Todas as manhãs o sol espelha
Bate nas lentes escuras
O sangue jorra de esguelha
Na pala das ditaduras
Continente grita de dor
Rebenta pelas costuras
A morte,o medo e o terror
São dias feitos agruras
Do Paraguai a Porto Rico
Salvador às Honduras
Da Bolívia à Guatemala
Argentina ao Chile
[refrão]
Latina ' América
Latina ' América
Latina ' América
Latina ' América
Descem das montanhas
Para pôr fim a essa sina
Que te rebenta as entranhas
Capacete em cada esquina
Todas as manhãs o sol espelha
Bate nas lentes escuras
O sangue jorra de esguelha
Na pala das ditaduras
Do Paraguai a Porto Rico
Salvador às Honduras
Da Bolivia à Guatemala
sexta-feira, janeiro 22, 2010
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Esclarecer o que nunca existiu com explicações que não explicam nada
A explicação de Fernando Lima é como o computador de Cavaco: tem vulnerabilidades
in: Visão
Três meses depois de ter sido afastado da Casa Civil do Presidente da República por causa do seu envolvimento no chamado caso das escutas, e dois meses depois da sua reintegração na Casa Civil do Presidente da República sem que tivesse havido novidades a propósito do seu envolvimento no chamado caso das escutas, Fernando Lima veio a público explicar o seu envolvimento no chamado caso das escutas dizendo que, tendo embora estado envolvido no chamado caso das escutas, na verdade não teve nada a ver com ele. Ora até que enfim, um esclarecimento claro e cabal sobre este estranho processo.
Primeiro, recorde-se, Fernando Lima tinha arranjado sarilhos falando a um jornal. Agora, quis esclarecer tudo escrevendo para um jornal. Não pode dizer-se que tenha aprendido a lição. Sobretudo porque a explicação de Lima é como o computador de Cavaco: tem vulnerabilidades. O ex-assessor de Cavaco e actual assessor de Cavaco diz que o caso foi empolado pelos jornais a partir de um desabafo vago e inofensivo. "Como é que elementos do PS", terá perguntado Lima inocentemente, "sabem o que faz cada um na vida privada? Andam a vigiar os assessores, quem sabe através de escutas instaladas na residência oficial do Presidente, na sequência aliás de um caso em que, ao que suspeitamos todos aqui na Casa Civil, um assessor do governo foi espiar o Presidente para a Madeira?" A partir destas simples declarações, os jornalistas, com a capacidade de efabulação que se lhes conhece, conseguiram supor que o assessor da presidência desconfiava da existência de escutas na residência oficial do Presidente, e acreditava num caso anterior de espionagem do governo a Cavaco Silva. Tudo não passou, portanto, de uma fantasia inventada pela imprensa. Para Fernando Lima, o Público esteve mal em todo este processo. O DN, revelando o modo como o Público esteve mal, esteve ainda pior. E o Expresso, que agora publicou o esclarecimento de Lima, não perde pela demora. É óbvio que também não se terá portado bem.
Em resumo, a Presidência nunca teve suspeitas gravíssimas de estar a ser vigiada, mas à cautela o Presidente mandou examinar as suas comunicações. A hipótese de vigilância aos assessores de Cavaco não passou de um desabafo que não era para ser tomado à letra, mas de facto o computador do Presidente tinha vulnerabilidades. Falar no caso na altura foi um modo de desviar as atenções dos problemas graves que o país atravessava, mas falar no assunto agora é apropriado, até porque o país já se livrou dos problemas graves que atravessava. Estava a ver que nunca mais se esclarecia isto.
segunda-feira, janeiro 18, 2010
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Mas em ti...
És amante em part-time
E amiga a tempo inteiro
O peso que carregas às costas
É o que está na moda
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Sou eu a igreja
E o tu, o campanário
Até que somos giros
P’ra dois entes feios
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Ambos temos porreiros
Ataques de fúria
Eu quero mais admiradores
Tu queres mais palco
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Tentas sempre
Portar-te à tua altura
E eu gosto da forma
Qu’tens de sentir
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Beijo-te na testa
Afastados da festa
Vejo estrelas ao beijar-te
Tudo o meu corpo se parte
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
As pedras perdoam-me
As árvores perdoam-me
Porque não me perdoas tu?
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
In Juno
A normalidade não quer nada connosco
E amiga a tempo inteiro
O peso que carregas às costas
É o que está na moda
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Sou eu a igreja
E o tu, o campanário
Até que somos giros
P’ra dois entes feios
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Ambos temos porreiros
Ataques de fúria
Eu quero mais admiradores
Tu queres mais palco
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Tentas sempre
Portar-te à tua altura
E eu gosto da forma
Qu’tens de sentir
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Beijo-te na testa
Afastados da festa
Vejo estrelas ao beijar-te
Tudo o meu corpo se parte
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
As pedras perdoam-me
As árvores perdoam-me
Porque não me perdoas tu?
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
Não vejo o que todos
Conseguem ver nos outros
Mas em ti…
In Juno
A normalidade não quer nada connosco
quinta-feira, janeiro 14, 2010
O Partido Impopular Monárquico
O país está numa situação delicada. Todos devemos contribuir com propostas
in: Visão
No ano em que se comemora o centenário da República, o Partido Popular Monárquico quer propor um referendo para saber se os portugueses preferem a monarquia. É um bocadinho como ir a um congresso de vegetarianos perguntar se alguém quer uma posta mirandesa, mas os 15 090 votos que o partido obteve nas últimas eleições legislativas terão feito germinar nos seus dirigentes a forte suspeita de que há uma grande vaga de fundo na sociedade portuguesa a favor da causa monárquica. É natural, são números que impressionam. Os monárquicos dizem que nunca ninguém perguntou aos portugueses se queriam viver num regime republicano, pelo que faz sentido referendar a questão - até por razões de equidade relativamente àquele referendo, em 1143, no qual os portugueses foram chamados a dizer se queriam viver 750 anos num regime monárquico.
Por mim, apoio o referendo. Sendo republicano, tenho admiração pelos monárquicos. Gente que não quer uma figura decorativa eleita por todos e exige uma figura ainda mais decorativa que recebe o cargo de herança. A diferença é tão subtil que é forçoso admirar quem se bate por ela. Além do mais, a monarquia é o regime ideal para todos os que já perceberam que Portugal não irá a lado nenhum enquanto for dirigido por portugueses. Nesse aspecto, a monarquia, no seu fulgurante antipatriotismo, é mais lúcida: a família real inglesa é de origem alemã e dinamarquesa, o príncipe espanhol tem ascendência grega. É muito raro que o rei de determinado país seja aquilo a que se pode chamar um natural desse país. Seria a nossa esperança, se o rei mandasse alguma coisa.
Conseguirá o PPM convocar o referendo? Infelizmente, é pouco provável. É curioso que um partido que se chama "popular" tenha uma falta de popularidade tão grande. Os 0,27% de votos que obteve ficaram muito longe de partidos como o PS ou o PSD, mas também bastante distantes dos votos nulos, com 1,37%, e dos votos brancos, com 1,74%. Há seis vezes mais portugueses que preferem não votar em ninguém do que eleitores do partido monárquico. Mesmo admitindo que o programa político dos votos brancos faz mais sentido, ainda assim é uma diferença muito grande.
Há que admirar, acima de tudo, o esforço dos monárquicos. O país está numa situação delicada, a crise agrava-se, o desemprego sobe, o endividamento aumenta. Todos devemos contribuir com propostas. Há quem defenda que o país precisa de mais investimento público, quem pense que o país precisa de uma política mais austera. Os monárquicos acham que o país precisa de D. Duarte. São opiniões. Creio, por isso, que esta proposta do referendo é o maior contributo do PPM para a política portuguesa desde o comunicado que o partido emitiu logo após a morte de Sousa Franco, na campanha eleitoral das eleições europeias de 2004. Era um comunicado que dizia, e cito: "Não queremos nem devemos dramatizar, nem tão-pouco fazer do Professor um mártir, mas a verdade é que o Professor também deveria fazer parte das pessoas que não cuidava da sua saúde. Provavelmente, não media a tensão há muito tempo. A sua morte já estava prevista." E concluía: "Ao mesmo tempo, estamos certos, esta foi a melhor e a mais eficiente forma de o Professor dizer basta desta politiquice e dos politiqueiros que a alimentam." Talvez um dia Portugal volte a ser uma monarquia. Mas espero sinceramente que isso aconteça apenas muito depois de eu já ter dito basta desta politiquice.
sexta-feira, janeiro 08, 2010
Talvez Foder
Há bombas em Belfast e em Beirute
É preciso afinar o azimute
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Há mortos na Palestina
E há feridos em Israel
Conversações que não saem do papel
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Há snipers em Sarajevo
E há fome em Bombaim
Guerra civil sem vergonha nem Fim
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Há fascistas em Berlim e em Moscovo
É o discurso que de velho se faz novo
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
...
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E nós todos o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
É preciso afinar o azimute
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Há mortos na Palestina
E há feridos em Israel
Conversações que não saem do papel
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Há snipers em Sarajevo
E há fome em Bombaim
Guerra civil sem vergonha nem Fim
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Há fascistas em Berlim e em Moscovo
É o discurso que de velho se faz novo
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
Porque o que eu quero é
O teu corpo e o teu sexo
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
...
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E eu e tu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E tu e eu o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
E nós todos o que é que temos que Fazer?
(Talvez Foder)
(Talvez Foder)
quarta-feira, janeiro 06, 2010
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Benvindo Sr. Presidente
Soubera eu que o senhor vinha
e com certeza não me tinha
apanhado na cozinha
ovos mexidos com salsichas
batata frita de pacote
e o que sobrou de um happy-meal
três embalagens de ketchup
Soubera eu que no rastreio
eu tinha sido o escolhido
um caso típico do meio
teria pedido ao serviço
que à parte de me ter dispensado
que atribuísse qualquer verba
p´ra eu tratar do convidado
Não é casa que se mostre
não é casa que se mostre
a um visitante tão ilustre
Mas
Benvindo Sr. Presidente
do Consenso Capicua
sente sente
Vá! Aqui no sofá
a casa é sua!
um café? Cerveja já não há
a casa é sua!
vou buscar a vassoura e a pá
a casa é sua!
e um banco corrido para estes senhores
Como é que se chamam?
Ah! Assessores...
Soubera eu do seu programa
e teria pelo menos
recolhido o sofá-cama
foi lá que ressonei pesado
sonhei vinganças de ex-marido
e nem senti que a mãe e o puto
p´la manhã tinham fugido
mas isso agora não interessa
mas isso agora não interessa
fotos, poses, peça, peça
Benvindo Sr. Presidente
do Consenso Capicua
sente sente
Vá! Aqui no sofá
a casa é sua!
um café? Cerveja já não há
a casa é sua!
vou buscar a vassoura e a pá
a casa é sua!
e um banco corrido para estes senhores
Como é que se chamam?
Assessores...
Soubera eu desta visita
e não me tinha agora aqui
a queixar-me da desdita
do futuro um parasita
eu que quis vida bonita
a sua agenda é apertada
e a sua vida correria
posso já ficar sozinho
ou quer ainda que sorria?
o certo é que o senhor merece
o certo é que o senhor merece
esquecer o que me acontece
Benvindo Sr. Presidente...
e com certeza não me tinha
apanhado na cozinha
ovos mexidos com salsichas
batata frita de pacote
e o que sobrou de um happy-meal
três embalagens de ketchup
Soubera eu que no rastreio
eu tinha sido o escolhido
um caso típico do meio
teria pedido ao serviço
que à parte de me ter dispensado
que atribuísse qualquer verba
p´ra eu tratar do convidado
Não é casa que se mostre
não é casa que se mostre
a um visitante tão ilustre
Mas
Benvindo Sr. Presidente
do Consenso Capicua
sente sente
Vá! Aqui no sofá
a casa é sua!
um café? Cerveja já não há
a casa é sua!
vou buscar a vassoura e a pá
a casa é sua!
e um banco corrido para estes senhores
Como é que se chamam?
Ah! Assessores...
Soubera eu do seu programa
e teria pelo menos
recolhido o sofá-cama
foi lá que ressonei pesado
sonhei vinganças de ex-marido
e nem senti que a mãe e o puto
p´la manhã tinham fugido
mas isso agora não interessa
mas isso agora não interessa
fotos, poses, peça, peça
Benvindo Sr. Presidente
do Consenso Capicua
sente sente
Vá! Aqui no sofá
a casa é sua!
um café? Cerveja já não há
a casa é sua!
vou buscar a vassoura e a pá
a casa é sua!
e um banco corrido para estes senhores
Como é que se chamam?
Assessores...
Soubera eu desta visita
e não me tinha agora aqui
a queixar-me da desdita
do futuro um parasita
eu que quis vida bonita
a sua agenda é apertada
e a sua vida correria
posso já ficar sozinho
ou quer ainda que sorria?
o certo é que o senhor merece
o certo é que o senhor merece
esquecer o que me acontece
Benvindo Sr. Presidente...
segunda-feira, dezembro 14, 2009
Capitão Romance
Não vou procurar quem espero:
Se o que eu quero é navegar!
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar.
Parto rumo à primavera,
Que em meu fundo se escondeu!
Esqueço tudo do que eu sou capaz:
Hoje o mar sou eu...
Esperam-me ondas que persistem,
Nunca param de bater!
Esperam-me homens que desistem,
Antes de morrer!
Por querer mais do que a vida,
Sou a sombra do que eu sou.
E ao fim não toquei em nada,
Do que em mim tocou.
Eu vi,
Mas não agarrei...
Parto rumo à maravilha,
Rumo à dor que houver pra vir.
Se eu encontrar uma ilha,
Paro pra sentir!
Dar sentido à viagem,
Pra sentir que eu sou capaz!
Se o meu peito diz coragem,
Volto a partir em paz.
Eu vi,
Mas não agarrei...
Se o que eu quero é navegar!
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar.
Parto rumo à primavera,
Que em meu fundo se escondeu!
Esqueço tudo do que eu sou capaz:
Hoje o mar sou eu...
Esperam-me ondas que persistem,
Nunca param de bater!
Esperam-me homens que desistem,
Antes de morrer!
Por querer mais do que a vida,
Sou a sombra do que eu sou.
E ao fim não toquei em nada,
Do que em mim tocou.
Eu vi,
Mas não agarrei...
Parto rumo à maravilha,
Rumo à dor que houver pra vir.
Se eu encontrar uma ilha,
Paro pra sentir!
Dar sentido à viagem,
Pra sentir que eu sou capaz!
Se o meu peito diz coragem,
Volto a partir em paz.
Eu vi,
Mas não agarrei...
sexta-feira, dezembro 11, 2009
quinta-feira, dezembro 10, 2009
E o Porto aqui tão perto!
E no dia de regresso, concerto das Vozes da Rádio na FNAC de Santa Catarina!
É tão bom estar de volta!
É tão bom estar de volta!
terça-feira, dezembro 08, 2009
Hoje quem
Nuno Prata
in: Todos os dias fossem estes/outros
Hoje quem acordou na minha cama,
hoje quem é que eu sou?
Já é manhã mas esta noite ainda não passou.
Que força tenho quando me tenho só a mim,
de quem mais eu preciso para respirar?
A minha cara faz-me sempre lembrar alguém…
E os meus olhos são de quem?
Eu queria ser como tu.
Eu queria crer como tu.
Eu queria ser como eu
mas dos meus sonhos acorda outro alguém.
Eu queria ser como quem?
Hoje quem acordou na minha carne
e que sonhos roubou
na madrugada de um dia que já passou?
Todo o tempo é tempo de acreditar.
Mas tanto tempo já passou
sem que a fé encontrasse em mim lugar…
(Estava sempre onde eu não queria estar.)
Eu queria ser como tu.
Eu queria crer como tu.
Eu queria ser como eu
mas dos meus sonhos acorda outro alguém.
Eu queria ser como quem?
Hoje quem acordou na minha cama,
hoje quem é que eu sou?
Já estou a pé e o dia ainda nem chegou…
in: Todos os dias fossem estes/outros
Hoje quem acordou na minha cama,
hoje quem é que eu sou?
Já é manhã mas esta noite ainda não passou.
Que força tenho quando me tenho só a mim,
de quem mais eu preciso para respirar?
A minha cara faz-me sempre lembrar alguém…
E os meus olhos são de quem?
Eu queria ser como tu.
Eu queria crer como tu.
Eu queria ser como eu
mas dos meus sonhos acorda outro alguém.
Eu queria ser como quem?
Hoje quem acordou na minha carne
e que sonhos roubou
na madrugada de um dia que já passou?
Todo o tempo é tempo de acreditar.
Mas tanto tempo já passou
sem que a fé encontrasse em mim lugar…
(Estava sempre onde eu não queria estar.)
Eu queria ser como tu.
Eu queria crer como tu.
Eu queria ser como eu
mas dos meus sonhos acorda outro alguém.
Eu queria ser como quem?
Hoje quem acordou na minha cama,
hoje quem é que eu sou?
Já estou a pé e o dia ainda nem chegou…
Isso foi antes
De: Nuno Prata
Em tempos fui feliz.
Em tempos fui
um rapaz tão afável.
Em tempos fui —
mas isso foi antes
de descrer de tudo.
(Foi muito antes
de descrer
de tudo.)
Em tempos foi feliz.
Em tempos foi
uma rapariga adorável.
Em tempos foi —
mas isso foi antes
de desistir de si.
(Foi muito antes
de desistir
de si.)
Em tempos fomos felizes.
Em tempos fomos
criaturas tão prestáveis.
Em tempos fomos —
mas isso foi antes
de sairmos ao mundo.
(Foi muito antes
de sairmos
ao mundo.)
Em tempos fui feliz.
Em tempos fui
um rapaz tão afável.
Em tempos fui —
mas isso foi antes
de descrer de tudo.
(Foi muito antes
de descrer
de tudo.)
Em tempos foi feliz.
Em tempos foi
uma rapariga adorável.
Em tempos foi —
mas isso foi antes
de desistir de si.
(Foi muito antes
de desistir
de si.)
Em tempos fomos felizes.
Em tempos fomos
criaturas tão prestáveis.
Em tempos fomos —
mas isso foi antes
de sairmos ao mundo.
(Foi muito antes
de sairmos
ao mundo.)
segunda-feira, dezembro 07, 2009
Nó Cego
"A cerveja já está choca
e o café quase a fechar,
tenho a cabeça tão oca,
Estou mesmo a flipar
Hoje quase não dormi
E o rádio não liguei
Para não pensar em ti,
Bebi Rum e até drunfei
E no meu quarto fechado,
num terrível abandono
Senti-me um macho falhado
Deixei de ser teu dono.
Nó cego, foi o que deste em mim rapariga!
Nó cego! deste-me cabo da vida!
e o café quase a fechar,
tenho a cabeça tão oca,
Estou mesmo a flipar
Hoje quase não dormi
E o rádio não liguei
Para não pensar em ti,
Bebi Rum e até drunfei
E no meu quarto fechado,
num terrível abandono
Senti-me um macho falhado
Deixei de ser teu dono.
Nó cego, foi o que deste em mim rapariga!
Nó cego! deste-me cabo da vida!
sexta-feira, dezembro 04, 2009
Uma aventura em Angra do Heroísmo - Parte 10
Isto precisa é de um referendo em cada esquina
Eu, canhoto confesso, aplaudo de pé este texto do RAP.
Guilherme Rietsch Monteiro
O casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser referendado caso a caso. Se o objectivo é metermo-nos na vida dos outros, façamo-lo com o brio que essa nobre tarefa merece.
in: Visão
Confesso que não sei se as pessoas nascem com essa característica ou se optam por adoptar o comportamento desviante que a Bíblia, aliás, condena - mas, na minha opinião, os canhotos não deveriam poder casar. Nem adoptar crianças. Um casal de pessoas, digamos, normais, acaricia a cabeça dos filhos como deve ser, da esquerda para a direita. Os canhotos acariciam da direita para a esquerda, o que pode ter efeitos perversos na estrutura emocional das crianças. Na verdade, sou contra a adopção por casais heterossexuais em geral, sejam ou não canhotos. Atenção: não tenho nada contra os heterossexuais. Tenho muitos amigos heterossexuais e eu próprio sou um. Mas não concordo que possam adoptar crianças. Em primeiro lugar, porque é contranatura. Quando olhamos para a natureza, não vemos casais de pardais ou de coelhos a adoptarem crias de outros. Pelo contrário, esforçam-se por colocar as suas crias fora do ninho ou da toca o mais rapidamente possível. Ou usam as suas próprias crias para produzir novas crias. Mas não adoptam. Provavelmente, porque sabem que é contranatura. Por outro lado, a adopção por casais heterossexuais pode condicionar a sexualidade das crianças. Todos os homossexuais que conheço são filhos de casais heterossexuais. A influência de heterossexuais tem, por isso, aspectos nefastos que merecem estudo cuidadoso. Por fim, há a questão do estigma social. Suponhamos que uma criança adoptada por um casal heterossexual é convidada para ir a casa de um colega adoptado por um casal de homens. Como é que o miúdo que foi adoptado por heterossexuais se vai sentir quando perceber que a casa do colega está muito mais bem decorada do que a dele?
Quanto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mais do que ser a favor de um referendo, sou a favor de vários. Creio que o casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser referendado caso a caso. O Fernando e o Mário querem casar? Pois promova-se uma grande discussão nacional sobre o assunto. A RTP que produza um Prós e Contras com cidadãos de vários quadrantes que se posicionem contra e a favor da união do Fernando e do Mário. Organizem-se debates entre o Mário e os antigos namorados do Fernando, para que o povo português possa ter a certeza de que o Fernando está a fazer a escolha certa. E depois, então sim, que Portugal vá às urnas decidir democraticamente se concede ao Mário a mão do Fernando em casamento. E assim para todos os matrimónios. Se o objectivo é metermo-nos na vida dos outros, façamo-lo com o brio que essa nobre tarefa merece.
Defendo, portanto, uma abordagem especialmente cautelosa desta questão. Sou muito sensível ao argumento segundo o qual, se permitirmos o casamento entre pessoas do mesmo sexo, teremos de legalizar também as uniões dos polígamos. E sou sensível porque, como é evidente, não posso negar que me vou apercebendo da grande movimentação social de reivindicação do direito dos polígamos ao casamento. Parece que já temos entre nós vários muçulmanos, grandes apreciadores da poligamia. E eu não tenho homossexuais na família, nem entre os meus amigos, mas polígamos, muçulmanos ou não, conheço umas boas dezenas. Se toda esta massa poligâmica desata a querer casar, receio que os notários fiquem com as falangetas em carne viva, de tanto redigirem contratos de união civil. Mas, felizmente, confio que os polígamos sejam, também eles, sensíveis à mais elementar lógica: a poligamia é uma relação entre uma pessoa e várias outras de sexo diferente. A reivindicarem a legalização das suas uniões, fá-lo-iam a propósito do casamento entre pessoas de sexo diferente, com o qual têm mais afinidades. A menos que se trate de poligamia entre pessoas do mesmo sexo. Mas, segundo o Presidente do Irão, parece que entre os muçulmanos não há disso.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

