quarta-feira, novembro 28, 2007
Cúmplices
in Na Alma e Na Pele, Mafalda Veiga
A noite vem às vezes tão perdida
E quase nada parece bater certo
Há qualquer coisa em nós inquieta e ferida
E tudo o que era fundo fica perto
Nem sempre o chão da alma é seguro
Nem sempre o tempo cura qualquer dor
E o sabor a fim do mar que vem do escuro
É tantas vezes o que resta do calor
Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho
Trocamos as palavras mais escondidas
Que só a noite arranca sem doer
Seremos cúmplices o resto da vida
Ou talvez só até adormecer
Fica tão frágil a alma
A quem nos traga um sopro do deserto
O olhar onde a distância nunca acalma
Esperando o que vier de peito aberto
Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho
segunda-feira, novembro 26, 2007
Foi por ela
Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela
Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela
Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela
Ouve-se o mar
in Na alma e na pele, Mafalda Veiga
Agora
que a chuva cai devagar
lá fora
a noite vem devorar
o sol
e tudo fica em silêncio
na rua
e ao fundo
ouve-se o mar
ouve-se o mar
agora
talvez te possas perder
devora
o que a saudade te der
a vida
leva pra longe pedaços
do tempo
deixa o sabor de um regaço
e ao fundo
ouve-se o mar
agora
que a água inunda os teus olhos
e o mundo
já não te deixa parar
no escuro
voltam as histórias perdidas
na alma
onde não podes tocar
e ao fundo
ouve-se o mar
domingo, novembro 25, 2007
25 de Novembro de 1975
- Deixa cair o corpo sobre a cama, e concentra-te apenas na minha voz...
Viajo na voz de Ofélia, com a pressa de quem deixou algo por fazer. Voz de mel, língua de veludo que me percorre o corpo que se entrega à sua hipnose húmida. Quero regressar ao passado, a ver se ainda vou a tempo. Desta vez, não vamos falhar. Não sei se acerto na espira certa do tempo, estas coisas da hipnose não sei se acontecem à medida dos desejos. Ofélia, ajuda-me a regressar àquela noite do vinte e cinco de Novembro, onde estávamos todos reunidos numa cave. Tu não sabes, Ofélia, nunca poderás saber a força que nos unia, eu, o Gato, o Alegria, o Mau Tempo, o Quim Comandos, o Professor, a Adélia, o Cofres, o Tono da Viela, o Leonel, a Lisa, a Elsa, o Dílio Bailarino, o Hiroxima, o Vagamente, o Beto Doutor, o Poeta, espalhados em silêncio esperando pelas armas pesadas que vinham de Lisboa. Tu nunca poderás ter a noção de como foi dura a espera, como a nossa força se transformou em desespero, pela madrugada dentro, quando nos convencemos de que as armas não chegariam nunca.
- Concentra-te na minha voz, tu tens muito sono...
Sim, sinto uma vontade irresistível de adormecer, e acordar noutro tempo. Desta vez nada vai falhar, iremos a Maceda buscar os arsenais de reserva, não ficaremos eternamente à espera. Cortaremos a Ponte da Arrábida e o Viaduto de Santo Ovídeo na noite de vinte e quatro para vinte e cinco, abriremos caminho à bala e à granada, morreremos se preciso for, para que a noite não acabe. Para não voltarmos a acordar de manhã com os sonhos todos desfeitos. Revolução ou morte, será o nosso grito. Talvez ainda haja tempo para fazer com que não tenha acontecido o que aconteceu. Talvez possamos salvar a Revolução, repito vezes sem conta, enquanto escorrego na voz de Ofélia direito ao passado com a certeza de ter uma missão a cumprir. Como se caísse num poço sem fundo, sem certeza de regresso.
Desta vez, nada vai falhar.
O Gato, o Alegria, o Mau Tempo, o Quim Comandos, o Professor, a Adélia, o Cofres, o Tono da Viela, o Leonel, a Lisa, a Elsa, o Dílio Bailarino, o Hiroxima, o Vagamente, o Beto Doutor, o Poeta, são companheiros do autor do tempo da Luar (Liga de União e Acção Revolucionária), onde os meus pais também militaram. E foi nesta fatídica noite que eles assustados com tudo o que se passava, resolveram trazer mais um para ajudar à luta. E cá estou eu, hoje aqui, 32 anos depois, com 31 anos, sentado em frente ao meu computador a pensar nisto tudo. Obrigado pais por me terem trazido para esta luta que é também minha. Eu ainda tenho sonhos e acredito que vocês também.
Beijos
Gui
“Fecho a fronteira p’ra lá de mim
olho-me em ti p’ra me ver
juro que a paz não faz parte de um sonho
espero por ti p’ra vencer”
(outro companheiro da Luar)
Não peço + nada
Só quero a solução,
Por isso diz-me em quanto tempo
Se faz a revolução.
estou-me a vir
e tu como é que te tens por dentro?
porquê não te vens também?
Letra e Música: Lenine / Dudu Falcão
in Lenine, Na Pressão
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára
Enquanto o tempo acelera
E pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto tudo o mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo, e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei,
A vida não pára
segunda-feira, novembro 19, 2007
Pois é, o jogo ainda não começou, é só na próxima 4ª feira no Estádio do Dragão, mas Portugal já está a perder por 16 mil a zero.
Na Finlândia, entendem que a própria emancipação será deles próprios ou não será de todo e por isso, 16 mil enfermeir@s ameaçam com o despedimento colectivo se não forem aumentados 24% no ordenado.
Se Cristiano Ronaldo parado não rende, o povo português, desunido, não avança!
Letra e Música: Mafalda Veiga
in Tatuagem, Mafalda Veiga
sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar
pensa em mim protege o que eu te dou
eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar
fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei
mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só
eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar
sexta-feira, novembro 16, 2007
Letra e Música: Mafalda Veiga
in Tatuagem, Mafalda Veiga
Em cada gesto perdido
tu és igual a mim
em cada ferida que sara
escondida do mundo
eu sou igual a ti
fazes pinturas de guerra
que eu não sei apagar
pintas o sol da cor da terra
e a lua da cor do mar
em cada grito de alma
eu sou igual a ti
de cada vez que um olhar
te alucina e te prende
tu és igual a mim
fazes pinturas de sonhos
pintas o sol na minha mão
e és mistura de vento e lama
entre os luares perdidos no chão
em cada noite sem rumo
tu és igual a mim
de cada vez que procuro
preciso um abrigo
eu sou igual a ti
faço pinturas de guerra
que eu não sei apagar
e pinto a lua da cor da terra
e o sol da cor do mar
em cada grito afundado
eu sou igual a ti
de cada vez que a tremura
desata o desejo
tu és igual a mim
faço pinturas de sonhos
e pinto a lua na tua mão
misturo o vento e a lama
piso os luares perdidos no chão
quinta-feira, novembro 15, 2007
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã
Ontem à noite pus-me a reflectir
Nas coisas da vida em vez de dormir
Tive um quebranto fiquei surdo e mudo
Tolhido de espanto mas percebi tudo
O mundo era meu sentia-me um rei
O tempo era extenso e eu ditava a lei
Bastou dar um passo e crescer em frente
Perdi toda a graça quase de repente
Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver um sonho acordado
Não via tão claro o sentido da vida
E tudo seria bem mais complicado
Eu era feliz tinha os meus brinquedos
O anjo da guarda tirava-me os medos
Descobri o amor e vi nele o paraíso
Mas para ser expulso às vezes pouco é preciso
Podia ter tudo do bom e do caro
Que nada acodia ao meu desamparo
Sou a alma do mundo mais bem informada
Quanto mais me informo mais sei que sei nada
Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver a sonhar acordado
Não via tão claro o significado
E tudo seria bem mais complicado
Letra e Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã
Se és apenas um pouco naif
Se és apenas o meu leit motiv
Mordes, mordes
Se és apenas um cão vadio
Se és apenas um vizinho amigo
Mordes, mordes
Sim, mordes em mim
Sim, mordes em mim
Se és apenas um ombro bom
Se não me deixas sair do tom
Uh! Uh! Uh! Uh!
Se és apenas um pouco zen
Dou-te corda para seres super-man
Acorda, acorda
Sim, acorda em mim
Sim, acorda em mim
Quando puderes, dá cá um salto
É só desceres do varandim
Manda, manda
Manda
Sim, manda em mim
Sim, manda em mim
Sim, manda em mim
Manda, mandarim
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã
Ainda me lembro de ti
Tão cheio de ti mesmo
Passeando a tua esfinge
De príncipe de alta casta
Alguém que já nem finge
Que amar-se a si mesmo basta
Havia sempre alguém
A prestar vassalagem
E a render-se à tua imagem
De narciso bem penteado
Tirando da garagem
Um coração cromado
Julgavas que a vida era
Um chevrolé vermelho
E a beleza bastava
Para seres dono do lago
Mas quebrou-se o espelho
Não aguentaste o estrago
E eu verti uma lágrima
Por não o teu olhar
Pergunto a mim mesmo
Como pude um dia por ti chorar
Narciso sobre rodas vai
E agora ao encontrar-te
Pergunto a mim mesmo
Como pude um dia sequer amar-te
E agora ao encontrar-te
Pergunto a mim mesmo
Como pude sequer amar-te
quarta-feira, novembro 14, 2007
Letra: Regina Guimarães / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã
Morrer de amor, morrer devagar
E ressuscitar
Morrer um pouco, nascer outra vez
Reviver talvez
Fala comigo desconhecido
Tão diferente e tão parecido
Filme de amor com beijo no fim
Em technicolor
Último aviso, partida iminente
Frio morno quente
Último embarque rumo ao paraíso
Primeiro dente do siso
Não me abandones nesta margem
Eu sou parte da viagem
Morrer de amor, morrer devagar
E ressuscitar
Morrer um pouco, nascer outra vez
Reviver talvez
Fala comigo desconhecido
Tão diferente e tão parecido
Perto de mim, mais longe do corpo
No lugar do morto
Vira-me do avesso, amor
Corta-me aos pedaços
Eu cresço e desapareço
Seguindo os meus próprios passos
Eu cresço e desapareço
Seguindo os meus próprios passos
Eu cresço e desapareço
Não me abandones nesta margem
Eu sou parte da viagem
Capitão coração
Sempre fora de mão
Morrer de amor, morrer devagar
Filme de amor com beijo no fim
Em technicolor
sexta-feira, novembro 09, 2007
“A sociedade de consumo é muito pouco erótica.” A afirmação é de Júlio Machado Vaz no programa “Praça da Alegria” de 8 de Novembro de 2007. Numa sociedade em que tudo é imediato, fala-se e “consome-se” muito sexo, mas quando se fala na “arte” de erotizar, seduzir, agradar, acarinhar, amar @ outr@, o cenário é completamente diferente.
Já diziam os “Táxi” nos anos 80 “mastiga e deita fora, sem demora, Chiclet”.
Fará esta sociedade que nós próprios criamos, parte da selecção natural de que nos falou Charles Darwin?! É um dos caminhos que a espécie humana deve seguir porque a torna mais apta? Torna mesmo?! Somos hoje mais felizes do que o que são/foram os nossos pais/avós?! Somos mesmo?! O próprio conceito de felicidade não está também ele contaminado por esta sociedade de consumo?! Estamos proibídos de ficar tristes, temos de estar (ou transparecer aos outros) que estamos sempre bem e não aprendemos a ficar tristes, chorar, amuar… E depois, depois, quando já não conseguimos disfarçar mais, entramos em depressão, porque não exorcizámos antes a tristeza e as mágoas que temos, e vamo-nos transformando em patetas felizes, felizes a 100%.
Paremos todos. Paremos para pensar, para chorar, para amuar, para erotizar, para amar…
A discussão do Orçamento de Estado para 2008, é uma discussão triste. Uma luta de titãs, em que ao invés de se procurarem alternativas credíveis para o país, e que nos tirem deste sufoco em que todos (quase todos, só fogem à crise muitos poucos, aliás para esses a crise é benéfica, pois continuam a enriquecer), surgem as disputas pessoais, em que apenas se tenta ver qual deles terá feito pior.
O que a mim, me causa arrepios, é haver quem não consigo perceber isto e entrar no jogo, escolhendo o seu lado. É por haver quem os alimente que eles estão lá, que eles são assim.
A política não é isto, ou não deveria ser, mas só poderá realmente mudar, quando acordarmos e percebermos que a cidadania é um acto contínuo e que não é ninguém além de nós próprios.
Apenas votarmos (quando votamos) de 4 em 4 anos, ou entrando na engrenagem, não questionando as coisas, não tomarmos posição sobre o que nos rodeia, faz com que as decisões que afectam as nossas vidas, sejam tomadas pela “bicharada”.
Não intervir, é também uma forma de intervir, quanto a mim, a pior.
É tempo de não fazermos silêncio, pois já dizia o Pedro Abrunhosa em 1994: “o silêncio é a arma que eles usam contra nós, porque isso é que nós nunca devemos fazer SILÊNCIO!”.
quarta-feira, novembro 07, 2007
Letra: Arnaldo Antunes / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã
Sai para andar, anda
Vai, volta ao mesmo lugar
Não adianta, cai
Parece que vai desmair
Levanta, fica no ar
Descansa, cansa de tanto esperar
Alcança o mesmo lugar
Onde estava antes
Ainda e enquanto avança
Volta a ficar esperando
Passar o momento
Não morre, não dorme e se dorme
Acorda outra vez nesse corpo
Não dorme, não morre e se morre
Acorda outra vez noutro corpo
Pra continuar
quarta-feira, outubro 31, 2007
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã
Eu tento ler-te em cada frase
Tens um mistério
Que eu não desvendo
Embora às vezes esteja quase
O teu silêncio mais parece
Um ponto final
Volto atrás, tento entender
Mas não sou capaz
Eu quero entrar no teu enredo
Mas tenho medo
De não conseguir passar
Do prefácio
Talvez me possas
Dar uma luz
Tudo o que eu peço é um sinal
Eu não quero o acesso
A todos os teus segredos
Mas só a alguns
Dá-me um indício
Mesmo contrário
"Contraditório"
Dá-me a palavra
Que eu vou procurá-la
Ao dicionário
Eu quero entrar no teu enredo
Mas tenho medo
De não conseguir passar
Do prefácio
Dá-me uma chance
É tudo o que eu quero
É muito mau
Ler um romance
Sem sair do ponto zero
Talvez me possas
Dar uma luz
Tudo o que eu peço é um sinal
Eu não quero o acesso
A todos os teus segredos
Mas só a alguns
sábado, outubro 27, 2007
Sexto Andar
in Cintura, Clã
Uma canção passou no rádio
E quando o seu sentido
Se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio
Encontrou num sexto andar
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular
Que a canção estava a falar
E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
O que ninguém
estava lá para dar
Um sopro um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio
Numa simples canção
Uma canção passou no rádio
Habitou um sexto andar
segunda-feira, outubro 22, 2007
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã
Vejo que estás mais crescida
Já dobras a frustração
Bates com a porta ao mundo
Quando ele te diz não
Envolves o teu espaço
Na tua membrana ausente
Recuas atrás um passo
Para depois dar dois em frente
Amuar faz bem
Amuar faz bem
Ficas descalça em casa
A fazer a tua cura
Salva por um bom amuo
De fazer má figura
Amanhã o mundo inteiro
Vai perguntar onde foste
E tu dizes apenas
Que saíeste, viajaste
Amuar faz bem
Amuar faz bem
Nada como um bom amuo
Apenas um recuo quando nada sai bem
E depois voltar
Como se nada fosse
E reencontrar o lugar
Guardado por um bom amuo
terça-feira, outubro 16, 2007
Letra: Adolfo Luxúria Canibal / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã
A garganta seca
Pelo fumo do acre
Sou Salomé no nó dos calores
Que faltal boneca
Revestida a lacre
Sou Salomé fábrica de amores
Passo com ar bombástico
Digo maviosamente
Levo o paraíso em mim!
Levo o paraíso!
Os olhares pousam
Sobre o meu corpete
No salivar glutão do desejo
Mas as mãos não ousam
Tão voraz joguete
Sou Salomé ébria de ensejo
Passo, passo com ar bombástico
E digo maviosamente
Tenho o paraíso em mim!
Tenho o paraíso em mim!
Levo o paraíso!
Levo o paraíso em mim!
Secreto jardim
A um passo de ti
Dourado e carmim
A um passo de ti
Tenho o paraíso em mim!
Tenho o paraíso em mim!
Levo o paraíso!
Tenho o paraíso em mim!
Levo o paraíso!
Levo o paraíso em mim!
Em mim...
A mim!
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã
Se um dia me aproximar de ti
Não penses que é só um flirt
Não julgues que é um filme
Que já viste em qualquer parte
Pensa bem antes de agir
Evita ser imprudente
Faz a carta do meu signo
E vê à lupa o ascendente
Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou
Tem cuidado e tira a teima
Tu não sonhas ao que venho
Não sabes do que sou capaz
Eu dou tudo quanto tenho
Não funciono a meio gás
Vem sentar-te à minha frente
E diz-me o que vês em mim
Não respondas já a quente
Pondera antes de dizer sim
Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou
Fere, rasga e queima
Diz-me se vês o granito
Onde se gravam os grandes temas
Diz-me se vês o amor infinito
Ou somente um par de algemas
Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou
Fere, rasga e queima