domingo, novembro 08, 2009

Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 8



Igreja do Santíssimo Salvador da Sé




Edificada por ordem do Cardeal D. Henrique, a partir de 1570, sobre a anterior igreja paroquial construída por Álvaro Martins Homem (cerca de 1461). Nela está sepultado, entre outros, o provedor das Armadas Pero Anes do Canto.





De estilo renascentista e "chão", foi seu mestre de obras Luís Gonçalves. Voltada a Norte, contraria o costume antigo das igrejas com capela-mor virada a Jerusalém.
Do primitivo altar-mor conservam-se os painéis da vida de Cristo (pintura sobre madeira, séc. XVI).
A estante de leitura ao estilo indo-português, em jacarandá do Brasil com marfim de baleia, e executada nos Açores é um testemunho precioso dos Açores como pólo de encontro de culturas.
O frontal em prata do altar do Santíssimo, feito entre 1702 e 1720 por Manuel Carneiro de Lima para a Confraria do Santíssimo, é um rico exemplo de ourivesaria terceirense.

domingo, novembro 01, 2009

Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 7



Palácio dos Capitães Generais




No lugar onde antes existiam as casas da família Távora, construíran os Jesuítas um colégio com um Pátio de Estudos (onde é agora o parque de estacionamento) e Igreja.
Em 1776, o 1º Capitão General dos Açores, D. Antão de Almada, propõe e começa a adaptar o edifício a palácio.
Por duas vezes foi Paço Real (1832 - D. Pedro IV, 1901 - D. Carlos I).
O templo, rico em talha dourada, azulejaria e imagens, reflecte a Igreja da reforma e, simultaneamente, a influência do gosto pelos motivos decorativos das Índias.
O edifício ainda conserva estruturas dessa época.

sexta-feira, outubro 30, 2009

Sobreviver à doença, escapar da cura



Primeiro, houve o pânico provocado pela gripe A. Agora, há o pânico provocado pela vacina contra a gripe A. A doença gera pânico; a cura gera ainda mais

in: Visão


Já se demitiram ministros por causa de anedotas relacionadas com a saúde pública portuguesa, mas isso não foi suficiente para que a saúde pública portuguesa deixasse de parecer uma boa anedota. Talvez seja útil fazer um pequeno resumo das últimas e intrigantes ocorrências no âmbito da nossa sempre divertida saúde. Primeiro, houve o pânico provocado pela gripe A. Agora, há o pânico provocado pela vacina contra a gripe A. A doença gera pânico; a cura gera ainda mais. O medo é tanto que eu tomaria uns calmantes, se não tivesse medo de os tomar. Bem disse o filósofo José Gil que os portugueses tinham medo de existir: entre deixar de existir, por causa da gripe, ou continuar a existir, graças à vacina, vacilamos. Na dúvida, receamos as duas. Não é fácil ser doente - e deve ser ainda mais difícil ser médico, que tem de confortar o paciente quando contrai a doença e confortá-lo mais ainda enquanto lhe administra a cura.

Visto de fora, desde que se descobriu o novo vírus da gripe os portugueses passaram a correr para um lado gritando "Fujam, vem aí a doença!", e depois passaram a correr para o outro gritando "Fujam, vem aí a cura!" A fugir, estamos sempre. Só muda o perseguidor.

Qual é, afinal, o mais grave? O vírus da gripe ou o vírus da vacina? Até ver, são ambos relativamente inofensivos. Um é curado por profissionais de saúde, o outro é transmitido por profissionais de saúde. A gripe A é mais fraca do que a gripe vulgar e a vacina provoca os mesmos efeitos secundários que qualquer outra vacina. Nem a gripe nem a vacina são particularmente perigosas para o homem. No entanto, ambos os vírus são letais para o meio ambiente. Temo que não haja árvores suficientes para abastecer os jornais do papel necessário para todas as notícias, publicadas e por publicar, sobre os malefícios da gripe A e os ainda maiores malefícios da vacina da gripe A. Não admira: a toda a hora surgem novas informações. Receava-se que houvesse vacinas a menos. Agora, uma vez que ninguém as quer tomar, receia-se que sobejem. Também causa dano. Suspirou-se por uma vacina. Agora, suspira-se por uma vacina contra a vacina. A ciência que resolva este problema. Já começamos a habituar-nos ao pânico da vacina. Precisamos urgentemente de outra coisa relacionada com a gripe A para recear.

terça-feira, outubro 27, 2009

Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 6



Paços do Concelho




Angra teve três casas da Câmara. A primeira, com uma pequena praça defronte. Depois, o comércio das Índias e a importância da cidade levaram à construção de uma praça maior e de edifícios sucessivamente mais dignos até ao actual, construído já no séc. XIX e inspirado nos antigos Paços do Concelho do Porto. Possui um dos maiores e mais dignos salões nobres do País.





segunda-feira, outubro 26, 2009

Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 5



Praça Velha




Praça é um conceito "repescado" da Antiguidade Clássica, quase sem uso durante a Idade Média.





Esta é, talvez, a primeira praça portuguesa desenhada para servir de ponto de encontro de dois arruamentos, de acordo com os ideais urbanos do Renascimento.






domingo, outubro 25, 2009

Queixa das almas jovens censuradas

Letra: Natália Correia
Música: José Mário Branco
in: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte

Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 4



Rua Direita




Primeira rua principal de Angra, conduzia "direitamente" do cais à praça e à casa do Capitão Donatário.





Marca a construção da primeira cidade moderna e aberta ao mar por um povo até aí habituado a outros modelos urbanos.

sexta-feira, outubro 23, 2009

E o Porto aqui tão perto


Três Cantos: José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto no Campo Pequeno [texto + fotos]




Quando soube deste concerto, que também se irá realizar no Coliseu do Porto, ainda era Agosto. Corri de imediato ao Coliseu e comprei bilhete. Na altura ainda só havia uma data, 31 de Outubro. A procura forçou a mais um espectáculo, quer em Lisboa, quer no Porto.
Infelizmente, quis o destino que tivesse de vir trabalhar para Angra do Heroísmo, e tive que vender o bilhete.
Fico muito contente por saber que vai haver um DVD, e de algum forma não ter perdido tudo!

Guardo ainda a consulação de a 25 de Setembro ter estado no Coliseu do Porto, no maior comício que o Bloco de Esquerda já realizou na cidade do Porto!

Guilherme Rietsch Monteiro


Texto: Lia Pereira
Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos
in Blitz


Duas horas de paixão e partilha na primeira noite do espectáculo Três Cantos. Só canções, foram três dezenas... Saiba como correu o concerto.

Muita coisa mudou desde a primeira vez que José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto pisaram o mesmo palco - foi em 1974, um mês após a Revolução de Abril, e os concertos onde também José Afonso e Adriano Correia de Oliveira marcavam presença aconteciam em recintos como o actual Pavilhão Carlos Lopes, não numa reabilitada praça de touros com centro comercial nas imediações. Outras coisas, porém, mantêm-se inalteradas e, a adivinhar pela idade média daqueles que ontem encheram o Campo Pequeno, em Lisboa, muitos admiradores nunca abandonaram este trio de sobredotados, cujas carreiras se desenvolveram de forma plenamente autónoma, mas cuja raiz musical e ideológica continua suficientemente próxima para justificar noites especiais como a de ontem.

À entrada da sala, enquanto as câmaras registavam imagens e depoimentos para o DVD que há-de sair deste espectáculo, ouvimos a um espectador que acabava de se cruzar com amigos da sua geração: "Isto hoje é o Parque Jurássico!". E de facto o público maduro era mais numeroso do que o jovem, nas bancadas e na plateia do Campo Pequeno. Apesar de ruidosas queixas acerca do som, por parte dos que ficaram mais longe do palco, a rendição ao conceito Três Cantos seria total. Ao longo das duas horas de concerto - sem grandes pausas, se exceptuarmos as saídas previstas de alguns dos protagonistas da noite em certas canções - o povo esteve sempre do lado de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto, que souberam retribuir com uma prestação generosa e inspirada.










Foi por volta das 21h45 que os cerca de 20 músicos que pisaram o palco do Campo Pequeno começaram a ocupar os seus lugares; para trás ficavam cinco meses de preparação, pela frente a equipa encarava a responsabilidade de estrear em grande um espectáculo que, nos próximos dias, repete nesta mesma sala e no Coliseu do Porto. "Guerra e Paz", de Sérgio Godinho, foi o primeiro passo numa longa e prazeirosa viagem; sentados de guitarra ao colo, os três homens da noite dividiram democraticamente a voz, num momento pausado, quase de aquecimento. À terceira música, contudo, já os ânimos se exaltavam com a chegada de "Como um Sonho Acordado", de Fausto, reconhecido aos primeiros segundos por uma plateia em êxtase. Apesar da grande quantidade de músicos em palco, esta e outras canções puderam respirar e expor o seu esqueleto, raras vezes afogado por instrumentação ou arranjos excessivos. Com bateria ribombante e o contraponto dos coros femininos, "Como Um Sonho Acordado" foi, a par de "O Primeiro Dia", "Ser Solidário", "Que Força É Essa" ou "Inquietação", um dos momentos que mais emocionaram o público.

Teria sido fácil transformar o conceito Três Cantos numa bajulação colectiva, suportada pelo estatuto dos três artistas em palco. Mas José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto souberam evitar a armadilha e foram especialmente económicos na chamada "troca de galhardetes"; aliás, só após o terceiro tema, "A Barca dos Amantes", José Mário Branco se dirigiu ao público para afiançar, com comoção e simplicidade: "Estou tão contente!". O entusiasmo era partilhado pelos muitos espectadores que, durante canções como "Eis Aqui o Agiota" ("Cada vez mais actual", apresentou Fausto), o clássico de Godinho "Casimiro (Cuidado com as Imitações)" ou "Mudam-se os Tempos Mudam-se As Vontades" não resistiam a entoar as letras, bater palmas ou marcar, alegremente, o ritmo dos temas com as mãos nos joelhos.












Tendo dividido com parcimónia o tempo de palco (cada músico teve direito a cantar sozinho, em dupla e em trio), os nossos heróis brilharam ainda quando, ao invés de uma "big band" atrás de si contaram apenas com a sua voz, guitarra e alma. Dedilhadas e contemplativas, "Não Canto Porque Sonho", de Fausto, ou "O Charlatão" de Sérgio Godinho foram dois exemplos desse "menos é mais" que tão bem resultou ontem à noite.

Tal como prometido, entre as 30 músicas do alinhamento houve espaço para um inédito - a frenética "Faz Parte (ou o Retorno das Audácias)" - e para uma versão de José Afonso, "De Não Saber o que se Espera". A primeira despedida chegou com "Maré Alta" e mereceu aos três bravos três cravos vermelhos entregues em mão. Mas foi no segundo encore que a euforia se instalou definitivamente e o Campo Pequeno em peso se levantou para participar na celebração em curso. Em palco, mais de 20 músicos munidos de bombos, baquetas e um adufe (ao colo de Sérgio Godinho) serviram um final catártico para o concerto, elevando "Na Ponta do Cabo", de Fausto, a ponto de exclamação de uma noite com poucas reticências. Mais poderoso do que mil efeitos especiais, o tema de Crónicas da Terra Ardente foi o remate perfeito para um concerto onde, mais do que a personalidade e os feitos individuais de cada músico, se celebrou o cancioneiro colectivo de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto, bem como uma certa ideia de música portuguesa - tradicional mas com os olhos postos no futuro, combativa, quando não interventiva, e sempre fiel a si mesma.






quinta-feira, outubro 22, 2009

Portugal, rabejador da Europa



Será sensato que um país com o tamanho do nosso se aventure para fora da cauda da Europa? É importante não esquecer que é com a cauda que se enxotam as moscas. E que a cauda consegue enxotar tudo, menos o que está na cauda

in: Visão


Quando eu nasci, Portugal estava na cauda da Europa. Veio o PREC, e Portugal continuou na cauda da Europa. Depois chegou alguma estabilidade, e aí Portugal continuou na cauda da Europa. Entrámos na CEE, e permanecemos na cauda da Europa. Vieram os governos de Cavaco Silva, mais os milhões comunitários, e - então sim - Portugal continuou na cauda da Europa. Nisto, o PS voltou ao poder. E Portugal manteve-se na cauda da Europa. A seguir, o PSD regressou ao governo. E Portugal na cauda da Europa. Depois, mais governos do PS até hoje. E Portugal firme na cauda da Europa. Onde fica Portugal? Na cauda da Europa. Não se sabe que bicho é a Europa, mas lá que tem uma cauda é garantido. E não há dúvidas nenhumas de que Portugal está nela sozinho.

Nem sempre foi assim. No princípio, Portugal estava na cauda da Europa acompanhado. Nos anos 70, Espanha estava taco a taco connosco na cauda. Ora valia mais o escudo, ora valia mais a peseta. Primeiro, nós íamos ao El Corte Inglés fazer compras baratas. Entretanto, o El Corte Inglés veio para cá fazer vendas caras. De repente, os espanhóis meteram uma abaixo e começaram a galgar pela Europa acima - e nós ficámos na cauda com a Grécia. Nisto, os gregos também amarinharam. Abriu-se a União Europeia a países que estavam igualmente na cauda, como a Irlanda, e todos foram abandonando a cauda a caminho, suponho, do lombo da Europa.

Como se explica este fenómeno da nossa longa estada na cauda da Europa? Creio que só pode ser uma opção. E, sendo uma opção, tem de ser estratégica. É muito raro uma opção não ser estratégica. Já tivemos vários governos e regimes, e todos, sem excepção, optaram por nos manter na cauda. Deve haver um plano. Outros países, que não têm coragem de permanecer na cauda, foram avançando para a garupa. É lá com eles. Mais fica de cauda para nós.

A verdade é que alguém tem de ficar na cauda. E, no que diz respeito a caudas de continentes, a estar nalguma que seja na da Europa. Temos a experiência, o talento e, pelos vistos, a vocação para estar na cauda. Seria uma pena desperdiçar décadas e décadas de prática. Será sensato que um país com o tamanho do nosso se aventure para fora da cauda da Europa? É importante não esquecer que é com a cauda que se enxotam as moscas. E que a cauda consegue enxotar tudo, menos o que está na cauda. Os pessimistas dirão: temos o último lugar garantido. Os optimistas hão-de notar que, ao menos, é um lugar. E que está garantido. Já não é nada mau.

domingo, outubro 18, 2009

Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 3



Estaleiro Naval




Vindos de Malaca, Goa, Cartagena, Havana ou Porto Rico, entre outros, os navios das Índias passavam por Angra a caminho de Lisboa, Cadiz ou Sevilha.





Cidade portuária, Angra tinha instalado no areal, cujos restos ainda existem, o seu estaleiro de construção e reparação naval.

terça-feira, outubro 13, 2009

Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 2



Igreja da Misericórdia



Neste lugar fundou-se o primeiro hospital dos Açores, baseado em compromisso da Confraria do Santo Espírito, datada de 15 de Março de 1492.







Um dos fundadores foi João Vaz Corte-Real, Capitão de Angra e descobridor da Terra Nova.






A Misericórdia, que veio depois, associando-se à Confraria já existente, mandou construir o actual templo (séc. XVIII), onde se destacam, frente a frente, os altares do Espírito Santo, à esquerda, e do Santo Cristo das Misericórdias, à direita.
No séc. XIX mudou-se o hospital para o Convento das Concepcionistas, à Guarita.

sábado, outubro 10, 2009

Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 1


Outeiro da Memória
A D. Pedro IV


Neste outeiro mandou construir João Vaz Corte-Real a primeira fortaleza dos Açores (cerca de 1474).
Longe do mar, espelha a ideia ainda medieval, continental e mediterrânica de uma defesa em acrópoloe.
A pirâmide eleva-se, desde meados do séc. XIX, "à memória" da presença do rei D. Pedro IV na ilha Terceira, durante a preparação do desembarque das tropas constitucionais no Continente.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Pano Cru

Ouve, meu amigo
põe a máquina a gravar
queria só explicar aqui
que eu sou como o pano-cru
como pano-cru
eu ainda estou por acabar
e como o linho vem da terra
assim viemos eu e tu
e como tu eu faço e amo
e luto e dou
e como tu eu estou
entre aquilo que já fiz
e aquilo que eu fizer
eu sou de pano-cru

Memórias de um beijo

Luís Represas

Lembras-me uma marcha de Lisboa
Num desfile singular,
Quem disse
Que há horas e momentos p´ra se amar
Lembras-me uma enchente de maré
Com uma calma matinal
Quem foi
Quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal

as memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar

Queria viver tudo numa noite
Sem perder a procurar
O tempo, ou o espaço
Que é indiferente p´ra poder sonhar

as memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar


Quem foi que provocou vontades
E atiçou as tempestades
E amarrou o barco ao cais
Quem foi, que matou o desejo
E arrancou o lábio ao beijo
E amainou os vendavais

quinta-feira, setembro 24, 2009

Os argumentos mais comuns em defesa da praxe e os contraargumentos de quem a combate.


1 - A praxe cria laços de amizade
Este é, segundo os praxistas, um dos principais objectivos da praxe. Contudo, acreditamos que a verdadeira amizade se constrói mais facilmente num ambiente mais propício ao convívio, tendo para isso de ser abolidas todas as práticas cujo objectivo é apenas a humilhação gratuita.

2 - A praxe é uma tradição
A praxe só surgiu no Porto na década de 80, década na qual quase tod@s nós nascemos, logo não se pode afirmar como tradição secular. Mas, mesmo que o fosse, isso não seria motivo para a perpetuar de forma acrítica, não olhando à evolução da sociedade. A preservação das tradições só faz sentido quando somos capazes de as reinventar constantemente, não permitindo que se tornem num entrave ao progresso.

3 - A praxe integra
Apesar de concordarmos com a importância da integração, defendemos que cada um/a deverá decidir por si mesmo como se quer integrar e em quê. Pelo contrário, na praxe estas escolhas são prédeterminadas:
a única integração legítima é a integração pela praxe (através do rebaixamento dos novos alunos) e no mundo da praxe.

4 - A praxe é uma escola de vida
Efectivamente, a praxe veicula um estilo de vida. Uma vida de excessos, limitados no tempo, mas ordeira. Nos dias de catarse colectiva, @s estudantes transformam-se em “foliões”, apropriando-se do espaço público e regredindo, através das músicas e das coreografias, à infantilidade. Para o resto da vida, aprendem a ser submiss@s face aos poderes instituídos. Sobretudo, aprendem a ter medo de dizer não.
@s estudantes ficam assim “empacotad@s”, formatad@s numa cultura retrógrada que se baseia no rebaixamento da mulher “fácil” e do homem “maricas”, na não contestação da ordem estabelecida e no corporativismo inerente à luta entre faculdades.

5 - Só vai à praxe quem quer
Se isto é verdade então porque é que os “guardiões da tradição” esperam @s nov@s alun@s à porta das salas de aula? Para quê todo o jogo de intimidação colectiva e de exibição de poder inerente à praxe?
Na realidade, existem mecanismos de coacção que, embora subtis, são suficientemente eficazes para que @s alun@s do primeiro ano se sintam “obrigad@s” a participar nos rituais praxistas. Ao mesmo tempo que @s praxistas afirmam que tod@s são livres de ir ou não à praxe, ameaçam quem quiser optar por não ir com a ostracização e a segregação académica. A escolha coloca-se assim entre ir à praxe e ser “da malta” ou não ir e ser “anti-praxe”, como se entre o preto e o branco não existisse uma infinidade de cores.
A confusão afectiva d@s nov@s alun@s serve o mesmo objectivo, havendo uma oscilação constante entre momentos de camaradagem (nomeadamente nas festas) e de humilhação. Por outro lado, quando algum/a alun@ do primeiro ano mostra vontade de sair da praxe,
@s que outrora @ humilharam transformam-se subitamente em seus/suas amig@s, situação que se reverterá num futuro próximo.

6 - Na praxe, todos são iguais e o traje académico é o símbolo dessa igualdade
As diferenças sociais, culturais e económicas que existem entre @s estudantes não podem ser resolvidas por uma operação de mera cosmética. Sendo assim, não é por pormos toda a gente a vestir-se da mesma forma que anulamos essas diferenças. Para mais, o uso de insígnias variadas como forma de sinalização da posição ocupada na hierarquia da praxe anula qualquer propósito de criação de uma farda uniforme para os estudantes.
Por outro lado, o traje tem como finalidade principal a diferenciação d@s estudantes (@s “doutores/as”) face ao resto da população (“@s futricas”), num acto de corporativismo elitista próprio de uma sociedade onde o Ensino Superior é ainda encarado como um privilégio.
Digam-te o que disserem, tu podes dizer não à praxe, pois vives numa democracia. A melhor forma de o fazeres, contudo, não é declarando-te anti-praxe perante os “Veteranos”. Quando o fazes, reconheces a legitimidade dos organismos de praxe. O que estás a fazer é pedir autorização aos/às praxistas para não seres praxad@, quando eles não devem ter qualquer tipo de autoridade sobre ti. Se no teu dia-a-dia não deixas que ninguém te subjugue e pense pela tua cabeça, também não o deves aceitar na praxe.
A recusa da praxe pode não parecer uma opção fácil, é certo. Mas também é certo que ninguém te poderá impedir de fazer amig@s, frequentar festas ou participar em qualquer actividade que não esteja ligada ao mundo da praxe.
Contra esta pseudo-tradição bolorenta e ultra-antiquada, na qual serás tratad@ como um número e não como uma pessoa, defendemos uma recepção alternativa baseada no divertimento de igual para igual. Não pretendendo apresentar uma “receita feita” para esta recepção, tal como acontece com a praxe, defendemos antes que sejam @s própri@s alun@s a construí-la de acordo com as especificidades da sua faculdade.
Como jovens, queremos ser agentes de mudança. Rejeitamos o conservadorismo de quem se submete cegamente à tradição e queremos construir uma faculdade integradora, democrática e aberta ao mundo.

Antípodas – Movimento anti-praxe

Procuram-se voluntários


A Reviravolta é uma Associação sem fins lucrativos com o objectivo de promover o Comércio Justo e Solidário. É suportada pelo trabalho de voluntários.

O Comércio Justo é uma das ferramentas chave para combater a pobreza. Como afirma Peter Mandelson, Comissário Europeu do Comércio «(...) Nem todos os consumidores olham para as prateleiras de supermercado e pensam qual o café que fará mais por tornar o mundo um lugar melhor. Mas muitos pensam. Não penso que seja um exagero dizer que isto se deve, em grande parte à iniciativa voluntária, ao empenho e ao entusiasmo do movimento de Comércio Justo.»

Para sermos agentes de mudança na erradicação da pobreza devemos procurar realizar mudanças no nosso quotidiano que se pautam por uma prática continuada de consumerismo.

Colabore das mais variadas formas com o Comércio Justo e estará, entre outras coisas, a combater a pobreza!

Procuram-se voluntários!
info@reviravolta.comercio-justo.org

MUTO a wall-painted animation by BLU



quarta-feira, setembro 23, 2009

Entrevista a Joana Amaral Dias



Comissão Nacional de Eleições



Análise aos analistas



Mr. Shirt Molhada



Consternação entre candidatos



Reflexão sobre as escutas



Escutas... até ver imaginárias...



Silêncio de Cavaco



terça-feira, setembro 22, 2009

Entrevista a Paulo Rangel



Manuela Ferreira Leite e o estrangeiro



Quatro candidatos do PS



Explicação para as escutas



Acusações



Escute, veja as sondagens



Entrevista a Francisco Louçã



Tempo de Antena do PPM



Comitivas do PS e PSD



Arqueologia Política



O Portugal de Salazar



Índice PSD20



Ao que parece...



Fala-se de compra de votos no PSD



Explicação para "esquerda possível"



Esquerda possível



Entrevista a Jerónimo de Sousa



Explicação sobre o discurso político



Tim une discursos



Palácio de Belém



Alegadas escutas



Alegre a favor do PS



segunda-feira, setembro 21, 2009

Saiu para a rua

Saiu decidida para a rua
Com a carteira castanha
E o saia-casaco escuro
Tantos anos tantas noites
Sem sequer uma loucura

Ele saiu sem dizer nada
Talvez fosse ao teatro chino
Vai regressar de madrugada
E acordá-la cheio de vinho

Tantos anos tantas noites
Sem nunca sentir a paixão
Foram já as bodas de prata
Comemoradas em solidão

Pôs um pouco de baton
E um leve toque de pintura
Tirou do cabelo o travessão
E devolveu ao rosto a candura

Saiu para a rua insegura
Vagueou sem direcção
Sorriu a um homem com tremura
E sentiu escorrer do coração
A humidade quente da loucura

Hello, I Love You

Hello, I love you
Won't you tell me your name?
Hello, I love you
Let me jump in your game
Hello, I love you
Won't you tell me your name?
Hello, I love you
Let me jump in your game

She's walking down the street
Blind to every eye she meets
Do you think you'll be the guy
To make the queen of the angels sigh?

Hello, I love you
Won't you tell me your name?
Hello, I love you
Let me jump in your game
Hello, I love you
Won't you tell me your name?
Hello, I love you
Let me jump in your game

She holds her head so high
Like a statue in the sky
Her arms are wicked, and her legs are long
When she moves my brain screams out this song

Sidewalk crouches at her feet
Like a dog that begs for something sweet
Do you hope to make her see, you fool?
Do you hope to pluck this dusky jewel?

Hello, Hello, Hello, Hello, Hello, Hello, Hello
I want you
Hello
I need my baby
Hello, Hello, Hello, Hello

quinta-feira, setembro 17, 2009

Beibi ai la(m)biu

Subi puràbenida ondas gaijas da bida,
assobiabu à passaige desta minha procheta
Mordi a tua cena, a pinta de Madalena
mirei no decote essas mamas pra jugarà ruleta.
Dançamos um tango - ou seria o Fandango?
Só me recordo do ardore das palabras qu't'oubi...

Beibi Ai Labiu Beibi Ai labiu
Beibi Ai labiu, Ai lambiu



O teu bigodinho ruçaba o meu bigodom,
pensei quera indício da tua imancipaçom!!...
O ritimo forte i a batida de morte,
o Discussaunde, a niu-heibe, aquecem-mu curaçom.
Àrderem paixom saquei a tua mom...
I repeti as palabras qu't'oubi...

Beibi Ai Labiu Beibi Ai labiu
Beibi Ai labiu, Ai lambiu

Tempo de Antena 3 - Legislativas 2009 - Bloco de Esquerda



O que é que têm em comum?



Louçã privatiza a letra R



Perguntas



Tirando o 6, não há nenhum número que seja mais próximo do 5 do que o 4!



Problemas de concordância



Porque que é que fala assim?!



Gafes



Os criminosos podem fazer bancos



Lugar aos novos



quarta-feira, setembro 16, 2009

A Jorna



Salazar



João Soares



Propaganda democrática



Dr. José



Dr. Partido



Esquizofrenia Partidária



Esmiuçamos todos



Entrevista a Ferreira Leite



Tempo de Antena 2 - Legislativas 2009 - Bloco de Esquerda



Tempo de Antena 1 - Legislativas 2009 - Bloco de Esquerda



Está na hora

Tudo a cantar!

"Agora não é tarde
Agora não é cedo
Agora não é tarde, nem é cedo.
Está na hora!

Está na hora de fazer a luta toda"

A música "Está na hora", um enorme sucesso nos comícios e acções de campanha do Bloco de Esquerda, está disponível aqui em duas versões: cantada e instrumental, em mp3. Leia abaixo a ficha técnica.

Vozes: Fernando Mariano, Sofia Cunha
Trompete: Nuno Reis
Bateria e baixo: Luís Candeias
Guitarra: Sérgio Vitorino
Teclas: Pedro Rodrigues

Letra: Pedro Rodrigues, Jorge Costa e Sérgio Vitorino
Música: Pedro Rodrigues, Sérgio Vitorino

terça-feira, setembro 15, 2009

So far away

Here I am again in this mean old town
And you're so far away from me
And where are you when the sun goes down
You're so far away from me
So far away from me
So far I just can't see
So far away from me
You're so far away from me
I'm tired of being in love and being all alone
When you're so far away from me
I'm tired of making out on the telephone
And you're so far away from me
So far away from me
So far I just can't see
So far away from me
You're so far away from me
I get so tired when I have to explain
When you're so far away from me
See you been in the sun and I've been in the rain
And you're so far away from me
So far away from me
So far I just can't see
So far away from me
You're so far away from me

Ei-los de volta!



Manuela Aljubarrota



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Entrevista a José Sócrates



segunda-feira, setembro 14, 2009

Nunca é tarde para aprender a lavar as mãos



Estamos perante um compêndio da higiene manual e digital, uma bíblia da desinfecção do carpo e metacarpo

in: Visão


A tão negligenciada literatura de casa de banho acaba de obter o significativo patrocínio do Estado. O recente panfleto que a Direcção-Geral de Saúde espalhou por todas as casas de banho públicas do País é, antes de tudo, inquietante - como toda a boa literatura deve ser. Intitulado "Como lavar as mãos?", o texto começa por ser magistral no modo como manipula a arrogância do leitor para, em primeiro lugar, provocar o riso. Um riso que depressa se torna amargo: em poucos segundos, o mesmo leitor que intimamente escarneceu da intenção de quem se propunha ensinar-lhe insignificâncias é tomado pelo assombro de verificar que nunca, em toda a vida, teve as mãos verdadeiramente lavadas. O panfleto apresenta um plano de lavagem das mãos em 12 (doze) passos, incluindo manobras de esterilização com as quais o cidadão médio jamais terá sonhado. Não haja dúvidas: estamos perante um compêndio da higiene manual e digital, uma bíblia da desinfecção do carpo e metacarpo. Este detalhado e rigoroso guia não deixa nem uma falangeta por purificar. Mas - e isto é que é terrível -, ao mesmo tempo que o faz, esfrega-nos na cara a nossa imundície passada e presente.

Ao primeiro passo da boa lavagem de mãos é atribuído, misteriosamente, o número zero: "Molhe as mãos com água." Trata-se, é claro, de um momento propedêutico em relação à lavagem propriamente dita, mas não deixa de ser surpreendente que a Direcção-Geral de Saúde não lhe reconheça dignidade suficiente para lhe atribuir um número natural. O passo número um vem então a ser o seguinte: "Aplique sabão para cobrir todas as superfícies das mãos." É aqui que começa a vergonha. Quem sempre ensaboou não deixará de sentir a humilhação de nunca ter aplicado sabão. A instrução encontra na linguística um cruel elemento diferenciador do grau de asseio: quem sabe lavar-se aplica sabão; os porcos ensaboam-se. Porcos esses que, como é óbvio, olham pela primeira vez para as mãos como extremidades dotadas de uma pluralidade de superfícies.

No passo número dois ("Esfregue as palmas das mãos, uma na outra", recomendação acompanhada de um desenho em que duas mãos se esfregam em movimentos circulares contrários ao movimento dos ponteiros do relógio), quem sempre esfregou no sentido inverso, como é o meu caso, sente que desperdiçou uma vida inteira de higiene pessoal. Os passos seguintes fazem o mesmo, embora em menor grau: em terceiro lugar há que "esfregar a palma da mão direita no dorso da esquerda, com os dedos entrelaçados, e vice-versa"; o quarto passo apela a que se esfregue "palma com palma com os dedos entrelaçados"; e o quinto passo aconselha uma fricção da "parte de trás dos dedos nas palmas opostas com os dedos entrelaçados". Bem ou mal, com os dedos mais ou menos entrelaçados, estes passos descrevem esfregas que estão ao alcance da imaginação de qualquer pessoa. A partir daqui, o caso piora de novo. O passo seis determina que se "esfregue o polegar esquerdo em sentido rotativo, entrelaçado na palma direita e vice-versa", em movimentos semelhantes aos que se fazem quando se acelera numa motorizada, e o passo sete recomenda que se "esfregue rotativamente para trás e para a frente os dedos da mão direita na palma da mão esquerda e vice-versa". O cuidado posto nestes preceitos amesquinha quem até aqui se limitava a esfregar as mãos uma na outra, descurando, por exemplo, o papel que os dedos devem desempenhar, e logo rotativamente, na higiene.

Enxaguar as mãos é o passo oito. Secar as mãos com toalhete descartável, o passo nove. Mas o passo dez volta a revelar que o processo é complexo: "Utilize o toalhete para fechar a torneira, se esta for de comando manual." A torneira deve, por isso, continuar a correr durante todo o passo nove, provavelmente para prevenir eventuais emergências de enxaguamento, sendo fechada apenas no passo dez. O décimo primeiro passo é o mais interessante: "Agora as suas mãos estão limpas e seguras." A contemplação da limpeza e segurança das mãos constitui, portanto, um passo autónomo neste processo de lavagem manual. No fim da lavagem, falta apenas, com as mãos impecavelmente limpas (e seguras), sair da casa de banho abrindo a porta em que toda a gente mexeu. E, creio, voltar atrás para repetir o processo.