A Doutrina do Choque from Muito Aterrorizado on Vimeo.
segunda-feira, julho 18, 2011
sexta-feira, julho 01, 2011
Impossível é não viver
O texto que se segue é o contributo do escritor José Luís Peixoto para o MayDay Lisboa e foi recentemente lido em grego em Atenas.
Se te quiserem convencer que é impossível, diz-lhes que impossível é ficares calado, impossível é não teres voz. Temos direito a viver. Acreditamos nessa certeza com todas as forças do nosso corpo e, mais ainda, com todas as forças da nossa vontade. Viver é um verbo enorme, longo. Acreditamos em todo o seu tamanho, não prescindimos de um único passo do seu/nosso caminho.
Sabemos bem que é inútil resmungar contra o ecrã do telejornal. O vidro não responde. Por isso, temos outros planos. Temos voz, tantas vozes; temos rosto, tantos rostos. As ruas hão-de receber-nos, serão pequenas para nós. Sabemos formar marés, correntes. Sabemos também que nunca nos foi oferecido nada. Cada conquista foi ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, era sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos.
Além disso, é magnífico estragar a festa aos poderosos. É divertido, saudável, faz bem à pele. Quando eles pensam que já nos distribuíram um lugar, que já está tudo decidido, que nos compraram com falinhas mansas e autocolantes, mostramos-lhes que sabemos gritar. Envergonhamo-los como as crianças de cinco anos envergonham os pais na fila do supermercado. Com a diferença grande de não sermos crianças de cinco anos e com a diferença imensa de eles não serem nossos pais porque os nossos pais, há quase quatro décadas atrás, tiveram de livrar-se dos pais deles. Ou, pelo menos, tentaram.
O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade. Por isso, não vamos pedir, vamos exigir. Havemos de repetir as vezes que forem necessárias: temos direito a viver. Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.
Vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela e tu, vida, cresces também. Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz.
Sabemos bem que é inútil resmungar contra o ecrã do telejornal. O vidro não responde. Por isso, temos outros planos. Temos voz, tantas vozes; temos rosto, tantos rostos. As ruas hão-de receber-nos, serão pequenas para nós. Sabemos formar marés, correntes. Sabemos também que nunca nos foi oferecido nada. Cada conquista foi ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, era sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos.
Além disso, é magnífico estragar a festa aos poderosos. É divertido, saudável, faz bem à pele. Quando eles pensam que já nos distribuíram um lugar, que já está tudo decidido, que nos compraram com falinhas mansas e autocolantes, mostramos-lhes que sabemos gritar. Envergonhamo-los como as crianças de cinco anos envergonham os pais na fila do supermercado. Com a diferença grande de não sermos crianças de cinco anos e com a diferença imensa de eles não serem nossos pais porque os nossos pais, há quase quatro décadas atrás, tiveram de livrar-se dos pais deles. Ou, pelo menos, tentaram.
O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade. Por isso, não vamos pedir, vamos exigir. Havemos de repetir as vezes que forem necessárias: temos direito a viver. Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.
Vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela e tu, vida, cresces também. Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz.
José Luís Peixoto
segunda-feira, março 21, 2011
quinta-feira, março 17, 2011
quarta-feira, março 16, 2011
segunda-feira, março 07, 2011
A luta é alegria
POR VEZES DÁS CONTIGO DESANIMADO
POR VEZES DÁS CONTIGO A DESCONFIAR
POR VEZES DÁS CONTIGO SOBRESSALTADO
POR VEZES DÁS CONTIGO A DESESPERAR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
DE POUCO VALE O CINTO SEMPRE APERTADO
DE POUCO VALE ANDAR A LAMURIAR
DE POUCO VALE UM AR SEMPRE CARREGADO
DE POUCO VALE A RAIVA P'RA TE AJUDAR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
VEM CELEBRAR ESTA SITUAÇÃO
E VAMOS CANTAR CONTRA A REACÇÃO!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
NÃO FALTA QUEM TE AVISE: VAI COM CUIDADO
NÃO FALTA QUEM TE QUEIRA MANDAR CALAR
NÃO FALTA QUEM TE DEIXE RESSABIADO
NÃO FALTA QUEM TE VENDA O PRÓPRIO AR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
VEM CELEBRAR ESTA SITUAÇÃO
E VAMOS CANTAR CONTRA A REACÇÃO
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
POR VEZES DÁS CONTIGO A DESCONFIAR
POR VEZES DÁS CONTIGO SOBRESSALTADO
POR VEZES DÁS CONTIGO A DESESPERAR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
DE POUCO VALE O CINTO SEMPRE APERTADO
DE POUCO VALE ANDAR A LAMURIAR
DE POUCO VALE UM AR SEMPRE CARREGADO
DE POUCO VALE A RAIVA P'RA TE AJUDAR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
VEM CELEBRAR ESTA SITUAÇÃO
E VAMOS CANTAR CONTRA A REACÇÃO!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
NÃO FALTA QUEM TE AVISE: VAI COM CUIDADO
NÃO FALTA QUEM TE QUEIRA MANDAR CALAR
NÃO FALTA QUEM TE DEIXE RESSABIADO
NÃO FALTA QUEM TE VENDA O PRÓPRIO AR
DE NOITE OU DE DIA
A LUTA É ALEGRIA
E O POVO AVANÇA É NA RUA A GRITAR!
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
VEM CELEBRAR ESTA SITUAÇÃO
E VAMOS CANTAR CONTRA A REACÇÃO
TRAZ O PÃO, TRAZ O QUEIJO, TRAZ O VINHO
VEM O VELHO, VEM O NOVO E O MENINO
sexta-feira, março 04, 2011
Uma Aventura em Angra do Heroísmo - 2ª Temporada - Parte 5
fonte: Wikipédia
A lenda de Angra do Heroísmo é uma lenda da ilha Terceira, nos Açores. Versa sobre a cidade de Angra do Heroísmo e o Monte Brasil
Segundo a tradição, o príncipe dos mares vivia apaixonado por uma linda princesa de cabelos louros que vivia próximo aos seus domínios. A princesa, entretanto, não correspondia aos seus amores por já se encontrar apaixonada por outro príncipe. O senhor dos mares vivia consumido por ciúmes que muitas vezes o levavam à violência, e decidiu chamar uma fada ao seu reino marinho, com o objectivo de mudar o rumo aos acontecimentos.
A fada veio e tentou durante bastante tempo que a princesa desistisse do seu amor e se apaixonasse pelo Senhor do Mar. Fez magias e quebrantos e exerceu todas as suas influências, mas sem nada conseguir devido ao profundo amor da princesa pelo seu príncipe. Furioso, o senhor dos mares acabou por expulsar a fada dos seus domínios.
Um dia, os dois apaixonados, que até ali tinham vivido só da troca de olhares e de suaves devaneios, trocaram o primeiro beijo. Foi um beijo rápido, mas o sussurro dos apaixonados foi escutado pelo senhor e príncipe dos mares, que acordou do leito de rocha de basalto negro e areia vulcânica onde dormia.
A fada também ouviu e atravessou apressadamente os céus em direcção ao reino do príncipe dos mares, pois via a oportunidade de se vingar do príncipe, por quem entretanto se tinha apaixonado, e da princesa que lhe roubava a felicidade.
Quando chegou perto do Senhor do Mar, viu-o furioso a bater-se contra a terra com furiosas e encapeladas ondas cobertas de espuma branca e disse-lhe baixinho: "Príncipe do mar, chegou a hora da vossa vingança. Aqui estou para fazer o que mandardes." Cego pelo ciúme e pela raiva, este ordenou-lhe em tom de ódio: "Correi, fada, fulminai o príncipe que roubou minha amada. Mas... lembrai-vos, só a ele!"
Aceitando o desafio com a cabeça e convidando o Senhor do Mar a assistir à vingança que ia preparar, a fada levou-o pela mão em direcção à praia onde estavam os dois apaixonados. Lá foram encontrar a princesa de cabelos soltos, dourados ao sol poente, levemente reclinada sobre o seu apaixonado.
Rapidamente, a fada soltou a mão do Senhor do Mar e se precipitou sobre o par enamorado, fazendo um encanto: o príncipe ficou transformado num grande monte (o Monte Brasil) coberto de denso arvoredo, levantando-se altivo de frente para o mar. A princesa recusou-se a abandonar o seu apaixonado e ficou para sempre reclinada na posição em que se encontrava. Com o passar os milénios, transformou-se na baía e na cidade de Angra do Heroísmo. Encontram-se os dois unidos e embalados para sempre pelas noites e pelos dias, pelo eterno soluçar angustiado do Atlântico, príncipe e senhor dos mares.
A fada veio e tentou durante bastante tempo que a princesa desistisse do seu amor e se apaixonasse pelo Senhor do Mar. Fez magias e quebrantos e exerceu todas as suas influências, mas sem nada conseguir devido ao profundo amor da princesa pelo seu príncipe. Furioso, o senhor dos mares acabou por expulsar a fada dos seus domínios.
Um dia, os dois apaixonados, que até ali tinham vivido só da troca de olhares e de suaves devaneios, trocaram o primeiro beijo. Foi um beijo rápido, mas o sussurro dos apaixonados foi escutado pelo senhor e príncipe dos mares, que acordou do leito de rocha de basalto negro e areia vulcânica onde dormia.
A fada também ouviu e atravessou apressadamente os céus em direcção ao reino do príncipe dos mares, pois via a oportunidade de se vingar do príncipe, por quem entretanto se tinha apaixonado, e da princesa que lhe roubava a felicidade.
Quando chegou perto do Senhor do Mar, viu-o furioso a bater-se contra a terra com furiosas e encapeladas ondas cobertas de espuma branca e disse-lhe baixinho: "Príncipe do mar, chegou a hora da vossa vingança. Aqui estou para fazer o que mandardes." Cego pelo ciúme e pela raiva, este ordenou-lhe em tom de ódio: "Correi, fada, fulminai o príncipe que roubou minha amada. Mas... lembrai-vos, só a ele!"
Aceitando o desafio com a cabeça e convidando o Senhor do Mar a assistir à vingança que ia preparar, a fada levou-o pela mão em direcção à praia onde estavam os dois apaixonados. Lá foram encontrar a princesa de cabelos soltos, dourados ao sol poente, levemente reclinada sobre o seu apaixonado.
Rapidamente, a fada soltou a mão do Senhor do Mar e se precipitou sobre o par enamorado, fazendo um encanto: o príncipe ficou transformado num grande monte (o Monte Brasil) coberto de denso arvoredo, levantando-se altivo de frente para o mar. A princesa recusou-se a abandonar o seu apaixonado e ficou para sempre reclinada na posição em que se encontrava. Com o passar os milénios, transformou-se na baía e na cidade de Angra do Heroísmo. Encontram-se os dois unidos e embalados para sempre pelas noites e pelos dias, pelo eterno soluçar angustiado do Atlântico, príncipe e senhor dos mares.
Monte Brasil, visto do mar, Ilha Terceira, Açores
Cidade de Angra do Heroismo e Baía de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores, Portugal
terça-feira, março 01, 2011
Sou um gajo do Puorto
Sou um gajo do Porto
Olha a grande nobidade
Represento bibo ou morto
O mau jeito da cidade
Um mau jeito com seus ques
ou bice-bersa é claro
Trocar os Bs pelos Bs
Tem muita graça e é raro
Curaçon, telebison
É como pronunciamos
Mas tem sempre som e tom
Aquilo de que falamos
Sim, sou um gaijo do Porto
Sim, sou um gaijo do Porto
Tripas som manjar só nosso
Feitas à moda do Porto
E sabemos dar no osso
Se a coisa dá pró torto.
Cunfeitaria ou café
num suplantam um bom tasco
Ondo balcom semprimpé
Bai do maduro ou do berdasco
Curaçon, telebison
É como pronunciamos
Mas tem sempre som e tom
Aquilo de que falamos
Sim, sou um gaijo do Porto
Sim, sou um gaijo do Porto
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Utopia
A ilha de Utopia foi descrita a Thomas More por um navegador português.
Estaria a falar da Terceira?!
Estaria a falar da Terceira?!
domingo, fevereiro 27, 2011
Round Here
Round Here
Step out the front door like a ghost
Into the fog where no one notices
The contrast of white on white.
And in between the moon and you
The angels get a better view
Of the crumbling difference between wrong and right.
I walk in the air between the rain,
Through myself and back again.
Where? I don't know
Maria says she's dying.
Through the door, I hear her crying
Why? I don't know
Round here we always stand up straight
Round here something radiates
Maria came from Nashville with a suitcase in her hand
She said she'd like to meet a boy who looks like Elvis
She walks along the edge of where the ocean meets the land
Just like she's walking on a wire in the circus
She parks her car outside of my house
Takes her clothes off,
Says she's close to understanding Jesus
She knows she's more than just a little misunderstood
She has trouble acting normal when she's nervous
Round here we're carving out our names
Round here we all look the same
Round here we talk just like lions
But we sacrifice like lambs
Round here she's slipping through my hands
Sleeping children got to run like the wind
Out of the lightning dream
Mama's little baby better get herself in
Out of the lightning
She says, "It's only in my head."
She says, "Shhh...I know it's only in my head."
But the girl on the car in the parking lot
Says: "Man, you should try to take a shot
Can't you see my walls are crumbling?"
Then she looks up at the building
And says she's thinking of jumping.
She says she's tired of life;
She must be tired of something.
Round here she's always on my mind
Round here I got lots of time
Round here we're never sent to bed early
Nobody makes us wait
Round here we stay up very very late
I can't see nothing, nothing
Round here
Catch me if I'm falling
Catch me if I'm falling
Catch me cause I'm falling down on you
I said I'm under the gun
Round here
Oh man, I said I'm under the gun
Round here
I can't see nothing, nothing
Round here
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
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