terça-feira, julho 28, 2009

O hábito do monge

Letra: Carlos Tê

É difícil ser bom monge
num mundo de encher a vista
como é difícil fazer surf
num mar de ondas sem crista
e quando se cai muitas vezes
o mal está no surfista
mal daquele que cai muito
não é visto só avista
e já Arquimedes dizia
se não houver nada por baixo
só lhe resta o estilista

ai o monge anda aos papeis
em busca do hábito certo
mas a beleza tem rígidas leis
oitenta e seis
sessenta oitenta e seis

vê o grego no pedestal
está o segredo na pedra
ou no cinzel do criador
está no hábito ou no monge
no papel ou no actor
há tanta gente infeliz
a vestir no sitio certo
que por mais tons e feitios
hão-de ser sempre imperfeitos
e há os da Feira da Ladra
que parecem ser os eleitos

ai o monge anda aos papéis
em busca do hábito certo
mas a beleza tem leis
oitenta e seis
sessenta oitenta e seis

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