos ecos de cidades industriais, cantados pelos novos mártires. “Here are the young men”, diziam. E estranhamente, éramos nós esses jovens, aparentemente com o peso do mundo às costas, vestidos de gabardinas que nos identificavam como pessoas esclarecidas. Eu sei. Eu estive lá.
Foi neste quadro que nasceu a Sétima Legião. Primeiro, um improvável power trio que conquistou um segundo lugar num anónimo concurso de música moderna.
Depois, pouco depois, um colectivo que rasgou as molduras em que os quiseram enclausurar e arrastaram consigo toda a novíssima música portuguesa.
Esta colecção de canções traz alguns dos sinais. Dos primeiros tempos ingénuos e generosos (mas nem por isso menos geniais) de “Glória” (1982) ou “O Canto e o Gelo” e “Manto Branco” (1984) a “Monção” (1988) foi longo o caminho percorrido por este grupo de amigos. E ainda há tempo para recordar os hinos (“Sete Mares”, “Por quem não esqueci”) e saborear os dois inéditos – curiosamente com um travo saudavelmente nostálgico.
No fim, o segredo da Sétima Legião ainda continua por desvendar. A única coisa que sabemos é que o tempo não irá roubar estas canções.

Nuno Miguel Guedes
2000
in A história da Sétima Legião – canções 1983-2000