terça-feira, julho 28, 2009

Melancholia

Letra: Carlos Tê

Um poente da cor do passado
um sépia quase sangue
um olhar sonolento para longe
um horizonte perdido

uma torre tombada
no xadrês do tempo

não há como voltar
à grandeza de ontem

e cai a nostalgia
como concha vazia
que a maré deixa aos pés
e rói a melancolia

um barquinho moderno no mar
com alma de argonauta
um herói cego por tanto ver
um velho sem comer

uma canoa no Tejo
um fado na taberna

e cai a nostalgia
como concha vazia
que a maré deixa aos pés
e rói a melancolia

e cai a nostalgia
como concha vazia
que a maré deixa aos pés
velha melancolia

Problema de expressão

Letra: Carlos Tê

Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.

O hábito do monge

Letra: Carlos Tê

É difícil ser bom monge
num mundo de encher a vista
como é difícil fazer surf
num mar de ondas sem crista
e quando se cai muitas vezes
o mal está no surfista
mal daquele que cai muito
não é visto só avista
e já Arquimedes dizia
se não houver nada por baixo
só lhe resta o estilista

ai o monge anda aos papeis
em busca do hábito certo
mas a beleza tem rígidas leis
oitenta e seis
sessenta oitenta e seis

vê o grego no pedestal
está o segredo na pedra
ou no cinzel do criador
está no hábito ou no monge
no papel ou no actor
há tanta gente infeliz
a vestir no sitio certo
que por mais tons e feitios
hão-de ser sempre imperfeitos
e há os da Feira da Ladra
que parecem ser os eleitos

ai o monge anda aos papéis
em busca do hábito certo
mas a beleza tem leis
oitenta e seis
sessenta oitenta e seis

A grande pirâmide

Letra: Carlos Tê

Estuda essa lição
sobe cada degrau
do conhecimento
para seres alguém
para teres o teu momento
vais ter de subir
custe o que custar
qualquer meio vale
para lá chegar

à grande pirâmide
à grande pirâmide

depois de subir
tu vais saber tudo
mas não vais ter tempo
de perceber nada
porque o que te informa
não é conhecimento
é tradição e norma
sem questionar a forma

à grande pirâmide
vais querer chegar
à grande pirâmide
depois de lá chegar

não penses duas vezes
não fiques para trás
tu és um gladiador
vais ter um carro preto
com dois mil de motor
e uma vivenda murada
depois de lá chegar

depois de lá chegar
podes ver o nada
depois de lá chegar
podes querer saltar

da grande pirâmide
podes querer saltar
da grande pirâmide
já te falta o ar

à grande pirâmide
à grande pirâmide

GTI (GENTLE, TALL & INTELLIGENT)

Letra: Carlos Tê

O sonho dos meus amigos
é ter um GTI
não importa de que marca
de que cor
o sonho dos meus amigos
é ter um GTI
não importa se inglês ou japonês

eu ando pensativo
porque não tenho esse sonho
ando a pensar qual o motivo
porque não sonho com um GTI

o sonho dos meus amigos
é ter um GTI
não importa de que marca
de que cor
o sonho dos meus amigos
é ter um GTI
não importa se inglês ou japonês

os meus amigos riem-se de mim
por ser feliz assim sem sonhar com um GTI
eles não sonham que me basta ter-te a ti
a sonhar comigo desde que te conheci

o sonho dos meus amigos
é ter um GTI
não importa de que marca
de que cor
o sonho dos meus amigos
é ter um GTI
não importa se inglês ou japonês

desde que seja um GTI
desde que seja um GTI
p'ra que quero um GTI
se me basta ter-te a ti
eu não quero um GTI
deita fora o GTI
p'ra que quero o GTI
só me basta ter-te a ti

Impressões Digitais

Faz impressão o trabalho que se tem em ser superficial
Faz-me impressão e baralho o vulgar e o intelectual

Sinto depressão conforme perco tempo essencial
Sofro uma pressão enorme para gostar do que é normal

Deixo tudo para mais logo não sou analógico sou criatura digital
Tendo para mais louco não sou patológico como o papel vegetal

Faz-me impressão ser seguido imitado por gente banal
Faz-me um favor estou perdido indica-me algo de fundamental

Acho que o que gosto em mim o que me motiva é uma preguiça transcendental
E em ti o que me torna afim o que me cativa é esse sorriso vertical como uma impressão digital

Sinto-me uma fotocópia prefiro o original
Edição revista e aumentada cordão umbilical
Exclusivo a morder a página em papel jornal

Faz-me impressão o trabalho a inércia faz-me mal

segunda-feira, julho 27, 2009

Loja de Porcelanas

cla.jpg

O que fazia um elefante
na tua loja de porcelanas
sei que não me vais dizer

foi por ele que tu me trocaste
e eu nunca soube porquê
nem nunca virei a saber

às vezes a beleza dói
quando o olhar reflecte
o que o coração inventou

o que fazia um elefante
na tua loja de porcelanas
sei que não me vais dizer

entrou e saiu pela frente
deixou tudo em pantanas
e tu voltaste a sofrer

e quando o ideal cai
tudo aquilo que promete
nunca acontece

quinta-feira, julho 23, 2009

Tempo de Antena do Bloco - Julho 2009


A obsessão do défice de Manuela Ferreira Leite e de José Sócrates e as suas políticas liberais provocaram desemprego e deixaram milhares de pessoas na pobreza.




quarta-feira, julho 22, 2009

Ao vivo

Brigadeiro e Bispo

Aquilo


Eu sou a favor da aplicação da Taxa Tobin


Entrevista de emprego disparatada

Auto-Defesa contra frutas frescas

Aula de Italiano

O homem consertador de bicicletas

Ministérios dos andares disparatados

O Papa e Miguel Ângelo

Story Time

A piada sem desfecho

Apelo à sanidade