(Arnaldo Antunes / Hélder Gonçalves)
o estômago no coração
uma estrela pra pegar com a mão
mais um livro fora do lugar
um copo d’ água para transbordar
uma bússola em vez de relógio
uma festa depois do velório
um quilómetro ao redor de mim
toda a primavera um dia chega ao fim
mas eu sei
que aproveitarei
e isso basta, basta
se é pouco
o resto eu dou de troco
e isso basta, basta
um botão pra desabotoar
uma boca para abocanhar
dez segundos para decidir
todo o mundo junto pra conseguir
um supermercado como labirinto
um olho fechado pra mostrar que minto
muita paciência para escutar
menos timidez para poder falar
mas de perto
o que pegar eu aperto
e isso basta, basta
e de dentro
o que não der eu invento
e isso basta, basta
eu sei que aproveitarei
e isso basta, basta
o resto eu dou de troco
e isso me basta, basta
basta
basta
quarta-feira, abril 23, 2014
OUTRO MUNDO
(Sérgio Godinho / Hélder Gonçalves)
Toco ao de leve
as dedadas
cavo fundo
as ossadas
Tabuleta
esqueleto
num outro
alfabeto
Vais ter que vir doutra vida
pra teres outras vidas de mim
Vais ter que ser de outro mundo
pra seres outro tanto de mim
Eu preciso de uma prova concreta
pra saber que vens de outro planeta
Impressões
digitadas
ossaturas
musculadas
Um só objecto
identifica
quem se vai
quem se fica
Vais ter que vir doutra vida
pra teres outras vidas de mim
Vais ter que ser de outro mundo
pra seres outro tanto de mim
Eu preciso de uma prova concreta
pra saber que vens de outro planeta
Desvenda-me o código
Desvenda-me o teu código / desvenda-me
Toco ao de leve
as dedadas
cavo fundo
as ossadas
Tabuleta
esqueleto
num outro
alfabeto
Vais ter que vir doutra vida
pra teres outras vidas de mim
Vais ter que ser de outro mundo
pra seres outro tanto de mim
Eu preciso de uma prova concreta
pra saber que vens de outro planeta
Impressões
digitadas
ossaturas
musculadas
Um só objecto
identifica
quem se vai
quem se fica
Vais ter que vir doutra vida
pra teres outras vidas de mim
Vais ter que ser de outro mundo
pra seres outro tanto de mim
Eu preciso de uma prova concreta
pra saber que vens de outro planeta
Desvenda-me o código
Desvenda-me o teu código / desvenda-me
ZEITGEIST
(Samuel Úria / Hélder Gonçalves)
Vestes verde, que és campestre.
Foste mestre de Feng Shui.
Sempre te modernizaste:
Tatuaste “Amor de pai”.
É indigência chique;
Um balde de água freak.
Tão fora
Que até chegas a ser homem.
Vestes rosa se é de imprensa,
Pensas que é só cor carmim.
Sabes cem passos de dança.
Estuporaste a MTV.
Sem dó, sem fé, sem pressa:
Lado negro da farsa.
Tão brando
Que até chegas a ser homem.
Mas ouve o som! Ouve o som!
Tocou o despertador.
(És um tipo do teu tempo)
O rei e senhor.
(És do tipo do teu tempo)
Ciber-agitador,
(Mestre-sala do teu tempo)
Vestes preto sem ser luto,
Hoodies são os novos fraques.
Animado anonimato:
Quem vê caras vê Guy Fawks .
Ouve o som! Ouve o som!
(És um tipo do teu tempo)
Mas põe-te a andar
(És do tipo do teu tempo)
Tu és o rei e senhor,
(Mestre-sala do teu tempo)
Mas já tocou. Ouve o som!
Põe-te a andar.
Vestes verde, que és campestre.
Foste mestre de Feng Shui.
Sempre te modernizaste:
Tatuaste “Amor de pai”.
É indigência chique;
Um balde de água freak.
Tão fora
Que até chegas a ser homem.
Vestes rosa se é de imprensa,
Pensas que é só cor carmim.
Sabes cem passos de dança.
Estuporaste a MTV.
Sem dó, sem fé, sem pressa:
Lado negro da farsa.
Tão brando
Que até chegas a ser homem.
Mas ouve o som! Ouve o som!
Tocou o despertador.
(És um tipo do teu tempo)
O rei e senhor.
(És do tipo do teu tempo)
Ciber-agitador,
(Mestre-sala do teu tempo)
Vestes preto sem ser luto,
Hoodies são os novos fraques.
Animado anonimato:
Quem vê caras vê Guy Fawks .
Ouve o som! Ouve o som!
(És um tipo do teu tempo)
Mas põe-te a andar
(És do tipo do teu tempo)
Tu és o rei e senhor,
(Mestre-sala do teu tempo)
Mas já tocou. Ouve o som!
Põe-te a andar.
MUSEU DO MUNDO
(Arnaldo Antunes / Hélder Gonçalves)
as ondas vêm
as nuvens vão
sem direção
eticétera e tal
tudo igual
as horas vêm
os dias vão
na imensidão
sem voltar pra trás
tudo em paz
no museu do mundo
onde eu me perdi
nesse lugar
não há futuro
onde chegar
nem continuar
nem morrer
estamos sós
nós dois a sós
só tu e eu
nessa solidão
sem nos ver
no museu do mundo
onde eu me escondi
restos mortais
e animais
em extinção
rastos ancestrais
pelo chão
e nada mais
só espirais
de um furacão
na respiração
vêm e vão
no museu do mundo
onde estou, aqui
as ondas vêm
as nuvens vão
sem direção
eticétera e tal
tudo igual
as horas vêm
os dias vão
na imensidão
sem voltar pra trás
tudo em paz
no museu do mundo
onde eu me perdi
nesse lugar
não há futuro
onde chegar
nem continuar
nem morrer
estamos sós
nós dois a sós
só tu e eu
nessa solidão
sem nos ver
no museu do mundo
onde eu me escondi
restos mortais
e animais
em extinção
rastos ancestrais
pelo chão
e nada mais
só espirais
de um furacão
na respiração
vêm e vão
no museu do mundo
onde estou, aqui
CANÇÃO DE ÁGUA DOCE
(Samuel Úria / Hélder Gonçalves)
Pôs-se a cantar
O amor ao rio
E este seguiu
Sem replicar.
Veio a resposta
Em breve assobio,
Que o vento trouxe
Um travo a mar.
E ela provou que ele
Também está só:
Foi de água doce,
Mas amargou.
Emudeceu
Por estar sem rio.
O olhar vazio,
Voltou-se ao céu.
Raio e trovão,
Setas de cupido,
Volveu paixão
Quando choveu.
Ela esticou-se e
Molhou a mão.
Era água doce;
Fez-se em canção.
Pôs-se a cantar
O amor ao rio
E este seguiu
Sem replicar.
Veio a resposta
Em breve assobio,
Que o vento trouxe
Um travo a mar.
E ela provou que ele
Também está só:
Foi de água doce,
Mas amargou.
Emudeceu
Por estar sem rio.
O olhar vazio,
Voltou-se ao céu.
Raio e trovão,
Setas de cupido,
Volveu paixão
Quando choveu.
Ela esticou-se e
Molhou a mão.
Era água doce;
Fez-se em canção.
Artesanato
(Sérgio Godinho / Hélder Gonçalves)
O nosso amor
está no lugar exacto
artesanato
de calor apurado
Bicicleta
em roda livre e secreta
livre é a meta
desta vida inexacta
Setembro é mesmo
o começo do ano
sim, o vento mudou
cai o pano
Artesanato
exercício de estilo
intencionalmente
tão perfeito e inexacto
Matérias do corpo
tão particularmente
num pega e despega
frequente
Toca que toca
Setembro é chegado
sim, o vento mudou
dá de lado
Ai Ui
Ei por onde é que andaste
a subir escarpas
e a descer ao regato
Oi Ei
Ai que falta me fez
o teu artesanato
Escultura
pés de barro perenes
por vocação
tão espessos, tão ténues
por intuição
molda-se a mão à pele
não sabe do amor
quem só quer saber dele
Folha caduca
Setembro é chegado
nunca varre o vento
o passado
Artesanato
acto eléctrico acústico
mesmo rústico
se sofisticado
Matérias do corpo
tão particularmente
num pega e despega
frequente
Ai Ui
Ei por onde é que andaste
a subir escarpas
e a descer ao regato
Oi Ei
Ai que falta me fez
o teu artesanato
O nosso amor
está no lugar exacto
artesanato
de calor apurado
Bicicleta
em roda livre e secreta
livre é a meta
desta vida inexacta
Setembro é mesmo
o começo do ano
sim, o vento mudou
cai o pano
Artesanato
exercício de estilo
intencionalmente
tão perfeito e inexacto
Matérias do corpo
tão particularmente
num pega e despega
frequente
Toca que toca
Setembro é chegado
sim, o vento mudou
dá de lado
Ai Ui
Ei por onde é que andaste
a subir escarpas
e a descer ao regato
Oi Ei
Ai que falta me fez
o teu artesanato
Escultura
pés de barro perenes
por vocação
tão espessos, tão ténues
por intuição
molda-se a mão à pele
não sabe do amor
quem só quer saber dele
Folha caduca
Setembro é chegado
nunca varre o vento
o passado
Artesanato
acto eléctrico acústico
mesmo rústico
se sofisticado
Matérias do corpo
tão particularmente
num pega e despega
frequente
Ai Ui
Ei por onde é que andaste
a subir escarpas
e a descer ao regato
Oi Ei
Ai que falta me fez
o teu artesanato
TAMBÉM SIM
(Regina Guimarães / Hélder Gonçalves)
a menina
do teu olho
a ravina
do teu rim
a nudez
de uma mão
talvez não
também sim
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
a orelha
o pulmão
a garganta
o joelho
tu e eu
grão a grão
também sim
talvez não
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
ensina-me magia
na aula de anatomia
eu mesma sou lição
cobaia por vocação
o voo
de asa cortada
a dança
no pé de vento
o sopro
do coração
talvez sim
também não
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
a menina
do teu olho
a ravina
do teu rim
a nudez
de uma mão
talvez não
também sim
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
a orelha
o pulmão
a garganta
o joelho
tu e eu
grão a grão
também sim
talvez não
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
ensina-me magia
na aula de anatomia
eu mesma sou lição
cobaia por vocação
o voo
de asa cortada
a dança
no pé de vento
o sopro
do coração
talvez sim
também não
és o sul
do meu desnorte
és a foz
desta nascente
és o mar
que sobe à boca
sê a porta
do oriente
A CONTA DE SUBTRAIR
(Regina Guimarães / Hélder Gonçalves)
cada bola cada bala mata um
lei da selva lei da escola
rei do pim pam pum
ó setora o meu pai ensinou-me assim
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
cada fala cada faca mata um
lei do sangue lei do medo
rei do pim pam pum
ó setora o papá é igual a mim
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
de pequenino se aceita o destino
de pequenino se faz o assassino
ó setora
quem mais chora menos mija
era o que dizia a minha avó
mãe do meu pai a cota
e a cota sabia-a toda
seja como for
sejas tu quem fores
o mundo é dos fortes
está ver a cena a cores
se a alma não é pequena
dez no focinho
noves fora
um herói
estamos todos fodidos
e mal pagos
a senhora também
não é setora?
mas a gente sabe da poda
da ganda foda
e a senhora não
que se lixe
bué da fixe
os alunos saberem mais
que a professora
é só uma conta de subtrair
e não vale trair
que a setora tem quatro pneus
e não há air bag que lhe valha
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
de pequenino se aceita o destino
de pequenino se faz o assassino
cada bola cada bala mata um
lei da selva lei da escola
rei do pim pam pum
ó setora o meu pai ensinou-me assim
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
cada fala cada faca mata um
lei do sangue lei do medo
rei do pim pam pum
ó setora o papá é igual a mim
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
de pequenino se aceita o destino
de pequenino se faz o assassino
ó setora
quem mais chora menos mija
era o que dizia a minha avó
mãe do meu pai a cota
e a cota sabia-a toda
seja como for
sejas tu quem fores
o mundo é dos fortes
está ver a cena a cores
se a alma não é pequena
dez no focinho
noves fora
um herói
estamos todos fodidos
e mal pagos
a senhora também
não é setora?
mas a gente sabe da poda
da ganda foda
e a senhora não
que se lixe
bué da fixe
os alunos saberem mais
que a professora
é só uma conta de subtrair
e não vale trair
que a setora tem quatro pneus
e não há air bag que lhe valha
de pequenino se traça o destino
de pequenino se faz o assassino
de pequenino se aceita o destino
de pequenino se faz o assassino
Rompe o Cerco
Música: Hélder Gonçalves
in: Corrente
Limpo as mãos
Vou embora
É outro dia
A luta continua
Lavo a chaga
Purgo a dor
Salto a cerca
O luto continua
Pinto os olhos
Unto a pele
Venho à tona
A vida continua
Mordo a rua
Cuspo o fel
Rompo o cerco
A lama continua
O circo continua
A farsa continua
Eu sei que algo vai mudar
O jogo vira custe o que custar
Faz a mancha
Cava a falta
Esfrega a alma
A lama continua
Limpa a chaga
Salga a dor
Salta a cerca
A vida continua
Limpa as mãos
Vai embora
É outro dia
A luta continua
Lava a chaga
Purga a dor
Salta a cerca
A vida continua
Eu sei que algo vai mudar
O jogo vira custe o que custar
A paz não te cai bem
Se a paixão faz doer
O que o ódio fará?
Não soube o que dizer
Magoei sem querer
Mas não queres perdoar
Discutiste
Insististe
E pior não me ouviste
Nem me viste chorar
Eu cedi
Concordei
Admiti que errei
Mas só queres guerrear
E eu sei
Não tem fim
Não queres a paz que trago em mim
Não Não
Argumentos que ferem
Silêncios torturam
Gestos são letais
E afinal, pra quê mais?
Concordar jamais
Mesmo que eu diga sim
E eu sei
Não tem fim
Não queres a paz que trago em mim
Vi também que a paz em ti não fica bem
Não Não
Oh Não
E eu vou
Vou desandar daqui
Antes que o céu
Decida desabar sobre mim
E eu sei
Não tem fim
Não queres a paz que trago em mim
Vi também que a paz em ti não fica bem
Não tem fim
Não queres a paz que trago em mim
Sei também que a paz em ti não fica bem
Não Não
quinta-feira, abril 03, 2014
Um dia não são dias não
Como que morto para o mundo
Expiro num sono profundo
Enterrado no colchão
Quando a minha mulher me chama
E me faz saltar da cama
Pergunta "sabes que horas são?
É que eu já estou atrasada
E a bebé está acordada
A precisar de atenção".
Mudo a fralda à bebé ainda a dormir a pé
A tactear na escuridão
Tento combinar-lhe a roupa
Antes de lhe dar a sopa - é essa a indicação
Entrego a bebé à avó
Para conseguir ficar só
Enquanto elas vão dar a volta ao quarteirão
Aproveito assim que posso
Para aquecer o meu almoço
Um resto de arroz de feijão
Que vou comer para o sofá
A amaldiçoar a manhã e o amanhã
Deitado em frente à televisão
Diz-se um dia não são dias,
Mas às vezes é esta a frustração:
A de saber que quando são,
um dia não são dias não.
Passo o dia em pijama
Pronto para voltar para a cama,
A curtir a depressão
Tenho um emprego precário,
Um part-time temporário,
Um biscate que arranjei no fim do verão
Mas hoje é o meu dia de folga:
É o dia que mais me empolga,
É uma verdadeira vocação.
Também já fui avisado
QUe no fim do mês vou ser dispensado - a crise é a justificação.
Então, em vez de proletário a fingir
Volto a ser o que sempre fui:
Um burguês falido.
Volto a ser o meu próprio patrão,
A magicar o dia inteiro
Mil maneiras de conseguir ter dinheiro
Sem cravar a mulher, a mãe e o irmão.
Diz-se um dia não são dias,
Mas às vezes é esta a frustração:
A de saber que quando são,
um dia não são dias não.
quarta-feira, fevereiro 12, 2014
Sinto frio
Bolas!
Há músicas que ligam o botão da máquina de lavar que há cá dentro e tudo mexe...
O ar fica rarefeito, talvez por causa da água que entra para levar tudo... E como a água em excesso sai pela porta da máquina, a água começa a sair pelos olhos enquanto tudo o que está cá dentro começa a assentar dos tombos...
Guilherme Rietsch Monteiro
12 de Fevereiro de 2014
Há músicas que ligam o botão da máquina de lavar que há cá dentro e tudo mexe...
O ar fica rarefeito, talvez por causa da água que entra para levar tudo... E como a água em excesso sai pela porta da máquina, a água começa a sair pelos olhos enquanto tudo o que está cá dentro começa a assentar dos tombos...
Guilherme Rietsch Monteiro
12 de Fevereiro de 2014
segunda-feira, janeiro 27, 2014
Circunstância
Entre a manhã que se faz
Invisível de orvalho
E a tarde que traz
Todo o seu brilho...
Sem pedir a maré sobe
Enche a noite de luz
Para se poder já ver
O que é certo acontecer...
... descanso no vazio
... entre as formas dos dias
... dou corpo à mudança
... sigo a circunstância
Entre grandes passos dados
Há enormes intervalos
Entre alguns cruzamentos
Há olhares mais intensos
Foram presos com correntes
Soltam-se de repente
Folhas passam a flores
Ódios por Amores
... descanso no vazio
... entre as formas dos dias
... dou corpo à mudança
... sigo a circunstância
Letra: Hugo Sampaio
Música: Rui Vilhena e Hugo Sampaio
Invisível de orvalho
E a tarde que traz
Todo o seu brilho...
Sem pedir a maré sobe
Enche a noite de luz
Para se poder já ver
O que é certo acontecer...
... descanso no vazio
... entre as formas dos dias
... dou corpo à mudança
... sigo a circunstância
Entre grandes passos dados
Há enormes intervalos
Entre alguns cruzamentos
Há olhares mais intensos
Foram presos com correntes
Soltam-se de repente
Folhas passam a flores
Ódios por Amores
... descanso no vazio
... entre as formas dos dias
... dou corpo à mudança
... sigo a circunstância
Letra: Hugo Sampaio
Música: Rui Vilhena e Hugo Sampaio
Podes ser
Podes ser
A nuvem, se eu for chuva...?
Podes ser
O rosto de Cristo, se eu for Judas...?
Podes ser
O meu pulmão, se eu for o ar...?
Podes ser
A ilha que me vai salvar...?
Podes ser...
O meu complemento...?
A metade do meu completo...?
O simples no meu complexo...?
Podes ser...?
Podes ser
No meu silêncio, o agasalho...?
Podes ser
No suplício, a minha sombra...?
Podes ser
No meu devir, a minha guia...?
Podes ser
No vento leste, a minha onda...?
Letra: Hugo Sampaio
Música: Rui Vilhena e Hugo Sampaio
A nuvem, se eu for chuva...?
Podes ser
O rosto de Cristo, se eu for Judas...?
Podes ser
O meu pulmão, se eu for o ar...?
Podes ser
A ilha que me vai salvar...?
Podes ser...
O meu complemento...?
A metade do meu completo...?
O simples no meu complexo...?
Podes ser...?
Podes ser
No meu silêncio, o agasalho...?
Podes ser
No suplício, a minha sombra...?
Podes ser
No meu devir, a minha guia...?
Podes ser
No vento leste, a minha onda...?
Letra: Hugo Sampaio
Música: Rui Vilhena e Hugo Sampaio
Desculpa mal dada (abuso de poder)
Foste inventada para um único propósito
Só és utilizada em último recurso
És sempre aliada a diversas situações
És pau para toda a obra, desde o tempo às emoções
És a desculpa mal dada por quem te inventar
Mas por mim estás desculpada, isso é abuso de poder
Tens variantes médias de uso frequente
São as meias-mentiras ditas por toda a gente
Se te tiram o prefixo podem-te prender
Ficas só com a culpa, sem saber o que dizer
És a desculpa mal dada por quem te inventar
Mas por mim estás desculpada, isso é abuso de poder
És a desculpa mal dada por quem te inventar
Mas por mim estás desculpada, isso é abuso de poder
Letra: Hugo Sampaio
Música: Rui Vilhena e Hugo Sampaio
Só és utilizada em último recurso
És sempre aliada a diversas situações
És pau para toda a obra, desde o tempo às emoções
És a desculpa mal dada por quem te inventar
Mas por mim estás desculpada, isso é abuso de poder
Tens variantes médias de uso frequente
São as meias-mentiras ditas por toda a gente
Se te tiram o prefixo podem-te prender
Ficas só com a culpa, sem saber o que dizer
És a desculpa mal dada por quem te inventar
Mas por mim estás desculpada, isso é abuso de poder
És a desculpa mal dada por quem te inventar
Mas por mim estás desculpada, isso é abuso de poder
Letra: Hugo Sampaio
Música: Rui Vilhena e Hugo Sampaio
sábado, janeiro 25, 2014
E.N. 109
Já não há medo
lúcida dor, talvez
filme da vida a rodar
última curva
último grito e, enfim
só este mundo a aguardar.
Se eu pudesse prever o futuro
se eu tivesse podido prever
cálida vida
pálido amanhecer
Oh! quem viesse apartar este
muro
suspender esta pena de mim
doce modorra
fins de tarde sem mim.
De olhos fechados
vejo as coisas tão bem
privilégio terminal
ciclo encerrado
desfecho iminente
que Deus exista, afinal.
Tantos anos contém um segundo!
quantos mais deixarei por viver?
beijos trocados
antes de adormecer
Oh! quem viesse apartar este
muro
suspender esta pena de mim
doce modorra
fins de tarde sem fim.
Música: Telmo Marques
Letra: José Guedes
lúcida dor, talvez
filme da vida a rodar
última curva
último grito e, enfim
só este mundo a aguardar.
Se eu pudesse prever o futuro
se eu tivesse podido prever
cálida vida
pálido amanhecer
Oh! quem viesse apartar este
muro
suspender esta pena de mim
doce modorra
fins de tarde sem mim.
De olhos fechados
vejo as coisas tão bem
privilégio terminal
ciclo encerrado
desfecho iminente
que Deus exista, afinal.
Tantos anos contém um segundo!
quantos mais deixarei por viver?
beijos trocados
antes de adormecer
Oh! quem viesse apartar este
muro
suspender esta pena de mim
doce modorra
fins de tarde sem fim.
Música: Telmo Marques
Letra: José Guedes
Teleguiado
Serás só mais um
A ser teleguiado...?
Aqui neste cantinho
Bem manipulado
Houve quem já deu o passo
Tomou a iniciativa
E tu amigalhaço
Vais andando à deriva...?
Até quando irá durar
A bateria deste comando?
Que te vai teleguiando?
Vais indo nessa tua
Única faixa de rodagem
Vais sendo ultrapassado
E nem vês o tracejado
Ouve as músicas do tempo
Encontra lá o teu alento
Prepara o teu futuro
Pois não há obra sem prumo
Até quando irá durar
A bateria deste comando?
Que te vai teleguiando?
Letra: Hugo Sampaio
Música: Rui Vilhena, Nuxo Espinheira e Hugo Sampaio
A ser teleguiado...?
Aqui neste cantinho
Bem manipulado
Houve quem já deu o passo
Tomou a iniciativa
E tu amigalhaço
Vais andando à deriva...?
Até quando irá durar
A bateria deste comando?
Que te vai teleguiando?
Vais indo nessa tua
Única faixa de rodagem
Vais sendo ultrapassado
E nem vês o tracejado
Ouve as músicas do tempo
Encontra lá o teu alento
Prepara o teu futuro
Pois não há obra sem prumo
Até quando irá durar
A bateria deste comando?
Que te vai teleguiando?
Letra: Hugo Sampaio
Música: Rui Vilhena, Nuxo Espinheira e Hugo Sampaio
terça-feira, janeiro 21, 2014
560
Já pensaram no cinco seis zero?
Não é data nem é número do prémio
Não é combinação de cofre
Ou escavadelas de pá
Nem são as vezes que este país sofre
Pelas voltas que tudo isto dá
É tudo aquilo que fazemos por cá
Seja um par de sapatos, ou uma saqueta de chá
Sempre seguidos, como manda o mercado
Logo ao início, é o nosso código
Nunca serão resultado desportivo
Porque o jogo tem sempre dois lados
Podiam ser em conversa de café
Os metros que o bêbado andou em pé
Podem mesmo ser a salvação aguardada
Da economia e toda esta trapalhada
Ao apostarmos mais na divulgação
Este código nunca será em vão
É tudo aquilo que fazemos por cá
Seja um par de sapatos, ou um casaco de lã
Sempre seguidos, como manda o mercado
Logo ao início, é o nosso código
Letra: Hugo Sampaio
Música: Rui Vilhena e Hugo Sampaio
Não é data nem é número do prémio
Não é combinação de cofre
Ou escavadelas de pá
Nem são as vezes que este país sofre
Pelas voltas que tudo isto dá
É tudo aquilo que fazemos por cá
Seja um par de sapatos, ou uma saqueta de chá
Sempre seguidos, como manda o mercado
Logo ao início, é o nosso código
Nunca serão resultado desportivo
Porque o jogo tem sempre dois lados
Podiam ser em conversa de café
Os metros que o bêbado andou em pé
Podem mesmo ser a salvação aguardada
Da economia e toda esta trapalhada
Ao apostarmos mais na divulgação
Este código nunca será em vão
É tudo aquilo que fazemos por cá
Seja um par de sapatos, ou um casaco de lã
Sempre seguidos, como manda o mercado
Logo ao início, é o nosso código
Letra: Hugo Sampaio
Música: Rui Vilhena e Hugo Sampaio
Casa Partida
Quando vivia em Valpaços nos anos 80 do século passado, os 190 km que separam Porto e Valpaços eram intermináveis. Pelo caminho passávamos por uma casa que entre nós chamávamos a "Casa Partida". Era comum ouvir-se: "Ainda falta muito?!" e a resposta "Ainda não passámos pela Casa Partida". A "Casa Partida", era uma casa que subsistia à margem da estrada, cujo r/c da mesma tinha sido "arrancado" por uma enxurrada, mantendo-se a casa de pé. No local havia placas a sinalizar os mortos.
A casa da foto, tem uma história mais alegre. Parece sorrir! :-)
A casa da foto, tem uma história mais alegre. Parece sorrir! :-)
quinta-feira, janeiro 02, 2014
Mandela
Mandela foi presenteado com duas vacas e quatro carneiros, como recompensa pela sua condição de homem, e depois participou numa cerimónia final, em que ouviu um discurso memorável proferido por um irmão de Jongintaba, o chefe Meligqili, que avisou os jovens de que as promessas de virilidade eram todas uma ilusão, pois eles eram um povo conquistado, escravos no seu próprio país.
Eram chefes que nunca governariam, ou jovens que iriam para a cidade, viveriam em barracas e beberiam álcool barato, ao mesmo tempo que arruinariam os pulmões nas minas, para que o homem branco pudesse viver numa prosperidade inigualável.
Os filhos de Ngubengcuka, a flor da nação xhosa, estavam a morrer.
Embora o chefe talvez pretendesse que as suas palavras fossem um apelo, um aviso, ou mesmo uma chamada às armas, Mandela percebeu que os outros jovens se sentiam como ele - furiosos, não com o homem branco, mas com o chefe, por lhes estragar o grande dia com os seus comentários ignorantes. Naquela altura, para Mandela, o chefe não conseguia apreciar o valor da educação e os benefícios que o homem branco trouxera ao país.
Contudo, o chefe plantara uma semente dentro dele, que, ao longo do tempo, começou a crescer. Como descreve nas suas memórias, percebeu mais tarde que o ignorante nesse dia não era o chefe, mas ele.
A Juventude de Mandela
David James Smith
Eram chefes que nunca governariam, ou jovens que iriam para a cidade, viveriam em barracas e beberiam álcool barato, ao mesmo tempo que arruinariam os pulmões nas minas, para que o homem branco pudesse viver numa prosperidade inigualável.
Os filhos de Ngubengcuka, a flor da nação xhosa, estavam a morrer.
Embora o chefe talvez pretendesse que as suas palavras fossem um apelo, um aviso, ou mesmo uma chamada às armas, Mandela percebeu que os outros jovens se sentiam como ele - furiosos, não com o homem branco, mas com o chefe, por lhes estragar o grande dia com os seus comentários ignorantes. Naquela altura, para Mandela, o chefe não conseguia apreciar o valor da educação e os benefícios que o homem branco trouxera ao país.
Contudo, o chefe plantara uma semente dentro dele, que, ao longo do tempo, começou a crescer. Como descreve nas suas memórias, percebeu mais tarde que o ignorante nesse dia não era o chefe, mas ele.
A Juventude de Mandela
David James Smith
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